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Data de lançamento
1 Set. 2025Duração
Durante uma tempestade solar que ameaça colapsar a gravidade da Terra, quatro mulheres confrontam mistérios enterrados numa mansão à beira do fim. Entre segredos, memórias e rancores, nasce uma nova chance de reordenar o mundo.
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Gosto de como a história se desenvolve toda dentro de uma casa. Existe a impressão de que estamos cercados o tempo todo, com uma estranha entre nós. Essa ideia de fim de mundo mais intimista já foi muito abordada, até pelo bosta do Lars von Trier, porém ainda me parece que tem um caldo pra tirar.
Fantasmas e pessoas vivas do passado voltam, há uma espécie de transe que envolve as personagens, nós não sabemos em quem confiar, mas isso meio que não importa. Tal qual não importa também o que é real e o que não é. Um bom exercício nos fazer pensar: o que fazer se o mundo for acabar e nós soubermos? Há o que fazer? Aparentemente não muito.
É até um pouco irônico olhar para o desfecho, quando uma mulher trans tem uma criança e parece que tudo vai seguir, é tudo um grande renascimento, não um fim.
Mas não há saída, acabou. No final, a biruta estava certa.
Queria destacar também o valor que vem sendo dado a Helena Ignez nos últimos anos. Muito legal ver em tela essa homenagem a ela em vida.
Pra quem gostou, recomendo A praia do fim do mundo, do Petrus Cariry. Acho que traz essas noções de fim de mundo e enclausuramento muito bem também.
Depois de passar por festivais como Cine Ceará e Mostra de Cinema de SP, ‘Gravidade’, longa pernambucano de Leo Tabosa, teve exibição no Mix Brasil onde foi recebido com calorosos aplausos. É um bom filme de teor tanto feminista quanto queer, que flerta com gêneros dos mais diversos, como drama, ficção científica e até o terror sobrenatural. O tom do filme é de ‘fim do mundo’. Duas mulheres, mãe e filha, passam a noite em claro esperando pelo fim dos tempos. Isto porque uma delas acredita em supostas teorias da conspiração que apontam que a gravidade irá acabar nas próximas horas. Isoladas em casa, os ânimos se acirram, as brigas crescem, e nada de o mundo acabar. Porém uma fenda na parede da cozinha aos poucos se abre, chamando a atenção para uma luz que sai de dentro. Não é um filme fácil nem fluido, exige-se atenção, há muitas passagens simbólicas e visualmente ousadas, como a da misteriosa fenda e a entrada de personagens ocasionais na trama, que mudam o destino da história. Vejo o filme como um exercício estético para poucos – é difícil vermos o scifi estilizado no cinema brasileiro. O elenco engrandece o curioso filme independente, com veteranas do cinema em cena, como Clarisse Abujamra e Helena Ignez, e um trabalho pessoal impecável de Hermila Guedes e Marcélia Cartaxo. Gostei de ter conhecido o filme no Festival Mix e espero que logo estreie para que o público possa vê-lo. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom