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Data de lançamento
1 Dez. 2024Duração
Dora percorre as estradas de uma região mineradora em busca de trabalho e de um pedaço de terra que pertenceu à sua mãe. Após um acidente de carro, encontra um cachorro que havia cuidado e abandonado, que a guia até uma aldeia que parece estar afastada do mundo, onde ainda existe afeto e coletividade. Os habitantes do vilarejo trabalham juntos, cultivam sua própria comida e compartilham as tarefas diárias. Dora encontra um lar, trabalho e amigos. No entanto, o desejo de movimento de Dora a leva a novos caminhos e ela volta a pegar a estrada mais uma vez – e novamente sozinha
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Suçuarana se assemelha a muitos filmes brasileiros dos últimos 10/15 anos em relação ao seu estilo. O que ele traz de diferente é um melhor uso da pessoa errante que vaga quase como uma assombração pelas estradas. É muito interessante o momento em que a protagonista se reencontra com o personagem do Carlos Francisco, com ele já muito mais velho do que no primeiro encontro. Ele pergunta a ela se não se conhecem, tal qual ele já tinha feito anteriormente. Ela prontamente nega outra vez. Vejo que isso traz algo de irreal para aquele momento: Será que Dora realmente o conheceu anteriormente? Essa Dora de agora é a mesma de antes? Por que ele envelhece e ela não?
Essa confusão em relação à existência da protagonista, bem como suas motivações de encontrar um local onde possa se firmar, onde possui histórias, em conjunto com o cenário que é um Brasil onde ninguém tem absolutamente nada são os maiores atrativos do filme, a meu ver. Aqui, consegue-se fazer algo mais envolvente e com mais assuntos para debate do que Agnes Varda (a maior diretora de todos os tempos) consegue em Os Renegados (um dos piores filmes de todos os tempos). O não pertencimento de Dora é mais palpável nesse caso. Um lugar que não existe é a sua casa dos sonhos - até deixar de ser. Ao final, ela se encontrou mais no mundo, porém está ainda mais perdida. Não há mais um Vale da Suçuarana a se buscar. Talvez não exista também o local onde ela encontrou pessoas com quem se conectou. É possível que tudo tenha se tornado cinzas.
Pra quem gostou desse, recomendo Largou as Botas e Mergulhou no Céu. É muito marcante também em reproduzir certas tendências do cinema brasileiro pós 2010.
Que perrengue em câmera lenta a vida da moça , ce é loko..... gosto do estilo, mas hoje acho que não estava muito no clima, ou talvez o filme não seja tão bom mesmo.
IMPRIMATUR - visto no cinema:
Suçuarana é um filme com narrativa lenta, mas com olhar visceral sobre a história da protagonista. Tem um enredo bem sigelo e com movimento quase retrógrado, gerando uma acepção mais rígida que cativante. No fim, consegue um resultado respeitável como obra cinematográfica e até faz refletir sobre os problemas que uma estabilização pode prescrever... É, em meio a encontros e desencontrados por conformidades, será que a vida seria mais fácil do que pensamos, se continuarmos sempre nos deslocando ?!
Avaliação em nota: 7.4
Forte e sedutor ao mesmo tempo, nos conduz num road movie cheio de reflexões da classe trabalhadora cansada e extenuada, assim como a terra árida que vemos no início do filme.
Crítica completa no canal: YouTube. com/watch?v=EoSIU8pFfd0
Dirigido pela dupla Clarissa Campolina e Sérgio Borges, o longa brasileiro venceu cinco prêmios Candango no Festival de Brasília de 2024. Após passar em festivais nacionais e internacionais, dentre eles Rotterdam, chega aos cinemas pela Embaúba Filmes. Uma mulher de nome Dora (Sinara Teles) procura uma terra isolada e perdida no interiorzão de Minas Gerais, conhecida por ‘Vale da Suçuarana’. Sua mãe falava muito sobre o local. Dora acredita que lá irá se encontrar com o verdadeiro eu, e vai em busca desse lugar mítico. Com ares de road movie, o drama, em tom existencial, é a procura aguerrida de uma mulher solitária para se reencontrar metaforicamente com a própria mãe, que sempre sonhou em voltar para a tal terra de Suçuarana, um lugar fora dos mapas. No caminho, entre uma carona e outra em caminhões de desconhecidos, Dora terá a companhia de um cachorro, apelidado por ela de Encrenca, e de mulheres trabalhadoras de um vilarejo. Sempre com a foto da mãe na mão, ela percorre extensas áreas tomadas pela mineração, refletindo um modelo de Brasil ultrapassado, um capitalismo que destrói terras, ameaça ecossistemas e empobrece a classe de trabalhadores. E Dora retrata a figura do migrante, sem lugar no mundo, que percorre as estradas do país afora para um sentido na vida – uma figura feminina forte, com grande interpretação de Sinara Teles, vencedora do prêmio de atriz no Festival de Brasília. POR FELIPE BRIDA - em cinema-naweb blogspot com