Cozy é uma mulher que se sente solitária, em um casamento infeliz e sem conexão emocional com seus filhos. Um dia, ela conhece Lee em um bar, que a convence de ir a casa de um amigo. Após um incidente, Cozy e Lee fogem pela estrada sem perspectiva alguma.
Dois personagens desgraçados. Abandonados.
Conhecendo a diretora e me fascinando pela paciência e sagacidade como ela conta histórias que na mão de qualquer outro diretor soariam clichês
Muito bom, adoro a assinatura dessa diretora, seus filmes são simples e intimistas porem sempre carregados de densidade e jornada significativa.
Mano que promete Thelma & Louise e entrega dona de casa all over again merece bala
Parece um retrato do vazio, do ócio e das frustrações. A protagonista é cheia de sonhos: sonhava em ser bailarina, atriz ou até acadêmica. Queria se apaixonar, mas nada veio. A aventura começa quando ela se enxerga em um cara desocupado que não se preocupa com o dia de amanhã. A química entre os dois funciona muito e há importantes cenas em que apenas a sugestão é apresentada. Daí devemos aplaudir o trabalho da diretora, que num filme com menos de 80 minutos, consegue trazer diferentes emoções, principalmente quando a obra vira um road-movie. Grande estreia da diretora.
Como a diretora será extremamente ovacionada daqui por diante, fiz questão de inteirar-me quanto à sua filmografia. Nessa sua estréia em longa-metragem, impossível não pensar em WANDA: ela, com certeza, viu e adorou o filmaço da Barbara Loden. A diferença é que, em seu retrato inclemente mas também não comiserativo do 'white trash' estadunidense, a diretora apresenta-nos a um cabedal vasto de personagens, nem todos interessantes, mas situacionalmente bem inseridos. Afinal, Kelly Reichardt fala sobre algo que conhece muito bem: a região em que cresceu, as fotografias de cenas de crime que acompanhou ao lado dos pais policiais, etc.. Como foi bem dito abaixo, é incrível como muitos de seus elementos-chave estão evidentes neste primeiro filme: o roteiro é muito sintético na exposição dos "personagens sem redes de segurança". As interpretações possuem aquele típico exagero 'indie' da década de 1990 (um Jarmusch mais acelerado - risos), mas transmitem o desamparo pós-'beatnik'. A meia-hora final é primorosa. Talvez eu tenha incomodado-me um pouco com o senso de humor, mas ele faz sentido, afinal. Ri muito numa das cenas de assalto, inclusive. (WPC>)