Uma jovem que trabalha em uma loja de tecidos namora um mecânico ambicioso, que a deixa para ir a Detroit em busca de sucesso. Enquanto ele está fora, ela conquista a atenção de um dramaturgo, um escultor e o dono de uma loja, ascende socialmente e se torna uma mulher refinada. Quando o namorado retorna, ele não aceita sua nova independência e suspeita que ela tenha se prostituído nesse período.
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A trama sobre a moça que se ilude com a possibilidade do dinheiro fácil não tem nada de muito inovador mas a relação do casal funciona muito bem porque e especialmente porque , como já dizia Norma Desmond: Gloria Swanson é grande , os filmes é que ficaram menores. Que atuação.
28/01/2025
A trama de Manhandled (1924), comédia dramática estadunidense da era silenciosa, à um primeiro contato, pode iludir-nos. Ora, um casal de jovens de classe média-baixa, que se apercebe dissaboroso com a situação financeira em que se encontra, e cujas partes decidem, cada qual à sua maneira, conquistar uma condição de vida mais abastada para ambos - certamente, já vimos ao menos uma história similar a essa.
No entanto, o enredo desta produção oculta problemáticas mais complexas, especialmente no que toca à comportamentos machistas tão naturalizados na sociedade.
Tessie McGuire, a protagonista do longa, é uma mulher independente, no sentido de que aspira conseguir uma vida de opulência mediante os esforços de seu próprio trabalho; seu namorado, Jim, também deseja tal resultado, mas, de modo oposto, deposita a sua confiança numa invenção mecânica que ele está a desenvolver; há alguns homens que, em suas propostas de emprego para Tessie, demonstram apenas uma pretensão sexual para com a jovem (e acabam despertando desconfianças por parte de Jim, as quais recaem sobre Tessie); e, por fim, vê-se que até uma "amiga" de Tessie, visando ajudá-la, lhe recomenda que esta aja de forma a atrair a atenção daqueles abonados homens para lograr regalias
Bem, fica claro que certos personagens masculinos, principalmente aqueles libertinos, persistem em suprimir o corpo, o espaço e as decisões de Tessie, e para isso utilizam-se de diferentes artifícios. Apesar de tudo, Tessie sempre busca resistir - seu devotado amor ao seu amado é maior do que uma conquista fácil à riqueza material.
Outrossim, Tessie sofre - sofre com os constantes assédios a que está submetida, sofre com as infundadas suspeitas de seu namorado de que ela estaria cometendo adultério (ressalto aqui a cena na qual Jim culpabiliza Tessie de adúltera, ao comentar de sua vestimenta, sendo que aquela, na verdade, tinha sido vítima de violência sexual)... enfim, sofre, entre outros, com a discriminação de gênero alimentada pela sociedade patriarcal em que (sobre)vive
Em tempo, gostaria de comentar outros aspectos da produção do diretor canadense Allan Dwan. Quanto às atuações, meu destaque vai para Gloria Swanson. A performance da diva é ímpar: a naturalidade com que encena, a sutileza de suas expressões corporais e faciais, combinada com a sua estonteante beleza, fascinaram-me deveras. Antes da sessão, eu já havia assistido outro filme com a atriz - "Sunset Boulevard" (1950), de Billy Wilder - inclusive, recomendo-o fortemente, pois o considero uma das obras-primas cinquentistas -, e já havia me deleitado com a sua interpretação. Mas com "Manhandled", Gloria Swanson conquistou-me de vez. Ademais, Tom Moore estava ótimo como Jimmy,
apesar de, em certos momentos, a atitude machista do personagem ser insurportável - e, ainda sim,
(contraditário, sim, mas fiquei torcendo por eles até o desfecho do filme, hahaha).
Para concluir, uma vez que falei no desfecho,
confesso que fiquei surpreso! O cunho melodramático que permeia a película culmina num final alentador, ante o infeliz e crescente cenário opressor que persiste no século XXI
Ter encontrado este filme, nossa, foi uma grata surpresa! Belíssimo drama sobre uma jovem donzela cheia de vitalidade, buscando reconhecimento e independência num mundo dominado por feras masculinas. Um grande clássico da década de 20.
Nota: 8.0
Se ZAZÀ já havia conquistado-me bastante, neste filme a parceria Dwan-Swanson elevou-se ainda mais: a apresentação da protagonista é magnífica e o modo como o enredo não a julga, apesar de uma ou outra escolha afoita, é algo que deve ser ensinado aos militâncias esquerdistas unilaterais hodiernos. O filme é uma aula de compreensão feminina e marital, sem a pretensão de ser dogmática: conta-nos uma história, apresenta-nos a um exemplo de mulher constantemente enganada por inúmeros homens - que digladiam-se entre si para saber quem é o maior conquistador - enquanto possui um displicente amante em casa. Não obstante quase um século ter se passado desde a sua realização, muitas das situações apresentadas ainda ocorrem, infelizmente, nem sempre com o aprazível desfecho feliz deste ótimo filme mudo infelizmente desconhecido. Um primor! (WPC>)