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Romek, um jovem idealista de 19 anos, aceita um emprego como alfaiate no departamento de figurino de uma companhia de teatro de Varsóvia, onde seu novo colega, Sowa, é pressionado a fazer uma roupa para um solista arrogante, chamado Siedlecki, que não gosta do resultado final e culpa Sowa e Romek, que defende o amigo.
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Eis a primeira obra-prima do Kieslowski, seguida por várias outras. Muitos anos antes de expôr o azul enquanto liberdade, já se nota neste trabalho uma abordagem profícua sobre o tema, sendo ambientado numa instituição em que a liberdade é tolida. O filme é composto, em sua maior parte, pela exibição de uma claustrofóbica realidade institucionalizada, que não poderia ser mais agridoce e cindida.
A oposição entre equipe técnica e equipe de arte é um possível equivalente da área operacional e da administrativa. As oficinas de costura e cenografia, enquanto "lugares do fazer" são mostradas enquanto destituídas de sua importância pela gerência. Por se tratar de um teatro, pode-se inferir que os costureiros são, em grande parte, os responsáveis por produzir o espetáculo e revestir o corpo dos atores de um imaginário. O conflito central do filme revela exatamente a desigualdade hierárquica, na qual atores são as estrelas por si mesmas, e a equipe operacional é reduzida a um nada além de uma força-de-trabalho, sem liberdade de expressão. Se em nossa atual realidade, é notório o interesse em transpôr do operacional ao administrativo, no filme também há este desejo de transposição (o de ascender ao palco) no costureiro Soaw - que um dia "iludiu-se" e já não mais crê - bem como em Romek, sensível à linguagem da Arte, seja a uma peça de teatro, seja à música de um violino.
Magnífica realização do polaco, que resultou em obra de curta duração, porém densa, com rico material para análise. Acima de tudo, reveladora das relações de trabalho enquanto possíveis produtoras de uma identidade humana.
Interessante são os mais variados temas que Kieslowski abordava em seus filmes.
Muito bom.