Este filme acompanha os últimos cinco dias de vida de Erwin Weishaupt (Volker Spengler). Apaixonado por seu sócio Anton Saitz (Gottfried John), que não é gay, ele decide mudar de sexo e se tornar Elvira, mas a mudança de sexo não o deixa feliz.
Num Ano de 13 Luas é uma experiência emocionalmente devastadora, em que Rainer Werner Fassbinder transforma a trajetória de uma mulher trans em um retrato universal da solidão e da necessidade humana de ser amado. Sem qualquer sentimentalismo fácil, o diretor expõe uma sociedade que consome e descarta aqueles que fogem às suas normas, fazendo da dor de Elvira um grito sobre exclusão, abandono e desumanização. Décadas depois, o filme permanece perturbadoramente atual, especialmente por evidenciar como pessoas LGBTQIA+, e em particular mulheres trans, continuam sendo empurradas para as margens quando lhes são negados afeto, dignidade e pertencimento.
Não foi casual que eu tenha procrastinado tanto tempo para ver esta obra-prima: se eu tivesse me sujeitado a ele numa de minhas recorrentes crises depressivas, talvez fosse contaminado pelo tom lúgubre da obra, pela sua tristeza onipresente. Vendo-o num dia saudável, saltou aos meus olhos (e principalmente ouvidos) a sua genialidade - e também a sua lógica defensiva do amparo, através da maravilhosa personagem de Ingrid Caven, acompanhada pela trilha musical de AMARCORD. Este filme é o favorito de algumas pessoas mui queridas - e dá para entender o porquê: Fassbinder literalmente reinventa o Cinema aqui, comungando teatro, música alternativa e inventividade cênica de maneira brilhante, acachapante... Até mesmo a esplêndida e soturna "Frankie Teardrop", da banda Suicide, é executada, numa seqüência pretensamente festiva, onde é recitado um monólogo sublime do clássico GRILHÕES DO PASSADO. Amei as interpretações, o roteiro focado no percurso da protagonista em crise, o desfecho que múltiplas reaberturas, a partir de uma tragédia anunciada... Minha mãe sentou ao meu lado, na cena da dança súbita de reencontro, e ficou chocada: "que doidice da gôta é essa?". E eu em transe: genial, genial, genial! Os elogios mui entusiasmados do Richard Linklater são mais que confirmados! (WPC>)
Fassbinder conta a tragicômica saga da protagonista (que mudou de gênero por conta de uma paixão) de maneira apaixonada ,humana e com momentos de autêntico tour-de-force(a cena com a velha freira)e outros chocantes (a parte dentro do abatedouro). O filme é dividido em vários "atos" ,sempre destacando a câmera distanciada e voyerística do diretor e apresentando uma coleção de pequenos mas memoráveis incidentes e personagens que passam pelo caminho da infeliz heroína. Grosseiro ,melodramático e pungente . Destaque para o uso do mais famoso tema musical de "Amarcord" de Fellini em duas cenas.
Tantos conflitos internos, tanto sofrimento... Olha, devo confessar, mesmo eu sendo hétero e não tendo o alcance necessário para sentir todos os questionamentos do personagem, esse filme me deixou mal! Realmente eu adoro as obras do Fassbinder. É impressionante a capacidade que ele tinha para impor as premissas desejadas em seus filmes com uma crueza única que julgo ser uma marca registrada do diretor. Em tempo: atuação soberba do protagonista Volker Spengler!
Num Ano de 13 Luas é uma experiência emocionalmente devastadora, em que Rainer Werner Fassbinder transforma a trajetória de uma mulher trans em um retrato universal da solidão e da necessidade humana de ser amado. Sem qualquer sentimentalismo fácil, o diretor expõe uma sociedade que consome e descarta aqueles que fogem às suas normas, fazendo da dor de Elvira um grito sobre exclusão, abandono e desumanização. Décadas depois, o filme permanece perturbadoramente atual, especialmente por evidenciar como pessoas LGBTQIA+, e em particular mulheres trans, continuam sendo empurradas para as margens quando lhes são negados afeto, dignidade e pertencimento.
Não foi casual que eu tenha procrastinado tanto tempo para ver esta obra-prima: se eu tivesse me sujeitado a ele numa de minhas recorrentes crises depressivas, talvez fosse contaminado pelo tom lúgubre da obra, pela sua tristeza onipresente. Vendo-o num dia saudável, saltou aos meus olhos (e principalmente ouvidos) a sua genialidade - e também a sua lógica defensiva do amparo, através da maravilhosa personagem de Ingrid Caven, acompanhada pela trilha musical de AMARCORD. Este filme é o favorito de algumas pessoas mui queridas - e dá para entender o porquê: Fassbinder literalmente reinventa o Cinema aqui, comungando teatro, música alternativa e inventividade cênica de maneira brilhante, acachapante... Até mesmo a esplêndida e soturna "Frankie Teardrop", da banda Suicide, é executada, numa seqüência pretensamente festiva, onde é recitado um monólogo sublime do clássico GRILHÕES DO PASSADO. Amei as interpretações, o roteiro focado no percurso da protagonista em crise, o desfecho que múltiplas reaberturas, a partir de uma tragédia anunciada... Minha mãe sentou ao meu lado, na cena da dança súbita de reencontro, e ficou chocada: "que doidice da gôta é essa?". E eu em transe: genial, genial, genial! Os elogios mui entusiasmados do Richard Linklater são mais que confirmados! (WPC>)
Fassbinder conta a tragicômica saga da protagonista (que mudou de gênero por conta de uma paixão) de maneira apaixonada ,humana e com momentos de autêntico tour-de-force(a cena com a velha freira)e outros chocantes (a parte dentro do abatedouro). O filme é dividido em vários "atos" ,sempre destacando a câmera distanciada e voyerística do diretor e apresentando uma coleção de pequenos mas memoráveis incidentes e personagens que passam pelo caminho da infeliz heroína. Grosseiro ,melodramático e pungente . Destaque para o uso do mais famoso tema musical de "Amarcord" de Fellini em duas cenas.
Tantos conflitos internos, tanto sofrimento...
Olha, devo confessar, mesmo eu sendo hétero e não tendo o alcance necessário para sentir todos os questionamentos do personagem, esse filme me deixou mal!
Realmente eu adoro as obras do Fassbinder. É impressionante a capacidade que ele tinha para impor as premissas desejadas em seus filmes com uma crueza única que julgo ser uma marca registrada do diretor.
Em tempo: atuação soberba do protagonista Volker Spengler!
e o que que a vida fez da nossa vida. o que que a gente não faz por amor.