Gabriela

Gabriela (1975)
Gabriela
Média do filme: 3.9 de 5 — baseado em 308 votos
MÉDIAFILMOW
3.9
308 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Walter Avancini
País de origem Brasil 🇧🇷

Dirigido por

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Sinopse

A novela retratava a vida de Gabriela, simples moça do sertão baiano que fora para Ilhéus para fugir da seca nordestina. Moça sofrida, porém muito alegre, seduzia os homens; a novela mostrava o amor de Gabriela com um estrangeiro que não aceitava seu comportamento, ora ingênuo, ora loucamente sensual. Gabriela era uma cabocla (filha de índia com branco) brigona e ousada, que andava descalça e com vestidos extremamente curtos, e muito trabalhadora

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Comentários 0
amigos querem ver
jordisonfrancisco
Jordison
3 anos atrás

Um beijo de Gabriela

Há uma frase de Dora, personagem de Fernanda Montenegro em Central do Brasil, de Walter Salles, que até hoje me emociona e perturba.

Sem se despedir do menino Josué, vivido por Vinicius de Oliveira, ela embarca, no desfecho do filme, em um ônibus caindo aos pedaços, de volta ao Rio de Janeiro, e lhe escreve uma carta de despedida. Nela, fala de sua já distante infância, e conta sobre quando o pai, maquinista ferroviário, a deixou, ainda pequena, fazer soar o apito do trem. Um momento perdido no tempo. Mas único, inesquecível para ela.

Dora pede ao garoto que, quando sentir falta dela, dê uma olhada no retratinho que tiraram juntos, e arremata a carta: “Eu digo isso porque tenho medo que um dia você também me esqueça. Tenho saudade do meu pai. Tenho saudade de tudo.”

Esse epílogo, embora triste, melancólico, embute uma ponta de esperança. Josué, órfão de mãe, encontra os irmãos mais velhos, e ganha a perspectiva de ter, enfim, uma família. E ela, antes uma mulher amarga, desesperançada e egoísta, parece reencontrar a sua humanidade.

Mas voltemos à frase de Dora, aquela em que a personagem diz ter medo do esquecimento e, ao mesmo tempo, sentir saudade de tudo. Quem já viveu um tanto, e tem, como eu, o hábito de olhar com frequência pelo retrovisor, de revisitar estradas percorridas, em busca de novos significados para antigas paisagens, sente, como a personagem de Fernanda Montenegro, o temor de que essa jornada seja, no fim das contas, uma longa estrada solitária. E, além da nostalgia, a tal “saudade de tudo” seja o único legado da existência quando finalmente chegarmos ao destino, seja ele qual for.

E, revi meio ao acaso, na televisão, trechos de Aquarius, longa-metragem do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho estrelado por Sonia Braga. A atriz paranaense, em estado de graça, é Clara, crítica de música aposentada que se recusa a deixar o apartamento onde viveu boa parte da vida, apesar de toda a pressão que sofre da construtora que pretende demolir o antigo edifício na orla de Recife para construir um grande empreendimento imobiliário. O filme fala de resistência e memória, tema que me é muito caro.

A Sonia chegou ao estrelato na televisão brasileira quando protagonizou, em 1975, a novela Gabriela - quando a histórica adaptação do romance de Jorge Amado estreou na TV aberta. O folhetim, escrito por Walter George Durst e dirigida por Walter Avancini, virou em pouco tempo um fenômeno cultural – e um acontecimento de grandes proporções na minha família. Só se falava das ousadas – e sensualíssimas, para os daquela, ou de qualquer época – cenas de amor entre a personagem-título, uma desinibida retirante do interior da Bahia, de pele morena e pés descalços, e o turco Nacib, que na verdade é sírio-libanês.

Gabriela e Nacib se deitavam e se amavam diante das câmeras – e do Brasil inteiro – ao som de temas de Dori Caymmi e de “Alegre Menina”, cujos belos versos eram cantados por um ainda quase desconhecido compositor alagoano chamado Djavan. E o país, em plena era da pornochanchada, se chocava e se deleitava, encantado em ver tudo aquilo no conforto do lar.

Talvez por causa desse alto teor erótico, considerado uma temeridade nos anos de chumbo de ditadura militar, eu era, digamos, “proibido” de ficar acordado até as 10 horas da noite para assistir ao folhetim. “Não é programa para criança”, cansei de ouvir. Mesmo assim, a maioria desafiava as regras domésticas e lembra de ter visto, escondido, muitos dos 130 e poucos capítulos de Gabriela.

Você se lembra disso: "Esperava minha mãe, que entrava no trabalho muito cedo, pegar no sono e, pé ante pé, saía do quarto sem fazer qualquer barulho. Sentava-me no tapete da sala de nosso apartamento em Copacabana, a dois, três palmos do primeiro aparelho de televisão em cores que tivemos, e mergulhava na Ilhéus dos anos 20. Inebriado."

E, logo em seguida, me levaram até ela: Sonia Braga, já com os cabelos alisados e bem mais curtos, à altura do ombro, se transmutando em Gabriela(1983) ou Dona Flor(1975) ou Solange(1978). Linda, de grandes olhos castanhos e muito simpática, Sônia Braga, Gabriela, Dona Flor e Solange tinham me beijado. E agora as quatro te afagavam os cabelos.

E que voltei dormindo, feliz da vida, no carro.

ministrodocinema
Pedro Dantas
5 anos atrás

Para os interessados em ver esse clássico da nossa TV, a novela está praticamente completa no Youtube e Dailymotion, gravada da SIC de Portugal. Recomendo! :)

robertogarciadopoder
Roberto
5 anos atrás

Novela maravilhosa, mas o filme é um lixo. Só uma pornochanchada como qualquer outra.

rafaelbalardin
Rafael Balardim
6 anos atrás

Muito, mas muito boa mesma.
Marca a histórias das novelas brasileiras, com interpretações dignas da obra de Jorge Amado.

rogeriocastelo1
R
½
6 anos atrás

A melhor versão de Gabriela, com simplicidade convincente e Sônia Braga deslumbrante.

editado
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