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Últimas opiniões enviadas

  • Anarquista Crítico

    Jango foi, inegavelmente, um grande brasileiro. Um dos poucos – senão o único – presidentes do país a convocar as massas populares para defender um projeto nacional de desenvolvimento, as reformas de base, através do plano trienal – feito pelo grandioso Celso Furtado, que mostrava os desafios para o capitalismo nacional e as formas de combater o endividamento, a inflação e os problemas do subdesenvolvimento --, cujo eixo central das reformas, ironicamente, foi adotado pelos governos militares posteriormente no ciclo nacional-desenvolvimentista da ditadura militar brasileira.

    A economista Maria Conceição Tavares define o processo de modernização brasileira – até os governos militares – como uma “modernização conservadora”, visto que estruturas atrasadas da sociedade foram mantidas, ao lado da mais brutal desigualdade social do planeta e de um contingente de milhões de pessoas marginalizadas e sem qualquer acesso aos mais básicos canais de cidadania de uma sociedade civilizada. Jango entendia que tais contradições da modernização brasileira impediam um crescimento sustentável do país, assim como uma maior democratização social, propondo reformas cabais para o desenvolvimento capitalista de qualquer país do mundo, a dizer, a reforma agrária, tributária, urbana e extensão dos direitos trabalhistas ao campo, condições mínimas para a acumulação capitalista. À época, grande parte da intelectualidade nacional sonhava com a “revolução brasileira” e pensava o papel da burguesia local em tal processo.

    Na história não há “se”, mas o maior erro de João Goulart foi ter abandonado a perspectiva de resistir ao golpe por temer uma possível guerra civil. Em 64, amplos setores das forças armadas eram legalistas, defendiam a constituição e a continuidade de Jango, e estavam prontos para defender o presidente e combater os setores golpistas nas forças armadas – algo dito por Darcy Ribeiro em suas memórias sobre o golpe de 1964. Brizola era ciente da situação. Se a esquerda e os setores nacionais-populares tivessem resistido ao golpe, certamente o Brasil de hoje seria muito diferente. Para o bem e, talvez, para o mal.

    Quando não acertamos as contas com o passado ele nos cobra com juros. Em tempos que até a esquerda perdeu a consciência histórica em virtude do lacre, do irracionalismo e das respostas fáceis, o documentário de Tendler é precioso.

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  • Anarquista Crítico

    Um documentário precioso para a compreensão de um momento ímpar da história da América do Sul: a ascensão de vários governos progressistas e de esquerda no continente e suas relações com a potência hegemônica da região, os EUA.

    A América do Sul – e também a América Latina de uma forma geral – foi, talvez, o principal laboratório de teste das políticas neoliberais, nos anos 80 e 90, com resultados catastróficos: aumento da pobreza e da desigualdade, desindustrialização, desemprego e subordinação aos países centrais e suas políticas do Consenso de Washington. Diante de tal quadro de crise, governos de esquerda são eleitos no Brasil – que quebrou em 1999 –, Argentina – o país mais atingido por políticas neoliberais, e que quebrou duas vezes entre 1990 e 2001 –, Uruguai, Venezuela, Equador e Bolívia. Tais governos reduziram a pobreza na região, aumentaram a integração dos 12 países através da União das Nações Sul-americanas (UNASUL, que está sendo destruída) e construíram políticas externas mais autônomas e soberanas.

    Oliver Stone mostra como um discurso abertamente hostil aos regimes de esquerda da América do Sul foi construído a partir do fracasso da ALCA, mostra a articulação norte-americana do golpe em 2002 na Venezuela e o incômodo de Washington com governos sul-americanos mais altivos e independentes, já que boa parte da história da região é marcada por cooperação e submissão de suas elites políticas aos desígnios da potência hegemônica.

    Olhando a América do Sul hoje, em que houve uma guinada de orientação ideológica dos governos de vários países, com intervenção direta dos Estados Unidos – fatos divulgados por documentos oficiais publicados no Wikileaks e por Edward Snowden –, fica claro o retrocesso em vários níveis sociais e na política externa. Novamente estamos sob a orientação direta de Washington, servindo de exportadores de commodities e adotando o fracassado neoliberalismo, com resultados já desastrosos.

    A América do Sul, com a entrada pesada dos chineses na região e sua parceria com diversos países sul-americanos, será alvo de uma grande disputa geopolítica futuramente. Seremos construtores de nossa própria história ou ficaremos à mercê dos donos do mundo?

    Stone é genial.

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  • Anarquista Crítico

    Gosto da alegoria que a obra faz para criticar a vacuidade existencial do homem contemporâneo, utilizando de um contexto histórico diferente, mas totalmente intimista e inquietante.

    Em realidade, Ingmar Berman, ao abordar a perda de fé e o questionamento existencial do cavaleiro medieval, não está fazendo uma crítica à Idade Média, mas sim à sociedade contemporânea. Em o "Sétimo Selo" é possível captar toda a essência humana e social do período histórico em que "Deus está morto". O incômodo do homem moderno, perdido e tomado por incertezas, sem referências estáveis e vendo o progresso científico e tecnológico como o possível promotor do apocalipse – o ápice da produção – no âmbito do auge da Guerra Fria, em que a humanidade temia sua real destruição.

    Um cavaleiro medieval jamais teria o suporte racional e emocional para questionar Deus, visto que sua era é marcada por valores absolutos e imutáveis. Aí a obra mostra-se genial, pois consegue alegorizar a inquietação humana e o medo da total destruição – o que é muito comum nos filmes de Berman dessa época, como “Luz de Inverno”, em que um pastor protestante questiona a existência do supremo devido ao seu medo do apocalipse nuclear – contemporânea por meio de recursos históricos.

    Ao sermos expulsos do paraíso pela racionalidade, o homem moderno inaugura novos palcos na infindável batalha da vida e, ciente das contradições que dilaceram a sociedade humana, questiona o progresso, a própria racionalidade e intima Deus. O progresso não é só emancipador, mas também é promotor da barbárie.

    Como lidar com a finitude da vida e do mundo quando deus está morto? Como lidar com a impotência humana perante forças despertadas pela própria humanidade?

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