A introdução do filme já deixa claro o que ele quer dizer: “Esta história é baseada em uma antiga lenda, sobre guerras e tragédias, mostra o aspecto primitivo que derrubou a civilização. Um buraco, negro e profundo, cuja escuridão persiste desde os tempos remotos até hoje.”
E, pra entender o que vem depois, a gente precisa olhar para dois elementos que são o coração desse filme: o buraco e a máscara de oni.
O buraco, além de existir fisicamente ali no meio daquelas cortadeiras sufocantes, funciona como um símbolo direto do fundo do poço — um espaço de queda moral onde o ser humano despenca quando as circunstâncias apertam. E aqui as circunstâncias são extremas: guerra, fome, desigualdade, caos social. É esse desmoronamento humano que justifica os atos das personagens: matar, roubar, jogar os corpos ali dentro e seguir a vida. O buraco vira praticamente um “mecanismo” da sobrevivência, uma boca faminta da guerra que consome cadáveres e devolve comida. É um ciclo violento que se retroalimenta, assim como a própria guerra.
E a natureza ao redor não está aí à toa. Aquele matagal fechado não é só cenário; é um mar primitivo e alienígena que aprisiona. O vento constante nas folhas cria uma trilha sonora de ansiedade, uma pulsação selvagem que nunca para. A repetição dos caminhos no meio do labirinto de cortadeiras, a falta de horizonte… tudo isso cria uma claustrofobia que reflete a própria condição das personagens. A moita esconde e revela, como a moral de cada um. Não existe saída — só sobrevivência no modo primitivo. É exatamente isso que a introdução diz sobre o “aspecto primitivo que derrubou a civilização e persiste até hoje”. E persiste mesmo: apesar de antigo, Onibaba não é um filme datado. A crítica dele continua viva, especialmente se a gente lembra que ele nasceu no Japão pós-guerra, carregando a memória de um trauma coletivo. O buraco pode ser essa violência histórica que nunca sara.
Agora, a máscara de oni. No folclore japonês, os oni são demônios, ogros, torturadores de almas no inferno. Mas aqui eles funcionam muito mais como um símbolo da desfiguração moral. A primeira aparição da máscara, no rosto do samurai abandonado pelos próprios soldados, já aponta para isso: por trás da nobreza aparente existe crueldade, orgulho, violência. E quando a velha retira a máscara dele, o filme praticamente anuncia que aquela desfiguração — aquela monstruosidade humana — logo será dela também.
A cena em que o samurai diz: “Que campo de cortadeiras enorme… só de saber que aqui vivem demônios e serpentes”, e a velha responde: “Também há monstros como você vagando por aqui”, carrega uma ironia enorme, porque o filme já está sugerindo que ela também se tornará um demônio. Ou melhor: que ela só vai revelar o demônio humano que já estava lá.
E tudo isso tem a ver com o desejo, que no filme aparece de maneira crua, tátil e desesperada. A gente sente o suor, a respiração ofegante, a lama, a carne. O filme é visceral. A velha não é movida só por ciúme da nora; ela teme perder o único vínculo que garante sua sobrevivência. O sexo vira ameaça, vira ruptura, vira instinto. O filme deixa claro que, quando tudo é tirado — comida, estrutura social, espiritualidade, esperança — o que sobra são os impulsos mais básicos. E não é coincidência que não exista religião no filme: nenhum templo, nenhum kami, nenhum Buda. A única “espiritualidade” é a máscara demoníaca, usada como interface para a mentira e o terror. Ou seja, o divino desaparece, e o humano fica exposto em seu estado mais cru, nu e desesperado.
No fim, o destino da velha se iguala ao do samurai: ambos marcados pela própria maldade, com a “face desfigurada” no fundo do poço — literal ou simbolicamente.
E tem mais um detalhe importante: “baba”, no japonês, significa “velha” de forma depreciativa — algo como “megera”, “bruxa”. É o oposto de “obachan”, que é carinhoso. Hachi usa “baba” várias vezes, e isso deixa clara a formação do título Onibaba: a velha que se tornou demônio.
Por isso, no desfecho, quando a nora foge gritando “Oni! Oni!”, e a velha desesperada responde “Eu não sou um demônio, eu sou um ser humano!”, essa frase é devastadora. Porque o filme não está dizendo que ela virou um monstro sobrenatural; está dizendo que tudo aquilo — ódio, ganância, ciúmes, manipulação, medo — não vem do além. Vem do próprio ser humano quando arrancam tudo dele. A máscara era só um espelho da monstruosidade que já estava lá dentro.
E é aí que Onibaba vira, de fato, um conto moral sobre as profundezas da alma humana. Uma história que, como o buraco, parece simples por fora, mas é negra, profunda e persistente até hoje.
Eu sou fã de filmes de terror. Psicológico, slasher, zumbi, found footage, gore, espíritos, possessão, casa mal assombrada, enfim... Minha mãe na adolescência (década de 70), também era fã de filmes do gênero. Até esse filme. kkkkk Ela me conta que estava sozinha na sala assistindo a esse filme. E no final, a reviravolta, a cara da Kim, do padre... Ela gritava e gritava sem parar. Meus avós pularam da cama para acudi-la. Desde então, minha mãe nunca mais procurou assistir filmes de terror. Finalmente consegui encontrar esse filme e consegui adicionar essa pérola, que fez parte da juventude da minha mãe, ao meu repertório. O filme é mesmo incrível.
Por que esse filme não seria pior que Esquadrão Suicida? A narrativa que se consolidou, "Esquadrão Suicida é o pior filme de super-heróis de todos os tempos". É o que chamo de "Marketing de sucesso". Afinal de contas, cá entre nós. Esse filme é o pior filme de super heróis de todos os tempos.
Gostei da primeira parte do filme. Já a segunda, parecia um consultório de dentista. Se arrastava por uma eternidade. Acho que prometeu muito e entregou de menos, terminando como um bom filme.
Visto 25/09/2022 Fazia parte daqueles "Todo mundo viu, menos eu". Se eu tivesse visto na época de lançamento, não teria as mesmas críticas que tenho hoje. Para o que o filme se propõe a ser, uma mistura de comédia com drama, bem leve, ele cumpre bem esse papel. Porém eu tenho uma opinião pessoal que acaba interferindo na experiência que eu tive com o filme.
Por mais narcisista que a líder possa ser (Miranda Priestly/Meryl Streep), eu acredito que todo mundo tem o direito de tomar as decisões que se dizem a respeito, que vão impactar em seu próprio futuro. E acaba que no final a Andy (Anne Hathaway) acaba demonstrando que está agindo de acordo com o que ela verdadeiramente quer, mas não foi essa impressão que eu tive. Em diversos momentos ela foi repreendida pelo namorado, pelos amigos e que ela deveria voltar as atenções para a verdadeira Andy. Ora, então a verdadeira Andy é a que gerava conforto só de se estar por perto. No final das contas, a Andy "volta" para o namorado. Este sim, que poderá seguir a carreira dos sonhos e sabe-se lá se a Andy terá que acompanhá-lo para apoiá-lo em seu grande sonho.
Isso me incomodou, mas, outros tempos, o filme tinha que ter um contrapeso e é isso.
Tem uma proposta maior para pessoas que não convivem com gatos. Por exemplo, essa questão de propor um filme sobre gatos, como se "vejam, os felinos não tiveram a mesma chance de se apresentar, deem essa oportunidade". E aí comparam as relações entre felinos e humanos com cachorros e humanos. Comparação sem sentido para quem convive com gatos. Agora, achei interessante a história de como essa relação se iniciou, dos preconceitos criados que os distanciaram da sociedade como um todo, e sobre a forma de relação empática. Os especialistas deram nomes às técnicas que costumamos fazer, porém sem perceber.
A atmosfera crua e inesperada com que os eventos são executados tem o papel de quebrar os clichês dos filmes de terror convencionais (ou filmes promocionais), aqueles que dão esperança ou condenam o personagem. Não dá para saber se as coisas terão um desfecho positivo ou negativo, seja lá qual for sua perspectiva. O final é simplesmente incrível. Está nas categorias de terror psicológico e gore.
Mais uma vez apostando na fórmula de bolo: cativar os fãs se apegando a momentos nostálgicos da série consagrada e uma repetição enjoativa de músicas clássicas de fundo o tempo todo. O filme não tem nexo. Uma bagunça.
Que bonitinho o diretor responder as críticas feitas a ele com um personagem psicopata. O inferno é o Von Trier tentando provar para o público que seus trabalhos são obras de arte... Tá bom Von Trier, nós entendemos o quanto você é foda e inteligente, mas é melhor deixar pra publicar um artigo em alguma revista e deixar cinema livre de egocentrismo.
"Se você fizer um filme sobre amor, esperança e felicidade, eu nunca o perdoarei". Essa frase foi relatada por Poppe, foi o pedido de uma mulher que perdeu a filha durante o atentado. Um plano-sequência de 72 minutos e sem trilha sonora, evitando qualquer margem para espetáculo. Não havia forma melhor de contar e nos aproximar um pouco daquele momento terrível.
Na escolha de uma fotografia monocromática, que tem a ver com a busca pela essência das coisas, não há cores para causar outras distrações ou transmitir outras sensações, que não seja empatia, Roma propõe expor relações e individualidades de mulheres, pobres, ricas e etnias diferentes. Na individualidade, a exploração da vulnerabilidade feminina, nesse momento independentemente de sua classe, está presente em alguns momentos: na visão precipitada de que uma mulher que foi traída e abandonada pelo marido, está disposta a qualquer outra relação, ou então, na condição da mulher, que uma vez grávida, não há mais propósitos, é ameaçada e ofendida, passa a ser uma "faxineira de merda". Nas relações: "Digam o que nos disserem, nós, mulheres, estamos sempre sozinhas". Difícil para uma mulher como Sofia, mas ainda mais difícil para Cleo, uma mulher pobre, empregada doméstica, que se sacrifica pelos homens, pelas crianças, e até mesmo, por outras mulheres ricas, como Sofia. Pouco importa seu sobrenome, sua idade, ano de nascimento, ela é apenas uma empregada doméstica. Pouco importa seus objetivos, suas convicções, seus sentimentos.
Quando Cleo perde a filha, ela é logo "convidada" a passear com a família, como forma de distração, ainda assim continua por desempenhar seu papel de babá, e mais, quando já não lhe faltava mais nada, o seu ato heroico de salvar as crianças de um mar agitado e sem saber nadar.
Talvez a cena mais comovente do filme, é tratada de forma não tão surpreendente assim. Não mencionada pela patroa nos relatos, apenas por uma das crianças, enquanto a família faz novos planos, Cleo continua a servir a casa.
Impressionante como Cuarón consegue capturar parte da perspectiva feminina e em diferentes contextos sociais.
O filme começa promissor. Um homem estranho (James McAvoy) entra em um carro desconhecido após abater o motorista, pai de uma das 3 meninas que ali estavam, duas no banco traseiro e uma ao lado do motorista (a menina esquisita do grupo - Anya Taylor-Joy). Todas são sedadas a força e despertam já em um ambiente totalmente desconhecido. Uma sala sem janelas e aparentemente com apenas uma porta de saída. Ainda não sabemos as intenções do sequestrador, mas o bastante para saber que é algo bem ruim. A confusão cresce mais quando a cada visita do sequestrador nessa sala desconhecida, sua personalidade parece mudar completamente. O homem que abateu o motorista já não estava mais ali. Em vez disso, ora vinha uma mulher desesperada, ora uma criança de língua presa. Estranho né? Essa é uma premissa muito boa quando trata-se de uma abordagem referente a um transtorno já conhecido no mundo dos profissionais de saúde mental. Chama-se Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI). Uma questão muito interessante, ainda mais com James McAvoy "destroçando" seu papel(papéis) mais uma vez. Em sua página oficial eu havia dito uma vez "Ta sendo mal explorado como ator". Sempre achei suas atuações dignas, estava faltando um filme que lhe reconhecesse. Anya Taylor-Joy, assim como em The Witch, provou ser uma ótima atriz desempenhando seu papel de inocência, timidez e estranheza. Ponto. O roteiro desandou quando um assunto tão interessante e complexo, passou a captar o sobrenatural, uma saída que extrapolou os limites da razão e fez todo aquela dramatização cair por terra. Uma pena um desfecho bobo, já que o filme antes de viajar na maionese, consegue nos entreter num grau relativamente alto comparado aos filmes thrillers atuais.
O plot twister é referente ao filme Corpo fechado, subentendesse que as histórias ocorrem no mesmo universo. O que explica toda razão sobrenatural que ocorre dentro do filme.
Estou fazendo um apelo aos administradores da rede Filmow, enviando mensagens via inbox, demonstrando descontentamento aqui na página e etc, em referencia ao título infeliz, moralista, escolhido no Brasil em época de ditadura militar: "Quando Duas Mulheres Pecam". Nós amantes da arte, reconhecemos a obra apenas como "Persona". Eu não tô falando dessa indústria marketeira que escolhe o nome dos títulos brasileiros não. Estou falando de um título escolhido em plena ditadura militar e que nos dias de hoje caiu em desuso. Persona tem um enredo simples. A própria descrição: "Alma, uma enfermeira, deve cuidar de Elisabeth Vogler, uma atriz que está com a saúde muito boa mas se recusa a falar de qualquer jeito. Com a convivência, Alma fala a Elisabeth o tempo todo, inclusive sobre alguns de seus segredos, nunca recebendo resposta. Logo, Alma percebe que sua personalidade está sendo submergida na pessoa de Elisabeth." Definição de Persona: "personalidade que o indivíduo apresenta aos outros como real, mas que, na verdade, é uma variante às vezes muito diferente da verdadeira." A imagem ou personalidades que assumimos em público, diferenciada de nosso eu interior. Bem que os administradores poderiam reconhecer o nosso apelo!
"A memória é uma coisa estranha. Não funciona como eu imaginava. Estamos tão presos pelo tempo, pela sua ordem. (...) Lembro-me de momentos no meio. E este foi o fim. Mas agora não sei se acredito em inícios e finais. Há dias que definem sua história além de sua vida. Como o dia em que eles chegaram." Essa narrativa bem no início, de Louise (Amy Adams) foi feita acompanhada de uma trilha sonora magnífica - "On the Nature of Daylight" por Max Richter. O tema tanto abre como fecha o filme de Denis Villeneuve. Não é a toa que isso acontece. O filme conta com esse efeito anagrama, dando sentido ao tempo contado do início ao fim e do fim ao início. Como o nome especial de Hannah (Abigail Pniowsky 8, Carmela Nossa Guizzo 4, Jadyn Malone 6 e Julia Scarlett Dan 12 anos). Essa é a parte em que eu particularmente mais gosto. A que dá-se o nó em nossas mentes. Como General Shang (Tzi Ma) disse na festa de confraternização "Não direi que sei como sua mente funciona..."
Nesse momento ele sabia que, dizendo as últimas palavras de sua mulher para Louise, aquele momento em especial estaria acontecendo. De alguma forma aquilo estava interferindo/interferiu no passado. Entendemos que as coisas não acontecem de forma linear. Mesmo motivo para os Aliens estarem ajudando a humanidade. No destino escrito daqui a 3000 anos, a humanidade ajudou os Aliens.
Montagem sensacional pra esse tipo de filme, amigo. A narrativa foi muito boa, contando com cores e trilha sonora, nos deram um ambiente em que intercalavam-se a calma, a curiosidade e a aflição. Não houve muitas surpresas nas atuações. Já viram Forest Whitaker não se encaixar em algum papel? Jeremy Renner me fez lembrar Kiefer Sutherland, no filme Melancolia (Lars Von Trier), claro que em devidas proporções, já que a participação de Jeremy Renner foi bem menor. Porém alguém levou o filme pra si, a protagonista Amy Adams. Ela é a responsável pela maior parte do drama. Participação convincente em todos os momentos, Amy transparece com tranquilidade todas as emoções de alguém que carrega o peso de conhecer a vida do começo ao fim. 3 cenas me chamam bastante atenção:
A interação dela com a filha (todas as horas), o diálogo entre Louise Banks e o General Shang, e o momento em que ela é "abduzida" e fica de frente para Costello, tentando entender tudo."
Nós, eternos fãs de ficção científica, só temos a agradecer pelo cinema contemporâneo estar nos presenteando com tantas obras de arte.
Se você teve curiosidade de saber as últimas palavras da esposa do General Shang e ainda não procurou:
O diretor havia retirado a legenda no fim do filme para ",,,exemplificar o poder da linguagem", mas no fim o roteirista Eric Heisserer acabou contando para um usuário do Reddit.
O Segredo dos Seus Olhos. Acho que superestimei esse filme. É inegável a ótima qualidade técnica, pode-se dizer que foi uma das, se não a melhor, já realizada pelo cinema latino-americano. E pra quem é fã do filme Birdman(Alejandro G. Iñárritu), o plano-sequência no estádio de futebol foi sensacional, de tirar o fôlego. As interpretações também foram formidáveis. Ricardo Darín e Soledad Villamil, nos proporcionaram expressões convincentes, tanto para retratar o efeito do tempo sobre eles, quanto nas cenas em que trocavam olhares. Muitos dos sentimentos são perceptíveis apenas com o olhar. Temos a sensação do romance tímido no início e a intensidade que ele se tornou no fim. O filme também soube dosar o humor. Sem perder a dramatização principal, (o humor) foi usado nas horas certas e sem exagero, deixou o filme gostoso de se assistir. O que não é muito comum para o gênero. Por outro lado, achei desnecessário o tamanho da obra. Até a metade do filme, o ritmo estava nos eixos, porém, penso que o roteiro teve muitas emendas de coincidências para justificar alguns dos fatos. Esperava mais da história e acabei me decepcionando um pouco. Não deixa de ser uma obra interessante.
Ex_Machina. Caleb (Domhnall Gleeson) trabalha para uma empresa chamada Bluebook (nosso Google de hoje) e ganha uma oportunidade interna de visitar "O Criador", que dessa vez chama-se Nathan (Oscar Isaac). A proposta da visita (e única) tinha a ver com a aplicação do teste de Turing em Ava (Alicia Vikander), uma versão android IA que Nathan criou. Para passar no teste, Ava precisava persuadir Caleb de que era auto-consciente e não apenas capaz de simular com perfeição. "Um dia os IA vão nos olhar da mesma forma que olhamos para os fósseis da África. Um primata ereto vivendo no pó". Essa frase foi dita por Nathan em determinada cena, e é basicamente a proposta do filme. Mostrar que no futuro, as máquinas irão superar a humanidade. Apesar do tema soar batido, Ex_machina quebra alguns esteriótipos conhecidos. Nathan, apesar de gênio, é um alcoólatra, atleta e dançarino, o que não faz lembrar nem um pouco a figura de nerd que estamos acostumados. Também, diferentemente dos filmes de mesmo tema, os IA não são maus e em alguns momentos existe até um certo constrangimento e desconforto de como Nathan os observa e os trata. Eles não são tratados como humanos, para Nathan são apenas versões que serão substituídas em seguida, para que se chegue o mais perto da perfeição. O envolvimento de Caleb acabou trazendo um aspecto interessante e bem convincente para a história. Ao realizar o teste de Turing, Caleb começou a desenvolver sentimentos por Ava. Nós também criamos certa empatia por Ava. No entendimento de como é claustrofóbico aquele bunker, o medo de morrer e a vontade de descobrir o mundo. É um filme de ficção científica que pode ser uma realidade futura e que traz algumas filosofias interessantes.
Curiosidade: "Deus ex machina é uma expressão latina com origens gregas, que significa literalmente "Deus surgido da máquina", e é utilizada para indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra ficcional." [dictionary, acessado em 05/02/2017]
Em uma entrevista para a TheFilmStage, o diretor Alex Garland comentou sobre ex machina, que traduzida seria apenas "A Maquina". Num trecho da entrevista AG diz: "estamos acostumados a lidar com o pensamento "O homem não deve se intrometer na obra de Deus. E eu não estava interessado na parte de Deus. Portanto, tirando "Deus" do título."
Confesso que não consegui separar a arte da filmografia das ideologias do Eduardo. Conjunto de perguntas bem separadas e a montagem bem feita nos dá a sensação de estar ao lado do Eduardo fazendo as perguntas que gostaríamos de fazer. O documentário honra o título. Bem naquelas pausas bem programadas, ficamos em silêncio observando o Eduardo falando com terceiros e nós ali no meio daquela roda, apenas observando e absorvendo. Fiquei com essa sensação. Parabéns.
Onibaba: A Mulher Demônio
4.1 131 Assista AgoraA introdução do filme já deixa claro o que ele quer dizer:
“Esta história é baseada em uma antiga lenda, sobre guerras e tragédias, mostra o aspecto primitivo que derrubou a civilização. Um buraco, negro e profundo, cuja escuridão persiste desde os tempos remotos até hoje.”
E, pra entender o que vem depois, a gente precisa olhar para dois elementos que são o coração desse filme: o buraco e a máscara de oni.
O buraco, além de existir fisicamente ali no meio daquelas cortadeiras sufocantes, funciona como um símbolo direto do fundo do poço — um espaço de queda moral onde o ser humano despenca quando as circunstâncias apertam. E aqui as circunstâncias são extremas: guerra, fome, desigualdade, caos social. É esse desmoronamento humano que justifica os atos das personagens: matar, roubar, jogar os corpos ali dentro e seguir a vida. O buraco vira praticamente um “mecanismo” da sobrevivência, uma boca faminta da guerra que consome cadáveres e devolve comida. É um ciclo violento que se retroalimenta, assim como a própria guerra.
E a natureza ao redor não está aí à toa. Aquele matagal fechado não é só cenário; é um mar primitivo e alienígena que aprisiona. O vento constante nas folhas cria uma trilha sonora de ansiedade, uma pulsação selvagem que nunca para. A repetição dos caminhos no meio do labirinto de cortadeiras, a falta de horizonte… tudo isso cria uma claustrofobia que reflete a própria condição das personagens. A moita esconde e revela, como a moral de cada um. Não existe saída — só sobrevivência no modo primitivo. É exatamente isso que a introdução diz sobre o “aspecto primitivo que derrubou a civilização e persiste até hoje”. E persiste mesmo: apesar de antigo, Onibaba não é um filme datado. A crítica dele continua viva, especialmente se a gente lembra que ele nasceu no Japão pós-guerra, carregando a memória de um trauma coletivo. O buraco pode ser essa violência histórica que nunca sara.
Agora, a máscara de oni. No folclore japonês, os oni são demônios, ogros, torturadores de almas no inferno. Mas aqui eles funcionam muito mais como um símbolo da desfiguração moral. A primeira aparição da máscara, no rosto do samurai abandonado pelos próprios soldados, já aponta para isso: por trás da nobreza aparente existe crueldade, orgulho, violência. E quando a velha retira a máscara dele, o filme praticamente anuncia que aquela desfiguração — aquela monstruosidade humana — logo será dela também.
A cena em que o samurai diz:
“Que campo de cortadeiras enorme… só de saber que aqui vivem demônios e serpentes”,
e a velha responde:
“Também há monstros como você vagando por aqui”,
carrega uma ironia enorme, porque o filme já está sugerindo que ela também se tornará um demônio. Ou melhor: que ela só vai revelar o demônio humano que já estava lá.
E tudo isso tem a ver com o desejo, que no filme aparece de maneira crua, tátil e desesperada. A gente sente o suor, a respiração ofegante, a lama, a carne. O filme é visceral. A velha não é movida só por ciúme da nora; ela teme perder o único vínculo que garante sua sobrevivência. O sexo vira ameaça, vira ruptura, vira instinto. O filme deixa claro que, quando tudo é tirado — comida, estrutura social, espiritualidade, esperança — o que sobra são os impulsos mais básicos. E não é coincidência que não exista religião no filme: nenhum templo, nenhum kami, nenhum Buda. A única “espiritualidade” é a máscara demoníaca, usada como interface para a mentira e o terror. Ou seja, o divino desaparece, e o humano fica exposto em seu estado mais cru, nu e desesperado.
No fim, o destino da velha se iguala ao do samurai: ambos marcados pela própria maldade, com a “face desfigurada” no fundo do poço — literal ou simbolicamente.
E tem mais um detalhe importante: “baba”, no japonês, significa “velha” de forma depreciativa — algo como “megera”, “bruxa”. É o oposto de “obachan”, que é carinhoso. Hachi usa “baba” várias vezes, e isso deixa clara a formação do título Onibaba: a velha que se tornou demônio.
Por isso, no desfecho, quando a nora foge gritando “Oni! Oni!”, e a velha desesperada responde “Eu não sou um demônio, eu sou um ser humano!”, essa frase é devastadora. Porque o filme não está dizendo que ela virou um monstro sobrenatural; está dizendo que tudo aquilo — ódio, ganância, ciúmes, manipulação, medo — não vem do além. Vem do próprio ser humano quando arrancam tudo dele. A máscara era só um espelho da monstruosidade que já estava lá dentro.
E é aí que Onibaba vira, de fato, um conto moral sobre as profundezas da alma humana. Uma história que, como o buraco, parece simples por fora, mas é negra, profunda e persistente até hoje.
O Triângulo do Diabo
3.6 42 Assista AgoraEu sou fã de filmes de terror. Psicológico, slasher, zumbi, found footage, gore, espíritos, possessão, casa mal assombrada, enfim...
Minha mãe na adolescência (década de 70), também era fã de filmes do gênero. Até esse filme. kkkkk
Ela me conta que estava sozinha na sala assistindo a esse filme. E no final, a reviravolta, a cara da Kim, do padre... Ela gritava e gritava sem parar. Meus avós pularam da cama para acudi-la. Desde então, minha mãe nunca mais procurou assistir filmes de terror. Finalmente consegui encontrar esse filme e consegui adicionar essa pérola, que fez parte da juventude da minha mãe, ao meu repertório. O filme é mesmo incrível.
Thor: Amor e Trovão
2.9 982 Assista AgoraPor que esse filme não seria pior que Esquadrão Suicida? A narrativa que se consolidou, "Esquadrão Suicida é o pior filme de super-heróis de todos os tempos". É o que chamo de "Marketing de sucesso". Afinal de contas, cá entre nós. Esse filme é o pior filme de super heróis de todos os tempos.
1922
3.2 807 Assista AgoraGostei da primeira parte do filme. Já a segunda, parecia um consultório de dentista. Se arrastava por uma eternidade. Acho que prometeu muito e entregou de menos, terminando como um bom filme.
Colheita Maldita
3.1 509 Assista AgoraEu confundi esse filme com A Cidade dos Amaldiçoados (1995).
O Diabo Veste Prada
3.8 2,5K Assista AgoraVisto 25/09/2022
Fazia parte daqueles "Todo mundo viu, menos eu". Se eu tivesse visto na época de lançamento, não teria as mesmas críticas que tenho hoje. Para o que o filme se propõe a ser, uma mistura de comédia com drama, bem leve, ele cumpre bem esse papel. Porém eu tenho uma opinião pessoal que acaba interferindo na experiência que eu tive com o filme.
Por mais narcisista que a líder possa ser (Miranda Priestly/Meryl Streep), eu acredito que todo mundo tem o direito de tomar as decisões que se dizem a respeito, que vão impactar em seu próprio futuro. E acaba que no final a Andy (Anne Hathaway) acaba demonstrando que está agindo de acordo com o que ela verdadeiramente quer, mas não foi essa impressão que eu tive. Em diversos momentos ela foi repreendida pelo namorado, pelos amigos e que ela deveria voltar as atenções para a verdadeira Andy. Ora, então a verdadeira Andy é a que gerava conforto só de se estar por perto. No final das contas, a Andy "volta" para o namorado. Este sim, que poderá seguir a carreira dos sonhos e sabe-se lá se a Andy terá que acompanhá-lo para apoiá-lo em seu grande sonho.
Isso me incomodou, mas, outros tempos, o filme tinha que ter um contrapeso e é isso.
Colheita Maldita
3.1 509 Assista AgoraRapaz...
Esqueceram da criança morta aí no porta-mala de vocês? Uai...
Dentro da Mente de um Gato
3.8 75 Assista AgoraTem uma proposta maior para pessoas que não convivem com gatos. Por exemplo, essa questão de propor um filme sobre gatos, como se "vejam, os felinos não tiveram a mesma chance de se apresentar, deem essa oportunidade". E aí comparam as relações entre felinos e humanos com cachorros e humanos. Comparação sem sentido para quem convive com gatos. Agora, achei interessante a história de como essa relação se iniciou, dos preconceitos criados que os distanciaram da sociedade como um todo, e sobre a forma de relação empática. Os especialistas deram nomes às técnicas que costumamos fazer, porém sem perceber.
Caçada
3.1 118A atmosfera crua e inesperada com que os eventos são executados tem o papel de quebrar os clichês dos filmes de terror convencionais (ou filmes promocionais), aqueles que dão esperança ou condenam o personagem. Não dá para saber se as coisas terão um desfecho positivo ou negativo, seja lá qual for sua perspectiva. O final é simplesmente incrível. Está nas categorias de terror psicológico e gore.
Vôo Noturno
3.3 597 Assista AgoraFinal do filme achei que estava vendo "Esqueceram de Mim" com as armadilhas do Macaulay Culkin.
Além da Morte
2.5 499 Assista AgoraO Elliot Page deve ter saído com muita dor nas costas de tanto carregar o filme.
Star Wars, Episódio IX: A Ascensão Skywalker
3.1 1,3K Assista AgoraMais uma vez apostando na fórmula de bolo: cativar os fãs se apegando a momentos nostálgicos da série consagrada e uma repetição enjoativa de músicas clássicas de fundo o tempo todo. O filme não tem nexo. Uma bagunça.
A Casa Que Jack Construiu
3.5 809 Assista AgoraQue bonitinho o diretor responder as críticas feitas a ele com um personagem psicopata. O inferno é o Von Trier tentando provar para o público que seus trabalhos são obras de arte...
Tá bom Von Trier, nós entendemos o quanto você é foda e inteligente, mas é melhor deixar pra publicar um artigo em alguma revista e deixar cinema livre de egocentrismo.
IO: O Último na Terra
2.2 280 Assista AgoraNem todo filme poético/paradão é bom.
Utøya - 22 de Julho
3.7 79"Se você fizer um filme sobre amor, esperança e felicidade, eu nunca o perdoarei". Essa frase foi relatada por Poppe, foi o pedido de uma mulher que perdeu a filha durante o atentado. Um plano-sequência de 72 minutos e sem trilha sonora, evitando qualquer margem para espetáculo. Não havia forma melhor de contar e nos aproximar um pouco daquele momento terrível.
Filme agoniante, aterrorizante...
Roma
4.1 1,3K Assista AgoraNa escolha de uma fotografia monocromática, que tem a ver com a busca pela essência das coisas, não há cores para causar outras distrações ou transmitir outras sensações, que não seja empatia, Roma propõe expor relações e individualidades de mulheres, pobres, ricas e etnias diferentes.
Na individualidade, a exploração da vulnerabilidade feminina, nesse momento independentemente de sua classe, está presente em alguns momentos: na visão precipitada de que uma mulher que foi traída e abandonada pelo marido, está disposta a qualquer outra relação, ou então, na condição da mulher, que uma vez grávida, não há mais propósitos, é ameaçada e ofendida, passa a ser uma "faxineira de merda".
Nas relações: "Digam o que nos disserem, nós, mulheres, estamos sempre sozinhas".
Difícil para uma mulher como Sofia, mas ainda mais difícil para Cleo, uma mulher pobre, empregada doméstica, que se sacrifica pelos homens, pelas crianças, e até mesmo, por outras mulheres ricas, como Sofia. Pouco importa seu sobrenome, sua idade, ano de nascimento, ela é apenas uma empregada doméstica. Pouco importa seus objetivos, suas convicções, seus sentimentos.
Quando Cleo perde a filha, ela é logo "convidada" a passear com a família, como forma de distração, ainda assim continua por desempenhar seu papel de babá, e mais, quando já não lhe faltava mais nada, o seu ato heroico de salvar as crianças de um mar agitado e sem saber nadar.
Talvez a cena mais comovente do filme, é tratada de forma não tão surpreendente assim. Não mencionada pela patroa nos relatos, apenas por uma das crianças, enquanto a família faz novos planos, Cleo continua a servir a casa.
Impressionante como Cuarón consegue capturar parte da perspectiva feminina e em diferentes contextos sociais.
Eraserhead
3.8 953 Assista Agora"Oh, mother, they're still not sure if it is a baby!"
Fragmentado
3.9 3,0K Assista AgoraO filme começa promissor. Um homem estranho (James McAvoy) entra em um carro desconhecido após abater o motorista, pai de uma das 3 meninas que ali estavam, duas no banco traseiro e uma ao lado do motorista (a menina esquisita do grupo - Anya Taylor-Joy). Todas são sedadas a força e despertam já em um ambiente totalmente desconhecido. Uma sala sem janelas e aparentemente com apenas uma porta de saída. Ainda não sabemos as intenções do sequestrador, mas o bastante para saber que é algo bem ruim. A confusão cresce mais quando a cada visita do sequestrador nessa sala desconhecida, sua personalidade parece mudar completamente. O homem que abateu o motorista já não estava mais ali. Em vez disso, ora vinha uma mulher desesperada, ora uma criança de língua presa. Estranho né? Essa é uma premissa muito boa quando trata-se de uma abordagem referente a um transtorno já conhecido no mundo dos profissionais de saúde mental. Chama-se Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI). Uma questão muito interessante, ainda mais com James McAvoy "destroçando" seu papel(papéis) mais uma vez. Em sua página oficial eu havia dito uma vez "Ta sendo mal explorado como ator". Sempre achei suas atuações dignas, estava faltando um filme que lhe reconhecesse. Anya Taylor-Joy, assim como em The Witch, provou ser uma ótima atriz desempenhando seu papel de inocência, timidez e estranheza. Ponto. O roteiro desandou quando um assunto tão interessante e complexo, passou a captar o sobrenatural, uma saída que extrapolou os limites da razão e fez todo aquela dramatização cair por terra. Uma pena um desfecho bobo, já que o filme antes de viajar na maionese, consegue nos entreter num grau relativamente alto comparado aos filmes thrillers atuais.
O plot twister é referente ao filme Corpo fechado, subentendesse que as histórias ocorrem no mesmo universo. O que explica toda razão sobrenatural que ocorre dentro do filme.
Quando Duas Mulheres Pecam
4.4 1,1K Assista AgoraEstou fazendo um apelo aos administradores da rede Filmow, enviando mensagens via inbox, demonstrando descontentamento aqui na página e etc, em referencia ao título infeliz, moralista, escolhido no Brasil em época de ditadura militar: "Quando Duas Mulheres Pecam". Nós amantes da arte, reconhecemos a obra apenas como "Persona". Eu não tô falando dessa indústria marketeira que escolhe o nome dos títulos brasileiros não. Estou falando de um título escolhido em plena ditadura militar e que nos dias de hoje caiu em desuso.
Persona tem um enredo simples. A própria descrição:
"Alma, uma enfermeira, deve cuidar de Elisabeth Vogler, uma atriz que está com a saúde muito boa mas se recusa a falar de qualquer jeito. Com a convivência, Alma fala a Elisabeth o tempo todo, inclusive sobre alguns de seus segredos, nunca recebendo resposta. Logo, Alma percebe que sua personalidade está sendo submergida na pessoa de Elisabeth."
Definição de Persona: "personalidade que o indivíduo apresenta aos outros como real, mas que, na verdade, é uma variante às vezes muito diferente da verdadeira."
A imagem ou personalidades que assumimos em público, diferenciada de nosso eu interior.
Bem que os administradores poderiam reconhecer o nosso apelo!
A Chegada
4.2 3,5K Assista Agora"A memória é uma coisa estranha. Não funciona como eu imaginava. Estamos tão presos pelo tempo, pela sua ordem. (...) Lembro-me de momentos no meio. E este foi o fim. Mas agora não sei se acredito em inícios e finais. Há dias que definem sua história além de sua vida. Como o dia em que eles chegaram." Essa narrativa bem no início, de Louise (Amy Adams) foi feita acompanhada de uma trilha sonora magnífica - "On the Nature of Daylight" por Max Richter. O tema tanto abre como fecha o filme de Denis Villeneuve. Não é a toa que isso acontece. O filme conta com esse efeito anagrama, dando sentido ao tempo contado do início ao fim e do fim ao início. Como o nome especial de Hannah (Abigail Pniowsky 8, Carmela Nossa Guizzo 4, Jadyn Malone 6 e Julia Scarlett Dan 12 anos). Essa é a parte em que eu particularmente mais gosto. A que dá-se o nó em nossas mentes. Como General Shang (Tzi Ma) disse na festa de confraternização "Não direi que sei como sua mente funciona..."
Nesse momento ele sabia que, dizendo as últimas palavras de sua mulher para Louise, aquele momento em especial estaria acontecendo. De alguma forma aquilo estava interferindo/interferiu no passado. Entendemos que as coisas não acontecem de forma linear. Mesmo motivo para os Aliens estarem ajudando a humanidade. No destino escrito daqui a 3000 anos, a humanidade ajudou os Aliens.
Montagem sensacional pra esse tipo de filme, amigo. A narrativa foi muito boa, contando com cores e trilha sonora, nos deram um ambiente em que intercalavam-se a calma, a curiosidade e a aflição. Não houve muitas surpresas nas atuações. Já viram Forest Whitaker não se encaixar em algum papel? Jeremy Renner me fez lembrar Kiefer Sutherland, no filme Melancolia (Lars Von Trier), claro que em devidas proporções, já que a participação de Jeremy Renner foi bem menor. Porém alguém levou o filme pra si, a protagonista Amy Adams. Ela é a responsável pela maior parte do drama. Participação convincente em todos os momentos, Amy transparece com tranquilidade todas as emoções de alguém que carrega o peso de conhecer a vida do começo ao fim. 3 cenas me chamam bastante atenção:
A interação dela com a filha (todas as horas), o diálogo entre Louise Banks e o General Shang, e o momento em que ela é "abduzida" e fica de frente para Costello, tentando entender tudo."
Nós, eternos fãs de ficção científica, só temos a agradecer pelo cinema contemporâneo estar nos presenteando com tantas obras de arte.
Se você teve curiosidade de saber as últimas palavras da esposa do General Shang e ainda não procurou:
"Na Guerra não há vencedores, só viúvos"
O diretor havia retirado a legenda no fim do filme para ",,,exemplificar o poder da linguagem", mas no fim o roteirista Eric Heisserer acabou contando para um usuário do Reddit.
Quando Duas Mulheres Pecam
4.4 1,1K Assista AgoraNão mexam no título dessa obra, cara.
:'(
O Segredo dos Seus Olhos
4.3 2,2KO Segredo dos Seus Olhos.
Acho que superestimei esse filme. É inegável a ótima qualidade técnica, pode-se dizer que foi uma das, se não a melhor, já realizada pelo cinema latino-americano. E pra quem é fã do filme Birdman(Alejandro G. Iñárritu), o plano-sequência no estádio de futebol foi sensacional, de tirar o fôlego. As interpretações também foram formidáveis. Ricardo Darín e Soledad Villamil, nos proporcionaram expressões convincentes, tanto para retratar o efeito do tempo sobre eles, quanto nas cenas em que trocavam olhares. Muitos dos sentimentos são perceptíveis apenas com o olhar. Temos a sensação do romance tímido no início e a intensidade que ele se tornou no fim. O filme também soube dosar o humor. Sem perder a dramatização principal, (o humor) foi usado nas horas certas e sem exagero, deixou o filme gostoso de se assistir. O que não é muito comum para o gênero.
Por outro lado, achei desnecessário o tamanho da obra. Até a metade do filme, o ritmo estava nos eixos, porém, penso que o roteiro teve muitas emendas de coincidências para justificar alguns dos fatos.
Esperava mais da história e acabei me decepcionando um pouco.
Não deixa de ser uma obra interessante.
Ex Machina: Instinto Artificial
3.9 2,0K Assista AgoraEx_Machina.
Caleb (Domhnall Gleeson) trabalha para uma empresa chamada Bluebook (nosso Google de hoje) e ganha uma oportunidade interna de visitar "O Criador", que dessa vez chama-se Nathan (Oscar Isaac).
A proposta da visita (e única) tinha a ver com a aplicação do teste de Turing em Ava (Alicia Vikander), uma versão android IA que Nathan criou. Para passar no teste, Ava precisava persuadir Caleb de que era auto-consciente e não apenas capaz de simular com perfeição.
"Um dia os IA vão nos olhar da mesma forma que olhamos para os fósseis da África. Um primata ereto vivendo no pó". Essa frase foi dita por Nathan em determinada cena, e é basicamente a proposta do filme. Mostrar que no futuro, as máquinas irão superar a humanidade.
Apesar do tema soar batido, Ex_machina quebra alguns esteriótipos conhecidos. Nathan, apesar de gênio, é um alcoólatra, atleta e dançarino, o que não faz lembrar nem um pouco a figura de nerd que estamos acostumados.
Também, diferentemente dos filmes de mesmo tema, os IA não são maus e em alguns momentos existe até um certo constrangimento e desconforto de como Nathan os observa e os trata.
Eles não são tratados como humanos, para Nathan são apenas versões que serão substituídas em seguida, para que se chegue o mais perto da perfeição.
O envolvimento de Caleb acabou trazendo um aspecto interessante e bem convincente para a história. Ao realizar o teste de Turing, Caleb começou a desenvolver sentimentos por Ava. Nós também criamos certa empatia por Ava. No entendimento de como é claustrofóbico aquele bunker, o medo de morrer e a vontade de descobrir o mundo.
É um filme de ficção científica que pode ser uma realidade futura e que traz algumas filosofias interessantes.
Curiosidade:
"Deus ex machina é uma expressão latina com origens gregas, que significa literalmente "Deus surgido da máquina", e é utilizada para indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra ficcional."
[dictionary, acessado em 05/02/2017]
Em uma entrevista para a TheFilmStage, o diretor Alex Garland comentou sobre ex machina, que traduzida seria apenas "A Maquina".
Num trecho da entrevista AG diz: "estamos acostumados a lidar com o pensamento "O homem não deve se intrometer na obra de Deus. E eu não estava interessado na parte de Deus. Portanto, tirando "Deus" do título."
Observar e Absorver
4.3 63Confesso que não consegui separar a arte da filmografia das ideologias do Eduardo. Conjunto de perguntas bem separadas e a montagem bem feita nos dá a sensação de estar ao lado do Eduardo fazendo as perguntas que gostaríamos de fazer. O documentário honra o título. Bem naquelas pausas bem programadas, ficamos em silêncio observando o Eduardo falando com terceiros e nós ali no meio daquela roda, apenas observando e absorvendo. Fiquei com essa sensação. Parabéns.