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Últimas opiniões enviadas

  • Arthur Conrado

    Parando para pensar, é muito estranho percebermos que até 2017 não havíamos tido nenhum filme protagonizado por uma mulher nos dois grandes universos cinematográficos de super-heróis (DC e Marvel). Esse caminho foi inaugurado sob a direção de Patty Jenkins e protagonizado por Gal Gadot: o bem-sucedido Mulher-Maravilha, que despertou no público e na indústria do entretenimento a atenção para a importância da representatividade feminina nesse segmento do cinema.

    Seguida de forma não tão eficaz pela Marvel (com seu insosso, superficial e decepcionante Capitã Marvel), a DC/Warner segue firme em sua proposta de solidificação do protagonismo feminino nas telonas. Para tanto, este ano será dedicado especificamente a figuras femininas do DCEU (Universo Estendido da DC). Além do retorno da poderosa amazona no seu novo filme solo (Mulher-Maravilha 1984), a DC/Warner já inicia o ano com tudo, metendo o pé na porta e disparando tiros de confete com o lançamento de Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa.

    A narrativa meio alucinada, um tanto fragmentada, repleta de idas e vindas alude ao fluxo de pensamento da Arlequina, a forma como sua mente funciona enquanto conta a história. O ritmo acelerado mantém o espectador entretido e imerso na trama o tempo todo, conseguindo, ainda assim, introduzir as subtramas de forma clara e interessante, apesar de sucinta. A intensidade narrativa e a frequência quase contínua de acontecimentos não dão tempo para o filme amornar. Mesmo em momentos aparentemente tranquilos, como a hora do café da manhã da Arlequina com o seu amado pão com ovo ou quando ela e Cassandra Cain estão sentadas no sofá comendo sucrilhos e vendo TV, de repente irrompe um turbilhão de fatos ou nos sentimos tão próximos das personagens que o tédio passa longe.

    A fotografia contrasta as cores, o brilho, a energia e a diversão em meio ao caos com a realidade dura, cinzenta, suja e opaca. Vislumbramos alguém (que acaba encontrando companhia) que procura escapar da realidade amarga e áspera, mas que vive sendo trazida de volta ao chão pela gravidade, que tenta impedi-la de flutuar entre confetes e pernas quebradas. As coreografias são muito bem planejadas e executadas, tornando as cenas de ação extremamente divertidas e violentas, com a exploração criativa de elementos (como uso de porretes, perseguição sobre patins, a presença de uma casa de horror, tiros de confetes) que expõem a violência sem pender para o gore.

    Outro ponto que merece destaque são as cenas que traduzem a feminilidade em meio ao caos, como um soco nos peitos (que substitui o famoso chute no saco quando se trata de homens) e o empréstimo de um elástico para prender os cabelos em meio à luta. Isso é reflexo da visão feminina responsável pelo filme: a direção de Cathy Yan e o roteiro de Christina Hodson, que fazem um trabalho efetivo dentro da sua proposta ao pensarem formas criativas e divertidas de compor uma história sobre empoderamento feminino no universo de super-heróis. Mesmo as falhas, os furos no roteiro, a irregularidade narrativa e o decepcionante confronto com o Máscara Negra acabam sendo releváveis devido ao envolvimento do público com a trama e, especificamente, com a Arlequina, pois Margot Robbie multicolore as cenas e carrega o filme nas costas com seu carisma, apesar do espaço destinado às demais personagens.

    Mais do que um filme sobre mulheres, e sim um filme feito por mulheres, Aves de Rapina consegue ser efetivo em sua proposta justamente devido ao olhar feminino que o norteia. O longa retrata o processo de conquista do espaço feminino como uma verdadeira luta contra a oposição masculina. Apresentando uma Gotham dominada por homens, faz surgir um grupo de personagens femininas que, apesar de seguirem percursos individuais, quando eles se cruzam, deixam de lado suas diferenças para batalharem pela causa que as une. Com isso, podemos perceber a metáfora do movimento feminista, que une mulheres plurais em busca de espaço, voz, direitos e até mesmo sobrevivência em uma sociedade, infelizmente, ainda dominada por pensamentos e conceitos machistas e patriarcais.

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  • Arthur Conrado

    Com um título emblemático, que sintetiza e traduz a força do tema tratado, "Deus é Mulher e seu Nome é Petúnia" nos conduz a um processo de confrontação de valores e regras socioculturalmente constituídos. Por meio da figura de uma mulher desconforme a diversos padrões, os papéis sociais assumidos por homens e mulheres são questionados, gerando reflexões contundentes e objetivas.

    Petúnia (Zorica Nusheva) tem 32 anos, ainda mora com os pais, está acima do peso, solteira e desempregada (na verdade, nunca conseguiu um emprego com sua formação em História). Frequentemente julgada por sua mãe e pelas pessoas ao redor, ela representa o fracasso em inúmeros aspectos. É uma figura deslocada, sem espaço em uma sociedade pautada por padrões. E o pior: sem chances de encontrar um lugar que não seja o da marginalização. Não bastasse ser mulher, o que já lhe assegura uma posição inferior em uma comunidade machista, ela é tachada de gorda, feia, encalhada e inapta para o mercado de trabalho. Ou seja, Petúnia é uma verdadeira outsider.

    Essa figura destoante aos padrões põe em xeque a estrutura patriarcal e religiosa local ao participar de uma cerimônia restrita aos homens. Quando se joga às águas de um rio em disputa com os homens e pega a cruz jogada pelo padre em um ritual de comemoração pelo feriado da Epifania, a protagonista rompe a tradição litúrgica. Mais do que isso: ao fugir com o sacro objeto, ela suscita a intolerância e a revolta da população masculina e dos religiosos, sendo, inclusive, procurada e detida por policiais devido ao seu ato.

    Longe de ser afeita à religião, é possível perceber que Petúnia age, inicialmente, movida pelo desejo de se agarrar a algo que possa mudar a sua sorte. Mas com o desenrolar da narrativa, ao ser constrangida, assediada, coagida e ameaça pelos policiais e até mesmo pelo padre, ela se atém cada vez mais ao objeto, em vez de dele abrir mão, o que todos os discursos lhe dizem para fazer. A cruz deixa de ser vista por ela como possibilidade sorte e prosperidade e se torna uma insígnia da sua postura subversiva e empoderada. Permanecer como sua dona passa a ser questão de honra e afirmação de um direito conquistado, visto que o obteve em disputa com tantos homens.

    Inspirada por um caso verídico, a diretora e roteirista Teona Struga Mitevska apresenta uma narrativa que expõe como "ainda estamos na Idade das Trevas na Macedônia" (infelizmente, não apenas na Macedônia). Mais que isso, faz surgir, em meio ao contexto macedônico machista e conservador, uma mulher que contesta o regime e as suas normas patriarcais. De forma clara e crua, Mitevska revela a arbitrariedade dos ditames socioculturais a partir da imagem de uma mulher cuja própria existência é uma afronta aos padrões. Uma mulher que, em busca de espaço na sociedade, rompe não só as barreiras de gênero, mas também outros limiares que a segregavam.

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  • Arthur Conrado

    Baseado no livro best-seller homônimo (escrito por Andrew Solomon), o longa dirigido por Rachel Dretzin é um documentário que exibe um pouco da história e da luta de algumas pessoas marcadas pela excepcionalidade. Porém não conhecemos apenas as pessoas cuja diversidade é apresentada, mas suas famílias, bem como as configurações familiares e sociais que permeiam esses núcleos. Adentramos os lares e nos deparamos com as relações públicas e privadas, com suas adversidades, com suas conquistas, com suas singularidades e (des)conformidades, todos os traços que os tornam humanos, como todos somos. Isso é justamente o que desmistifica o afastamento provocado pelo preconceito e pela imposição de padrões. Uma vez vistas na singeleza de sua humanidade, essas figuras revelam-se gente, e não anormais.

    O filme põe em questão o fato de que tais diferenças não são fruto ou responsabilidade dos pais, que podem, muitas vezes, se culpar ou serem tomados por outrem como culpados. Em casos de deficiências congênitas, os genitores (especialmente as mães) podem se martirizar, julgando como fator determinante da deficiência algo que fizeram ou deixaram de fazer durante o período de gestação. Já quando o estigma é associado ao comportamento e até mesmo, de forma errônea, a uma escolha, como a sexualidade desviante do padrão heterossexual ou a prática de ações criminosas, tanto os próprios pais se culpam quanto são tidos pelos outros como os (ir)responsáveis. O julgamento que os indivíduos sofrem acaba sendo aplicado também aos pais, que passam a ser considerados como não exemplares, colocando-se em dúvida a educação que esses filhos receberam (ou não). A não conformação aos padrões, nesses casos, é encarada como resultado de uma educação falha. Todavia o documentário nos leva a perceber que esses traços identitários não devem ser considerados como frutos de falhas, mas vistos como aquilo que são: características que compõem a identidade singular desses indivíduos.

    Além disso, questionam-se a patologização da anormalidade ("anormalidade" tida como aquilo que não é normal, ou seja, que foge à norma, aos padrões) e o consequente ímpeto de normalização (de adequar tudo e todos a regras) que toma conta do ser humano. O simples fato de algo não fazer parte de um padrão requer intervenção e adequação? Isso o torna uma doença que precisa ser curada? É o que indaga Andrew Solomon: "Como decidir o que devemos curar e o que devemos celebrar?", citando determinadas condições que, há tempos atrás, eram consideradas patologias que necessitavam de cura, mas, felizmente, hoje são enxergadas com mais naturalidade e até mesmo assumidas com orgulho por determinados grupos de pessoas.

    Longe da Árvore propõe uma reflexão sobre identidade, família, sociedade e aceitação da diversidade. O documentário, por fim, configura-se como um estudo antropológico das diferenças físicas, mentais e sociais, mas, ao mesmo tempo, um exercício de humanidade e empatia.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

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