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Data de lançamento
6 Nov. 2000Duração
Em um futuro apocalíptico, os recursos naturais da Terra estão se esgotando e a humanidade precisa buscar um novo lugar onde possa sobreviver. Em busca de conhecer melhor as condições de vida de Marte, uma equipe de astronautas é convocada para formar a tripulação de uma expedição até o planeta. Porém, diversos problemas começam a ocorrer quando a nave chega em Marte, desde uma aterrissagem ruim que danifica os equipamentos até a crescente tensão entre os próprios integrantes da tripulação.
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⚠️ Aviso de Spoilers: Se você ainda não assistiu esse filme, corra daqui.
Na virada do milênio, Hollywood surtou com as imagens que a NASA enviava de Marte. Os estúdios acharam que o público estava sedento pelo terrão vermelho do planeta, começando uma corrida maluca nos cinemas. A Disney lançou "Missão: Marte", e a Warner correu para colocar "Planeta Vermelho" nas telonas. O resultado? Um filme pior que o outro.
O roteiro de "Planeta Vermelho" é uma bagunça sem identidade. Em 2056, a Terra está morrendo de poluição e uma missão é enviada para checar a terraformação de Marte, onde algas haviam sido plantadas para gerar oxigênio. Só que tudo dá errado na chegada: a nave de pouso é destruída e a tripulação fica isolada no solo marciano sem comunicação adequada. A partir daí, o filme não sabe o que quer da vida.
É suspense de alga marinha, robô surtado, inseto carnívoro e astronauta psicopata. O diretor Antony Hoffman levou a produção para onde nenhum diretor de blockbuster ainda tinha ido — a não ser na vastidão do mundo trash e do cinema B. "Planeta Vermelho" é quase um surto de ideias num filme só. Enquanto a gente espera uma ficção científica espacial de respeito, o diretor pira com as imagens de Marte e entrega uma aventura ecológica no estilo "Ilha da Fantasia".
O elenco no papel era um esquadrão de elite: Val Kilmer, Carrie-Anne Moss, Tom Sizemore, Simon Baker, Benjamin Bratt e o veterano Terence Stamp — nomes fortíssimos dos anos 80 e 90. Mas a química em cena foi destruída por uma verdadeira guerra civil nos bastidores. Val Kilmer e Tom Sizemore se odiavam tanto que chegaram às vias de fato no set. A briga foi tão feia que a equipe teve que rodar cenas com dublês e ângulos separados para que os dois não precisassem dividir o mesmo espaço. Enquanto isso, Carrie-Anne Moss passou o filme inteiro isolada num cenário de maquete, atuando sozinha como a Comandante Bowman — funcionando quase como um serviço de SAC da NASA pelo rádio enquanto os homens brigavam "também" no deserto.
Os efeitos em CGI envelheceram como leite fora da geladeira. O robô AMEE dando piruetas em slow-motion e a nuvem de insetos parecem gráficos da primeira geração do Nintendo. E para fechar a cadeia com você do lado de dentro, a resolução do problema deles na história é digna das gambiarras das oficinas ao lado dos buracos na estrada! Depois que os astronautas morrem por conta do robô surtado, do inseto carnívoro e do astronauta psicopata, o engenheiro vivido por Val Kilmer precisa achar um módulo soviético abandonado nos anos 70 para fazer uma "chupeta" na bateria com sucata e conseguir se acoplar de volta à nave da Carrie-Anne Moss. Só isso. E ele consegue... afinal, tinha oxigênio em Marte, Posto Ipiranga e baterias Moura. E se não tivesse, bastava um chiclete e uma pilha Duracell para a missão ser cumprida!
"Planeta Vermelho" é o resultado do surto que os estúdios tiveram com o planeta vermelho nos anos 2000. É mais um sci-fi pretensioso e genérico que tomou os cinemas e as locadoras, mas que causou pouco interesse no público. Eu, por exemplo, nem quis alugar na época, e quando passou na TV eu nem raspei os olhos — só fui assistir anos depois na internet. Pena, viu? Gastar uma fortuna para transformar a exploração do espaço numa briga de bar com robô da Estrela e inseto de plástico é demais para a cabeça.
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2001:
Tenho registrado, mas nem eu lembrava de ter visto isso no cinema...
Avaliação em nota: 3.9
21.09.2002
24.02.2001
Acho ainda mais chato que o "Missão: Marte".
10-10-2024