Paris. Um conhecido editor e escritor, Pierre Lachenay (Jean Desailly), ao viajar até Lisboa conhece uma aeromoça, Nicole (Françoise Dorléac), por quem fica apaixonado. Logo eles se envolvem, mas acontece que há 12 anos ele é casado com Franca (Nelly Benedetti) e o casal tem uma filha, Sabine (Sabine Haudepin). Assim eles mantêm o caso escondido de todos, com Pierre fazendo viagens de negócios como forma de estar com Nicole, mas nem tudo transcorre da melhor forma.
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Nicole: "A vida não é o que eu imaginava". Bravo!
Me envolveu muito mais na revisão (15 anos depois!) no mesmo Telecine Cult da vida. A lentidão não me incomodou como da última vez, nem achei monótono agora. Com mais vivência, desencanto pela vida e desilusões amorosas, me tocou muito mais fundo. Me fez novamente viajar por Lisboa, Paris e o interior da França, tudo lindamente fotografado como num sonho melancólico em preto e branco - e ainda referências ao Brasil e sua extinta Panair (encerrada no ano seguinte pela ditadura militar). Por acaso, a diva Dorléac também estrelou O Homem do Rio, filmado aqui no BR.
Dramas românticos e conjugais à parte, já fascinantes por si só, tem claras influências de Hitchcock: mesmo já supondo o que vai acontecer, o suspense das situações está ali e prende o espectador.
Sim, o protagonista não é dos mais gostáveis, mas o Jean Desailly é uma gracinha e dá o tom certo ao personagem. Nelly Benedetti também entrega, especialmente na sequência final e no close que encerra o filme.
Mas é Françoise (ou "Framboise", como Truffaut carinhosamente a chamava) a alma do filme. Infelizmente ela passou muito rápido por esse nosso mundo, como um cometa - e que mais lindo cometa! Truffa, sempre tarado por pernas de mulher, quase devorou as pernas delas com a câmera em uma das cenas rs (coquin!!)
Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Achei o filme muito bom, mas se tratando que é um filme do Truffaut, eu sempre espero que seja melhor do que isto. O filme te faz pensar sobre amor, casamento, paixão e todas essas coisas que vem no pacote, mas o personagem principal não chega nem a ser digno de pena de tão idiota em vários aspectos. Mas talvez seja eu que esteja muito longe deste típico comportamento masculino há muito tempo que não entenda mais. Quem chama a atenção é a musa do filme, Françoise Dorléac, deslumbrante (irmã de Catherine Deneuve que morreu em um trágico acidente de carro onde foi queimada viva aos 25 anos de idade). Não deixa de ser um belo filme do diretor, mas aquém de suas obras mais famosas.
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Um dos exemplares menos óbvios da Nouvelle Vague.
Visualmente muito bonito, com uma produção bem rica, com várias cenas pela cidade. É bem monótono, com algumas passagens exagerando um pouco, especialmente a de Reims. O final é a melhor parte, com boas e inesperadas surpresas. 03/10/2024
Posso dizer que se tornou meu favorito do Truffaut!
O diretor trabalha as cenas com uma extrema naturalidade. O roteiro é tratado com muita delicadeza, e a condução da história com bastante leveza, nos levando a adentrar no enredo da forma mais intimista possível. A fotografia é belíssima e os ângulos de filmagem escolhidos não poderiam ser melhores. La Peau douce nos mostra aquele velho dilema, ao trocarmos o certo pelo duvido, que muitas vezes também se mostra como certo. O filme faz isso de uma maneira impecável.