Dirigido por
Duração
Cinebiografia romanceada do campeão dos pesos pesados James J. Corbett, um dos raros bons filmes de boxe que defende o esporte e empolgam em vez de mostrar sua violência e as falcatruas que envolvem sua prática. Na São Francisco do final do século XIX, quando as lutas de boxe eram tão populares quanto ilegais, o ambicioso bancário James Corbett (Errol Flynn) dá um jeito de se projetar como pugilista e de ingressar no aristodrático Olympic Club. Alternando vitórias e aventuras boêmias, ele faz a corte à graciosa milionária Victoria Ware (Alexis Smith) e se prepara para enfrentar o campeão mundial John L. Sullivan (Ward Bond).
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Gentleman Jim (1942) é um filme que me pegou pela energia e carisma de seu protagonista, James J. Corbett, interpretado por Errol Flynn, que transmite uma presença magnética. Torci pelo Corbett o filme inteiro, o ator tinha um grande carisma e seu personagem também. Sua jornada, repleta de determinação, é gratificante, especialmente quando ele vai calando a boca de todos que desdenharam dele ao longo da história. A ascensão de Corbett no mundo do boxe é envolvente e reflete o espírito competitivo do esporte.
A introdução de John L. Sullivan, o campeão mundial, é outro ponto forte. Sullivan surge sem nenhuma marra e ego de invencível, apesar de dizer que pode com qualquer homem do mundo, o que é básico para alguém que é o campeão do mundo e obviamente tem que ter sua personalidade e fazer seu marketing. Achei que demonstrou humildade com todos.
Essa primeira impressão é confirmada no final, com sua grande atitude, que revela um caráter admirável.
No entanto, há um momento desconfortável no filme: uma cena em que Sullivan está fazendo uma propaganda, que contém blackface. Totalmente horrível, essa escolha reflete os preconceitos de uma era que, infelizmente, ainda ecoam em produções da época, sendo um ponto negativo que não pode ser ignorado. Apesar de ser extremamente desnecessário no filme e bem curto, que poderia inclusive passar batido para muitos.
Outro destaque é o pai de Corbett, uma figura marcante e um personagem engraçado, que adiciona leveza e humor à narrativa. Sua presença traz um contraponto familiar à ambição de Corbett, enriquecendo a dinâmica do filme.
Quando Corbett se torna campeão mundial, a reação de amigos e parentes é reveladora. Todos, inclusive aqueles mais próximos, parecem querer uma lasca do seu sucesso, dizendo, cada um à sua maneira, que foram eles que o ajudaram a chegar lá. Essa cena expõe a natureza humana de forma crua, mostrando como o sucesso atrai interesses diversos.
O ponto alto do filme, no entanto, é o final. O diálogo entre Corbett e Sullivan é simplesmente memorável.
A gente passa o filme inteiro torcendo por Corbett, mas esse final, com Sullivan demonstrando uma grande humildade, quebra a gente. A humildade de ambos, na verdade, eleva o momento a um nível raro no cinema esportivo. Esse é realmente um filme que representa muito bem o esporte, diferente de outros, assim como diz a descrição. A grandeza desse momento do diálogo dos dois foi parte chave para o encerramento do filme, consolidando sua mensagem sobre respeito e esportividade.
E, como um toque final, o filme acaba como começou: os Corbett vão brigar de novo! Essa circularidade reforça o tom vibrante e familiar da história, deixando o espectador com um sorriso no rosto e a sensação de ter acompanhado uma jornada completa.
Deixei uma parte do diálogo aqui embaixo.
Jim: Alô Jim.
John L.: Alô, John L.
Jim: Como se sente?
John L.: Bem. Um pouco cansado.
Jim: Eu, também.
John L.: Comprei algo que queria te entregar pessoalmente. Já tenho há muito tempo. Cuide bem disto, vai cuidar?
John L.: Obrigado. Obrigado, John. Vou cuidar.
Jim: Vou tentar ter tanto cuidado quanto tens. Sabe de uma coisa? A primeira vez que te vi lutar, eu era apenas um menino. Não havia um homem no mundo que pudesse te enfrentar. E esta noite, bem, estava muito agradecido… por você não ter sido o John L. Sullivan de 10 anos atrás.
John L.: É o que acha agora?
Jim: Era o que eu pensava antes de subir no ring com você.
John L.: Está falando algo muito decente, Jim. Não sei como seria, há 8 ou 10 anos atrás. Talvez eu fosse mais rápido. Mas se eu fosse, esta noite é a coisa mais rápida que se põe sobre dois pés. Foi como tentar golpear um fantasma. Não sei muito sobre suas atitudes de cavalheiro… que falam a teu respeito, mas sei que está trazendo algo novo para as lutas, algo necessário… e que não poderia vir de mim. Não sei, mas, se é difícil ser um bom perdedor, é ainda mais difícil ser um bom vencedor.
Jim: Obrigado de novo, John. Espero que quando chegar minha vez, eu possa estar com a cabeça erguida tanto quanto a sua. Nunca haverá outro John L. Sullivan.
John L.: Obrigado, Jim.
Jim: Boa sorte pra você.
John L.: Boa sorte pra você.
Assistido em 06/08/2025
Raoul Walsh narra seus filmes sempre com uma firmeza e qualidades absurdas e aqui ele deixa transparecer nitidamente sua paixão e apego pelo esporte retratado. Ainda que se trate de uma biografia bastante convencional , Walsh entrega um filme acima da média que vai encantar obviamente mais aos fã de boxe.
Com algumas bem encenadas lutas de boxe o filme mostra os primórdios do esporte. Nele há pouco espaço para o drama e para o romance algo que o faz fugir do lugar comum. A direção faz um trabalho competente e Errol Flynn mostra o seu carisma na pele do arrogante protagonista. Por não ser nenhum entusiasta do boxe não me empolguei tanto com o filme como eu esperava, mas valeu a pena conhecê-lo por trazer um curioso painel histórico que mostra o início da profissionalização de um esporte que se tornaria cada vez mais popular e lucrativo no futuro.
O melhor filme de Errol Flynn,
não é apenas um filme de boxe com uma maravilha nos últimos 5 minutos, onde Ward Bond brilha. Não deixe de ver só porque você acha que é um filme antigo.
Audaciosa biografia do boxeador Jim Corbett destacando os primeiros tempos do esporte que o tornou famoso. Flynn é dinâmico no papel-título (um de seus favoritos), apoiado pelo ótimo elenco - especialmente Bond como o lendário campeão John L. Sullivan. Roteirizado por Vincent Lawrence e Horace McCoy. Final bonito e comovente.