Em março de 1537, Fernão Mendes Pinto partiu para a Índia em busca de fama e fortuna. Este filme relata as desventuras e os sucessos deste escritor que, nos 21 anos em que esteve no Oriente, em vez da fortuna que pretendia, lhe foram crescendo os trabalhos e os perigos. Aventureiro, peregrino, penitente, embaixador, soldado e escravo, Fernão Mendes Pinto foi tudo e em toda a parte esteve. Acabou por regressar a salvo para nos deixar um extraordinário livro de viagens.
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6.9 - Filme que retrata as aventuras e desventuras do navegador português, Fernão Mendes Pinto, a partir dos textos que nos deixou, efectuado e realizado por João Botelho, de forma algo teatral, com apontamentos musicais baseados na obra "Por Este Rio Acima", do músico e compositor português Fausto. Esquecido e relegado para 2º ou 3º plano pelos seus conterrâneos (face a nomes mais sonoros como Luís Vaz de Camões, João de Barros e Fernão Lopes de Castanheda), assistimos também aos seus últimos dias na nossa pátria, terra que o viu nascer, mas que não o reconheceu em vida. Interessante como crónica histórica, mas demasiado teatral e encenado (dir-se-ia, até, "fantasioso demais", um pouco à semelhança da opinião, dada na altura, à obra original de Fernão Mendes Pinto, com o mesmo nome do título deste filme).
Se este é o melhor produto cinematográfico português, indicado para concorrer ao Oscar, tenho medo de saber qual é o pior. A obra seminal da literatura dos nossos colonizadores abusa da repetitividade (que, confesso, começa engraça e encerra insuportável), abranda o conceito épico na execução pobre e sequer transforma o protagonista, Fernão Pinto, em um sujeito além do pitoresco (uma espécie de Barão de Münchhausen piorado).
A parte artística também é decepcionante: os figurinos são medíocres, a ponto de serem facilmente identificáveis cortes de plástico em algo que data do século XVI; a fotografia é deselegante, chapada e insistente em planos fechados que apenam reduzem a tal escala épica; os números musicais são cantados sem a menor inventividade e empolgação. Um naufrágio mais impactante do que todos os por que passou seu embusteiro protagonista.
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"Peregrinação" de João Botelho é o candidato português ao Óscar de 2019. Baseado numa obra basilar da literatura clássica portuguesa com o mesmo nome, de Fernão Mendes Pinto, este filme destaca-se pela intenção ambiciosa do director de reproduzir uma aventura épica de descoberta e viagem marítima. A fotografia e ambientação (na Ásia ), a banda sonora (uma ideia original e muito bem executada) são os grandes pontos positivos da obra. No entanto, o filme é pesado( o estilo excessivamente teatral e gongórico contribui decisivamente), bem como, uma sequência narrativa confusa, prejudicam gravemente o produto final. Nota;2(0-5).