Um policial obstinado descobre que um antigo companheiro da Legião Estrangeira tornou-se assaltante com um grupo de negociantes de ferro velho. Organiza então um assalto para incriminá-lo mas arrepende-se quando acaba também incriminando a amante do assaltante.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Assisti em 15/02/1980, sexta, no canal 2 (TV Guaíba, pelo que lembro), em Eurocinema. Encontrei dois filmes com o mesmo título. Na época eu errei em não anotar o diretor. Assim, pra descobrir que este filme é o que assisti,uma anotação: "Com a linda Romy Schneider".
É quase uma subversão do gênero de "filme de assalto". Isto por que , diferente de outros filmes do tipo onde o foco é na tensão da construção e aplicação do plano criminoso, Claude Sautet prioriza detalhes, insinuações, situações aparentemente triviais que constroem todo um quadro de seus personagens com suas (aparentes) convicções e dúvidas. O foco aqui é a tribulação interna dessas figuras tão estereotipadas em outros filmes do gênero. Logo de início há uma sugestão que algo não saiu como esperado, mas não é tão óbvio o que seja. Com relação a cenas aparentemente triviais, duas se destacam: Max a olhar uma cartela de fósforos com o telefone de seu ex-colega, abatido por um repentino arrependimento sobre o destino de um conhecido que agora está em suas mãos, e a cena de um acidente de trânsito, meio que alertando o espectador sobre imprevistos que ocorrem à revelia de qualquer planejamento.
Há muito que este título quase antitético chamava-me a atenção, mas cheguei a ele por conta de uma menção musica através da banda Nouvelle Vague. Como era esperado, o clima charmoso de filme 'noir' tipicamente francês lembra bastante o estilo melvilleano: há o crime, mas há a culpa. Há a redenção, mas há a perda. Neste sentido, o título brasileiro é ainda mais providencial e sintético que o original: brilhante, genial! Michel Piccolli está soberbo, como de praxe, mas é Romy Schneider quem fascina-nos a cada aparição. Belíssima e sacrificial. E, de fato, a trilha sonora de Philippe Sarde é impecável. O roteiro é muitíssimo bem arquitetado, tal qual a "fabricação" do roubo que baliza a trama e os vínculos afetivos a ele associados. Belíssimo filme! <3 (WPC>)