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Um anúncio de classificados chama a atenção do editor de um jornal, Brian Kelly. Ele envia um repórter à procura de provas de um assassinato de um policial ocorrido 11 anos antes. A justiça terá errado no caso e prendido injustamente um homem.
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Logo no começo do filme Call Northside 777 (1948), vemos o sofrimento da mãe de Frank, Tillie Wiecek, e conseguimos sentir tudo o que ela sente ao oferecer 5.000 dólares por alguém que tenha pistas do verdadeiro culpado, na esperança de livrar seu filho. A dor e a determinação dela são o motor que impulsiona toda a narrativa.
Não fica claro qual é a real motivação de Kelly por trás de todo o caso, porque desde o começo ele insiste para que McNeal cubra a história. Inclusive, ele chega a dar duas desculpas esfarrapadas, facilmente desmascaradas.
A cena do detector de mentira é simples, porém extremamente tensa — um dos grandes momentos do filme.
A mudança de McNeal é muito forte, e sua convicção de que Wiecek é inocente também. No início, ele encara o caso apenas como uma matéria comum, mas, à medida que se aprofunda na investigação, passa a se envolver emocionalmente. Essa transformação é um dos grandes destaques do filme.
O diálogo entre a mãe de Frank e McNeal é pesado e marcante:
“Provas? Eles não tinham provas quando condenaram meu Frank por 99 anos. Não tenho provas quando esfrego chão toda noite. Ou fico sem jantar. Ando para o trabalho para guardar dinheiro para o Frank. Provas. Você tentou ajudar. Você é um bom homem. Mas se isso acontecer... vamos continuar a lutar. Continuaremos a lutar. Sim?”
É revoltante ver tanta gente ultrapassada de terno e gravata julgando processos de pessoas que eles nem consideram como pessoas, apenas papéis. Eles simplesmente não estão nem aí com nada disso — para eles, tudo é apenas burocracia.
Kasia Orzazewski faz um excelente trabalho como Tillie, e é interessante notar que ela era realmente polonesa, o que dá ainda mais autenticidade ao papel. Toda vez que aparece em cena, entrega uma atuação carregada de emoção e sentimento, tornando impossível não se comover com sua dor.
James Stewart, por sua vez, oferece mais uma grande atuação. Ele é um ator que raramente decepciona: carrega uma naturalidade impressionante e uma presença de cena que transmite empatia, firmeza e humanidade ao mesmo tempo. Sua interpretação de McNeal equilibra o ceticismo inicial do jornalista com a crescente indignação moral diante da injustiça, resultando em uma performance intensa e profundamente convincente.
O final é prazeroso e digno para Frank, que não merecia ter perdido 11 anos de vida naquela injustiça. Achei que aquele cara que estava na casa de Wanda armado fosse ajudar McNeal, mas eles nem apareceram mais. Gostaria que ela tivesse sido desmascarada completamente, com o motivo explícito de ter feito o que fez — embora o filme nos deixe entender mais ou menos o porquê.
Call Northside 777 é um ótimo filme, ainda que um pouco longo. No entanto, ele mantém a tensão do início ao fim, sem deixar o interesse do espectador cair em nenhum momento. Talvez não se desenrole exatamente da maneira que esperamos, mas o desfecho é satisfatório e emocionalmente recompensador. É um drama de investigação poderoso, conduzido com realismo, emoção e excelentes atuações — especialmente de James Stewart.
Assistido em 29/10/2025
Call Northside 777 é um filme quase documental de 1948, dirigido por Henry Hathaway e baseado em fatos reais. A história retrata a investigação jornalística que levou à exoneração de um homem condenado pelo assassinato de um policial na década de 1930. O filme mostra o papel crucial do jornalismo investigativo na correção de erros judiciais, destacando a determinação e integridade dos repórteres da época. Pena que nos dias atuais não seja mais assim, porque é algo de se dar orgulho.
Nunca tinha assistido a esse clássico e me surpreendi com ele. O roteiro é envolvente e as grandes atuações deixam tudo ainda melhor.
Esse elo de esperança e busca da verdade, envolvendo o repórter, o presidiário e a mãe deste, faz a gente ficar torcendo pra logo as coisas se esclarecerem, e alguns momentos emocionam.
---- SUBLIME DEVOÇÃO (1948) ----
Prende a atenção do início ao fim, ainda mais sendo baseado em caso real, tem ótimos atores e atrizes, e Henry Hathaway faz mais um grande trabalho de direção.
A personagem Tillie, mãe do Frank, consegue ser tocante pela sua fé, esperança e humildade.
O personagem do James Stewart é muito chato... Parece que o filme não cumpri todos os "itens" que caracterizam um filme noir