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O filme é bem panfletário de tendência trotskysta, com uma visão ultrarromântica da revolução. Uma pena, por conta disso, pecaram com várias informações que poderiam enriquecer muito o documentário... Construindo críticas em cima da crise gerada pela revolução e pelo Stalin, que praticamente não existiram nesse doc.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
ótima lista de filmes lisérgicos! hahaha
adorei suas listas
O nome mais utilizado desse ritual é "Yamurikumã", que é o maior ritual feminino realizado entre as tribos do Alto Xingu. Achei engraçado, pois a única referência que achei da palavra "Jamurikumalu" estava relacionada ao filme, e com poucos dados que pudessem comprovar e dar significado à sua origem.
Recentemente tive a oportunidade de participar de uma roda de conversa com mulheres indígenas, onde haviam duas Kamaiurá/Yawalapiti que participaram desse filme, e são filhas do cacique da aldeia em que se realizou este ritual. Elas contaram sobre suas histórias como mulheres e filhas do cacique dentro da tribo, as dificuldades que enfrentam, mesmo em uma posição privilegiada em relação às demais mulheres, e sua forma de organização social e política. Inclusive, uma delas, Kaiulu Yawalapiti é presidenta da Associação Yamurikumã de Mulheres Xinguanas. Elas contaram que não simpatizavam muito com esse documentário, pelo simples fato de que ele mostrava coisas que não deveriam ser mostradas.
É engraçado ouvir isso como não-indígena, após muitos de nós assistirmos o doc e ficarmos maravilhados com a cultura tão diferente e a riqueza destes povos e rituais. Esquecemos que este é um ritual específico, voltado para o gênero feminino, que mostra apenas um determinado período da vida em uma aldeia. Portanto, que não representa diretamente a forma como essa ou outras etnias em especial se organizam durante uma vida inteira de forma política e social. Além disso, é um filme produzido por homens, mostrando um olhar que na realidade deveria ser das mulheres, que deveria consentir com o que as mulheres querem mostrar ou não.
A "força" e autoridade que esse documentário mostra, em nada se relaciona com o cotidiano da maioria das tribos do Alto Xingu. Lá ainda se realizam casamentos arranjados, se impõe padrões estéticos para as mulheres de forma conservadora (sim, isso existe, à maneira deles, claro), se realizam rituais muito agressivos para mulheres, e muitas vezes suas vozes são quase insignificantes nas decisões internas e externas, principalmente políticas. Esse foi um dos motivos para a criação da Associação Yamurikumã, para que as mulheres indígenas também pudessem contribuir em debates políticos, se beneficiassem com atendimento de saúde direcionado à mulher, dentro de seus costumes tradicionais, e desconstruíssem casos de machismo em sua própria cultura, que muitas vezes prejudicam mulheres por gerações e gerações, e são impedidos de mudar por conta da necessidade de "preservar" certas tradições.
Creio que é importante ter um olhar crítico à esse documentário. Nem tudo que as câmeras mostram pode ser a realidade. A forma destas populações verem o mundo é muito diferente da nossa, e certamente não iremos entender tudo que quisermos, se continuarmos aplicando nossas fórmulas não-indígenas à cultura deles. É importante saber o que eles, principalmente ELAS pensam sobre esse filme.