Cinco freiras inglesas abrem uma escola e um hospital numa vila de remota região do Himalaia. A harmonia do local é ameaçada com a chegada de uma bela moça da região e de um jovem e rico herdeiro.
Fotografia esplendorosa, cenários de tirar o fôlego, figurino impressionante e atuação irretocável de Débora Kerr. Achei um filme sensacional, ainda mais ao considerar a época em que foi feito. Narciso Negro é o tipo de filme cheio de imagens que ficam para sempre na memória e, inclusive, leva-nos a sonhar com ele. Foi o que aconteceu comigo. Após vê-lo, fui dormir e tive vários sonhos estranhos com os inebriantes cenários e paisagens que nele aparecem.
Já no final, a súbita "aparição" da irmã Ruth em meio às sombras causa um espanto mais verdadeiro do que qualquer tentativa de gerar susto com abruptos efeitos de imagens e sons, muito presente nos filmes de terror atuais. Por alguma razão (não sei se isso foi intencional ou não), quando a câmera foca em seus olhos febris lembrei do famoso olhar presente na pintura O Anjo Caído de Alexandre Cabanel.
Envolto numa aura religiosa anglicana, este estonteante filme trata-se verdadeiramente de desejos oprimidos, lembranças e frustrações em contraponto à perseverança da fé, inteligentemente sem a pudica ótica católica. Beirando a perfeição estética dos enquadramentos de câmera e oferecendo sutileza ao abordar dramas psicológicos, a mudança temática da obra é tão espontânea que os fantasmas e lixos expostos em cena tornam-se alegres escuridões da mente humana, especificamente das freiras retratadas. De ritmo lento proposital, solidão e histeria caminham lado a lado sob reveladores olhares de desejo, como, principalmente, na tomada erótica mas nada imoral da Irmã Ruth (a surpresa Kathleen Byron) passando um provocador batom vermelho em frente à sua madre superiora, a Irmã Clodagh (a sempre linda e talentosa Deborah Kerr).
Envelheceu mal, em uma história que acabou virando mais um fetiche, "freira nos cafundós do mundo se apaixona pelo macho alfa local", além do já tradicional estereótipo dos indianos (culminando com Jean Simmons como nativa); salva-se pelo Technicolor e a boa ambientação,
A excelente fotografia foi o motivo que me fez querer assistir ao longa, mas me peguei investido na história de uma maneira que eu não estava esperando. Interesse esse que se deve em grande parte a mais um excelente trabalho de Deborah Kerr, que conseguiu de maneira brilhante retratar os conflitos vividos pela sua personagem.
Fotografia esplendorosa, cenários de tirar o fôlego, figurino impressionante e atuação irretocável de Débora Kerr. Achei um filme sensacional, ainda mais ao considerar a época em que foi feito. Narciso Negro é o tipo de filme cheio de imagens que ficam para sempre na memória e, inclusive, leva-nos a sonhar com ele. Foi o que aconteceu comigo. Após vê-lo, fui dormir e tive vários sonhos estranhos com os inebriantes cenários e paisagens que nele aparecem.
Já no final, a súbita "aparição" da irmã Ruth em meio às sombras causa um espanto mais verdadeiro do que qualquer tentativa de gerar susto com abruptos efeitos de imagens e sons, muito presente nos filmes de terror atuais. Por alguma razão (não sei se isso foi intencional ou não), quando a câmera foca em seus olhos febris lembrei do famoso olhar presente na pintura O Anjo Caído de Alexandre Cabanel.
Envolto numa aura religiosa anglicana, este estonteante filme trata-se verdadeiramente de desejos oprimidos, lembranças e frustrações em contraponto à perseverança da fé, inteligentemente sem a pudica ótica católica. Beirando a perfeição estética dos enquadramentos de câmera e oferecendo sutileza ao abordar dramas psicológicos, a mudança temática da obra é tão espontânea que os fantasmas e lixos expostos em cena tornam-se alegres escuridões da mente humana, especificamente das freiras retratadas. De ritmo lento proposital, solidão e histeria caminham lado a lado sob reveladores olhares de desejo, como, principalmente, na tomada erótica mas nada imoral da Irmã Ruth (a surpresa Kathleen Byron) passando um provocador batom vermelho em frente à sua madre superiora, a Irmã Clodagh (a sempre linda e talentosa Deborah Kerr).
Envelheceu mal, em uma história que acabou virando mais um fetiche, "freira nos cafundós do mundo se apaixona pelo macho alfa local", além do já tradicional estereótipo dos indianos (culminando com Jean Simmons como nativa); salva-se pelo Technicolor e a boa ambientação,
e pela assustadora aparição final da irmã Ruth
A excelente fotografia foi o motivo que me fez querer assistir ao longa, mas me peguei investido na história de uma maneira que eu não estava esperando. Interesse esse que se deve em grande parte a mais um excelente trabalho de Deborah Kerr, que conseguiu de maneira brilhante retratar os conflitos vividos pela sua personagem.
Gostei muito da fotografia.