Um filme contemporâneo que aborda o terror, não apenas como uma ameaça urbana, mas também emocional e psicológica. Uma jovem escapa de um cerco policial. Sentindo-se oprimida e com sua vida destruída, começa a irradiar suas perturbações através de telefonemas anônimos. A partir daí, três histórias paralelas começam a se encaixar. O quebra-cabeças envolve, além da jovem terrorista, uma testemunha que fotografa os acontecimentos e um casal em crise.
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Dessa vez o Edward arrasou.
- filme que exige bastante do expectador, mas que retribui de forma maravilhosa todo o comprometimento necessário
- sobre os vazios da vida moderna, acompanhamos personagens em que suas ações e profissões nos levam por uma narrativa fragmentada que se unem as vezes por um fio de um telefonema que pode mudar toda uma vida
- sensacional como o diretor brinca com a metalinguagem, fazendo o que é real na história se confundir com as novelas da escritora e vice e versa
- assim como as fotos do fotógrafo na parede, nós é que temos que juntar os pedaços da trama para vislumbramos a grande imagem
- por falar em imagem, que fotografia! de encher os olhos
- o final é uma pedrada! que faz toda a jornada valer a pena
Posso ter meus problemas com o Edward Yang (nunca escondi esta rixa íntima estapafúrdia), mas nunca refutei que ele é um dos gênios imagéticos da Nouvelle Vague Taiwanesa e arreganhei-me por completo, aqui, ao fazer as pazes por completo com sua obra, diante desta maravilha de filme, testamento epocal, aula prática de pós-modernismo como indutor da incomunicabilidade via interrupção metropolitana. Amei o filme, amei!
Tive a oportunidade de conferi-lo numa sessão cineclubista em que as pessoas saíam aos montes: aparentemente, a narrativa em formato de lento (e incompleto) quebra-cabeças decepcionou a galera, enquanto eu estava em transe: não ouvi os nomes dos personagens. Referimo-nos a eles como "a novelista, o fotógrafo, a eurasiana", ao final. A montagem é deveras inovadora, contando com um instante insigne, ao som de "Smoke Gets Your Eyes". A fotografia é abundante em superfícies especulares. Nos cenários, telefones, em profusão - muitos deles usados, com o auxílio de uma saudosa lista telefônica. Quem são os terroristas do título? Descobriremos numa inusitada reação cotidiana, antecipada pela coleção de imagens efetivada pelo fotógrafo jovem e pela angústia narrativa confessada pela novelista, afinal premiada, a despeito de sua melancólica procrastinação.
Direção perfeita, trabalho de mestre à frente de seu tempo, justamente por documentar um tempo em intensa transformação e afetação: fiquei absorto durante a sessão e encantado ao término da mesma. Talvez eu tenha me incomodado com alguns breves aspectos da discussão sobre "realidade não é ficção (e/ou vice-versa)", mas isto faz parte da lógica discursiva da obra, que comprova que, sim, é. Brilhante, pura e simplesmente. Edward Yang, agora te amo! (WPC>)
Meu primeiro contato com o cinema de Yang...
Aqui a narrativa se pauta no "acaso" e impacto dos encontros que se ocorrem por nada além da sociedade, do meio e na força que ficções podem ter nas nossas relações. Achei encantador o como ele filma os telefonemas, elementos de conexão, confusão e mistério para ligar as tramas e personagens que estão presos nessas teias pós-modernas. Cotidiano e contido, as casualidades que podem destruir vidas, os refugios no ficcional e os vicios no desconhecido, tá tudo aqui...
"Um romance é um romance, e só isso... nunca é a realidade"
O segundo filme que assisto desse diretor e amei quanto o primeiro, Yi Yi de 2000! Apesar de não ter entendido muito a mensagem amei como o diretor fez este, as muitas cenas sem trilha sonora somente com o som ambiente, as cenas contemplativas, as cenas com a câmera parada só observando o que está acontecendo. Uma obra-prima do cinema que infelizmente é desconhecido aqui no Brasil! Assistido no dia 4 de maio de 2024.