Três histórias de três jovens que cometem homicídios, mostrando a alienação que afectava a juventude do pós-guerra em várias cidades europeias.
No episódio francês, um grupo de estudantes do liceu planeia e executa a morte de um colega abastado que invejavam.
No episódio italiano, um pequeno contrabandista comete um homicídio num momento de pânico e é ferido ao fugir da polícia.
No episódio inglês, um jovem poeta encontra um corpo num parque e tenta vender a história aos jornais, dizendo mais tarde que foi ele mesmo o assassino para chamar a atenção sobre si próprio.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Eu adoro assistir a esses filmes antigos que nos atravessam como se fossem questões contemporâneas. Isso me lembrou uma conversa que tive com um amigo, em que, numa fala moralista, eu dizia que o mundo atual é podre, e por isso não teria filhos. Ele me respondeu que o mundo sempre foi assim agora é só a minha vez de vivenciar isso!
Disponível no Prime Vídeo (MUBI).
O terceiro longa-metragem de Michelangelo Antonioni é, na verdade, a reunião de três curtas escritos especialmente para o filme e baseados em fatos reais que lidam com a delinquência juvenil na Europa do pós-guerra. Com cada história passada em uma cidade diferente – Paris, Roma e Londres – e elencos locais, falando sua própria língua, a ambiciosa produção teve problemas de ordem financeira para ser realizada, especialmente em razão da pegada negativa do diretor e co-roteirista, mas também pelo uso de crimes então recentes em uma narrativa de ficção, o que levou a obra a ser censurada na Itália e França e completamente proibida na Inglaterra.
Mesmo com problemas e grandes oscilações de qualidade, "Os Vencidos" acaba cumprindo seu objetivo de alertar uma geração para sua própria falta de rumo, algo que, claro, seria melhor abordado não só pelo próprio Antonioni, como, também, por seus contemporâneos europeus e também americanos em obras que marcariam a Sétima Arte. Como filme, essa é, sem dúvida, uma obra menor do diretor que, porém, já demonstrava sua habilidade técnica e narrativa.
Contudo, não poderia deixar de ressaltar a sinistra atmosfera criada pelo diretor, a impecável fotografia em preto e branco, as atuações e o merecido status de cult-movie para essa clássica produção franco-italiana de 1953.
Conferido no MUBI com o título alternativo: "Epílogo de Sangue".
Uma antologia com um tom moralista, com a “juventude perdida” sendo representada por pessoas da classe média em busca de dinheiro fácil. A terceira história é a melhor e lembra um pouco de Pacto Sinistro, do Hitchcock, até mesmo na atuação do Peter Reynolds. 22/06/2024
Histórias sobre legítimos "delinquentes sem causa" cometendo crimes por motivos fúteis. A primeira história é que mais lembra o estilo Existencialista do diretor, a segunda já puxa pro Noir e a terceira carrega um pouco mais na ironia,sendo quase um preview do seminal "Blow Up".Bom!
Filme em três segmentos do Michelangelo Antonioni, todos sobre a criminalidade juvenil. Possui uma atmosfera de denúncia, como se fosse um filme de encomenda do governo para conscientizar os pais sobre os horrores da juventude europeia, o que me incomoda pelo sensacionalismo barato. Quase não há os traços característicos do Antonioni nas três histórias, todas medíocres diga-se de passagem. A francesa possui o benefício de ser a primeira, tendendo sempre a ser a melhor recebida, mas possui um roteiro bem frágil. Já a italiana não consegue tempo necessário para explorar toda a pretensão do sentimento de culpa que esta propõe. Enquanto que a inglesa, por sua vez, é de uma previsibilidade que beira certa estupidez - no entanto, é curioso notar como esta última já indica ideias que serão resgatadas (de forma bem mais madura) quando ele for fazer "Blow-Up", o primeiro longa dele feito, de fato, na Inglaterra (o local onde é encontrado um corpo, o jogo de tênis, etc...).
P.S.: Sofia Coppola já declarou em algumas ocasiões seu apreço pelo cinema de Antonioni - inclusive a cinematografia dela tem mais a ver com a dele, do que com a do próprio pai - e não pude deixar de pensar que 'I Vinti' ajudou a inspirá-la a fazer o seu - também medíocre - "Bling Ring - A Gangue de Hollywood".