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Estagnado na companhia onde trabalha, o publicitário David Howard (Albert Brooks) acabou de perder a oportunidade que tanto queria de ocupar a vice-presidência da empresa. Ele pede demissão, convence sua mulher, Linda (Julie Hagerty), a fazer o mesmo, vende sua casa e ações e compra um trailer para perambular pelo EUA. Embora eles sintam que agora suas vidas estão meio que sem destino, eles nasceram acomodados por natureza. Com suas economias confortavelmente seguras e ao alcance deles, eles fazem sua primeira parada: Las Vegas. Adeus economias. Saudações, hilariedade.
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Gostei de ver o Garry Marshall atuando, deixou saudades.
Em Lost in America (1985), lançado no Brasil como Relax, a ideia é boa, porém a execução não é tudo isso. A proposta de acompanhar David Howard (Albert Brooks) em sua busca por abandonar o caminho convencional, largar a carreira corporativa e se lançar em uma espécie de aventura libertária pela estrada é interessante no papel, especialmente por dialogar com um desejo de ruptura que segue atual até hoje. Existe ali uma reflexão válida sobre frustração profissional, consumo, ilusões de liberdade e a eterna promessa do “viver diferente”, longe das amarras do sistema.
No entanto, o desenvolvimento é bastante demorado, e o filme leva tempo demais para fazer seus conflitos realmente ganharem peso dramático.
Quando tudo parece começar a se encaixar e a narrativa finalmente encontra um rumo mais claro, o filme já tem mais de uma hora de duração, o que torna a experiência cansativa e um pouco frustrante. Essa sensação se agrava pelo fato de que o desfecho é bem abrupto, encerrando a história de maneira rápida demais para um percurso que prometia algo mais profundo ou transformador.
A jornada de David Howard (Albert Brooks), que deveria representar uma libertação e uma verdadeira aventura de autoconhecimento fora do padrão social, acaba sendo decepcionante justamente por nunca ir fundo o suficiente. O filme flerta com a ideia de ruptura, mas recua constantemente, deixando a sensação de que tudo não passa de uma experiência superficial e apressada, na qual os personagens não sustentam as próprias decisões.
A personagem Linda Howard (Julie Hagerty) também contribui para essa frustração. Embora seja parte essencial da decisão de largar tudo, Linda se mostra imatura, instável e muitas vezes egoísta, reagindo mal às próprias escolhas que ajudou a tomar.
Suas atitudes, especialmente quando confrontada com as dificuldades reais da vida fora do conforto, soam pouco empáticas e acabam enfraquecendo ainda mais a proposta de parceria e cumplicidade que o filme tenta vender.
Ainda assim, apesar de todos esses problemas, o filme carrega uma boa reflexão e um tema que segue atual até hoje: o choque entre idealismo e realidade, e o quanto é fácil romantizar a fuga do sistema sem estar preparado para o que isso realmente implica. É um filme que provoca, mas não entrega tudo o que promete, deixando a sensação de uma oportunidade parcialmente desperdiçada.
Assistido em 21/12/2025
17.07.1993
Gosto da grande maioria dos filmes do Albert Brooks, mas esse apesar da ideia bacana não achei tudo isso. Tem vários momentos legais, mas outros nem tanto.
Muito divertido, e com uma boa reflexão.