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Historia de amor entre um motorista de caminhão de lixo e uma caixa de um supermercado. Um filme sobre perdedores, sobre a necessidade de amor e também sobre a humildade, dignidade e orgulho. Alguns dos aspectos da vida tragicômica numa metrópole. Este filme é o primeiro da trilogia proletária onde Aki Kaurismäki se dedica a examinar a realidade social finlandesa, seguido por Ariel (1988) e A menina da fabrica de fósforos (1990).
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Sombras no Paraíso 8/10
Esse é meu segundo filme do diretor Aki Kaurismäki. O primeiro que vi, Folhas de Outono de 2023, descobri agora assistindo esse dos anos 80, se tratar de um remake espiritual. Enquanto via, fiquei sempre com a impressão de já conhecer a história. Mas valeu "reassistir" uma obra que possui tanta originalidade e consegue transmitir sua ideia de forma tão rápida.
O filme mostra em menos de 80 minutos uma Finlândia fria no clima e de humanidade também. As relações sociais moldadas pelo valor dos bens materiais, o dinheiro e o que você tem suprimem qualquer poder encontrado na amizade e no amor.
O filme a todo momento carrega uma dose de humor amargo exaltado em músicas diegéticas de como o capitalismo pode ser apocalíptico em todas as sociedades quando decide nos descartar não apenas no trabalho mas também como ser humano.
Um Filmão. Vale a curiosidade que é o primeiro de uma trilogia espiritual do diretor conhecida como Trilogia do Proletariado.
1° filme da chamada Trilogia do Proletariado do diretor e segue na mesma temática comum às suas outras obras, mas aqui tem um foco maior no trabalho em si. Achei meio paradão demais e não me prendeu tanto assim
Os filmes do Kaurismäki são todos meio parecidos na minha cabeça.
Alguém tá trabalhando igual um corno, alguém é demitido. Esses alguéns se encontram, apesar de parecer que nunca vão conseguir. Eles entendem que a vida pode não ser tão horrível, apesar do capitalismo matador.
Gostei do comunismo dando seu adeus no final. Meio dos anos 80, o neoliberalismo vinha com tudo. É possível encontrar o amor, mas essa partida só deixa um rosto triste. Coisa muito pior veio aí.
Recomendo "O dia que te conheci" pra quem gostou desse e/ou gosta dos filmes do Aki.
Assistindo agora em retrospecto, dá pra perceber como Folhas de Outono é quase uma reencenação desse filme, dentro de seu recorte histórico (o navio soviético no final, por exemplo). Um casal que se entrelaça pela realidade do trabalho e a necessidade de uma resolução em suas vidas. Gosto muito como Kaurismaki filma com um certo tédio e ironia na rotina de seus personagens, que apenas preenchem os espaços, mas pouco se expressam para além desses postos de trabalho que os confinam. Há uma certa beleza nas cores saturadas que permeiam os lugares e figurinos dos personagens, em contraste com seus rostos carregados de uma profunda depressão.
Tenho um vício. Chama-se Aki Kaurismaki.
"O médico que eu preciso ainda não nasceu."