Dirigido por
Data de lançamento
2 Ago. 2002Duração
No condado de Bucks, Pensilvânia, vive Graham Hess, um viúvo com seus dois filhos, Morgan e Bo. Também mora com eles Merrill, o irmão de Graham. Ele reside em uma fazenda e era o pastor da região, mas recusa ser chamado como padre, pois questionou sua fé desde quando sua mulher, Colleen, foi morta ao ser atropelada por Ray Reddy, um morador da região que dormiu enquanto dirigia. Repentinamente os Hess ficam bastante intrigados com o surgimento de misteriosos e gigantescos círculos, que surgem inesperadamente em sua plantação sem que haja o menor vestígio de quem os fez ou por qual motivo teriam sido feitos.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Maluquice ficar nessa casa.
O filme me prendeu do início ao fim, esse ar de mistério, mas ao mesmo os seres aparecem de forma clara e agressiva trazem uma atmosfera que você não sabe o momento que tudo pode dar merd...
Entretanto, algumas coisa começam a incomodar no que tange o próprio conceito dos personagens...
Como pode uma família do interior dos Estados Unidos descobrir uma invasão alienígena e literalmente não se armar, não se defender ou procurar ajuda decente? O final do filme também ficou bem fraco com essa tentativa metafísica vinculada a figura do Padre da Shopee, enfim...
Tem seus problemas de conclusão, mas vale a experiência sem dúvidas!
19.07.2009
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2002:
Este filme consolidou M. Night Shyamalan como um dos meus diretores favoritos da atualidade. Ele é tão rico em detalhes que nem me importa se tudo faz sentido no final. Gosto demais deste.
Avaliação em nota: 8.0
Tem Alguns Spoilers...
"Eu vivi a era de ouro das locadoras nos anos 80 e 90, e as fitas de VHS reinavam na Telefunken e na Toshiba da minha casa. Eu não assistia a filmes no cinema, mas em 1999 parei para ver "O Sexto Sentido" na telona — um filme que eu nem sabia de quem era, nem me importava com o nome do diretor. No começo dos anos 2000, a televisão brasileira estava aterrorizada com os casos do Chupacabra. O medo era real, e "Sinais" veio no momento certo."
Dirigido por M. NightShyamalan, "Sinais" é um suspense de invasão alienígena que revolucionou o gênero ao trocar as explosões genéricas dos filmes mainstream por uma carga dramática e tensa raramente vista na época. M. Night Shyamalan cria um suspense psicológico e moderno, onde o motor do filme não é o céu, mas o chão rachado da dor humana. O ex-padre Graham Hess (Mel Gibson) vive soterrado pela perda devastadora da esposa. O luto dele não é um detalhe de roteiro; é um trauma, um fantasma que assombra toda a sua casa. Ao lado dele, o irmão Merrill (Joaquin Phoenix) e os filhos carregam as cicatrizes de uma família tentando desesperadamente sobreviver ao luto e à perda da fé.
A forma como o Shyamalan constrói o luto do Graham é de suar frio. Ele é um ex-pastor que abandonou Deus e a batina não porque virou ateu, mas porque ficou com raiva de um Deus que permitiu que um acidente estúpido tirasse a vida de sua esposa. Os flashbacks da esposa presa entre a caminhonete e a árvore, conversando com o Graham em seus últimos minutos, são dilacerantes. E a última frase que ela deixou pra ele não fazia sentido:
— "Diga ao Merrill para bater forte" e "Diga ao Graham para ver" — parecia um delírio trágico de alguém morrendo. Mas o filme constrói, de forma precisa, cada detalhe pra mostrar que nada do que ela disse foi em vão. E foi incrível, porque essa tragédia não é só um enfeite no roteiro, mas sim o núcleo da história. E o grande dilema do filme encontra sua resposta de forma dramática e desesperadora:
"Você é do tipo que vê sinais, que vê milagres? Ou você acredita que as pessoas simplesmente têm sorte?"
A sensação de medo é intensa e o pavor é algo físico. Shyamalan usa o som do vento, os latidos dos cachorros e a trilha sonora do James Newton Howard pra deixar a gente sem oxigênio. A cena do milharal de madrugada é cinema de mistério em estado puro. Graham caminhando com a lanterna fraca entre as folhas de milho, ouvindo o estalo de passos e aquele barulho bizarro de cliques que lembra um rádio fora de sintonia. Quando a lanterna ilumina de relance a perna verde, alta e magrela do extraterrestre sumindo no meio da plantação, a espinha da gente congela! É o modo terror da imaginação fervendo e correndo a mil por hora, fazendo a gente esquecer de assaltar a geladeira pra matar a fome! E a famosa cena da televisão mostrando o aniversário no Brasil, com o ET saindo de trás do beco em meio ao grito das crianças, fez todo mundo perder de vez o rumo da cozinha.
Quando a família se tranca dentro de casa, o filme vira uma aula de claustrofobia. Não há exército, não há grandes cidades explodindo como em Independence Day. É só uma família despedaçada, no escuro, ouvindo garras arranhando o telhado com uma coisa forçando a maçaneta da porta do porão. O desespero do Graham tentando salvar o Morgan (Rory Culkin), filho asmático que tem uma crise violenta por falta da bombinha no escuro, gera um sufoco do cão gente. E o ar do garoto vai se acabando ao mesmo tempo em que se escuta arranhões na porta do porão, e uma coisa forçando a maçaneta. E nesse breu, Merrill (Joaquin Phoenix) segura um taco de beisebol feito uma arma jedi, transmitindo um medo e uma insegurança absurda. Você sente o abafamento, sente o cheiro de mofo do porão e quase que vive o pânico deles, de não saber o que está acontecendo do lado de fora, mas sabe com toda certeza de que eles estão lá!
As cenas finais são eletrizantes! Quando eles sobem do porão achando que os alienígenas foram embora, o filme entrega uma verdadeira pancada na nossa cabeça. O alienígena que perdeu um dos dedos está parado no meio da sala, com o garoto nos braços desmaiado e a toxina engatada no seu rosto. É aí que vem o significado definitivo do filme! O dilema da fé versus a sorte, com as dores do trauma fazendo o sentido no olhar do Graham. As palavras da esposa deixam de ser um delírio e viram uma ordem de sobrevivência. Graham olha para o irmão e solta a frase: "Bate, Merrill. Bate forte!".
O que se segue é uma catarse absurda. Merrill arranca o taco da parede e desce a madeira no ET, que ao ser atingido derruba os copos d'água que a garotinha Bo deixava espalhados pela casa inteira. A água queima o bicho como ácido, revelando a fraqueza mortal deles. E a maior dor que um pai pode imaginar ganha um significado divino. A crise violenta de asma do Morgan no porão fecha os pulmões do garoto, impedindo que ele inspirasse o gás mortal. Nada ali foi coincidência.
"Sinais" é único! Enquanto a ficção no cinema mostrava invasões alienígenas com o mundo se transformando num campo de guerra, o filme do Shyamalan mostrava um pai tentando salvar sua família dentro de um porão. Naves, raios, exércitos, tiros e bombas são substituídos por milharal, crises de asma e silêncio. O drama da família, o trauma da perda, a frase que parecia um delirio da esposa, o dilema traumatico da fé contra a sorte, são a chave pra salvação deles. A cena do taco foi fantástica! Quem se esquece daquilo? Mas a forma como o garoto se salvou, aquilo ficou guardado no coração. Shyamalan foi gênio. Classico.