Os Homens que Eu Tive

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Os Homens que Eu Tive (1973)
Os Homens que Eu Tive
Média do filme: 3.5 de 5 — baseado em 90 votos
MÉDIAFILMOW
3.5
90 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Tereza Trautman
País de origem Brasil 🇧🇷
Duração 85 min (1h25)
Status Streaming

Dirigido por

Duração

85 minutos
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Sinopse

Casados há quatro anos, sem filhos, Pity e Dode mantêm relações extraconjugais com a tácita aquiescência um do outro. Pity tem um amante, Sílvio, e os três passam tanto tempo juntos que decidem oficializar o triângulo. Dode não se incomoda em dividir a mulher, porque Sílvio se contenta em ser a terceira pessoa. Ao mesmo tempo, Pity está montando um filme com um velho amigo do casal, Peter, que, apaixonado por ela, um dia declara seu amor.

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Cara-de-Barro

Comentários 5
amigos querem ver
jhowsaint
Jônathas Sant'Ana
½
1 semana atrás

[24/08/26]
Desculpa, essa resenha vai acabar virando uma reflexão teológica cristã, mas não do jeito que você pensa... E lá vamos nós...

Comecei a ler neste fim de semana um livro sobre abolicionismo entre os cristãos milenistas nos Estados Unidos nos anos 1800 e o autor cita Manisha Sinha que disse que "a história da abolição começa com aqueles que resistiram à escravidão no seu princípio". Existe essa ideia de passar pano para escravocratas porque este era o normal da época, mas eu nunca compro muito essa narrativa justamente por causa disso.

O que isso tem a ver com um filme progressista brasileiro de 1973?

Esse filme é um testamento (de muitos) de que sempre existe quem questione o estado das coisas. A narrativa dominante nunca é a narrativa aceita por todo mundo e sempre há quem a questione, em qualquer tempo, em qualquer lugar. É parte da natureza do ser humano.

A gente usa muito a expressão "à frente do seu tempo" para designar essas pessos. Mas eu sinto que esse filme também serve pra dar uma rasteira nesse papo de que certas coisas são "modernas" e que houve momentos da história em que essas coisas não existiam.

Como eu sou um teólogo cristão, com uma leitura, em muitas perspectivas, conservadora da Bíblia, algum desavisado pode me ler falando assim e pensar: "mas você não tinha que execrar esse tipo de história, crente do rabo quente?"

Eu penso logo na história da mulher adúltera no texto bíblico (calma... continue lendo rs). Que muita gente lê e já diz: "é, mas Jesus disse: 'vá e não peques mais'".
Daí eu penso também na cura da filha da mulher siro-fenícia, que até onde a gente sabe, não sabemos se virou uma judia convertida por conta do milagre de Jesus ou se virou cristã no sentido que entendemos cristianismo — se foi batizada, se congregou...
Sabemos apenas que Jesus praticamente atravessou o país só pra curar a filha dessa mulher.

Jesus conhecia essas mulheres, quem elas eram, sua vivência, suas necessidades e sabia exatamente como elas eram tratadas por aquela sociedade. Antes de fazer qualquer coisa por elas, ele as enxergava em sua completude e complexidade.

Quando eu assisto "os Homens que eu tive" eu fico embasbacado com a perspicácia de Teresa Trautman, que transforma a Pitty numa desconcertante desconstrução de tudo o que a sociedade entende sobre relacionamentos e o papel da mulher neles. Sim, Teresa está defendendo uma visão, mas antes disso, ela está contando a história de um ser humano que não está presa a nada e a ninguém. E vou ousar a dizer: ela é desconcertante para nós homens, talvez não para muitas mulheres, e mesmo para as mulheres para quem ela seja desconcertante, acredito que esse "constrangimento" parta de um lugar completamente diferente.

No fim das contas, é muito difícil para um homem numa sociedade como a nossa, especialmente se for cristão, aceitar que o direito da livre escolha não é apenas um direito civil inalienável, mas mesmo numa perspectiva cristã, há o direito concedido pelo próprio Deus ao ser humano do livre arbítrio — o que implica inclusive no direito de não ser cristão, de não ter seguir princípios cristãos de qualquer ordem que seja, e isso inclui o direito das mulheres de seguir assim.

Mais ainda, o direito de seguir assim sem ser taxada de Jezabel (cujo pecado não era ter muitos homens, pelo contrário, era casada e monogâmica, seu pecado era ser cruel, violenta e assassina rs, coisa que tá cheio de homem na Bíblia que foi também rs). Esse rótulo de "prostituta", "meretriz" e "Jezabel" que se derrama sobre as mulheres é resultado de uma desumanização absurda do corpo feminino.

E é aí que se encontra a genialidade de como Teresa Trautman captura Pitty: uma mulher gentil, sensível, que ama e se preocupa com os seus. É um ser humano que, livre como é, não está amarrada a ninguém que não seja a si mesma. E sua liberdade tem um poder tão grande, que os homens que ela teve não têm outra escolha se não respeitá-la e amá-la de volta como ela é, mesmo quando, volta e meia se veem chateados caso ela fuja do combinado — afinal, ela é humana rs. Pitty faz, com transparência e honestidade, tudo o que os homens em muitos filmes e programas de TV daquela época faziam livremente, porém mentindo e posando como homens de família, enganando suas esposas (daí a extrema importância das outras mulheres da trama que possuem outros modos de viver) e ninguém os taxava de prostitutos — muitos inclusive defendiam que era uma necessidade masculina que precisava ser saciada rs.

"Nossa, Luz, mas e seus valores cristãos?"
São meus, né? [E, olha... se você ler bem direitinho Provérbios 31, a mulher "virtuosa" — termo hebraico que quando traduzido para homens é traduzido como "valente" rs — é um arquétipo, mas está longe de ser o estereótipo de bela, recatada e do lar rs].

Você viu a Pitty em algum momento nesse filme indo à igreja?

velho_cinefilo
Senhor Ivan
½
1 mês atrás

Trautman sempre foi aquela diretora que valorizou ao máximo os contos femininos e sempre deu voz e poder para tal também. Esse filme foi cancelado em plena ditadura,sendo lançado novamente ao término,justamente por falar das questões femininas de escolhas e principalmente,viver livre.

O roteiro prega bem essa ideia e traz a grandiosa Darlene Glória para o protagonismo,atriz que sabia escancarar,ser livre e a trama precisava exatamente disso. Existe um certo descontrole da personagem em relação a relacionamentos,existe alguns bons momentos de drama que faz refletir sobre casamento,namoro e até mesmo separação,mas existe aquele velho humor brasileiro para resolver tais situações.

Pity é uma das maiores personagens femininas que o Brasil já teve e ela só mostra que uma mulher vive de carinho,atenção,cuidados. Sem isso,é apenas mais uma na multidão.

>Assistido em 14 de Agosto de 2026

naasso
Nathan
½
2 anos atrás

Uma utopia bem interessante. Talvez não seria exatamente nossa utopia hoje (questões de transferência psicológica, responsabilidade emocional, etc), mas ainda assim interesante.

vitordb
Vitor
2 anos atrás

Amoral e muito delicado. Um filme que em seu tempo conseguiu ser mais audacioso do que Bob & Carol & Ted & Alice; aliás, escrito com tanta sinceridade e otimismo por essa alteridade que o amor livre possui, que permanece inovador cinquenta anos depois. Belíssima a restauração em 4K.

Soube que foi restaurado esse filme. Alguém sabe onde ver essa versão restaurada online? A cópia que tem no youtube é ruinzinha.

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por lisboaline

Elenco de Os Homens que Eu Tive

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Darlene Glória 3 25

Darlene Glória

(Pity)
Annik Malvil 0 1

Annik Malvil

(Tânia)
Arduíno Colassanti 1 9

Arduíno Colassanti

(Peter)
Gabriel Archanjo 0 0

Gabriel Archanjo

(Sílvio)
Gracindo Júnior 3 18

Gracindo Júnior

(Dode)
Ítala Nandi 0 14

Ítala Nandi

(Bia)

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