Manuela, uma travesti, e sua filha Japonesita, possuem um prostíbulo no pequeno povoado de Olivo, cujo dono Dom Alejo, deseja vender. Pancho é antigo protegido de Alejo e cliente do prostíbulo, ao regressar ao povoado causa problemas para a Manuela e a Japonesita.
MANUELAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Olha só, México, Emilia Pérez foi pouco pra vocês aprenderem o que é bom pra tosse.
El lugar sin límites (1978) é uma obra interessantíssima, quase uma desesperança para olhos inocentes. A história é extremamente envolvente, com muitos personagens e enredos cativantes, mas com um péssimo final.
O filme tem uma estrutura tão boa e, inicialmente, parece te elevar a um conceito de orgulho LGBT, mas ao meio mostra suas garras como uma desesperança para a comunidade, algo exaustivamente retratado em filmes LGBT.
Acho que, por mais que ele seja eficiente em mostrar as corrupções, a maldade humana e a veneração e o ódio dos homens pelo “diferente”, ele decide capturar um lado mais amargo que, por mais que possa refletir a realidade de diversos tempos, não era a única existente.
Bom filme, mas em seu esforço para ser diferente só mostra o quanto é igual.
E eis que Ripstein sai do armário!
Como eu estou maratonando a filmografia do Arturo Ripstein, em ordem cronológica, estava muito ansioso por este filme em particular, sobremaneira elogiado como um dos melhores de toda a História do Cinema Mexicano. Dá ara entender o porquê e é impressionante que este filme tenha sido realizado, dada a conjuntura machista de época e contexto, mas, como ele é adaptado de um romance famoso do José Donoso, elementos importantes de descrição ambiental ficam aquém do original literário, de modo que a primeira meia-hora é confusa e/ou precipitada naquilo que expõe, o mesmo ocorrendo em relação à composição do personagem Don Alejo. Roberto Cobo, entretanto, entendeu muito bem o que era esperado dele, e entregou-se de corpo e alma ao personagem, tornando a sua La Manuela icônica, imorrível. Achei a realização similar aos trabalhos de Hector Babenco, o que também ocorre noutras produções do cineasta. Gosto muito das interações com La Japonesa, mas isso também ficou à mercê de elementos do romance original, bem como o impacto da derradeira frase. Seja como for, é um filme que, com certeza, crescerá na revisão: é muito contundente no que expõe e denuncia, sendo contundente até mesmo no que parece ter envelhecido. Trabalho de mestre! (WPC>)
Arturo Ripstein é simplesmente genial!
É um bom filme, com uma temática e história ótima. O problema é que ele se perde nisso, parece que dá tiro para todos os lados para ver se acerta algo... As questões políticas do Don Alejo e a população local me lembrou um pouco de Bacurau.
No geral, parece que o filme, sobretudo por causa dos atores, simplesmente não convencem. Em muitas partes, ele parece mais um dramalhão mexicano, a la novelas, do que qualquer outra coisa. Uma pena.
Entretanto, a parte final é sensacional, apesar de ainda ter coisas me incomodaram.
Fica bem claro que o diretor queria demonstrar a passividade das outras pessoas perante a LGBTfobia e até o assassinato de uma travesti. Mas vamos lá, sério que a filha dela não iria fazer NADA para tentar evitar que o cara fosse atrás? Nada? Aliás, a relação dela com "o pai" é outra coisa que me incomodou... Achei muito incompatível.
A representação da prostituição também não me agradou, é um tanto quanto "fantasiosa".