Coutinho ainda aperfeiçoava suas técnicas,mas já sabia como ninguém como arrancar histórias,algumas até emocionantes.A dificuldade de um povo totalmente carente de coisas que hoje em dia parece inacreditáveis.No mais,a simplicidade e a educação das pessoas da época são elogiáveis.
Esse filme deixa bem claro a negligência que o Nordeste sofreu por anos e anos, desde a colonização do Brasil por parte do governo. Até hoje acredita-se que o principal culpado da miséria e atraso que esse povo sofreu, é apenas culpa da seca que predomina na região. Seis dias em Ouricuri, revela que não apenas a seca, mas a falta de infra-estrutura de atendimento ao povo e programas sociais causou o desgaste da população sertaneja por muitas e muitas décadas. A prova disso, é que muitas pessoas não tinham sequer como tirar documentos para poder trabalhar, e provavelmente, muitas não sabiam nem o que era isso. Hoje em dia muitas pessoas em cidades e vilarejos completamente afastados do Nordeste ainda vivem nessas condições, não registradas, não podendo trabalhar ou receber bolsa auxílio. Literalmente, sem trabalho, comida rala, dinheiro algum, debaixo de um sol de rachar, a única esperança que restava mesmo era ter fé, rezar, e esperar um pouco de água vir do céu. E obviamente, quando isso acontecia, o povo nordestino sempre muito ligado à religião, acreditava ser a vinda de um milagre. Afinal, eles já sabiam, ajuda do governo que não devia de ser. Pior de tudo, é saber que vivo numa cidade desenvolvida como São Paulo, e estamos enfrentando problemas de seca, com muitas pessoas passando dificuldades pela falta de água, e ainda existe gente que culpe São Pedro por isso.
Apesar de a cópia deste telefilme a que tive acesso estar com o som ruim, todos os elementos que, posteriormente, podem ser reconhecimentos como protótipos do método coutiniano de analisar e respeitar as razões dos seres humanos que focaliza estão contidos aqui: fotografado em preto e branco oportunamente rústico, SEIS DIAS DE OURICURI parece ser um filme sobre a seca, mas, aos poucos, desvela os seus verdadeiros intentos, revelando as pessoas que habitam a região e como elas congregam entre si nesta fase de penúria, recorrendo à musica e à religiosidade, subtemas recorrentes do 'corpus' genial deste ótimo cineasta. Um documentário digno de muita atenção analítica e emocional, portanto! (WPC>)
Coutinho ainda aperfeiçoava suas técnicas,mas já sabia como ninguém como arrancar histórias,algumas até emocionantes.A dificuldade de um povo totalmente carente de coisas que hoje em dia parece inacreditáveis.No mais,a simplicidade e a educação das pessoas da época são elogiáveis.
>Assistido em 21 de Outubro de 2023
Coutinho ainda longe de ser melhor ainda que retrate uma realidade triste.
Esse filme deixa bem claro a negligência que o Nordeste sofreu por anos e anos, desde a colonização do Brasil por parte do governo. Até hoje acredita-se que o principal culpado da miséria e atraso que esse povo sofreu, é apenas culpa da seca que predomina na região. Seis dias em Ouricuri, revela que não apenas a seca, mas a falta de infra-estrutura de atendimento ao povo e programas sociais causou o desgaste da população sertaneja por muitas e muitas décadas. A prova disso, é que muitas pessoas não tinham sequer como tirar documentos para poder trabalhar, e provavelmente, muitas não sabiam nem o que era isso. Hoje em dia muitas pessoas em cidades e vilarejos completamente afastados do Nordeste ainda vivem nessas condições, não registradas, não podendo trabalhar ou receber bolsa auxílio.
Literalmente, sem trabalho, comida rala, dinheiro algum, debaixo de um sol de rachar, a única esperança que restava mesmo era ter fé, rezar, e esperar um pouco de água vir do céu. E obviamente, quando isso acontecia, o povo nordestino sempre muito ligado à religião, acreditava ser a vinda de um milagre. Afinal, eles já sabiam, ajuda do governo que não devia de ser.
Pior de tudo, é saber que vivo numa cidade desenvolvida como São Paulo, e estamos enfrentando problemas de seca, com muitas pessoas passando dificuldades pela falta de água, e ainda existe gente que culpe São Pedro por isso.
Apesar de a cópia deste telefilme a que tive acesso estar com o som ruim, todos os elementos que, posteriormente, podem ser reconhecimentos como protótipos do método coutiniano de analisar e respeitar as razões dos seres humanos que focaliza estão contidos aqui: fotografado em preto e branco oportunamente rústico, SEIS DIAS DE OURICURI parece ser um filme sobre a seca, mas, aos poucos, desvela os seus verdadeiros intentos, revelando as pessoas que habitam a região e como elas congregam entre si nesta fase de penúria, recorrendo à musica e à religiosidade, subtemas recorrentes do 'corpus' genial deste ótimo cineasta. Um documentário digno de muita atenção analítica e emocional, portanto! (WPC>)