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Viúva, independente, e envolvida com um homem casado, Kata deseja ser mãe. Ela torna-se amiga de Anna, uma jovem abandonada pelos pais que vive em uma instituição assistencial. Apesar de algumas rusgas, pelo fato de inicialmente terem pouco em comum, uma forte ligação se estabelece entre as duas. À medida que a relação entre elas evolui, Kata testa os limites de sua crise de meia-idade, ao mesmo tempo em que Anna resiste à angústia de uma juventude destituída de esperança.
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Filmaço da Marta Meszaros que não brinca em serviço.
No segundo contato, a frieza intencional do registro dramático impressiona ainda mais: a despeito de as personagens possuírem anseios definidos, estes redundam em anticlímaces, num movimento cinematográfico radicalmente oposto ao que acontece em melodramas hollywoodianas. Gostaria de imaginar que há algo de confortador naquele desfecho (e há), mas o contexto nacional apresentado converte tudo em supressão, em interdição afetiva, em desesperado calado (mesmo quando se fala aos borbotões). Ótimas interpretações e direção segura em seus 'close-ups' expressivos e leituras renitentes de cartas rudes, não apenas porque dolorosamente sinceras. Filme lento e penetrativo. Um libelo à necessidade de publicização daquilo que se deseja, identitária e coletivamente. Feminismo orgânico é uma das várias especialidades desta grande diretora húngara, parabéns! (WPC>)
A distribuidora Obras-primas do Cinema destaca em seus últimos lançamentos em DVD o cinema de Márta Mészáros, cineasta socialista e feminista de origem judia, expoente do Novo Cinema Húngaro, que reformulou as bases e as teorias da produção cinematográfica do país no pós-guerra. Suas obras sociais e críticas tratam justamente do trabalho das mulheres no país intercalando temas como maternidade e solidão na meia-idade. ‘Adoção’ (1975), seu principal filme, trata desses temas, com enfoque nos dois últimos. De forma delicada, com muitas cenas de troca de olhares e longas sequências de silêncio, a diretora - e também roteirista aqui - conta a história de uma mulher solitária e cheia de amarguras, viúva, que deseja ser mãe agora com mais de 40 anos. Ela fica fixada em uma menina prestes a atingir a maioridade, que vive em uma instituição de caridade, uma espécie de orfanato para jovens. De início as duas mulheres de mundos tão opostos têm crispações, mas aos poucos uma encontra conforto ao lado da outra. No filme acompanhamos a crise de meia-idade da protagonista, feito pela grande atriz húngara já falecida Katalin Berek, e os dilemas da jovem que cresce sem lar, sem pais, sem futuro – outro bom papel, o da atriz Gyöngyvér Vigh.
Mészáros filma tudo numa belíssima fotografia preto-e-branca, e com este trabalho ganhou o Urso de Ouro em Berlim - foi a primeira mulher a receber o prêmio no festival.
É um filme belo e trágico, que merece ser descoberto, ainda mais agora nessa grande cópia em DVD pela Obras-primas do Cinema – recomendo assistirem também ao making of de quase uma hora sobre a diretora, que vem como extra.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Personagens tristes e desinteressantes.
Filme de mulheres para mulheres!