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Data de lançamento
15 Ago. 2014Duração
Na trama, o jovem Jonas vive em uma sociedade futurista e distópica que apagou as memórias de seus cidadãos, transferindo a responsabilidade de manter a lembrança do passado a uma única pessoa, o Receptor. Jonas é selecionado para esse serviço, mas depara com o difícil treinamento dado pelo Doador do título.
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⚠️ Aviso de Spoilers: Se você ainda não assistiu a esse filme, corra daqui.
Comandado por Phillip Noyce e amparado por um elenco de peso liderado por Jeff Bridges e Meryl Streep, "O Doador de Memórias" se enquadra no gênero de distopias jovens, mas entrega uma alegoria filosófica com a densidade e o espírito revolucionário de obras como "Matrix". O roteiro nos leva a uma sociedade que, sob a justificativa de erradicar as guerras, a inveja e o sofrimento, optou por mutilar a própria essência, para criar uma ordem perfeita, onde o sistema estabeleceu a mesmice de um mundo higienizado, asséptico e em preto e branco, onde as emoções são controladas por injeções diárias, as escolhas individuais são abolidas e as vocações são impostas.
O grande trunfo da história é a desconstrução dessa anestesia social através da jornada do jovem Jonas (Brenton Thwaites). Ao ser escolhido para ser o novo Recebedor de Memórias, ele passa a absorver do Doador (Jeff Bridges) todo o patrimônio histórico e emocional da humanidade — tanto a beleza das cores, da música, da dança e do amor, quanto o horror da dor das guerras e da morte. A partir do momento em que seu olhar percebe a primeira tonalidade de cor na jovem Fiona (Odeya Rush), o filme abandona o ritmo monocromático e se transforma no despertar de uma consciência adormecida cheia de cores e drama. Fica evidente a crítica a nossa estrutura social que prefere moldar indivíduos passivos em castas previsíveis a permitir que o ser lide com os desejos do seu próprio coração. O ponto de virada mais poderoso da história nasce quando o amor deixa de ser uma teoria e vira proteção: a relação de Jonas com o bebê Gabriel comove. Jonas cria um vínculo de afeto genuíno, compartilhando com ele suas memórias mais lindas, como a do elefante. Mas tudo vira desespero, com a políticas e leis daquele lugar falso.
Ainda que a produção ostente um visual propositalmente desacelerado e clean — simulando o ambiente quase morto de laboratório —, o filme transcende a tampa de seu orçamento ao apostar em seus significados. O desespero final de Jonas para salvar o bebê Gabriel e cruzar a fronteira da névoa carrega um simbolismo espiritual comovente. A travessia do deserto congelado e a chegada à casa iluminada no topo da montanha, ao som de cantos natalinos, conectam a libertação coletiva, o renascimento, do livre-arbítrio e de uma nova consciência de amor que se sobrepõe a esse controle estatal.
"O Doador de Memórias" prova que uma sociedade que tenta eliminar suas sombras anestesiando os sentimentos acaba por decretar a própria morte moral. Com atuações sóbrias de Meryl Streep como a fria guardiã do sistema e de Jeff Bridges como o guardião da humanidade, o longa entrega uma obra poética e provocativa, cujo valor e mensagem ultrapassam a escala de sua produção. É um lembrete poderoso de que a capacidade de sentir, escolher e amar é a única força capaz de nos libertar da escuridão.
Com outras expectativas eu assisiti no cinema, e acabei não entendendo a mensagem. E foi revendo nos DVDs, que realmente eu descobri a mensagem do filme. Entender o que é o amor, a raiva, a alegria, o medo e a felicidade é o nosso verdadeiro desafio. Impedir que saibamos disso é apenas mais uma forma de prisão; e, mesmo que seja uma gaiola de ouro, continua sendo uma prisão.
Por muito tempo foi meu filme preferido, a temática é intrigante, gostei muito!
IMPRIMATUR - visto no DVD em 2014:
A obra se mostra decepcionante, carecendo, sobretudo, de vigor por parte do protagonista — restando isolados os esforços interpretativos de Meryl Streep e Jeff Bridges. A narrativa propõe uma crítica ao paradigma da sociedade orgânica sob uma alegoria totalitária, contudo, realiza-a de maneira estéril e previsível. Soma-se a isso uma escolha fotográfica inicial em preto e branco que figura entre as mais mal executadas da história. Há excesso de pretensão e escassez de desenvolvimento. A curta duração do longa-metragem não se justifica por concisão estética, mas sim pela clara dependência de futuras continuações. Sob a roupagem de uma produção intelectual, revela-se com um conteúdo bem raso.
Avaliação em nota: 4.0
Longe de ser um filme ruim, é bacana de assistir, mas meio corrido, alguns furinhos de roteiro. A parada mais legal é o conceito da história.
Alguem que leu o livro sabe dizer se é bom ?
Me fez lembrar um pouco de Divergente.
Achei chatinho e não tão bom.
Assisti só por causa da Meryl Streep ♥