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Data de lançamento
2 Nov. 2017Duração
Saulo Garcez (Selton Mello) está empenhado em seu novo projeto: um hospital de última geração. No entanto, ele faz perigosas economias na construção a fim de se tornar sócio majoritário da construtora na qual trabalha por anos. No entanto, tudo tem um preço e esse engenheiro descobre isso da pior forma possível: o prédio desaba, deixando ele, a médica Marion Rupp (Carolina Dieckmann) e mais sete operários soterrados. Agora, enquanto eles tentam sobreviver em meio aos escombros, a diretora financeira da construtora, Gilda (Debora Bloch), e o herdeiro da empresa, Vitor Baretti (Paulo Vilhena), fazem de tudo para tirar de suas costas a responsabilidade pela construção.
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Achei uma produção bem intencionada, que quer prender pela história, emoção e o elenco. Mas tudo fica no quase e com recheado de furos, pior, com um roteiro bem capenga:
1. Péssima edição, em momentos chave, havia o corte;
2. a trilha sonora também não ajudou muito;
3. tudo se resolver apenas no 10° capítulo. Pela história que estava sendo contada e para justificar os longos dez episódios, o resgate teria que ter sido, no máximo, no oitavo episódio para então termos o desenrolar das pessoas voltando à realidade e como esses poderosos poderiam e deveriam ser penalizados. Seria crucial esses momentos, infelizmente, ficou tudo tão rápido e raso como um pires;
4. Saliência em um momento daqueles? Me poupe!
5. O elenco é muito bom e diversificado. Contudo, ao meu ver, a melhor em cena é Deborah Bloch. Menção honrosa para o sempre excelente Lima Duarte.
No mais, minissérie regular e esquecível. Uma pena.
Achei a série um pouco arrasta demais, mas é boa, tem seus furos, mas o elenco bom, vale a pena da uma oportunidade.
Assisti Treze Dias Longe do Sol (2017) de Luciano Moura na TV Globo. Estava ansiosa por essa série. A Carla assistiu antes no GloboPlay e tinha gostado muito. Sim, as chamadas me lembraram muito Supermaxe a série também. Um grupo fica preso em um lugar todo cinza, com muitas dificuldades, tendo que cada um lidar com as alterações de humores dos outros em situações extremas. E depois que comecei a ver me lembrou Os 33, onde mineiros ficam presos após o desabamento, essa a semelhança foi com a cobertura internacional do acidente Apesar das semelhanças também amei a série e o roteiro é muito bom e ligado a nossa realidade brasileira, infelizmente. Logo no início o prédio desaba como aconteceu com o Palace 2 por motivos muito semelhantes, ganância de construtoras. Há tantos anos tivemos o incidente do Palace 2 e as construtoras continuam fazendo o que querem com o Brasil em parceria vergonhosa com políticos. Sim, os motivos do engenheiro chefe e da diretora financeira eram nobres. O dono da construtora tinha morrido e eles queriam levantar dinheiro para comprá-la. Muito provavelmente não conseguiriam honestamente pelo volume de dinheiro e eles tem a infeliz ideia de fazer um prédio com redução de 20% do material. Já é horrível essa decisão, mas a ganância vai mais longe e o engenheiro chefe vai reduzindo mais ainda a compra de material como ferros que foram reduzidos em 40%. Bastou uma chuva forte para o prédio desabar, antes mesmo de ser inaugurado. Déborah Bloch está incrível, outra personagem cheia de camadas. Ela fica possessa com os exageros do engenheiro, mas aceitou antes a redução de 20% do material. Muito triste a cena do pai dela na estrada, interpretado pelo incrível Emiliano Queiroz. Nada justifica o que ela fez, mas a solidão dessa personagem corta o coração. Como em Supermax, os que ficam no subsolo precisam lidar uns com os outros em situações limites. Incrível a construção dos personagens, muito ricos em características e ótimos atores. Além dos atores que adoro e mais conhecidos como Selton Mello, Carolina Dieckman, Lima Duarte, Maria Manoella, Enrique Diaz e Teca Pereira. Incríveis os outros, principalmente os operários. Bem complexos os operários, inclusive os que eram um casal interpretados brilhantemente por Démick Lopes e Pedro Wagner. Se amavam muito, mas eram agressivos com o mundo externo duas pessoas de difícil socialização. Os atores estão incríveis. Gostei que os personagens tinham vários lados. Como o chefe de obra, Antônio Fábio, que era respeitado por todos, inclusive pelo engenheiro chefe, mas abandonou anos a filha, Camila Márdila, sem ligar para ela. Fabrício Boliveira merece um bloco só sobre ele. Entre os melhores atores de sua geração, entre meus atores preferidos, brilhou como o chefe dos bombeiros. Ele teve um incidente anterior de fracasso, está de licença, mas o enviam para liderar o grupo. Está nas buscas por sobreviventes, mas outro superior chega, Eucir de Souza, e diz que estão encerradas as buscas. É emocionante quando ele descobre que há pessoas no subsolo, ou mesmo quando fazem contato por um equipamento eletrônico. Fabrício arrasa em todos os momentos. Gostei do desfecho. O Brasil é um país que faz uma construtora ainda ter alto valor de venda no mercado mesmo depois de um fracasso e de tanta corrupção. O herdeiro, Paulo Vilhena, consegue vender a construtora por um bom valor para um ávido interessado, Luciano Chirolli, até porque logo esquecem o absurdo do desabamento, farão um marketing que agora a empresa será séria pra tudo continuar mais do mesmo e com alto apoio político e alta corrupção política. Construtoras estão no topo com todo tipo de regalia. Qualquer empresa por muito menos teria falido, mas no Brasil construtoras são objeto de luxo.
Não difere muito de outras histórias com esse tema, onde um grupo de sobreviventes fica preso em algum local, seja por causa de um desabamento ou outro tipo de catástrofe. E depois vem os dramas pessoais de cada pessoa ali. A diferença está em conseguir prender a atenção e emocionar. Aqui conseguiu ser um pouco mais que mediano.
"Treze Dias Longe do Sol" instiga e prende telespectador com um enredo sufocante.
Coprodução da O2 Filmes, a minissérie, escrita por Elena Soárez e Luciano Moura (dirigida pelo próprio Moura), conta uma instigante história em torno do desabamento de um prédio, dividindo o contexto entre os sobreviventes lutando pela vida nos escombros e os envolvidos no acidente tentando escapar da culpa.
A trama é viciante. Os autores usaram habilmente tragédias reais provocadas por canalhice humana (como a queda do Edifício Palace II, em 1998, no Rio de Janeiro, por exemplo) para contar um enredo sombrio e sufocante, repleto de perfis dúbios e incrivelmente reais. O intuito é a exploração das reações mais radicais do ser humano frente aos seus limites em situações extremas, revelando não só o instinto de sobrevivência (literal ou não), como também o verdadeiro caráter de cada um.
No início do primeiro capítulo, há um elemento de tensão que acaba sendo o protagonista: o temporal que cai enquanto a obra do prédio (construído para ser um centro médico) é realizada. Enquanto a chuva desaba do céu, o engenheiro Saulo (Selton Mello) se preocupa com os atrasos da equipe e ainda precisa lidar com a fiscalização de sua ex-namorada, Marion (Carolina Dieckmann), filha do dono desse empreendimento ---- o médico Rupp (Lima Duarte).
Os operários se preocupam com os vazamentos da garagem do subsolo e tentam alertar Saulo, que ignora as chamadas no rádio, se preocupando apenas em se explicar para a ex. No fim do primeiro bloco, o desmoronamento do edifício acontece, em uma cena muito bem realizada pela equipe de efeitos visuais.
A partir de então, o roteiro é dividido entre três pânicos: o dos sobreviventes, presos no subsolo, em meios aos escombros; o da parceira de Saulo ---- a ambiciosa Gilda (Débora Bloch), diretora da construtora ---- juntamente com o herdeiro do falecido dono da construtora ---- Vitor (Paulo Vilhena) ----, e o da equipe de bombeiros, liberada pelo Tenente-Coronel Marco Antônio (Fabrício Boliveira), que se organiza para salvar todas as vítimas. Ainda há o desespero de Newton (Enrique Diaz), ex-colega de Saulo e acadêmico que fez os cálculos para a construção. Logo o público percebe que o prédio caiu por falha humana e a ambição dos poderosos envolvidos deixa rapidamente explícito que foram usados materiais de baixa qualidade e mão de obra não regulamentada para a execução do serviço.
O enredo é minuciosamente bem entrelaçado, mesclando todas as tensões e prendendo o telespectador com habilidade. Enquanto Gilda tenta jogar a culpa do desastre em cima do ingênuo Newton, ao mesmo tempo que sofre a 'perda' de Saulo (fruto de um amor platônico), o poderoso Rupp ameaça Vitor e promete vingar a 'morte' da filha. Já no subsolo, em meio aos escombros, Saulo, Marion e os demais operários lutam para sobreviver e sair daquele lugar, se vendo ainda diante de vários dilemas ---- como Jesuíno (Antônio Fábio), mestre de obras, que se desespera com o fato da filha (Yasmin - Camila Márdila) ter ido ao prédio contar a ele que estava grávida (implicando, claro no medo de ter morrido no desabamento). Os operários Bené (Arilson Lopes), Zica (Démick Lopes) e Daréu (Rômulo Braga) são as outras vítimas que acompanham os demais na agonia.
Aliás, a produção optou em trabalhar com alguns atores do nordeste, menos conhecidos, para ficar a trama mais realista. E todos são ótimos, incluindo, claro, os mais experientes. Selton Mello é figura rara na televisão e seu último trabalho havia sido a minissérie "Ligações Perigosas", em 2016. Ele brilha na pele do ambicioso Saulo, um dos responsáveis pelo desabamento e, ironicamente, uma das vítimas. É um tipo dúbio defendido com competência. Débora Bloch também está irretocável e a calculista Gilda não poderia ter uma intérprete melhor --- o maior destaque da produção. Carolina Dieckmann é outra merecedora de elogios, após dois anos afastada da teledramaturgia (sua última novela foi "A Regra do Jogo", em 2015). E Lima Duarte engrandece qualquer elenco. Enfim, é um belo time.
"Treze Dias Longe do Sol" é uma minissérie muito bem cuidada e o enredo do casal Elena Soárez e Luciano Moura reúne todos os elementos que prendem o público. Criativo usar o desabamento de um prédio para expor a verdadeira índole das pessoas, explorando as nuances de cada um, enquanto o tempo corre e diminui a cada segundo as chances de sobrevivência todos.