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Adaptação do romance de Jorge Amado na Bahia do início do século 20, quando o bedel da Faculdade de Medicina passa a defender a raça dos seus ancestrais africanos. Pedro Archanjo é Ojuobá (olhos de Xangô), mulato, capoeirista, tocador de violão, toma cachaça e é pai de muitas crianças feitas com as mais lindas negras, mulatas e brancas.
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- feliz de ver como o nelson desde sempre fez parte da luta contra o racismo
- ficar intercalando entre o "presente" e o passado com a vida de Pedro Archanjo prejudica um pouco o andamento, mas acredito ser imprescindível que fosse assim
- o carisma de hugo carvana é importante para o filme e mostra como o archanjo foi esquecido no futuro, so relembrado quando um gringo branco e loiro fala dele
- amei que eles mostram vários poster de filmes brasileiros da época para fazer propaganda mesmo e ainda criticam o governo
- mas a parte mais importante sem dúvida é do pedro archanjo, mostrando toda a hipocrisia e racismo dos ricos
Vale por você ver a Bahia real de Jorge Amado do próprio período em que ele escrevia, tanto que visitava as locações durante as filmagens, fazendo um tour pelas equipes de Tenda dos Milagres, Dona Flor e Seus Dois Maridos e Pastores da Noite, todos gravados ao mesmo tempo em locais diferentes de Salvador.
No entanto acaba pecando como filme até mesmo por conta de sua história. Tenda dos Milagres é um dos livros mais diferentes do Jorge Amado e, sinceramente, está longe de figurar entre os melhores. A narrativa com alteração no tempo, muitas mudanças de vozes e um protagonista que você jamais conhece por completo e só vai surgir depois de cinquenta páginas dificultam muito gostar dessa história, e talvez o maior problema do filme acaba sendo isso: ele é uma adaptação fiel do livro. Então, se lendo você já considera que o livro está demorando muito para engrenar, em filme o problema se repete.
E aliado a isso vem outros problemas, como as atuações ruins, as dublagens de baixa qualidade, a mixagem de som que em alguns momentos você sequer entende o que os personagens estão falando, dentre outras coisas.
Passa a funcionar depois de sua primeira hora, quando o filme começa a adotar uma linearidade maior e você passa a se importar com os personagens, mas até então é bem cansativo.
Tem uma história boa enterrada em um filme chato pra cacete. Vou ler o livro que provavelmente ganharei mais.
É bom ver a minha terra sob um outro prisma. Interessante perceber que Salvador mudou, mas a essência da cidade continua a mesma. Quanto a questão racial, sempre problemática, infelizmente e absurdo.
Peca pela falta de síntese, mas acerta na transposição do instigante discurso de Amado sobre a complexidade da cultura afro-brasileira. A trilha sonora é um dos destaques.