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Baseado no livro de mesmo nome, o filme apresenta a saga de um homem de meia idade em crise, que, desesperado, se encontra em uma busca mística com eventos e situações complexas.
A complexidade psicológica, filosófica, e espiritual do romance é transcrita para a tela utilizando recursos inovadores para a época como animações e situações teatrais.
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Revendo o filme 8 anos depois de tê-lo visto pela primeira vez, agora com a leitura do livro feita. Hermann Hesse um dos maiores, e essa junção com o Max von Sydow ficou perfeita.
Fiquei muito impressionado com o livro "Demian", quiçá o mais famoso do Hermann Hesse, de modo que, quando deparei-me com o DVD deste filme, apressei-me em conferí-lo. Nutro uma obsessão pessoal pelo tema do suicídio e planejo, eventualmente, uma empreitada aniversariante similar à do protagonista, defendido muito bem pelo encantatório Max Von Sydow. As imagens paralisadas durante a narrativa são ótimas e o filMe possui um clima muito assemelhado ao de O OVO DA SERPENTE, sendo que este é muito mais afetado estilisticamente. A boa narração faz com que vislumbremos a pujança do romance original, que, desde logo, é um dos mais desejados: preciso lê-lo o quanto antes. As aparições e dilemas mozartianos e goethenianos são oportunamente inseridos, mas a seqüência final justifica o auê deste filme em relação aos psicodelistas: toda a emulação "condenatória" da Lanterna Mágica assemleha-se àqueles experimentos eletrônicos conduzidos por Bill Viola, Zbigniew Rybczynski, Nam June Paik e congêneres. Muito bom: impossível sair existencialmente incólume da sessão! (WPC>)
“Fui ler o Hermann Hesse aos treze anos e tomei um choque. O Lobo da Estepe. Aí comecei a escrever um conto que não acabava mais. Terminei rasgando e jogando fora.” (Clarice Lispector, 1977).
O magnum opus do célebre escritor alemão parece mesmo ter um poder acachapante sobre nós. Hesse, entretanto, julgava “O Lobo” seu trabalho mais incompreendido, frustração que lhe foi bastante cara em vida, pois viu sua obra ser acolhida não propriamente pelo que ele pretendia. Logo no início, Hesse nos alertava: a história trata não de um homem em desespero, «mas de um homem que Crê», razão primordial do seu torvelinho. Foi uma tentativa de nos guiar pela história, de evitar que não nos distraíssemos da angústia elementar que atravessava seu texto.
Mas assim que a atira no mundo, o autor não mais detém o “comando” da sua própria obra, especialmente quando se trata de algo tão alegórico e aberto a interpretações, como é o caso do livro, que flerta o tempo inteiro com a psicanálise e o onírico. Isso explicaria, por exemplo, o fato de quarenta anos depois de sua primeira publicação, “O Lobo” ter caído no gosto da geração hippie, fascinada pela oposição à beligerância política do protagonista, o pacifista Harry Heller. A abertura do personagem à experimentação, seu desencanto com os dias ordinários, sua rejeição à burguesia e seu conflito pessoal com a formação rigidamente cristã foram material de sobra para acalentar os corações e mentes da geração paz & amor da década de 60.
Mas Heller era mesmo uma figura fascinante: solitário e triste, o eremita passava os dias lendo clássicos, ouvindo música erudita e sentindo pena de si mesmo. De repente, descobre que há dentro de si um lobo – o lobo da estepe – que é o extremo oposto do seu lado retraído e metódico: o lobo é caótico, violento, destemido. Resolve então entregar-se à sua versão lupina, avistando um suicídio que cometeria ao completar 50 anos, prazo para além do qual julgou que a vida não mais valia a pena ser vivida. E é nessa jornada pouco usual, nessa batalha incessante entre as várias facetas de sua personalidade (e, por conseguinte, de suas crenças), que ele encontra, por fim, a si mesmo.
“O Lobo” é uma obra exemplar porque Hesse delineia os contornos e contradições da perturbada alma do protagonista com bastante destreza, quando poderia facilmente ter romantizado sua ruptura para o lado selvagem, resvalando em um personagem tolo e autoindulgente. Mas não: Heller se vê perdido o tempo inteiro entre si mesmo e o lobo, entre o sagrado e o profano, entre a miséria e a alegria que para ele eram estados facilmente cambiáveis. Quem nunca teve um arroubo de tristeza ou se sentiu irremediavelmente sozinho no meio de uma festa? Esse permanente autoexame de consciência do personagem – o grosso do livro – é de uma profundidade e densidade emocionais absurdas. Seu tormento espiritual, sua dor existencial, a natureza dual e conflitante de sua moralidade, o senso de inadequação, a reverência ao Eterno, à Verdade e ao cânone artístico ocidental, a necessidade de ordem, seu constante estado de busca e compreensão: tudo isso gritou-me diretamente e a experiência que senti folheando as páginas do livro jamais me escapará.
Infelizmente, não há como dizer o mesmo da adaptação cinematográfica dirigida pelo Fred Haines, «Steppenwolf» (1974), que me frustrou sobremaneira. No filme há pouquíssimos momentos de poesia no delinear da personalidade do Harry porque o diretor não se arvora nessa preocupação, mas em capturar a lisergia que era atraente à época da contracultura. Começa de forma apressada e faltam-lhe a introspecção e subjetividade que são as marcas do livro. É muito mais uma colcha de retalhos de passagens do livro apresentadas sem unidade e sem coesão (embora o livro também não seja todo linear). Ironicamente, todas as cenas importantes do livro estão lá (Harry sentado na escada, intoxicado pelo asseio e ordem do apartamento burguês ao lado; o diálogo com Pablo sobre música erudita vs. popular; o diálogo com Hermínia sobre o Eterno em oposição à satisfação imediata; o baile de máscaras; o diálogo com Mozart), mas são jogadas de forma tão desarticulada que o sentimento foi de absoluto desgosto. É o assassinato do que há de mais belo na obra.
Lembro que, no livro, foi a chegada da misteriosa Hermínia, com tudo o que ela representava, um dos momentos visualmente mais cativantes da história. Ela é introduzida de tal maneira que, em minha mente, o livro ganhou, literalmente, outra cor e outra cadência, tamanha a ruptura do universo austero e solitário do Harry com o dela – luminoso, vivaz, passional, sensual, jazzístico. E o erro crasso do filme foi a terrível escolha e péssima desenvoltura da atriz que a interpreta: desenxabida, apática, sem carisma, de expressão morta e sem luz. Evidentemente, não há de se esperar que o desenvolvimento dos personagens numa obra literária equipare-se à sua transposição para a linguagem cinematográfica, mas a falta de um esforço nesse sentido foi terminal. Até os personagens secundários, como Maria e Pablo, ambos imprescindíveis, foram pouco explorados.
“De repente uma pessoa, uma pessoa viva percute a campânula de cristal da minha apatia e me estende a mão, uma mão boa, bela, cálida! De repente, voltam a surgir coisas que me afetam, nas quais posso pensar com alegria, com preocupação, com interesse! De repente, uma porta que se abre e por ela entra a vida para mim! Talvez possa voltar a viver, talvez possa voltar a ser gente. Minha alma, que havia tombado adormecida no frio e quase se enregela, respira de novo e volta a bater sonolenta as pequenas asas débeis.”
Dito tudo isso, o filme possui, sim, seus acertos, como a presença do Max von Sydow, a atmosfera noturna e o surrealismo que o permeia (o riso sardônico do distribuidor de panfletos é algo que mereceu ser adicionado ao meu imaginário da história). Do mesmo modo, todo o segmento do Teatro Mágico, embora muito mais lisérgico do que imaginei, é bastante surreal e criativo dadas as limitações da época (a escolha visual para a cena simbólica do domador é brilhante). Mesmo que não tenham envelhecido bem, esses momentos possuem um apelo interessante, lembrando as obras de Salvador Dalí e Terry Gilliam e do filme-ópera The Wall.
Mas o que mais me saltou aos olhos – e ainda não vi ninguém apontando isso – é sua inambígua semelhança com «Mulholland Drive», do David Lynch, o que me chocou muito, pois este é meu filme de cabeceira. Quando uma voz, no Teatro, diz ao Harry "É apenas uma ilusão. O Teatro Mágico não é realidade.", veio-me, imediatamente, a cena do Clube Silêncio, onde as mesmas palavras são ditas pelo apresentador: “Não há orquestra: É tudo uma gravação; é tudo ilusão.”. Ambas as frases são a peça-chave para a compreensão da história no livro do Hesse e no filme do Lynch, profundamente simbólicos e metafóricos. Há outra cena do filme, anterior à do Teatro, visualmente idêntica à Cidade dos Sonhos: quando Hermínia e Maria beijam-se no bar e olham de forma provocativa para o Harry. A mesmíssima cena é vista na obra-prima do Lynch envolvendo as duas Camilla Rhodes numa dinner party.
No fim das contas, confesso que minhas expectativas para a adaptação de O Lobo da Estepe eram altíssimas, o que pode explicar meu descontentamento com o resultado desse filme como um todo. Resolvi esperar algumas semanas após ler o livro para assisti-lo – de modo a consolidar as imagens que criei em minha mente sem poluí-las com outra visão, o que vejo agora como uma decisão acertadíssima, pois são aquelas que sobreviverão para sempre.
"Aprenda o que deve ser levado a sério e ria do resto."
"Não posso dar-lhe nada que já não haja em você."
O livro é suuuuper arrastado no começo e só melhora quando a Hermínia aparece. Sabendo disso, e provavelmente compartilhando da mesma opinião, o diretor/roteirsta ignorou a metade do livro e começou o filme ja no encontro do Harry com a Hermínia. Dito isso, gente, mas que filme psicodélico e lindo. O diretor/roteirista entendeu exatamente oq o Herman Hesse quis passar no livro. Se vc assistir esse filme brisado, vc vai ficar mais brisado ainda com altas chances de alcançar o Nirvana, se vc não assistir brisado, pode crê que você vai terminar brisado de qualquer maneira. Os efeitos, pra ser um filme dos anos 70, até q são bons. Poucas vezes vi um filme tão fiel ao livro como esse. Eu não recomendo esse filme pra quem não leu o livro, pq realmente vai ficar sem entender pohha nenhuma.
P.S.:Num sei pq mas achei a trilha sonora de filme pornô dos anos 70 kkkkkkkk
é um filme muito bom, mas grande parte do seu mérito vem do livro (que é uma obra prima).