Desejando mudar sua vida errante, Tora-san volta para casa em Shibamata e deixa como sempre os tios de cabelo em pé. O casal Sakura e Hiroshi recebem uma notícia triste sobre a mãe dele. Tora-san vai à Okayama para ajudar a irmã, mas acaba causando confusão. No retorno para Shibamata, ele se apaixona por uma viúva e não sabe como lidar com seus sentimentos.
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Oitavo filme de Tora-san com quase duas horas ficou mais longo que os anteriores, porém manteve muito bem o ritmo entre as cenas cômicas do nosso vagabundo predileto e o drama familiar do cunhado Hiroshi, o marido de Sakura. O resultado é prestimoso e está à altura do grande Yoji Yamada. Basta (re)ver a tomada de Tora ao lado do magnífico Takashi Shimura no fim de uma ruela de Okayama ao mesmo tempo que um trem atravessa a imagem...
Inútil dizer que a presença de um dos maiores atores do cinema japonês engradeceu o filme. Impossível não se emocionar ao ouvir suas palavras — “Com as gencianas florescendo no quintal e a cozinha bem iluminada para o jantar de uma família feliz, eis-me aqui diante do verdadeiro sentido da vida e com lágrimas nos olhos.” — diz Shimura ao interpretar o pai de Hiroshi numa lição de vida para Tora com uma delicadeza tremenda que caracteriza o filme.
Em duas partes como pede a fórmula yamadiana, o filme divide-se entre o falecimento da mãe de Hiroshi e o encontro esperado de Tora com a musa da sessão, a atriz de doramas Junko Ikeuchi. Primeiro vem em mente o clássico absoluto de Juzo Itami sobre o luto ao mostrar a ritualização do velório em seus costumes solenes que precisam satisfazer as normais sociais. É o momento desconfortavelmente ideal para o alívio cômico de um protagonista trapalhão.
Depois vem a viúva Takako que abre uma cafeteria em Shibamata e trabalha sozinha para sustentar seu menino. Tinha tudo para dar certo com Tora, porém seus dilemas de eterno andarilho o sabotam. A beleza do filme para além dos temas ozuescos, visitar uma trupe de atores, chegar bêbado na casa de parente, também é o não-dito: quando Tora compreende que decepcionou a irmã Sakura ou que não era o melhor pretendente para Takako.
É uma comédia marcada pelo gosto amargo de acompanhar a falta de sorte dele. Apesar de nunca se realizar, Tora-san é um exemplo de perseverança e gentileza por trás de seu look de yakuza caipira. Inspirando confiança até nas crianças, sua empatia enaltece a obra e cada desfecho parece uma despedida, como no caso do ator Shin Morikawa que interpretou o tio pela última vez e faleceu pouco tempo depois da estreia do filme. Sua presença fará falta.