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Duração
Estudante de direito (Ewan McGregor), em seu último semestre, consegue um emprego de vigia noturno em um necrotério. Pouco tempo depois surgem pistas que o incriminam como o principal suspeito de ser um serial killer que mata prostitutas, pratica necrofilia e "assina" os crimes arrancando os olhos das vítimas.
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"As pessoas confiam num distintivo. Elas não olham para o homem por trás dele."
"Se você agir como culpado, o mundo fará de você um culpado."
O necrotério é um triunfo estético. Os corredores longos e assépticos, a iluminação fluorescente piscante e o silêncio opressivo criam uma sensação tátil de pavor e isolamento
Nolte constrói um antagonista aterrorizante não por ser histriônico, mas por sua calma glacial e autoridade inabalável
A subtrama do relacionamento tóxico entre os dois amigos é muitas vezes mais perturbadora e psicologicamente complexa do que os próprios assassinatos em série
A Corrupção da Autoridade e Confiança. Voyeurismo e Necrofilia Subentendida. O Custo do Niilismo.
Para espectadores familiarizados com os tropos dos thrillers dos anos 90, a identidade do assassino (o investigador do próprio caso) torna-se óbvia no final do segundo ato
Após construir um brilhante terror psicológico de queima lenta, o clímax se converte em um tradicional slasher de perseguição no escuro
O vício da curiosidade desordenada (curiositas) abrindo portas para o mal real.
Captura a essência do "mal escondido" e a fragilidade das instituições humanas.
12.02.2003
Refilmagem do filme dinamarquês, feita pelo mesmo diretor do filme original, basicamente repetindo quadro a quadro, o que faz ficar difícil avaliar se o filme é bom ou ruim. A trama - tanto a original como a dessa versão - é uma das mais tensas que já assisti: um homem trabalha como vigia noturno em um necrotério, sozinho na madrugada, tendo que fazer algumas rondas pelo local de tempo em tempo, inclusive tendo que passar por corredores escuros e entrar em salas com corpos cobertos por lençóis. O filme cria uma atmosfera assustadora, daquelas que se você assiste à noite, no silêncio, com certeza ficará roendo as unhas. Há pequenas mudanças nessa refilmagem, e o impacto parece ter sido amenizado com direito a trilhas sonoras de rock alegre durante algumas cenas, coisa que não lembro de ter no filme original, mas posso estar enganado. Na dificuldade de encontrar o filme dinamarquês, acho até válido assistir a esse remake.
*Dica: A Autópsia (2016)
Esse filme tem furos bizarros.
A construção do personagem James é um dos maiores problemas. Ele passa o filme inteiro agindo como um lunático — tem olhar perturbador e atitudes ambíguas — apenas para, no final, ser alçado repentinamente ao papel de herói. A transição é abrupta, forçada e desprovida de qualquer coerência narrativa.
Outro momento de gritante incoerência é a sequência com a namorada de Martin no prédio da Joyce. No original dinamarquês, sua presença é sutil, quase silenciosa, o que justifica o fato de o assassino não notá-la. Já na versão americana, ela berra, bate insistentemente à porta e praticamente escancara sua presença. A única forma de justificar o fato de o assassino não percebê-la seria presumir que ele ficou momentaneamente surdo. Isso ou aceitar que estamos diante de um roteiro preguiçoso, que força a suspensão da descrença até o limite do ridículo.
Um remake que começa muito bem, envolvente, mas que da segunda parte em diante vai ficar chato e monótono. Bom elenco. Revisto em 17.12.24. (assistido em 30 de Julho de 2017)