Dirigido por
Data de lançamento
17 Dez. 2010Duração
Sam Flynn, filho de 27 anos de Kevin Flynn, procura informações a respeito do desaparecimento de seu pai, quando se vê dentro do mesmo mundo de ferozes programas e jogos gladiatoriais em que seu pai tem vivido há 25 anos. Em parceria com sua leal confidente, pai e filho embarcam numa jornada de vida ou morte através de um universo cibernético deslumbrante, que se tornou muito avançado e perigoso.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Muitos efeitos especiais e um fiapo de história, no fim é bastante superficial.
Dizer que "Tron: O Legado" é apenas um caça-níqueis de Hollywood é um erro crasso. O filme de Joseph Kosinski conseguiu a proeza hercúlea de não ser apenas um reboot disfarçado, mas uma continuação legítima e emocionante que honra o DNA do clássico cult de 1982. A história nos joga vinte anos após o sumiço de Kevin Flynn, onde seu filho, Sam, ao investigar o antigo fliperama abandonado, é digitalizado e sugado para dentro de "A Grade". Mas o universo que ele encontra mudou radicalmente: o mundo digital lúdico dos anos 80 deu lugar a uma ditadura cibernética fria, imponente e violenta.
"Tron: O Legado", constrói uma ponte perfeita entre as gerações, mostrando que o clássico cult dos anos 80, deixou marcas profundas no ciberespaço do cinema — o que, nos dias de hoje, com as novas criações de I.A., faz a gente pensar que nem tudo o que se mostra nas telas é ficção. CLU (Codified Likeness Utility) foi criado por Kevin Flynn à sua imagem e semelhança para "criar o mundo perfeito", mas o programa se rebela, transformando-se num vilão clássico. Para uma I.A. que opera na perfeição numérica, qualquer traço de humanidade ou imperfeição vira uma falha a ser erradicada. É uma discussão madura sobre criador e criatura, onde fica claro que somos totalmente responsáveis pelas nossas próprias cocriações digitais.
Esse embate filosófico de robótica atinge seu ápice quando surgem as ISOs (Isomorphic Algorithms), uma forma de vida digital que evoluiu espontaneamente no sistema, trazendo um código milagroso, mas caótico pra discussão. Essa forma de vida, esse DNA digital, foi a causa do holocausto na Grade, onde só a personagem Quorra sobreviveu.
O roteiro entrega uma sequência robusta, e a direção de Joseph Kosinski transforma o filme numa das experiências mais viscerais que eu tive no cinema na minha vida! Kosinski foi muito feliz ao resgatar o universo original de Tron; a nitidez das imagens, com seu estilo geométrico, limpo e sofisticado, faz do filme uma viagem cyber-digital e futurista. Eu tive o privilégio de assistir a esse fliperama em 3D nos cinemas e o impacto foi brutal! Nunca vou me esquecer das linhas de luz branca, azul e laranja saltando na tela pela primeira vez. E o som do Daft Punk embalando as perseguições das motos de luz fez da minha experiência quase um sonho.
Mas, no fim das contas, Tron: O Legado não conseguiu fisgar o público de massa da forma que merecia. O filme bateu de frente com o nascimento do império da Marvel nos cinemas, uma época em que o público começou a ser doutrinado a consumir blockbusters mastigados e sem os riscos de uma ficção científica mais imersiva, sombria e ambiciosa. Dezesseis anos depois, o longa se consolida como uma obra-prima esquecida pelo sistema, com um impacto visual visceral e uma trilha sonora que permanece intocada e tatuada na mente.
A cena final do Sam com a Quorra na garupa da moto na estrada, ao nascer do sol, é foda demais.
Deus criou os anjos pra trabalhar de graça pra ele, e o homem criou a inteligência artificial pra trabalhar de graça pra ele
Revisto para poder assistir o Tron: Ares. Lembro que na época gostei mais desse filme. Revendo considero uma continuação interessante, mas os personagens novos e história em si não me envolveram tanto.
A ausência de trilha sonora no filme anterior é compensada neste aqui... muito boa!