O filme é a terceira parte da famosa franquia de mistério idealizada, escrita e dirigida por Rian Johnson, com o retorno de Daniel Craig como o excêntrico detetive Benoit Blanc.
A trama segue a estrutura clássica dos livros da Agatha Christie, com muitos personagens suspeitos e pistas falsas pra confundir quem assiste. Como diferencial, desta vez inovaram trazendo uma temática religiosa, com críticas sarcásticas que expõe todo o fanatismo, exploração e hipocrisia que existem neste meio.
A história é intrincada e muito bem desenvolvida. Pra quem gosta de matar a charada antes do final vai ficar frustrado, pois apesar de algumas dicas que vão sendo dadas ao longo do filme é praticamente impossível prever o desfecho.
A solução do mistério pode ter sido mirabolante demais como muitos dizem, mas pelo menos tudo é amarrado de maneira inteligente e sem deixar pontas soltas pelo caminho (seguindo a tradição da franquia).
Curiosidade: Um dos livros da lista de leitura do grupo da Igreja é "The Murder of Roger Ackroyd', de Agatha Christie. Ao contrário da maioria de seus livros, este é narrado na primeira pessoa e o narrador está mentindo para o leitor. Assim como Jud mente para Blanc em sua própria carta e, por extensão, para o público enquanto ele narra o filme.
O filme é famoso pela precisão com que reconstituiu o drama vivido pela tripulação da fatídica missão Apollo 13 em 1970. Sendo inclusive elogiado pela própria NASA pela forma que a produção conseguiu reproduzir todos os protocolos, linguagem técnica, trajes, construção dos módulos da nave e a réplica da sala do centro de Controle de Missão, idêntica a original em Houston.
O filme tem momentos inesquecíveis como a parte do lançamento do foguete Saturn V com as reações dos astronautas dentro, o momento em que o tanque de oxigênio explode e a tripulação percebe a gravidade da situação com a icônica frase "Houston, we have a problem" sendo dita, a gambiarra dos engenheiros da NASA pra tentar improvisar um adaptador para os astronautas fazerem no espaço e por fim a cena da reentrada na atmosfera com aquele silêncio ensurdecedor.
O grande mérito do filme é que além da parte técnica impecável conseguiram criar um drama envolvente, transmitindo ao público toda a angústia e agonia daquela situação crítica. E mesmo já sabendo do desfecho continuamos tensos até quando os astronautas finalmente pisam em terra firme no final.
Sem dúvidas um dos melhores filmes já feitos!
"O fracasso não é uma opção."
Curiosidades: O filme recebeu nove indicações ao Oscar em 1996, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, levando as estatuetas de Melhor Montagem e Melhor Som.
O produção obteve permissão da NASA para filmar cenas a bordo de uma aeronave de gravidade (Boeing KC-135) reduzida para uma representação realista da ausência de peso experimentada pelos astronautas no espaço.
O verdadeiro astronauta Jim Lovell faz uma aparição especial no final do filme. Ele interpreta o capitão do navio de resgate USS Iwo Jima que cumprimenta Tom Hanks (que o interpreta) no conves do porta-aviões.
O filme parece uma mistura de vários outros filmes que já cansamos de ver, mas é surpreendente que mesmo não tendo nada de muito inovador tudo funciona perfeitamente.
Os efeitos visuais são incríveis e contribuem bastante para trazer credibilidade e emoção para a história. Graças a esses efeitos conseguimos criar conexão emocional com uma pedra alienígena sem expressão nem aparência simpática pra ajudar.
A parte de ficção científica é bem simplificada, não há tanta preocupação em explicações técnicas ou justificativas muito elaboradas. A premissa basicamente é o envio de uma uma missão para outro sistema solar para descobrir como conter um organismo misterioso chamado "Astrófago", antes que ele consuma a energia do Sol e cause a extinção da vida na Terra.
Se a parte científica não impressiona tanto, por outro lado a construção da relação entre o astronauta e o alienígena é muito bem feita, sendo o grande atrativo do filme. As interações e diálogos entre os dois são bem humorados e mantêm a trama interessante, apesar da duração exagerada de quase 3 horas.
Então mesmo sem inovar conseguiram fazer o básico com competência, com boas atuações e um roteiro inspirado que sabe pra onde ir dentro da proposta do filme. O plot twist com o retorno do astronauta pra salvar o amigo também se encaixa bem e serve pra reforçar as mensagens inspiradoras de cooperação, persistência e lealdade da história.
Curiosidades: Tau Ceti é uma estrela localizada a aproximadamente 11,9 anos-luz (cerca de 112,6 trilhões de quilômetros) da Terra. Com a espaçonave tripulada mais rápida atual, Artemis II Orion (cerca de 40.233 km/h ou mais de 11 km/s), levaria cerca de 321.300 anos para alcançá-la.
Rocky não é CGI. Foram necessários cinco marionetistas para trazê-lo à vida, com o chefe de marionetistas se tornando a voz de Rocky.
O nome do personagem principal é Ryland Grace, e o nome da nave é Ave Maria. Isso seria um trocadilho para "Ave Maria, cheia de Graça".
O título vem do "passe Ave Maria", um passe muito longo no futebol americano, normalmente feito em desespero, com uma chance muito pequena de ser concluído.
Entre erros e acerto o resultado final é satisfatório mas deixa uma sensação de que poderia ter sido muito melhor.
Tecnicamente os números musicais e ambientação de época são impecáveis. Já a escolha de um ator iniciante para representar o MJ é questionável, na parte performática o Jaafar Jackson (sobrinho do próprio Michael) até se sai bem, mas na atuação deixa a desejar pela inexperiência, além de não tanta semelhança para convencer no papel do tio (os atores da fase infantil convencem muito mais).
Em questão de roteiro, optaram por uma abordagem mais intimista da trajetória do MJ deixando assuntos incômodos de lado e focando principalmente em tretas familiares e nos bastidores da fase inicial da carreira.
Dentro desta proposta fizeram um bom trabalho, foi interessante ver detalhes menos conhecidos, como o domínio do pai sobre a carreira dele mesmo após a fama, girafa no quintal, vitiligo, plásticas, a parte da MTV, como filmes antigos influenciaram videoclipes, o envolvimento do Don King na história e o acidente durante a gravação de um comercial da Pepsi. Acertaram também na reencenação do "Thriller".
No fim o resultado não foi tão ruim, levando em consideração que se trata apenas da primeira parte da cinebiografia. Resta saber se a sequência vai abordar todas as polêmicas e processos do cantor ou vão passar pano.
Documentário meia boca. Até a metade é interessante, enquanto mostra a ascensão do cara e como o personagem ganhou vida. Mas quando entra na parte das bobagens religiosas a produção perde totalmente o interesse e se torna entediante.
E essa mudança de estilo explica pq ele caiu no ostracismo, ninguém se interessa por mais um pregador qualquer cheio de mensagens religiosas padronizadas....
O filme marca a última direção da carreira de Pollack antes de sua morte em 2008.
Tecnicamente bem é produzido, os diálogos, atuações e direção do Sydney Pollack são satisfatórias. O diretor inclusive conseguiu permissão exclusiva para filmar dentro da Assembleia Geral da ONU em Nova York, o que deu mais realismo à produção.
Pena que o roteiro não seja dos mais empolgantes, a história da conspiração política não parece muito plausível e também se mostra mais complexa que o necessário com varias reviravoltas, manobras diplomáticas e personagens obscuros.
É entediante, mas pra quem curte este estilo de suspense político e espionagem internacional é um filme que pode valer a pena.
Curiosidades: O prédio da ONU nunca havia permitido filmagens de cinema em suas instalações (até mesmo Alfred Hitchcock teve que recriar o local em estúdio para Intriga Internacional em 1959). Sydney Pollack se reuniu pessoalmente com o então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, que cedeu a autorização após ler o roteiro e concordar com a mensagem pacifista da obra.
O idioma africano falado no filme (Ku) não existe na vida real. Ele foi desenvolvido por um linguista profissional.
Drama biográfico acima da média. A produção é caprichada e o roteiro conta com clareza e detalhamento a trajetória do gangster "Bugsy" Siegel, interpretado brilhantemente pelo Warren Beatty que faz um personagem dividido entre a vida mafiosa e a de "homem de negócios".
Impressiona também o trabalho de reconstituição de época que foi feita, reproduzindo com realismo o estilo de vida da máfia nos anos 1940. Não foi exagero o filme ter recebido dez indicações ao Oscar (incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator), levando duas estatuetas (Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino).
De negativo, o filme poderia ser mais dinâmico, o ritmo as vezes é muito lento e o melodrama cheio de idas e vindas entre Bugsy e Virginia acaba se tornando cansativo.
Mas no geral é uma cinebiografia muito bem produzida, que conseguiu contar uma história fascinante sobre a vida louca dessa lenda do submundo. Apesar de pouco lembrado, Bugsy merecia mais reconhecimento por ter sido o grande responsável pelo nascimento da indústria dos jogos em Las Vegas.
Boa adaptação da famosa série de televisão norte-americana dos anos 1970/1980. A química entre Johnny Knoxville e Seann William Scott funciona e dá pra sentir que souberam entrar na zoação do filme.
O grande atrativo do filme são as cenas de ação com muitas manobras, perseguições em alta velocidade, derrapagens e saltos espetaculares com o Dodge "General Lee". O realismo das cenas é impressionante e quase não usam CGI, tudo feito na raça com dublês e carros sendo destruídos aos montes.
A trama não é grande coisa, tudo é tão absurdo que parece roteiro de desenho animado, mas funciona bem para um besteirol deste tipo. As piadas de duplo sentido e os diálogos entre caipiras são engraçados. Pra completar ainda tem a gostosa da Jessica Simpson pra enfeitar as cenas.
No fim serve como um passatempo divertido pra quem quiser anestesiar a mente e ver carros voando pelos ares por 90 minutos.
Curiosidade: Durante a produção do filme, a equipe destruiu cerca de 26 a 30 modelos do Dodge Charger 1969 para gravar as perseguições e saltos extremos.
Que filme tosco. Tentaram fazer uma releitura para o romance clássico de H.G. Wells de 1897 mas o resultado é de dar vergonha.
A premissa idiota depende que se acredite que não existam câmeras de segurança em nenhum dos mais variados locais onde os ataques do homem invisível acontecem.
Qualquer câmera facilmente confirmaria que a mulher não estava louca e encerraria o assunto. Mas convenientemente o único momento onde uma câmera de vigilância aparece é no desfecho quando o vilão é "suicidado" pela vítima....
Mas a cena mais patética é quando a mulher joga tinta sobre o traje e o cara de forma mágica consegue limpar rapidamente e continuar invisível. Qual a lógica disso?
Típico filme que trata o público como otário. Mais um lixo da safra #MeToo...
Interessante notar como o cidadão comum não tem a menor ideia do real alcance que a IA já tem. A maioria acha que é só uma melhoria nas buscas ou só serve pra manipular vídeos de memes.
O documentário traz uma visão mais ampla sobre a questão, principalmente quando fala sobre a corrida pela Inteligência Artificial Geral (AGI) que será a tecnologia que mudará realmente o jogo para sempre.
Mas apesar do ceticismo de uns e pavor de outros, como foi dito, a sociedade sempre soube lidar com mudanças e se adaptar a muitas outras revoluções tecnológicas ao longo da história.
Provavelmente o melhor e mais completo documentário já produzido sobre o tema.
Traz como diferencial arquivos inéditos de áudios gravadas com Charles Manson e entrevistas com membros da "Família Manson". Além dos crimes o documentário também aborda todo o início da formação da seita, como o Manson usou o livro "Como fazer amigos e influenciar pessoas" do Dale Carnegie para manipular o seu rebanho, a frustração e ressentimento pela carreira musical fracassada e como ele foi tapeado pelo cantor do Beach Boys.
Interessante também entender o conceito por trás do Helter Skelter e como o disco dos Beatles foi usado para justificar a matança na mente perturbada do Charles Manson.
É uma série documental que vai agradar tanto quem não conhece o caso quanto os que já conhecem. Tudo é bem contextualizado e detalhado, sempre baseado em registros, depoimentos, reportagens da época e a parte da dramatização é bem feita, permitindo uma visão mais clara do que ocorreu.
Curioso que embora o livro que baseou o filme seja anterior a "O Código Da Vinci" os produtores optaram por lançá-lo como uma continuação direta. A fórmula segue praticamente a mesma, com a "caça ao tesouro" desta vez ficando restrita ao Vaticano e a trama explorando o contexto da eterna disputa entre ciência e religião.
O ritmo desta vez é mais frenético pela corrida contra o tempo atrás da bomba e pra tentar impedir a morte dos cardeais. Não há tanta perda de tempo com explicações e contextos históricos. Agora Robert Langdon é convocado às pressas pela Polícia do Vaticano para decifrar as pistas do "Caminho da Iluminação" ocultas em obras de arte e livros de Galileu Galilei e com isso impedir que uma bomba de antimatéria roubada do CERN pelos Illuminati exploda o Vaticano.
O que mais impressiona no filme é o realismo dos cenários e qualidade dos efeitos visuais. Como o Vaticano impediu gravações no local tiveram que reconstruir em estúdio a Praça de São Pedro, Capela Sistina e o interior do Vaticano. Além disso o diretor Ron Howard revelou que a equipe teve que infiltrar fotógrafos disfarçados de turistas para tirar milhares de fotos de alta resolução dos detalhes arquitetônicos e depois reproduzir digitalmente.
Por outro lado o roteiro é muito mais mirabolante do que no primeiro filme. A ideia da tal bomba roubada não convence e mais parece coisa de desenho animado. Assim como o plano absurdo do Camerlengo que no final dependeu de várias conveniências e sorte para funcionar, precisamente momentos antes da bomba explodir.
Apesar de tudo o filme tem seu valor e só de voltar a ver o Langdon na correria tendo que resolver charadas impossíveis como se fosse amigo do Galileu já valeu o ingresso.
Curiosidade: A "partícula de Deus" citada no filme é conhecida como o Bóson de Higgs e foi teorizada em 1963-64. Na época das filmagens, o Grande Colisor de Hádrons do CERN em Genebra estava de fato buscando evidências dessa partícula, que teoricamente seria responsável por dar massa à maior parte da matéria física no universo. A partícula foi finalmente encontrada em 2012, Peter Higgs e François Englert receberam o prêmio Nobel um ano depois.
Ron Howard disse em entrevistas que planejava completar a trilogia com o próximo livro da série, mas por razões desconhecidas "O Símbolo Perdido" foi descartado durante a pré-produção e a Sony decidiu adaptar o quarto livro "Inferno".
Excelente adaptação do bestseller escrito pelo Dan Brown. A expectativa sobre o filme na época foi enorme, mas o Ron Howard conseguiu fazer um trabalho incrível trazendo com fidelidade todo o suspense e ação do livro para a tela do cinema.
Um receio era que a trama se tornasse entediante por tantas referências históricas que o livro apresenta, mas conseguiram incluir breves explicações sobre história da arte, teologia e sociedades secretas (que são necessárias ao entendimento da trama) sem parecer chato, complexo e nem tirar o foco da ação.
Mas como era de se esperar, muitas situações exigem uma boa dose de suspensão de descrença por parte do público, como a facilidade como o monge albino Silas consegue se infiltrar e transitar por igrejas famosas e monumentos históricos de Londres e Paris arrombando túmulos e altares com extrema facilidade e sem chamar a atenção das autoridades.
Outro detalhe que ficou duvidoso foi como o Langdon decifra a charada final relacionada com a pirâmide do Louvre. Como essa pirâmide foi construída recentemente fica meio sem lógica que as pistas antigas que citavam a frase "sob a lâmina e o cálice" indicassem ela como local do sarcófago. Pode ser que o Saunière tivesse mudado a localização do túmulo recentemente pro Louvre mas isso não fica claro no filme ou talvez tenham dado alguma explicação que passou batida pra mim.
Tirando isso o filme (assim como o livro) amarra a história de forma inteligente e com coerência, sem que pontas soltas fiquem pelo caminho. Então pra quem é fã do livro essa é uma adaptação que não vai decepcionar. A interpretação do Tom Hanks como o Professor Langdon é perfeita e o estilo de caça ao tesouro que se vê no livro são reproduzidos de maneira muito fiel no filme.
Não por acaso o filme foi um sucesso absurdo de bilheteria, arrecadando mais de US$ 760 milhões mundialmente, mesmo com os protestos e boicotes que a igreja tentou fazer na época por conta da premissa polêmica de que Jesus Cristo teria sido casado com Maria Madalena e deixado descendência.
"Jesus passou de um mortal para divino da noite para o dia."
O roteiro é uma piada, começando pela ideia absurda de uma pessoa e possuída por um demônio ser mumificada e permanecer viva indefinidamente dentro um sarcófago. Partindo desta premissa tosca não dava pra esperar muita coisa do resto do filme...
As cenas de terror são bem feitas e tal mas falta impacto. A verdade é que a trama não convence em nenhum momento e não tem efeito especial que compense isso. É como se fosse uma versão de "O Exorcista" com gaze, sempre com aqueles mesmos rituais de exorcismo e contorcionismos de sempre. Há 50 anos os caras repetem a mesma fórmula, ninguém aguenta mais tanta mediocridade.
Apesar de tudo temos que admirar a coragem (ou otimismo) do diretor em colocar seu próprio nome no título dessa bomba.
Mais uma daquelas "comédias malucas" superestimadas que ninguém consegue entender o motivo de terem se tornado clássicas.
O filme é mal escrito, mal dirigido e pior de tudo, sem graça nenhuma. A trama até poderia refletir os costumes da sociedade da década de 40. Mas hoje é difícil acreditar que uma história tão antifeminista como esta possa ter recebido tantos elogios da crítica e até ganhado o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
A premissa é toda baseada em mulher (insuportável) sendo induzida a rever seu comportamento para ser aceita por pretendentes duvidosos e assim se encaixar melhor no que a sociedade esperava dela.
Pra piorar o desfecho é totalmente desconexo com a decisão da Tracy de cancelar o casamento com o noivo no altar e em seguida decidir se casar com o ex-marido (que ela não via há anos). Isso não tem coerência nenhuma com o romance construído ao longo do filme entre ela e o escritor. Não dá pra entender a intenção do diretor com essa solução absurda.
O filme só vale mesmo pela reunião de 3 dos maiores astros do cinema da época: Katharine Hepburn, Cary Grant e James Stewart. A atuação de James Stewart (que lhe rendeu o Oscar) realmente chama a atenção, especialmente nas cenas em que seu personagem fica completamente bêbado.
Curiosidade: James Stewart admitiu mais tarde que não achava que mereceu esse Oscar e que sentia que a Academia havia lhe dado o prêmio como uma "compensação" por ele não ter vencido no ano anterior por "A Mulher Faz o Homem" (1939).
O filme tornou-se um fenômeno cultural na locadoras de VHS nos anos 80 e 90. Lembro que na escola sempre era assunto entre o pessoal e em uma época sem internet era o material mais chocantes que uma criança conseguiria ver.
A narração é icônica e servia pra dar mais credibilidade ao filme, sempre com tom poético e ao mesmo tempo sarcástico que se tornou marca registrada da franquia.
Mas revendo atualmente a "magia" acaba. Fica bem nítido que grande parte era apenas encenação barata, como os patéticos ataques de jacaré e urso, execuções dos presos, além do bobagem dos fantasmas no final. Mesmo assim alguns momentos ainda causam um certo impacto como a cena do macaco, do galo pulando sem cabeça, autópsias no necrotério e abate de animais.
Visto na época de escola tudo parecia mais macabro, já que não havia como diferenciar o que era real ou fake. E o diretor picareta soube como polemizar seu produto, principalmente com aquela famosa advertência que deixava qualquer VHS mais irresistível: "banido em mais 40 países!"
Curiosidades: A sequência mais emblemática do filme — onde turistas em um restaurante exótico espancam o crânio de um macaco para comer seu cérebro — é uma encenação grotesca. Os cérebros eram feitos de couve-flor e molho, os macacos reais foram trocados por cabeças de adereço de espuma sob a mesa, e os "clientes" eram atores locais de Los Angeles.
A "briga violenta de cães" que era simplesmente dois cães cobertos de sangue cenográfico brincando. A execução na cadeira elétrica foi realizada construindo-se uma cadeira falsa, usando pasta de dente para simular saliva e adicionando sons de eletricidade na pós-produção.
Uma das poucas parte não roteirizadas do filme apresenta o corpo de um surfista morto que foi levado pela correnteza até a praia. Além dela cenas do necrotério, do suicida, do paraquedista, do culto da cobra, do acidente de avião e dos acidentes de trânsito, eram autênticas.
Anos mais tarde, o diretor John Alan Schwartz admitiu publicamente que a maior parte das cenas chocantes foi gravada com figurantes em Los Angeles e que a ideia do filme surgiu quando produtores pediram a ele algo barato que vendesse bem no mercado asiático.
Apesar de ter sido motivo de críticas, a saída das protagonistas do último filme foi positivo já que não acrescentaram muita coisa em comparação ao que já tinha sido visto antes na franquia.
Isto também forçou a produção a reformular a história sem ter que se escorar na trama anterior. Ter que ficar relembrando de filmes anteriores para fazer conexões com a árvore genealógica de novos personagens a cada sequência de "Pânico" sempre foi uma chateação que desta vez fomos poupados.
Então a ligação com o restante da franquia ficou por conta do retorno da Sidney Prescott e da interminável Gale Weathers que está mais acabada a cada nova aparição. Mas o maior erro do filme foi não terem chutado o balde pra lógica e ressuscitado de fato o Stu com alguma justificativa qualquer, colocando ele pra se vingar de geral e fechando o ciclo do primeiro filme de forma icônica. Ao invés disso preferiram seguir o caminho mais banal inventando uma nova dupla de assassinos com motivações sem pé nem cabeça.
Curiosamente o diretor Kevin Williamson mais tarde revelou que o filme originalmente tinha um final alternativo mostrado para o público de teste e que acabou sendo cortado, revelando que Stu Macher estava realmente vivo.
Como não tiveram coragem pra tentar algo realmente surpreendente, a cada novo filme fica mais claro que a franquia não tem mais pra onde ir e que já espremeram o bagaço até a última gota. Como desta vez satirizaram a ideia dos "reboots de reboots" é difícil imaginar pra onde isso ainda vai...
Ao longo do filme vamos percebendo que o Gus Van Sant tentou na malandragem repetir a fórmula bem sucedida de seu outro filme "Gênio Indomável" de 1997. Descaradamente o diretor copia exatamente a mesma estrutura: um jovem gênio vindo de um bairro marginalizado que precisa da ajuda de um mentor idoso e rabugento para desenvolver seu potencial. Pra reforçar ainda mais a sensação de filme requentado ainda temos uma participação especial do Matt Damon no final...
Além disso o roteiro é cheio de soluções fáceis e conveniências como o jovem negro chegando sem enfrentar muitas resistências em uma escola elitista e o romance construído artificialmente. Pra piorar o final morno e longe der ter o mesmo impacto de "Gênio Indomável" acabam não compensando todo o tédio das mais de duas horas de falação pseudo filosófica do filme.
Mas mesmo não sendo grande coisa ainda é um filme que vale a pena principalmente pela presença marcante do Sean Connery em uma de suas últimas atuações dramáticas antes de sua aposentadoria definitiva do cinema em 2003. O cara era mesmo diferenciado e dava a qualquer personagem um peso e autoridade impressionantes.
Curiosidades: Rob Brown fez um teste para o filme, na esperança de ganhar dinheiro suficiente para pagar sua conta de celular de US$ 300. Van Sant o fez ler o texto uma segunda vez e então o escalou como um dos protagonistas.
Sean Connery confirmou que a inspiração para seu papel foi o famoso e recluso escritor JD Salinger que passou a viver recluso após escrever seu único grande sucesso: "O Apanhador no Campo de Centeio".
A história do filme foi vagamente baseada em um verdadeiro incidente da Segunda Guerra Mundial e no personagem real do tenente-coronel Philip Toosey que esteve no comando de seus homens do final de 1942 até maio de 1943. Após ser capturado pelos japoneses recebeu a ordem de construir duas pontes do Rio Kwai na Birmânia (uma de aço e outra de madeira), para ajudar o transporte de suprimentos e tropas japonesas de Bangkok para Rangoon. Na realidade, a ponte levou oito meses para ser construída (em vez de dois meses) e foi usada por dois anos. Elas foram destruídas em um bombardeio aliado no final de junho de 1945. As memórias de Toosey foram compiladas em um livro de 1991 de Peter Davies, intitulado "The Man Behind the Bridge".
O filme claramente é dividido em duas partes, uma mais dramática e outra focada na ação. E por incrível que pareça a primeira metade é muito melhor do que seu desfecho pirotécnico.
As intrigas entre japoneses e seus prisioneiros no início são o ponto alto do filme e criam uma empatia real dos personagens com o público. Com destaque para o castigo que o general japonês impõe aos oficiais britânicos que se recusam a fazer trabalho braçal como os demais prisioneiros de guerra. E o desfecho desta situação, com o japonês tendo que engolir seu orgulho é tão improvável que chega a ser cômico.
A segunda metade é tediosa, com o planejamento e execução da destruição da tal ponte no fim do mundo, que em nenhum momento demonstra ter alguma relevância real na guerra que justificasse a operação. Tudo é artificial, desnecessário, lento e entediante. Pra piorar a facilidade com que os aliados conseguem se infiltrar, tapear os japoneses e colocar os explosivos na ponte é como se os produtores zombassem da inteligência de quem assiste.
Tecnicamente os cenários são realistas e garantem uma ambientação convincente de um campo de prisioneiros de guerra real. A última cena da implosão da ponte também é espetacular e feita sem uso de maquetes. Uma ponte real de madeira maciça foi construída ao longo de oito meses no Sri Lanka, custando US$ 250 mil e foi explodida de fato, com um trem a vapor passando por cima dela em uma única tomada contínua.
Apesar de alguns bons momentos, no fim o resultado é desconexo parecendo que são duas partes mal costuradas entre si e produzidas por diretores diferentes. Por esse desequilíbrio narrativo, o filme leva 2 estrelas pela primeira parte e mais uma pela cena final...
Curiosidades: A música assobiada no início de A Ponte do Rio Kwai (imortalizada pelo seu uso nas Olimpíadas do Faustão) é a marcha militar britânica chamada "Colonel Bogey March", composta em 1914 pelo maestro militar F. J. Ricketts. Na Segunda Guerra Mundial, os soldados britânicos adaptaram fizeram uma versão obscena para essa marcha, chamada "Hitler Has Only Got One Ball" ("Hitler Só Tem Um Testículo"). A letra ainda debochava abertamente da anatomia dos líderes nazistas (incluindo Göring e Himmler). Como os produtores sabiam que os censores britânicos e americanos jamais autorizariam os atores a cantarem essa versão nas telas, optaram por colocarem os soldados apenas assobiando a música.
Das 330.000 pessoas que trabalharam na Ferrovia da Birmânia (incluindo 250.000 trabalhadores asiáticos e 61.000 prisioneiros de guerra), cerca de 90.000 dos trabalhadores e cerca de 16.000 prisioneiros aliados morreram durante a construção.
A destruição da ponte, conforme retratada no filme, é totalmente fictícia. Na realidade, duas pontes foram construídas, uma temporária de madeira e uma permanente de aço e concreta alguns meses depois. Ambas as pontes foram usadas por dois anos até serem destruídas pelos bombardeios aéreos aliados. A ponte de aço foi reparada e ainda está em uso hoje.
Mas pareceu desonesto a produção criar toda uma conexão do cara com a mãe esquizofrênica que convenientemente apresentava os mesmos tipos de alucinações que ele. Isso dá a impressão de que as visões dos dois personagens tem a mesma explicação, quando na verdade somos informados na última cena que os sonhos do cara eram premonições. Essa forma da produção "tapear" o espectador pareceu muito forçada e artificial, demonstrando a preguiça (ou incompetência) dos envolvidos em criar um desfecho realmente inteligente e impactante.
Mas mesmo com toda essa manipulação é um filme interessante, a atuação do Michael Shannon é intensa e a história prende a atenção desde o início. Pena que o final preguiçoso tenha ficado abaixo das expectativas.
É uma comédia romântica mais dramática e melancólica do que o esperado, com a direção tentando misturar luto, gastronomia e romance na mesma história.
As atuações são convincentes, tanto de Catherine Zeta-Jones e Aaron Eckhart fazendo um casal com personalidades opostas quanto da cativante Abigail Breslin, que após "Pequena Miss Sunshine" se tornou uma das atrizes mirins mais solicitadas da época.
Como diferencial para o filme trouxeram os bastidores de uma cozinha de alto padrão como pano de fundo da história. Para interpretar a chef Kate com realismo, Catherine Zeta-Jones trabalhou anonimamente como garçonete e ajudante de cozinha no restaurante Fiamma Osteria, em Nova York. Vários clientes comentaram sobre sua semelhança com a atriz de Hollywood sem perceber que era ela mesma em treinamento e ela sempre respondia: "Eu ouço isso o tempo todo".
Mesmo não sendo um filme marcante é uma comédia romântica leve e divertida que cumpre seu propósito, apesar de toda a previsibilidade da trama.
Conseguiram a façanha de fazer um filme que serviu tanto como prequel, história paralela e continuação de "300".
E fizeram isso de forma bastante coerente, além de manter a estilo visual e até aumentar o nível de violência gráfica em alguns momentos. A mudança dos confrontos terrestres para as batalhas navais entre triremes gregos e persas traz um diferencial interessante pra a continuação, com cenas realistas e impactantes que não deixam nada a desejar em comparação ao que foi visto anteriormente.
Infelizmente Temístocles não tem o mesmo peso, liderança e nem carisma do icônico Rei Leônidas interpretado pelo Gerard Butler. Por outro lado o Xerxes feito pelo Rodrigo Santoro ganha mais presença e relevância na história.
Outro ponto questionável foi o destaque exagerado dos personagens femininos no filme, talvez motivado por críticas pelo excesso de testosterona de "300". Apesar de Artemísia I de Caria ter sido de fato uma das poucas comandantes navais mulheres da antiguidade, é difícil levar a sério as cenas de combate onde ela facilmente supera dezenas de adversários sem nem borrar a maquiagem dos olhos. A cena onde ela convida o general rival para tentar derrotá-lo usando suas outras "armas" também é de dar vergonha alheia. E a esposa do Leônidas mesmo tendo alguma liderança política na época nunca pegou uma espada na vida real...
Ou seja, o filme anterior já não se destacava pela fidelidade histórica pelos vários exageros mas desta vez a sensação de estarmos vendo um filme de fantasia é ainda maior. De qualquer forma ainda é uma sequência muito bem produzida e que tem seu valor.
Curiosidade: Historicamente Dario não foi morto por Temístocles como retratado, ele e Xerxes nem sequer estavam presentes na Batalha de Maratona. Artemísia era uma rainha e não uma escrava órfã que sofreu abusos.
Pena que a trama tenha tantas situações absurdas e exageros que acabam prejudicando o resultado no final. Por exemplo a irmã caricata que aparentemente "enfeitiça" facilmente qualquer homem que quiser e o jornalista que publica uma matéria sem autorização expondo ao ridículo a vida da entrevistada, sem nenhuma consequência. E por fim os ridículos vestidos de dama de honra que parecem fantasias de carnaval e obviamente nunca seriam usados em cerimônias reais.
Apesar de tudo a comédia tem seus bons momentos, principalmente pelo carisma da Katherine Heigl que na época era uma das atrizes mais solicitadas para esse tipo de filme. Depois acabou caindo em desgraça com os diretores pelas declarações sem noção que dava na imprensa.
"300" se tornou um clássico, o bordão "This is Sparta!" até hoje é famoso e a atuação do Gerard Butler no papel do Rei Leônidas e até do Rodrigo Santoro como Xerxes são brilhantes.
Apesar de ter sido bastante exagerada no roteiro, a história do batalhão de 300 soldados sem nenhuma chance de vitória, enfrentando milhares de persas apenas pela honra é uma das mais lendárias da antiguidade. E a direção consegue destacar esse sacrifício heroico dos espartanos com muita eficiência.
Além disso o aspecto visual do filme foi revolucionário, mostrando pela primeira vez a estética dos quadrinhos na tela do cinema com realismo e brutalidade extremas. O efeito "ramp speed" que alterna entre câmera lenta extrema e velocidade acelerada nas lutas foi uma das novidades que depois foi copiada à exaustão nos filmes de ação.
A fotografia e cenografia também impressionam. O filme foi todo gravado em estúdio fechado com a parte externa das cenas sendo gerada em CGI com uma precisão absurda.
O filme tem seus exageros, mas nunca se propõe a ser um documentário e sim adaptar uma história em quadrinhos do Frank Miller, e nisto "300" cumpre seu papel brilhantemente. Zack Snyder marcou época entregando uma dos maiores épicos de ação do cinema.
"Então lutaremos na sombra!"
Curiosidades: Historicamente na batalha de Termópilas os espartanos já haviam se aliado a outras cidades-estado gregas contra os persas. A invasão da Grécia por Xerxes coincidiu com o festival religioso espartano chamado Carneia, quando os espartanos não tinham permissão para guerrear. Mesmo assim, percebendo a ameaça dos persas o governo espartano decidiu enviar Leônidas com sua guarda pessoal de 300 homens para Termópilas. Outras cidades-estado gregas se juntaram aos 300 homens espartanos, totalizando entre 5.000 e 6.000 soldados gregos. O consenso histórico entre os cronistas antigos e os estudiosos atuais é que Termópilas foi uma clara derrota grega, e a invasão persa só seria repelida em batalhas terrestres e navais posteriores.
Os atores passaram por um treinamento militar rigoroso de oito semanas. O programa ficou conhecido mundialmente no universo fitness como o "Treino 300", exigindo que todos ficassem com o percentual de gordura corporal extremamente baixo e musculatura trincada.
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
3.6 260 Assista AgoraO filme é a terceira parte da famosa franquia de mistério idealizada, escrita e dirigida por Rian Johnson, com o retorno de Daniel Craig como o excêntrico detetive Benoit Blanc.
A trama segue a estrutura clássica dos livros da Agatha Christie, com muitos personagens suspeitos e pistas falsas pra confundir quem assiste. Como diferencial, desta vez inovaram trazendo uma temática religiosa, com críticas sarcásticas que expõe todo o fanatismo, exploração e hipocrisia que existem neste meio.
A história é intrincada e muito bem desenvolvida. Pra quem gosta de matar a charada antes do final vai ficar frustrado, pois apesar de algumas dicas que vão sendo dadas ao longo do filme é praticamente impossível prever o desfecho.
A solução do mistério pode ter sido mirabolante demais como muitos dizem, mas pelo menos tudo é amarrado de maneira inteligente e sem deixar pontas soltas pelo caminho (seguindo a tradição da franquia).
Curiosidade: Um dos livros da lista de leitura do grupo da Igreja é "The Murder of Roger Ackroyd', de Agatha Christie. Ao contrário da maioria de seus livros, este é narrado na primeira pessoa e o narrador está mentindo para o leitor. Assim como Jud mente para Blanc em sua própria carta e, por extensão, para o público enquanto ele narra o filme.
Apollo 13: Do Desastre ao Triunfo
3.6 243 Assista AgoraO filme é famoso pela precisão com que reconstituiu o drama vivido pela tripulação da fatídica missão Apollo 13 em 1970. Sendo inclusive elogiado pela própria NASA pela forma que a produção conseguiu reproduzir todos os protocolos, linguagem técnica, trajes, construção dos módulos da nave e a réplica da sala do centro de Controle de Missão, idêntica a original em Houston.
O filme tem momentos inesquecíveis como a parte do lançamento do foguete Saturn V com as reações dos astronautas dentro, o momento em que o tanque de oxigênio explode e a tripulação percebe a gravidade da situação com a icônica frase "Houston, we have a problem" sendo dita, a gambiarra dos engenheiros da NASA pra tentar improvisar um adaptador para os astronautas fazerem no espaço e por fim a cena da reentrada na atmosfera com aquele silêncio ensurdecedor.
O grande mérito do filme é que além da parte técnica impecável conseguiram criar um drama envolvente, transmitindo ao público toda a angústia e agonia daquela situação crítica. E mesmo já sabendo do desfecho continuamos tensos até quando os astronautas finalmente pisam em terra firme no final.
Sem dúvidas um dos melhores filmes já feitos!
"O fracasso não é uma opção."
Curiosidades: O filme recebeu nove indicações ao Oscar em 1996, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, levando as estatuetas de Melhor Montagem e Melhor Som.
O produção obteve permissão da NASA para filmar cenas a bordo de uma aeronave de gravidade (Boeing KC-135) reduzida para uma representação realista da ausência de peso experimentada pelos astronautas no espaço.
O verdadeiro astronauta Jim Lovell faz uma aparição especial no final do filme. Ele interpreta o capitão do navio de resgate USS Iwo Jima que cumprimenta Tom Hanks (que o interpreta) no conves do porta-aviões.
Devoradores de Estrelas
4.0 805 Assista AgoraO filme parece uma mistura de vários outros filmes que já cansamos de ver, mas é surpreendente que mesmo não tendo nada de muito inovador tudo funciona perfeitamente.
Os efeitos visuais são incríveis e contribuem bastante para trazer credibilidade e emoção para a história. Graças a esses efeitos conseguimos criar conexão emocional com uma pedra alienígena sem expressão nem aparência simpática pra ajudar.
A parte de ficção científica é bem simplificada, não há tanta preocupação em explicações técnicas ou justificativas muito elaboradas. A premissa basicamente é o envio de uma uma missão para outro sistema solar para descobrir como conter um organismo misterioso chamado "Astrófago", antes que ele consuma a energia do Sol e cause a extinção da vida na Terra.
Se a parte científica não impressiona tanto, por outro lado a construção da relação entre o astronauta e o alienígena é muito bem feita, sendo o grande atrativo do filme. As interações e diálogos entre os dois são bem humorados e mantêm a trama interessante, apesar da duração exagerada de quase 3 horas.
Então mesmo sem inovar conseguiram fazer o básico com competência, com boas atuações e um roteiro inspirado que sabe pra onde ir dentro da proposta do filme. O plot twist com o retorno do astronauta pra salvar o amigo também se encaixa bem e serve pra reforçar as mensagens inspiradoras de cooperação, persistência e lealdade da história.
Curiosidades: Tau Ceti é uma estrela localizada a aproximadamente 11,9 anos-luz (cerca de 112,6 trilhões de quilômetros) da Terra. Com a espaçonave tripulada mais rápida atual, Artemis II Orion (cerca de 40.233 km/h ou mais de 11 km/s), levaria cerca de 321.300 anos para alcançá-la.
Rocky não é CGI. Foram necessários cinco marionetistas para trazê-lo à vida, com o chefe de marionetistas se tornando a voz de Rocky.
O nome do personagem principal é Ryland Grace, e o nome da nave é Ave Maria. Isso seria um trocadilho para "Ave Maria, cheia de Graça".
O título vem do "passe Ave Maria", um passe muito longo no futebol americano, normalmente feito em desespero, com uma chance muito pequena de ser concluído.
Michael
3.8 539Entre erros e acerto o resultado final é satisfatório mas deixa uma sensação de que poderia ter sido muito melhor.
Tecnicamente os números musicais e ambientação de época são impecáveis. Já a escolha de um ator iniciante para representar o MJ é questionável, na parte performática o Jaafar Jackson (sobrinho do próprio Michael) até se sai bem, mas na atuação deixa a desejar pela inexperiência, além de não tanta semelhança para convencer no papel do tio (os atores da fase infantil convencem muito mais).
Em questão de roteiro, optaram por uma abordagem mais intimista da trajetória do MJ deixando assuntos incômodos de lado e focando principalmente em tretas familiares e nos bastidores da fase inicial da carreira.
Dentro desta proposta fizeram um bom trabalho, foi interessante ver detalhes menos conhecidos, como o domínio do pai sobre a carreira dele mesmo após a fama, girafa no quintal, vitiligo, plásticas, a parte da MTV, como filmes antigos influenciaram videoclipes, o envolvimento do Don King na história e o acidente durante a gravação de um comercial da Pepsi. Acertaram também na reencenação do "Thriller".
No fim o resultado não foi tão ruim, levando em consideração que se trata apenas da primeira parte da cinebiografia. Resta saber se a sequência vai abordar todas as polêmicas e processos do cantor ou vão passar pano.
Untold - Mr. T: Eu Tenho Pena do Tolo
2.7 5Documentário meia boca. Até a metade é interessante, enquanto mostra a ascensão do cara e como o personagem ganhou vida. Mas quando entra na parte das bobagens religiosas a produção perde totalmente o interesse e se torna entediante.
E essa mudança de estilo explica pq ele caiu no ostracismo, ninguém se interessa por mais um pregador qualquer cheio de mensagens religiosas padronizadas....
A Intérprete
3.2 226 Assista AgoraO filme marca a última direção da carreira de Pollack antes de sua morte em 2008.
Tecnicamente bem é produzido, os diálogos, atuações e direção do Sydney Pollack são satisfatórias. O diretor inclusive conseguiu permissão exclusiva para filmar dentro da Assembleia Geral da ONU em Nova York, o que deu mais realismo à produção.
Pena que o roteiro não seja dos mais empolgantes, a história da conspiração política não parece muito plausível e também se mostra mais complexa que o necessário com varias reviravoltas, manobras diplomáticas e personagens obscuros.
É entediante, mas pra quem curte este estilo de suspense político e espionagem internacional é um filme que pode valer a pena.
Curiosidades: O prédio da ONU nunca havia permitido filmagens de cinema em suas instalações (até mesmo Alfred Hitchcock teve que recriar o local em estúdio para Intriga Internacional em 1959). Sydney Pollack se reuniu pessoalmente com o então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, que cedeu a autorização após ler o roteiro e concordar com a mensagem pacifista da obra.
O idioma africano falado no filme (Ku) não existe na vida real. Ele foi desenvolvido por um linguista profissional.
Bugsy
3.5 47 Assista AgoraDrama biográfico acima da média. A produção é caprichada e o roteiro conta com clareza e detalhamento a trajetória do gangster "Bugsy" Siegel, interpretado brilhantemente pelo Warren Beatty que faz um personagem dividido entre a vida mafiosa e a de "homem de negócios".
Impressiona também o trabalho de reconstituição de época que foi feita, reproduzindo com realismo o estilo de vida da máfia nos anos 1940. Não foi exagero o filme ter recebido dez indicações ao Oscar (incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator), levando duas estatuetas (Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino).
De negativo, o filme poderia ser mais dinâmico, o ritmo as vezes é muito lento e o melodrama cheio de idas e vindas entre Bugsy e Virginia acaba se tornando cansativo.
Mas no geral é uma cinebiografia muito bem produzida, que conseguiu contar uma história fascinante sobre a vida louca dessa lenda do submundo. Apesar de pouco lembrado, Bugsy merecia mais reconhecimento por ter sido o grande responsável pelo nascimento da indústria dos jogos em Las Vegas.
Os Gatões: Uma Nova Balada
2.8 155Boa adaptação da famosa série de televisão norte-americana dos anos 1970/1980. A química entre Johnny Knoxville e Seann William Scott funciona e dá pra sentir que souberam entrar na zoação do filme.
O grande atrativo do filme são as cenas de ação com muitas manobras, perseguições em alta velocidade, derrapagens e saltos espetaculares com o Dodge "General Lee". O realismo das cenas é impressionante e quase não usam CGI, tudo feito na raça com dublês e carros sendo destruídos aos montes.
A trama não é grande coisa, tudo é tão absurdo que parece roteiro de desenho animado, mas funciona bem para um besteirol deste tipo. As piadas de duplo sentido e os diálogos entre caipiras são engraçados. Pra completar ainda tem a gostosa da Jessica Simpson pra enfeitar as cenas.
No fim serve como um passatempo divertido pra quem quiser anestesiar a mente e ver carros voando pelos ares por 90 minutos.
Curiosidade: Durante a produção do filme, a equipe destruiu cerca de 26 a 30 modelos do Dodge Charger 1969 para gravar as perseguições e saltos extremos.
O Homem Invisível
3.8 2,0K Assista AgoraQue filme tosco. Tentaram fazer uma releitura para o romance clássico de H.G. Wells de 1897 mas o resultado é de dar vergonha.
A premissa idiota depende que se acredite que não existam câmeras de segurança em nenhum dos mais variados locais onde os ataques do homem invisível acontecem.
Qualquer câmera facilmente confirmaria que a mulher não estava louca e encerraria o assunto. Mas convenientemente o único momento onde uma câmera de vigilância aparece é no desfecho quando o vilão é "suicidado" pela vítima....
Mas a cena mais patética é quando a mulher joga tinta sobre o traje e o cara de forma mágica consegue limpar rapidamente e continuar invisível. Qual a lógica disso?
Típico filme que trata o público como otário. Mais um lixo da safra #MeToo...
O Documentário da IA: Ou Como Me Tornei Otimista Diante …
3.3 8 Assista AgoraInteressante notar como o cidadão comum não tem a menor ideia do real alcance que a IA já tem. A maioria acha que é só uma melhoria nas buscas ou só serve pra manipular vídeos de memes.
O documentário traz uma visão mais ampla sobre a questão, principalmente quando fala sobre a corrida pela Inteligência Artificial Geral (AGI) que será a tecnologia que mudará realmente o jogo para sempre.
Mas apesar do ceticismo de uns e pavor de outros, como foi dito, a sociedade sempre soube lidar com mudanças e se adaptar a muitas outras revoluções tecnológicas ao longo da história.
Conversando com um Serial Killer: A Mente de Charles Manson
3.5 7 Assista AgoraProvavelmente o melhor e mais completo documentário já produzido sobre o tema.
Traz como diferencial arquivos inéditos de áudios gravadas com Charles Manson e entrevistas com membros da "Família Manson". Além dos crimes o documentário também aborda todo o início da formação da seita, como o Manson usou o livro "Como fazer amigos e influenciar pessoas" do Dale Carnegie para manipular o seu rebanho, a frustração e ressentimento pela carreira musical fracassada e como ele foi tapeado pelo cantor do Beach Boys.
Interessante também entender o conceito por trás do Helter Skelter e como o disco dos Beatles foi usado para justificar a matança na mente perturbada do Charles Manson.
É uma série documental que vai agradar tanto quem não conhece o caso quanto os que já conhecem. Tudo é bem contextualizado e detalhado, sempre baseado em registros, depoimentos, reportagens da época e a parte da dramatização é bem feita, permitindo uma visão mais clara do que ocorreu.
Anjos e Demônios
3.5 1,6K Assista AgoraCurioso que embora o livro que baseou o filme seja anterior a "O Código Da Vinci" os produtores optaram por lançá-lo como uma continuação direta. A fórmula segue praticamente a mesma, com a "caça ao tesouro" desta vez ficando restrita ao Vaticano e a trama explorando o contexto da eterna disputa entre ciência e religião.
O ritmo desta vez é mais frenético pela corrida contra o tempo atrás da bomba e pra tentar impedir a morte dos cardeais. Não há tanta perda de tempo com explicações e contextos históricos. Agora Robert Langdon é convocado às pressas pela Polícia do Vaticano para decifrar as pistas do "Caminho da Iluminação" ocultas em obras de arte e livros de Galileu Galilei e com isso impedir que uma bomba de antimatéria roubada do CERN pelos Illuminati exploda o Vaticano.
O que mais impressiona no filme é o realismo dos cenários e qualidade dos efeitos visuais. Como o Vaticano impediu gravações no local tiveram que reconstruir em estúdio a Praça de São Pedro, Capela Sistina e o interior do Vaticano. Além disso o diretor Ron Howard revelou que a equipe teve que infiltrar fotógrafos disfarçados de turistas para tirar milhares de fotos de alta resolução dos detalhes arquitetônicos e depois reproduzir digitalmente.
Por outro lado o roteiro é muito mais mirabolante do que no primeiro filme. A ideia da tal bomba roubada não convence e mais parece coisa de desenho animado. Assim como o plano absurdo do Camerlengo que no final dependeu de várias conveniências e sorte para funcionar, precisamente momentos antes da bomba explodir.
Apesar de tudo o filme tem seu valor e só de voltar a ver o Langdon na correria tendo que resolver charadas impossíveis como se fosse amigo do Galileu já valeu o ingresso.
Curiosidade: A "partícula de Deus" citada no filme é conhecida como o Bóson de Higgs e foi teorizada em 1963-64. Na época das filmagens, o Grande Colisor de Hádrons do CERN em Genebra estava de fato buscando evidências dessa partícula, que teoricamente seria responsável por dar massa à maior parte da matéria física no universo. A partícula foi finalmente encontrada em 2012, Peter Higgs e François Englert receberam o prêmio Nobel um ano depois.
Ron Howard disse em entrevistas que planejava completar a trilogia com o próximo livro da série, mas por razões desconhecidas "O Símbolo Perdido" foi descartado durante a pré-produção e a Sony decidiu adaptar o quarto livro "Inferno".
O Código Da Vinci
3.4 1,5K Assista AgoraExcelente adaptação do bestseller escrito pelo Dan Brown. A expectativa sobre o filme na época foi enorme, mas o Ron Howard conseguiu fazer um trabalho incrível trazendo com fidelidade todo o suspense e ação do livro para a tela do cinema.
Um receio era que a trama se tornasse entediante por tantas referências históricas que o livro apresenta, mas conseguiram incluir breves explicações sobre história da arte, teologia e sociedades secretas (que são necessárias ao entendimento da trama) sem parecer chato, complexo e nem tirar o foco da ação.
Mas como era de se esperar, muitas situações exigem uma boa dose de suspensão de descrença por parte do público, como a facilidade como o monge albino Silas consegue se infiltrar e transitar por igrejas famosas e monumentos históricos de Londres e Paris arrombando túmulos e altares com extrema facilidade e sem chamar a atenção das autoridades.
Outro detalhe que ficou duvidoso foi como o Langdon decifra a charada final relacionada com a pirâmide do Louvre. Como essa pirâmide foi construída recentemente fica meio sem lógica que as pistas antigas que citavam a frase "sob a lâmina e o cálice" indicassem ela como local do sarcófago. Pode ser que o Saunière tivesse mudado a localização do túmulo recentemente pro Louvre mas isso não fica claro no filme ou talvez tenham dado alguma explicação que passou batida pra mim.
Tirando isso o filme (assim como o livro) amarra a história de forma inteligente e com coerência, sem que pontas soltas fiquem pelo caminho. Então pra quem é fã do livro essa é uma adaptação que não vai decepcionar. A interpretação do Tom Hanks como o Professor Langdon é perfeita e o estilo de caça ao tesouro que se vê no livro são reproduzidos de maneira muito fiel no filme.
Não por acaso o filme foi um sucesso absurdo de bilheteria, arrecadando mais de US$ 760 milhões mundialmente, mesmo com os protestos e boicotes que a igreja tentou fazer na época por conta da premissa polêmica de que Jesus Cristo teria sido casado com Maria Madalena e deixado descendência.
"Jesus passou de um mortal para divino da noite para o dia."
Maldição da Múmia
3.0 339O roteiro é uma piada, começando pela ideia absurda de uma pessoa e possuída por um demônio ser mumificada e permanecer viva indefinidamente dentro um sarcófago. Partindo desta premissa tosca não dava pra esperar muita coisa do resto do filme...
As cenas de terror são bem feitas e tal mas falta impacto. A verdade é que a trama não convence em nenhum momento e não tem efeito especial que compense isso. É como se fosse uma versão de "O Exorcista" com gaze, sempre com aqueles mesmos rituais de exorcismo e contorcionismos de sempre. Há 50 anos os caras repetem a mesma fórmula, ninguém aguenta mais tanta mediocridade.
Apesar de tudo temos que admirar a coragem (ou otimismo) do diretor em colocar seu próprio nome no título dessa bomba.
Núpcias de Escândalo
3.9 119 Assista AgoraMais uma daquelas "comédias malucas" superestimadas que ninguém consegue entender o motivo de terem se tornado clássicas.
O filme é mal escrito, mal dirigido e pior de tudo, sem graça nenhuma. A trama até poderia refletir os costumes da sociedade da década de 40. Mas hoje é difícil acreditar que uma história tão antifeminista como esta possa ter recebido tantos elogios da crítica e até ganhado o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
A premissa é toda baseada em mulher (insuportável) sendo induzida a rever seu comportamento para ser aceita por pretendentes duvidosos e assim se encaixar melhor no que a sociedade esperava dela.
Pra piorar o desfecho é totalmente desconexo com a decisão da Tracy de cancelar o casamento com o noivo no altar e em seguida decidir se casar com o ex-marido (que ela não via há anos). Isso não tem coerência nenhuma com o romance construído ao longo do filme entre ela e o escritor. Não dá pra entender a intenção do diretor com essa solução absurda.
O filme só vale mesmo pela reunião de 3 dos maiores astros do cinema da época: Katharine Hepburn, Cary Grant e James Stewart. A atuação de James Stewart (que lhe rendeu o Oscar) realmente chama a atenção, especialmente nas cenas em que seu personagem fica completamente bêbado.
Curiosidade: James Stewart admitiu mais tarde que não achava que mereceu esse Oscar e que sentia que a Academia havia lhe dado o prêmio como uma "compensação" por ele não ter vencido no ano anterior por "A Mulher Faz o Homem" (1939).
Faces da Morte
2.7 134O filme tornou-se um fenômeno cultural na locadoras de VHS nos anos 80 e 90. Lembro que na escola sempre era assunto entre o pessoal e em uma época sem internet era o material mais chocantes que uma criança conseguiria ver.
A narração é icônica e servia pra dar mais credibilidade ao filme, sempre com tom poético e ao mesmo tempo sarcástico que se tornou marca registrada da franquia.
Mas revendo atualmente a "magia" acaba. Fica bem nítido que grande parte era apenas encenação barata, como os patéticos ataques de jacaré e urso, execuções dos presos, além do bobagem dos fantasmas no final. Mesmo assim alguns momentos ainda causam um certo impacto como a cena do macaco, do galo pulando sem cabeça, autópsias no necrotério e abate de animais.
Visto na época de escola tudo parecia mais macabro, já que não havia como diferenciar o que era real ou fake. E o diretor picareta soube como polemizar seu produto, principalmente com aquela famosa advertência que deixava qualquer VHS mais irresistível: "banido em mais 40 países!"
Curiosidades: A sequência mais emblemática do filme — onde turistas em um restaurante exótico espancam o crânio de um macaco para comer seu cérebro — é uma encenação grotesca. Os cérebros eram feitos de couve-flor e molho, os macacos reais foram trocados por cabeças de adereço de espuma sob a mesa, e os "clientes" eram atores locais de Los Angeles.
A "briga violenta de cães" que era simplesmente dois cães cobertos de sangue cenográfico brincando. A execução na cadeira elétrica foi realizada construindo-se uma cadeira falsa, usando pasta de dente para simular saliva e adicionando sons de eletricidade na pós-produção.
Uma das poucas parte não roteirizadas do filme apresenta o corpo de um surfista morto que foi levado pela correnteza até a praia. Além dela cenas do necrotério, do suicida, do paraquedista, do culto da cobra, do acidente de avião e dos acidentes de trânsito, eram autênticas.
Anos mais tarde, o diretor John Alan Schwartz admitiu publicamente que a maior parte das cenas chocantes foi gravada com figurantes em Los Angeles e que a ideia do filme surgiu quando produtores pediram a ele algo barato que vendesse bem no mercado asiático.
Pânico 7
2.6 432 Assista AgoraApesar de ter sido motivo de críticas, a saída das protagonistas do último filme foi positivo já que não acrescentaram muita coisa em comparação ao que já tinha sido visto antes na franquia.
Isto também forçou a produção a reformular a história sem ter que se escorar na trama anterior. Ter que ficar relembrando de filmes anteriores para fazer conexões com a árvore genealógica de novos personagens a cada sequência de "Pânico" sempre foi uma chateação que desta vez fomos poupados.
Então a ligação com o restante da franquia ficou por conta do retorno da Sidney Prescott e da interminável Gale Weathers que está mais acabada a cada nova aparição. Mas o maior erro do filme foi não terem chutado o balde pra lógica e ressuscitado de fato o Stu com alguma justificativa qualquer, colocando ele pra se vingar de geral e fechando o ciclo do primeiro filme de forma icônica. Ao invés disso preferiram seguir o caminho mais banal inventando uma nova dupla de assassinos com motivações sem pé nem cabeça.
Curiosamente o diretor Kevin Williamson mais tarde revelou que o filme originalmente tinha um final alternativo mostrado para o público de teste e que acabou sendo cortado, revelando que Stu Macher estava realmente vivo.
Como não tiveram coragem pra tentar algo realmente surpreendente, a cada novo filme fica mais claro que a franquia não tem mais pra onde ir e que já espremeram o bagaço até a última gota. Como desta vez satirizaram a ideia dos "reboots de reboots" é difícil imaginar pra onde isso ainda vai...
Encontrando Forrester
3.8 135 Assista AgoraAo longo do filme vamos percebendo que o Gus Van Sant tentou na malandragem repetir a fórmula bem sucedida de seu outro filme "Gênio Indomável" de 1997. Descaradamente o diretor copia exatamente a mesma estrutura: um jovem gênio vindo de um bairro marginalizado que precisa da ajuda de um mentor idoso e rabugento para desenvolver seu potencial. Pra reforçar ainda mais a sensação de filme requentado ainda temos uma participação especial do Matt Damon no final...
Além disso o roteiro é cheio de soluções fáceis e conveniências como o jovem negro chegando sem enfrentar muitas resistências em uma escola elitista e o romance construído artificialmente. Pra piorar o final morno e longe der ter o mesmo impacto de "Gênio Indomável" acabam não compensando todo o tédio das mais de duas horas de falação pseudo filosófica do filme.
Mas mesmo não sendo grande coisa ainda é um filme que vale a pena principalmente pela presença marcante do Sean Connery em uma de suas últimas atuações dramáticas antes de sua aposentadoria definitiva do cinema em 2003. O cara era mesmo diferenciado e dava a qualquer personagem um peso e autoridade impressionantes.
Curiosidades: Rob Brown fez um teste para o filme, na esperança de ganhar dinheiro suficiente para pagar sua conta de celular de US$ 300. Van Sant o fez ler o texto uma segunda vez e então o escalou como um dos protagonistas.
Sean Connery confirmou que a inspiração para seu papel foi o famoso e recluso escritor JD Salinger que passou a viver recluso após escrever seu único grande sucesso: "O Apanhador no Campo de Centeio".
A Ponte do Rio Kwai
4.1 213 Assista AgoraA história do filme foi vagamente baseada em um verdadeiro incidente da Segunda Guerra Mundial e no personagem real do tenente-coronel Philip Toosey que esteve no comando de seus homens do final de 1942 até maio de 1943. Após ser capturado pelos japoneses recebeu a ordem de construir duas pontes do Rio Kwai na Birmânia (uma de aço e outra de madeira), para ajudar o transporte de suprimentos e tropas japonesas de Bangkok para Rangoon. Na realidade, a ponte levou oito meses para ser construída (em vez de dois meses) e foi usada por dois anos. Elas foram destruídas em um bombardeio aliado no final de junho de 1945. As memórias de Toosey foram compiladas em um livro de 1991 de Peter Davies, intitulado "The Man Behind the Bridge".
O filme claramente é dividido em duas partes, uma mais dramática e outra focada na ação. E por incrível que pareça a primeira metade é muito melhor do que seu desfecho pirotécnico.
As intrigas entre japoneses e seus prisioneiros no início são o ponto alto do filme e criam uma empatia real dos personagens com o público. Com destaque para o castigo que o general japonês impõe aos oficiais britânicos que se recusam a fazer trabalho braçal como os demais prisioneiros de guerra. E o desfecho desta situação, com o japonês tendo que engolir seu orgulho é tão improvável que chega a ser cômico.
A segunda metade é tediosa, com o planejamento e execução da destruição da tal ponte no fim do mundo, que em nenhum momento demonstra ter alguma relevância real na guerra que justificasse a operação. Tudo é artificial, desnecessário, lento e entediante. Pra piorar a facilidade com que os aliados conseguem se infiltrar, tapear os japoneses e colocar os explosivos na ponte é como se os produtores zombassem da inteligência de quem assiste.
Tecnicamente os cenários são realistas e garantem uma ambientação convincente de um campo de prisioneiros de guerra real. A última cena da implosão da ponte também é espetacular e feita sem uso de maquetes. Uma ponte real de madeira maciça foi construída ao longo de oito meses no Sri Lanka, custando US$ 250 mil e foi explodida de fato, com um trem a vapor passando por cima dela em uma única tomada contínua.
Apesar de alguns bons momentos, no fim o resultado é desconexo parecendo que são duas partes mal costuradas entre si e produzidas por diretores diferentes. Por esse desequilíbrio narrativo, o filme leva 2 estrelas pela primeira parte e mais uma pela cena final...
Curiosidades: A música assobiada no início de A Ponte do Rio Kwai (imortalizada pelo seu uso nas Olimpíadas do Faustão) é a marcha militar britânica chamada "Colonel Bogey March", composta em 1914 pelo maestro militar F. J. Ricketts. Na Segunda Guerra Mundial, os soldados britânicos adaptaram fizeram uma versão obscena para essa marcha, chamada "Hitler Has Only Got One Ball" ("Hitler Só Tem Um Testículo"). A letra ainda debochava abertamente da anatomia dos líderes nazistas (incluindo Göring e Himmler). Como os produtores sabiam que os censores britânicos e americanos jamais autorizariam os atores a cantarem essa versão nas telas, optaram por colocarem os soldados apenas assobiando a música.
Das 330.000 pessoas que trabalharam na Ferrovia da Birmânia (incluindo 250.000 trabalhadores asiáticos e 61.000 prisioneiros de guerra), cerca de 90.000 dos trabalhadores e cerca de 16.000 prisioneiros aliados morreram durante a construção.
A destruição da ponte, conforme retratada no filme, é totalmente fictícia. Na realidade, duas pontes foram construídas, uma temporária de madeira e uma permanente de aço e concreta alguns meses depois. Ambas as pontes foram usadas por dois anos até serem destruídas pelos bombardeios aéreos aliados. A ponte de aço foi reparada e ainda está em uso hoje.
O Abrigo
3.6 740 Assista AgoraApesar da boa construção do suspense da trama, deixando sempre a dúvida se visões apocalípticas seriam apenas loucura ou teriam um fundo de verdade.
Mas pareceu desonesto a produção criar toda uma conexão do cara com a mãe esquizofrênica que convenientemente apresentava os mesmos tipos de alucinações que ele. Isso dá a impressão de que as visões dos dois personagens tem a mesma explicação, quando na verdade somos informados na última cena que os sonhos do cara eram premonições. Essa forma da produção "tapear" o espectador pareceu muito forçada e artificial, demonstrando a preguiça (ou incompetência) dos envolvidos em criar um desfecho realmente inteligente e impactante.
Mas mesmo com toda essa manipulação é um filme interessante, a atuação do Michael Shannon é intensa e a história prende a atenção desde o início. Pena que o final preguiçoso tenha ficado abaixo das expectativas.
Sem Reservas
3.3 470É uma comédia romântica mais dramática e melancólica do que o esperado, com a direção tentando misturar luto, gastronomia e romance na mesma história.
As atuações são convincentes, tanto de Catherine Zeta-Jones e Aaron Eckhart fazendo um casal com personalidades opostas quanto da cativante Abigail Breslin, que após "Pequena Miss Sunshine" se tornou uma das atrizes mirins mais solicitadas da época.
Como diferencial para o filme trouxeram os bastidores de uma cozinha de alto padrão como pano de fundo da história. Para interpretar a chef Kate com realismo, Catherine Zeta-Jones trabalhou anonimamente como garçonete e ajudante de cozinha no restaurante Fiamma Osteria, em Nova York. Vários clientes comentaram sobre sua semelhança com a atriz de Hollywood sem perceber que era ela mesma em treinamento e ela sempre respondia: "Eu ouço isso o tempo todo".
Mesmo não sendo um filme marcante é uma comédia romântica leve e divertida que cumpre seu propósito, apesar de toda a previsibilidade da trama.
300: A Ascensão do Império
3.2 1,6K Assista AgoraConseguiram a façanha de fazer um filme que serviu tanto como prequel, história paralela e continuação de "300".
E fizeram isso de forma bastante coerente, além de manter a estilo visual e até aumentar o nível de violência gráfica em alguns momentos. A mudança dos confrontos terrestres para as batalhas navais entre triremes gregos e persas traz um diferencial interessante pra a continuação, com cenas realistas e impactantes que não deixam nada a desejar em comparação ao que foi visto anteriormente.
Infelizmente Temístocles não tem o mesmo peso, liderança e nem carisma do icônico Rei Leônidas interpretado pelo Gerard Butler. Por outro lado o Xerxes feito pelo Rodrigo Santoro ganha mais presença e relevância na história.
Outro ponto questionável foi o destaque exagerado dos personagens femininos no filme, talvez motivado por críticas pelo excesso de testosterona de "300". Apesar de Artemísia I de Caria ter sido de fato uma das poucas comandantes navais mulheres da antiguidade, é difícil levar a sério as cenas de combate onde ela facilmente supera dezenas de adversários sem nem borrar a maquiagem dos olhos. A cena onde ela convida o general rival para tentar derrotá-lo usando suas outras "armas" também é de dar vergonha alheia. E a esposa do Leônidas mesmo tendo alguma liderança política na época nunca pegou uma espada na vida real...
Ou seja, o filme anterior já não se destacava pela fidelidade histórica pelos vários exageros mas desta vez a sensação de estarmos vendo um filme de fantasia é ainda maior. De qualquer forma ainda é uma sequência muito bem produzida e que tem seu valor.
Curiosidade: Historicamente Dario não foi morto por Temístocles como retratado, ele e Xerxes nem sequer estavam presentes na Batalha de Maratona. Artemísia era uma rainha e não uma escrava órfã que sofreu abusos.
Vestida Para Casar
3.4 824 Assista AgoraUma madrinha de casamentos que nunca conseguiu se casar é uma premissa tão maluca que acaba servindo bem para uma comédia romântica.
Pena que a trama tenha tantas situações absurdas e exageros que acabam prejudicando o resultado no final. Por exemplo a irmã caricata que aparentemente "enfeitiça" facilmente qualquer homem que quiser e o jornalista que publica uma matéria sem autorização expondo ao ridículo a vida da entrevistada, sem nenhuma consequência. E por fim os ridículos vestidos de dama de honra que parecem fantasias de carnaval e obviamente nunca seriam usados em cerimônias reais.
Apesar de tudo a comédia tem seus bons momentos, principalmente pelo carisma da Katherine Heigl que na época era uma das atrizes mais solicitadas para esse tipo de filme. Depois acabou caindo em desgraça com os diretores pelas declarações sem noção que dava na imprensa.
300
3.8 1,8K Assista Agora"300" se tornou um clássico, o bordão "This is Sparta!" até hoje é famoso e a atuação do Gerard Butler no papel do Rei Leônidas e até do Rodrigo Santoro como Xerxes são brilhantes.
Apesar de ter sido bastante exagerada no roteiro, a história do batalhão de 300 soldados sem nenhuma chance de vitória, enfrentando milhares de persas apenas pela honra é uma das mais lendárias da antiguidade. E a direção consegue destacar esse sacrifício heroico dos espartanos com muita eficiência.
Além disso o aspecto visual do filme foi revolucionário, mostrando pela primeira vez a estética dos quadrinhos na tela do cinema com realismo e brutalidade extremas. O efeito "ramp speed" que alterna entre câmera lenta extrema e velocidade acelerada nas lutas foi uma das novidades que depois foi copiada à exaustão nos filmes de ação.
A fotografia e cenografia também impressionam. O filme foi todo gravado em estúdio fechado com a parte externa das cenas sendo gerada em CGI com uma precisão absurda.
O filme tem seus exageros, mas nunca se propõe a ser um documentário e sim adaptar uma história em quadrinhos do Frank Miller, e nisto "300" cumpre seu papel brilhantemente. Zack Snyder marcou época entregando uma dos maiores épicos de ação do cinema.
"Então lutaremos na sombra!"
Curiosidades: Historicamente na batalha de Termópilas os espartanos já haviam se aliado a outras cidades-estado gregas contra os persas. A invasão da Grécia por Xerxes coincidiu com o festival religioso espartano chamado Carneia, quando os espartanos não tinham permissão para guerrear. Mesmo assim, percebendo a ameaça dos persas o governo espartano decidiu enviar Leônidas com sua guarda pessoal de 300 homens para Termópilas. Outras cidades-estado gregas se juntaram aos 300 homens espartanos, totalizando entre 5.000 e 6.000 soldados gregos. O consenso histórico entre os cronistas antigos e os estudiosos atuais é que Termópilas foi uma clara derrota grega, e a invasão persa só seria repelida em batalhas terrestres e navais posteriores.
Os atores passaram por um treinamento militar rigoroso de oito semanas. O programa ficou conhecido mundialmente no universo fitness como o "Treino 300", exigindo que todos ficassem com o percentual de gordura corporal extremamente baixo e musculatura trincada.