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Data de lançamento
10 Out. 1966Duração
Em 1820, Abner Hale (Max von Sydow), um rígido missionário vindo da Nova Inglaterra, casado com a bela Jerusha Bromley (Julie Andrews), tenta catequizar os nativos da exótica ilha do Havaí. Mas o choque entre as duas culturas é grande e o desentendimento entre os dois povos pode resultar em tragédia.
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Um épico dos anos 60 que custou caro para os padrões de cinema da época e hoje caiu no esquecimento, estrelado pelo sueco Max Von Sydow, que vinha dos filmes de Ingmar Bergman, e aqui seria seu terceiro trabalho nos Estados Unidos – antes ele interpretou Jesus Cristo em ‘A maior História de todos os tempos’ (1965), e Julie Andrews, logo após os sucessos de ‘Mary Poppins’ (1964) e ‘A noviça rebelde’ (1965). É um drama sobre choque cultural, com uma bonita fotografia e longuíssima duração, baseado no livro homônimo de James A. Michener, escritor conhecido pelas sagas em territórios exóticos – é dele outro livro famoso que virou filme oscarizado, ‘Sayonara’ (1957), com Marlon Brando. A história se passa em 1820, no Havaí, um arquipélago isolado do Pacífico, habitado por nativos descentes de polinésios, 140 anos antes de se tornar um estado americano. Chega ao território um missionário religioso com a esposa, para catequizar aquele povo. O casal, distante de sua terra natal e deslumbrado pelos rituais ali praticados, encontrará dificuldades em seguir a missão. Juntos deles estarão um capitão da Marinha, Rafer Hoxworth (Richard Harris), que com o tempo iniciará conflitos com o casal, e um médico bondoso, Dr. John Whipple (Gene Hackman). Apesar das diferenças, o reverendo e a esposa conseguem uma aproximação dos nativos por meio da chefe-maior do reino do Havaí, Malama Kanakoa, chamada de ‘Ali-i Nui’ (Jocelyne LaGarde), uma espécie de rainha, tratada com toda pompa pelos súditos. Com o passar das semanas, uma crise inesperada irrompe entre os nativos e os brancos.
O filme recebeu sete indicações ao Oscar: melhor atriz coadjuvante (para a polinésia Jocelyne LaGarde, que só fez esse filme e nunca mais atuou, e pelo trabalho ganhou o Globo de Ouro), fotografia, figurino, som, efeitos especiais, canção e trilha (muito boa, de Elmer Bernstein, que também ganhou o Globo de Ouro). O missionário, interpretado por Sydow (que concorreu ao Globo de Ouro), foi inspirado no verdadeiro reverendo Hiram Bingham (1789-1869), um protestante norte-americano que liderou expedições ao Havaí para levar o cristianismo para a ilha e lá viveu 20 anos com a esposa.
O roteiro é de Dalton Trumbo, perseguido pelo Macarthismo, que o escreveu ao lado de Daniel Taradash, e a direção é de George Roy Hill, que depois faria dois clássicos contemporâneos, ‘Butch Cassidy’ (1969) e ‘Golpe de mestre’ (1973). Rodado em boa parte no Havaí, o drama teve uma continuação bem inferior em 1970, ‘O senhor das ilhas’, com foco no capitão da Marinha Raper Hoxworth, neste interpretado por Charlton Heston – o ator tinha sido escalado para o anterior, mas foi substituído por Richard Harris.
Curiosidade: Bette Midler, natural da capital do Havaí, Honolulu, estreava aqui, aos 20 anos, como figurante, numa cena de segundos – ela é uma das passageiras que fica enjoada no barco, no início do filme.
Há duas versões de ‘Havaí’: a de cinema, de 189 minutos, e a versão americana com cortes, de 162 minutos, essa disponível no Brasil em DVD pela Obras-primas do Cinema.
POR FELIPE BRIDA - BLOG Cinema-naweb
Grande produção de Hollywood. Filme baseado numa famosa obra literária, mas curiosamente a boa ambientação histórica (realismo) é seu aspecto mais interessante.
No caso, trata-se da ocupação das ilhas do Havaí, com especial referência ao ano de 1820, quando o governo dos EUA enviou uma missão protestante para catequizar os indígenas de origem polinésia.
Parte da história das ilhas é resgatada nos diálogos que reportam crenças, lendas, disputas tribais e o regime monárquico. A organização social dos nativos sucumbiria ante os povos e culturas visitantes (os invasores “civilizados”), principalmente em razão de brigas fundiárias e epidemias de doenças.
Em que pese o excesso da ortodoxia do Pastor Hale (dado que torna insuportável o personagem central ao longo da trama), tudo faz sentido no desenrolar dos fatos, e pode nos proporcionar valiosas reflexões filosóficas sobre a convivência humana.
No começo, aquilo que era um paraíso para os indígenas – uma terra de ímpios, aos olhos do Reverendo –, logo se transformaria num inferno para ambos.
Toda convicção é, no fundo, uma idiotice! Erro e prepotência. Fracasso e tragédia. Custa admitir isso.
No fim, beneficiaram-se dos fatos não os que se envolveram espiritualmente com a ocupação das ilhas, mas sim os que as exploraram economicamente.
(Médico ao Pastor:) “Quando o capitão Cook descobriu essas ilhas há 50 anos, elas eram um verdadeiro paraíso. Doenças contagiosas eram desconhecidas. Eles não pegavam nem gripe. Havia mais de 400 mil deles, agora há menos de 150 mil. Eu e você talvez vejamos o último havaiano a entrar num caixão. Todos mortos, mas com os serviços cristãos em dia“ (…) “pois é impossível entrar no céu sem ser batizado!” (Pastor para esposa)
Vale a pena ver. Nota 8.
Assisti em 09/07/1980, quarta, no canal 2 (TV Guaíba, pelo que lembro), em Sessão de Cinema.
Como o Rev. Abner há muitos.
Max von Sydow, que ator magnifico
Julie Andrews, linda!
Estou sem saber o que dizer desse filme
Super-produção épica indicada a 7 categorias no Oscar: melhor atriz coadjuvante, Jocelyne LaGarde (1924-1979), melhor fotografia em cores, melhor figurino em cores, melhor som, melhores efeitos visuais, melhor trilha sonora e melhor canção original; no Globo de Ouro, teve mais 3 nomeações: melhor ator de drama, Max Von Sydow, vencendo os de melhor atriz coadjuvante, Jocelyne LaGarde, e melhor canção original.
O filme foi baseado no famoso romance de mesmo nome de James A. Michener (1907-1997). Houve uma sequência a seguir: O Senhor das Ilhas (70).
Conta a história de um estudante da divindade da Universidade de Yale, reverendo Abner Hale, em 1820 (século 19) que, acompanhado por sua nova noiva, Jerusha Bromley Hale, se torna um missionário calvinista nas ilhas havaianas. Ele tenta converter rainha nativa, Malama Kanakoa. Tufões, epidemias, ameaças de adultério e outros pecados o pastor tenta impedir.
A taitiana Jocelyne LaGarde é a única artista na história do Oscar a ser indicada por uma única performance já realizada. Ela nunca havia atuado antes e nunca interpretou novamente outro papel em toda a sua vida. Alegadamente o primeiro ou, se não, certamente, um dos primeiros filmes a apresentar um sintetizador Moog como um instrumento de pontuação. Este filme foi o melhor bilheteria de 1966. A segunda foi a produção de Dino De laurentiis, A Bíblia: No início ... (66). Em ambos os filmes, Richard Harris (1930-2002) acabou participando. Com grande sucesso americano nas bilheterias, o filme não foi geralmente repetido na Europa. Muito do romance de James Michener foi deixado de fora dessa adaptação que, após uma seqüência, O Senhor das Ilhas, usou material adicional do livro. Isso, no entanto, foi um grande desastre de bilheteria.
O filme é, na verdade, uma história bastante íntima e incrivelmente trágica, apesar de sua pretensão à escala "épica". As performances são excelentes, especialmente do sueco Max von Sydow como Abner, o teimoso e inflexível missionário. Menção especial deve ser feita a Jocelyne LaGarde, como Rainha Malama. Jocelyne mostra um desempenho maravilhoso e permanecerá para sempre em nossas mentes como o símbolo do calor e do coração havaiano. Vale ressaltar que o filme deixa muitas mensagens edificantes a respeito da Bíblia
e sobre a conversão de um povo dominado por seus deuses e práticas mundanas.