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Um casal de homossexuais convive há vinte anos numa espécie de união estável. Eles sustentam-se com um salão de cabeleireiros de propriedade de um deles. Quando são envolvidos num atentado à moral, a situação degenera-se em drama. O filme começa quando um deles está preparando-se para depor num caso de assédio sexual e o outro tem que cuidar da mãe doente.
Baseado numa peça teatral de Charles Dyer, consegue emocionar ao propor a questão do casamento gay, com muita amargura e frieza mas com fartas doses de afeto.
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11.10.2002
Co-produção anglo-franco-estadunidense que é uma comédia dramática romântica, sendo uma adaptação cinematográfica de uma peça de 1966 de dois personagens, também chamada "Staircase", de Charles Dyer (1928-2021). L'Escalier (Staircase), uma adaptação da qual na França inspiraria Jean Poiret, "La cage aux folles", em uma versão cômica. O filme foi um desastre crítico e financeiro na bilheteria da 20th Century Fox.
Os créditos são repetidos indefinidamente, ficando menores no topo da tela para dar a imagem de uma escada. Segundo consta, Sir Rex Harrison (1908-1990) odiava esse filme, que foi amplamente denunciado como homofóbico. Eli Wallach e Milo O'Shea interpretaram os protagonistas na Broadway. Os dois personagens principais são chamados de Charles Dyer (o nome do dramaturgo/roteirista) e Harry C. Leeds, que era um anagrama de seu nome. Curioso é notar o personagem de Richard Burton (1925-1984)
usar a cabeça enfaixada durante o filme todo pra esconder sua alopecia.
Uma verdadeira curiosidade que me surpreendeu! Não esperava tanto e não achei tão ruim como falaram! Me pareceu bem sincero e muito esforço foi feito para recriar as ruas de Londres em um estúdio de Paris, e só se pode presumir que os retratos gays de Harrison e Burton foram baseados em suas observações pessoais daquela época fechada. Burton e Harrison têm desempenhos impagáveis como personagens difíceis que têm tanto melhor quanto pior do que pensam que têm. Ao mesmo tempo triste e engraçado, é um filme gay que anos depois inspirou a comédia famosa A gaiola das loucas (78).
"Staircase", ao contrário do seminal "The Boys in the Band" lançado um ano depois, falha em explorar personagens homossexuais de maneira convincente ou mesmo divertida, mostrando-se equivocado do começo ao fim apesar de uma premissa interessante e muito ousada para a época.
O filme foca na relação do casal Harry e Charlie, juntos há muito tempo e enfrentando questões relacionadas ao declínio da juventude e à rejeição da sociedade (e no final das contas da insatisfação que sentem por si mesmos). O filme aborda temas relevantes e que a partir de um olhar mais sutil poderiam ter reverberado de maneria impactante, no entanto, a produção comete equívocos em muitos aspectos. Para começar, Rex Harrison e Richard Burton não convencem com suas atuações; há não só um exagero de trejeitos, mas um verniz de afetação e distância em seus personagens que parece defender e proteger a masculinidade dos atores, claramente desconfortáveis nos papéis. Jamais cremos por um instante que esses personagens se amam; o filme tenta estabelecer uma relação sado-masoquista entre os dois a partir do pressuposto de que por trás das agressões e ofensas que um submete o outro, eles na verdade se amam neuroticamente - não funciona e o filme se torna progressivamente mais deprimente e lúgubre em vez de sensível e revelador. Harrison está pavoroso, com semblante cínico e incapaz de um momento genuíno. Burton se sai um pouco melhor, mas ainda assim não transcende a caricatura, apesar de ao menos tentar imbuir o personagem de alguma sensibilidade.
O roteiro baseado na peça de Charles Dyer não é de todo ruim e possui alguns diálogos e situações que talvez funcionariam com outro diretor ou outro elenco. Stanley Donen, um diretor de senso estético apurado, dirigira alguns anos antes o excelente drama conjugal "Two for the Road", mas aqui parece sem inspiração, deixando clara as origens teatrais do roteiro e seu desinteresse pela estória. A trilha sonora obstrui desajeitadamente as cenas em vez de modulá-las e alguns momentos bizarros (como um envolvendo Burton trocando as roupas de sua mãe idosa que grita de dor e uma briga de tapas entre o casal) soam gratuitamente sádicos em vez de tocantes ou sensíveis; aliás, o filme nunca firma um tom coerente, alternando entre comédia parva e drama mórbido desassisadamente.
O fascinante cinema da "nova hollywood" abordou estórias de homens gays de maneira brilhante em muitos casos - vem à mente "Midnight Cowboy" (1969) e seu retrato da prostituição masculina, a repressão pungente da homossexualidade em "The Sergeant" (1968) e os entraves e afetos de um grupo de amigos gays no já citado "The Boys in the Band" (1970) - infelizmente "Staircase" cai no grupo dos fracassos, oferecendo um olhar limitado, cínico e depauperado de uma estória potencialmente interessante.
Rex Harrison rendendo uma ótima diva. Quem diria!
O título brasileiro é quase ofensivo, de tão inadequado: o filme dói, justamente por tratar de temas tão indelicados de uma relação marital longeva. Incrível a coragem de Stanley Donen ao levar esta estória para as telas - e, Deus do céu, como eu sofria sempre que a mãe do personagem de Richard Burton estava em cena: doía, doía muito! Por falar nisso, que interpretação! Não que Rex Harrison esteja abaixo, mas este personagem, submisso e conservador, é incrivelmente realista. Filmaço surpreendente e injustamente pouco conhecido! (WPC>)