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O filme se passa na Islândia do século 19 e fala sobre Ejvind, que é obrigado a fugir das autoridades após roubar uma ovelha para alimentar sua família. Ele acaba indo para a fazenda de uma rica viúla, Halla, por quem se apaixona. Como o sentimento é recíproco, a moça resolve acompanhá-lo até um esconderijo no alto das montanhas, onde eles permanecem isolados de tudo e de todos.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
"on on upwards" - o tempo não existe a partir da quarta dimensão para cima. a partir da idéia de duas vidas sem salvação é possível uma analogia com o livro "Palmeiras selvagens", de Faulkner
Os inter títulos tem ótimas e observações e muita poesia mas este talvez seja o filme mais frágil de Sjostrom em termos narrativos e estéticos.
Sjöström, interpretando o protagonista do filme, compõe um personagem de força descomunal, capaz de fugir da prisão torcendo grades de ferro e erguer sozinho uma arca de dinheiro até o sótão. Halla, a viúva, enfrenta destemidamente seu cunhado assediador, corre de seus perseguidores pelas montanhas geladas e toma a decisão de sacrificar sua pequena filha no abismo para que esta não caia na mão de seu inimigo. Estes dois seres de fibra são jogados em uma paisagem de penhascos, cascatas e nevascas.
A força humana sucumbe e os dois morrem congelados, restando no plano final a paisagem vazia da natureza em sua força imutável.
Mais tarde, já no período sonoro do cinema sueco, Ingmar Bergman e Sjöstrom tornaram-se amigos. O segundo foi ator do primeiro em "Morangos Silvestres". O segundo também deu dicas ao primeiro. “Trabalhe de forma mais simples. Fotografe os atores de frente, eles gostam, fica melhor assim. Não brigue tão ferozmente com todo mundo, eles só ficam zangados e fazem um trabalho pior. Não faça de tudo coisas essenciais, você sufoca o público.” A declaração está em "Lanterna Mágica", de Bergman.
O terceiro ato deste filme (ou a 7ª parte) me remeteu ao posterior VENTO E AREIA, de 1928, meu favorito do Sjöström, com todo aquele vento e a paisagem árida. O penúltimo plano é um dos mais belos e impactantes que já vi - tão impactante, aliás, que a inserção da paisagem como último plano me pareceu ter sido conscientemente inserida para que o filme não terminasse de maneira tão forte.