No século 17, a bruxa Jennifer e seu pai são queimados em uma fogueira por Wooley. Antes de morrer, ela amaldiçoa Wooley e seus descendentes, para que eles nunca sejam felizes no casamento. Já no século 20, Jennifer volta para tentar se vingar do último descendente dos Wooley, com uma poção de amor. Mas algo sai errado em seu plano.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Certos filmes nascem para se tornarem clássicos do cinema, e, certamente, "I Married a Witch" se encaixa nessa categoria.
Esta deliciosa comédia de René Clair abraça de vez as situações absurdas, construindo um roteiro que, embora previsível, dispõe de um elenco competentíssimo e de inovações técnicas para a época, que ainda hoje divertem. O resultado? Não há como como passar indiferente a essa história - diverti-me à beça com as artimanhas da bruxa Jennifer e as atuações de Veronica Lake e Fredric March, que brilham em tela (apesar de ficar triste ao descobrir, terminada a sessão, sobre os motivos da rivalidade existente entre os dois). A personagem da noiva é relegada a mera coadjuvante, sem muito destaque para as interações com Jennifer - o que, se tivesse acontecido, seria interessante de acompanhar -, fora que os noivos sequer pareciam apaixonados rsrs, mas isso não tira o mérito do filme.
Pois bem, "I Married a Witch" é um marco das comédias românticas fantasiosas e que me seduziu de primeira!
A ideia de I Married a Witch (1942) sempre me pareceu muito boa, aquele tipo de premissa charmosa que já nasce com potencial para render não só um filme divertido, mas até mesmo uma série — algo que, aliás, aconteceu décadas depois com tantas produções de temática parecida. Mas confesso que o desfecho sempre me soou anticlimático.
O pai dela ir contra a própria filha naquele final me quebrou um pouco a experiência; eu gostaria que ela mantivesse seus poderes, que o pai acabasse fazendo parte da família e que todos seguissem felizes, porque tinha espaço narrativo de sobra para isso e seria um fechamento mais caloroso, mais coerente com o tom leve da trama.
Fredric March está muito bem aqui, entregando um personagem meio engomadinho, correto demais, aquele tipo de sujeito que vive pela reputação e pela aparência, mas que, aos poucos, vai desmontando esse verniz ao se ver completamente envolvido com a protagonista. March sempre foi um ator de enorme presença e versatilidade — não é à toa que brilhou em trabalhos icônicos como Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1931), que lhe rendeu o Oscar, e The Best Years of Our Lives (1946). Aqui, ele dosa humor, desconforto e charme com precisão, funcionando como contraponto perfeito para a energia quase sobrenatural de sua parceira de cena.
E falando nela… Veronica Lake. A cada filme que vejo dela, eu me apaixono mais. Ela era diferenciada demais, tinha uma mistura única de delicadeza, sensualidade discreta e uma presença meio etérea que poucas atrizes daquela época — ou de qualquer época — conseguiram replicar. Aqui, como a feiticeira Jennifer, ela transborda carisma: é travessa sem ser exagerada, doce sem ser boba, misteriosa sem ser distante. É impossível não virar fã.
O filme, dentro do que propõe, traz inovações interessantes para a época. É uma comédia fantástica simples, familiar, quase ingênua, mas com uma leveza que não era tão comum no início dos anos 40, especialmente no meio da guerra. A mistura de fantasia, romance e humor funciona bem, e a dinâmica entre Lake e March sustenta a narrativa mesmo quando o roteiro dá umas tropeçadas. Além disso, o uso da magia como motor cômico — aliado à estética visual elegante e aos efeitos simpáticos para o período — abriu caminho para um estilo de comédia sobrenatural que se tornaria bem mais popular nos anos seguintes.
No fim das contas, I Married a Witch é aquele filme gostoso, encantador à sua maneira, cheio de charme e com um par central delicioso de assistir.
Mas eu não deixo de pensar como poderia ter sido ainda melhor com um final mais acolhedor, menos truncado e sem o pai sabotando tudo no último instante.
Assistido em 23/11/2025
Filme fantasioso sobre bruxa
Roteiro péssimo
Porém, me diverti bastante com o filme
Certamente devo relevar o clichê constituído e lembrar que em 1942 esta história deveria ser extremamente original e criativa ( por incrível que pareça ainda consegue trazer um certo frescor). No fim das contas é super divertido e carismático e com uma Veronica Lake deliciosamente linda e carismática.
CASE-ME COM UMA FEITICEIRA, dirigido por René Clair, serviu de base para que duas séries viesse a tona séries televisivas de sucesso como "A FEITICEIRA" e "GENIE É UM GÊNIO". Apesar do roteiro ser inconsistente e tudo ser deveras apressado. As situações humorísticos funcionam, graças à química do casal central (embora os dois astros não tenha se dado bem nos bastidores). Frederic March está imponente como o ávido candidato a senador. E Verônica Lake está deslumbrante como a feiticeira Jennifer. Gostosinho de ver.