Nesse filme mudo de 1925 o Professor Challenger(Wallace Beery)lidera um grupo de exploradores britânicos à América do Sul para provar ao mundo civilizado que existe uma terra onde vivem criaturas pré-históricas.
O que os exploradores encontram é justamente isso... Um planalto amazônico habitado por todos os tipos de dinossauros.
Um maravilhoso filme concebido a partir do livro de Sir Arthur Conan Doyle.
Os dinossauros foram trazidos a vida através de animação stop-motion, na primeira vez que esta nova técnica foi utilizada em grande escala cinematográfica.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Gostei bastante, na parte do vulcão ficou um pouco chato mas depois melhorou.
Gostei, vide roteiro, criatividade e efeitos!
Às vezes tudo o que precisamos é nos deixar levar por imagens. E The Lost World é terreno fértil para isso: cada quadro carrega um encanto, um ímpeto de maravilhar. O cinema, em 1925, ainda engatinhava em termos narrativos, mas já sonhava alto com aquilo que só ele poderia dar: o impossível tornado visível. E aqui o impossível veste a forma de um platô perdido na Amazônia, habitado por criaturas pré-históricas, erguido como se fosse uma pintura sobreposta à realidade, com sua ponte improvisada de tronco de árvore. É nesse espaço entre o quadro pintado e o mundo vivo que o filme conquista.
A viagem até lá nasce do velho apetite ocidental pelo exótico. Crocodilos, preguiças, cobras enroladas em troncos — todos exibidos com o mesmo fascínio com que, décadas antes, o público contemplava as vitrines de um zoológico. O filme é herdeiro dessa pulsão de espetáculo: a selva, a fauna, o “outro lado do mundo” são convocados para serem consumidos em fascínio. E quando os dinossauros surgem, com seu stop-motion quase ingênuo e ao mesmo tempo assombroso, o que era zoológico se torna circo — um desfile de criaturas que se digladiam, devoram-se, caem em penhascos.
É quando tenta costurar tudo isso em narrativa que o filme se perde. O romance central é o maior problema: parece escrito às pressas. Ed Malone parte em busca de coragem para conquistar uma namorada descrente, mas logo se vê ao lado de Paula White, mais preocupada em encontrar o pai do que em sustentar qualquer vínculo amoroso. Roxton, o apaixonado não correspondido, completa o triângulo com dignidade silenciosa. Mas falta uma verdadeira construção entre Ed e Paula — uma cena em que dividam um medo, um segredo, um gesto de cuidado que torne plausível a virada afetiva. Do jeito que está, a superação do luto soa forçada, e a pena que sobra por Roxton não é a de um trágico amor impossível, mas a de um personagem que o roteiro esqueceu de amparar.
O humor inicial é irresistível: Challenger, pavio curto, bruto em cada gesto, parece encarnar o espírito do filme. Só que seu fogo não basta para guiar a expedição. Falta um motor dramático claro, aquela figura capaz de dar rumo ao espetáculo. O “gorila-humano” é outra frustração: apresentado como possível grande antagonista, não vira eixo nem símbolo; entra, toma tiro, ronda perigos e se esvai. O vulcão, por sua vez, é um espetáculo cromático — vermelhos que parecem tingir a película por dentro —, mas serve mais como quadro do que como drama: a erupção separa personagens, espalha ação, sem articular uma verdadeira coreografia de reencontro ou de decisão. No fim, o filme acumula arcos e ameaças como quem empilha pedras, mas sem a curva dramática que transforme esse peso em caminho.
Resta a viagem. Não a das emoções, mas a dos olhos: ver Londres ser invadida por um brontossauro e perceber como a civilização sempre acaba traindo a si mesma quando tenta exibir a natureza como troféu; observar o tronco-ponte entre planaltos e pensar no cinema como essa mesma travessia improvisada entre mundos, ou rir do momento em que dois professores discutem a trajetória de uma pedra — curva ou parábola? — até que um deles é lançado pelos ares, como num desenho animado. The Lost World talvez não saiba para onde levar o espectador — se ao romance, ao perigo, à comédia ou à aventura —, mas sabe como encantar o olhar. E, para 1925, isso já era mais do que suficiente.
Comparado ao rugido de King Kong, não tem a mesma força, mas carrega o frescor dos pioneiros: é esboço, é ensaio, é o primeiro animal a derrubar prédios em plena cidade. Um pioneiro desajeitado, importante, fascinante, às vezes tonto; um museu vivo de possibilidades em que a curadoria visual vence a dramaturgia. E ainda assim, quando a tela se enche de criaturas e cidades, é impossível não sorrir: a aventura pode não oferecer grandes conclusões, mas deixa lembranças que o olhar sempre quer revisitar.
Mostra como o caminho do cinema até Jurassic park(1993) Foi Longo!.
A primeira adaptação cinematográfica do romance clássico de Sir Arthur Conan Doyle sobre uma terra onde criaturas pré-históricas ainda vagam. Filme cult e pioneiro na improvisação de técnicas do stop motion, "O Mundo Perdido", de 1925, é uma pérola do silent movie que deveria ser mais reconhecida. Disponível no Youtube.