Um remake de baixo orçamento, filmado com um iPhone, no mercado pobre de Taiwan, tinha tudo pra não ser grande coisa, ainda mais com um enredo anti machista. No entanto, o filme surpreende e prende o telespectador até o fim. Direção, atuações e roteiro brilhantes. A filmagem de cenários típicos da pobreza asiática ganhou uma iluminação que complementa a inocência da protagonista. O constante close dos atores nos coloca nas cenas vivenciando o drama de cada um. Não só a menininha brilhou, todas as atrizes são bonitas e talentosas, enfatizando a causa feminista muito bem fincada no tradicionalismo e baseada em personalidades fortes e honestas que lutam pelo seu espaço. É o tipo de filme que trata de questões pesadas com naturalidade e leveza, nos fazendo acreditar no lado bom da humanidade!
Fazer um filme metafórico ter credibilidade não é fácil, não é a toa que Lantimos e Ari Áster são diretores pouco compreendidos, mas aclamados. Se o filme não tiver um enredo bem construído dentro da fantasia, o realismo perde o sentido. Vira uma obra sem lógica que precisa ser explicada pelo autor!
O enredo desse filme trata-se da desconstrução do que entendemos por família e do papel social de cada integrante dela, e do que seria uma reconstrução racional, amoral, livre de qq regra social ou religiosa. O pai, um filho da psicopatia, criado sem vínculos afetivos, crenças ou empatia, tornou-se obsecado pela vida. Um criador ateu, que fazia da ciência uma religião, trabalhava na reconstrução de criaturas em busca de algo que não poderia ser explicado por ela. Encontrou no cadáver da mãe suicida, que carregava no ventre o filho inocente do seu algoz, a chance de redenção dessa maternidade falida (ou a vingança de quem realmente tinha o poder de criar) e um experimento fascinante, de colocar uma mente em branco, sedenta por aprender o mundo, no corpo de um adulto (o topo da evolução nietzschiniana). E, a partir daí, o filme engrandece em arquétipos filosóficos e psicológicos, que pode nos levar a grandes reflexões. Gostei demais, do figurino, fotografia, atuações, direção! Mas acho que uma obra mais enchuta poderia atingir um publico maior!
O filme parecia previsível, a velha história do homem justo e suas escolhas entre as facetas da politicagem, mas surpreendeu. Muito interessante a demonstração ritualística do catolicismo, assim como suas batalhas internas. O respeito a hierarquia, que é uma coisa de homens, em contraste a uma subserviência feminina conveniente. As tartarugas, cascudas e lentas, são a representação dos próprios cardeais. Eis que o decano encontra aquela que vai além dos limites que lhes são impostos. O final é abrilhantado pela questão de gênero, que poderia transitar entre o modismo populista e o piegas, mas foi bem colocado naquilo que se espera de uma instituição religiosa séria, que coloca o dever acima de tudo. Fotografia, direção, roteiro, figurinos e atuações impecáveis!
Filme metafórico sobre o elo que mantém a relação marido-mulher. O homem deseja o sexo, a mulher deseja o filho. Quando não há perspectiva, só resta a amizade, que pode não ser suficiente para sustentar a relação. O isolamento dos protagonistas é a vida íntima deles. O filho impossível mina o desejo sexual feminino e faz o homem se satisfazer com outra. O sexo fora do casamento e o filho bastardo satisfaz o casal, mas não a sociedade, que interpreta como bizarro. Como não é possível uma vida completamente isolada, só lhes restam a separação, o monstro que lhes arrancam a chance de felicidade como um casal! Noomi perfeita, como sempre! Filme dificil porque a revelação do cordeirinho fofo infantliza o processo. Acho que se tivessem mantido o suspense da criança até o fim, poderia ter sido melhor!
Um homem psicopata com uma vida dupla. A figura de um trabalhador e pai de família, na verdade, esconde um ditador cruel que mantém a esposa e os filhos encarcerados. Mais que isso, tal isolamento social permitiu que esse homem sem escrúpulos, exercesse um domínio psicológico na criação dos filhos, através da inserção de crenças ingênuas, mas com intenções sadicas. Um monstro egocêntrico que construiu um mundo próprio, abusando dos próprios filhos. Excelentes atuações e direção, deixam a película ainda mais veridica! Brilhante!
(Spoiler) Espetacular desde a primeira cena! Em outra, em que a protagonista está sendo descartada pelo seu empregador por estar velha demais para satisfazer os telespectadores machistas, ela cai em si ao perceber uma mosca se afogar por exaustão em um copo de vinho. A substância lhe deu a esperança de manter sua jovialidade e beleza que, antes de mais nada, é o que sempre alimentou sua carência, ao custo de ter de carregar a pessoa que ela realmente é. Para alguém que obteve fama pela beleza, a velhice pesa, desequilibrando a sensatez de se viver alternando os extremos da vida. O filme também é uma metáfora da cobrança social pela estética feminina perfeita e até onde se pode chegar em busca do cálice sagrado. Demi More perfeita para o papel em muitos sentidos. Os efeitos nao surpreendem, talvez para não ofuscar o brilhante enredo da história.
O que é delicioso mesmo é o romance, previsível, mas de saborear o coração. O casal de protagonistas não tem a estética perfeita, típica de romances de época, mas são muito charmosos e suas atuações complementam o jogo de sedução das comidinhas e dos confeitos. Com o destaque de uma fotografia bucólica, onde cada cena parece uma pintura, esse filme é daqueles que nos inspiram na cozinha e na vida. Amei!
O filme é sobre pessoas que necessitam viver intensamente, sobre suas consequentes tragédias pessoais e de como isso repercute em seus relacionamentos mais proximos, sobretudo quando seus parceiros de vida são o extremo oposto — racionais e contidos — gerando mais sofrimento. Na trilha, uma jovem motorista recatada e competente, meio que desperta a atenção e ocupa o vazio desse homem de meia iidade, que vivia imerso nesse carro, onde repetia incessantemente a fita com a voz da esposa falecida, e no trabalho, sua única válvula de escape, após a morte dela. Ambos se reconhecem em suas tragédias pessoais e compartilham a culpa de terem sido omissos em seus relacionamentos, mas descobrem que, apesar do sofrimento, a vida é o que é, as pessoas são o que são e eles devem seguir em frente (“amor fati”). Um ponto interessante é a maneira como a personagem do ator quis expor a peça de teatro que ele dirigia, com diferentes formas de comunicação. Isso deixava a peça inclusiva e também ilustrava a sua busca interior por um entendimento além das palavras. Ambientado em Hiroshima, a cidade que teve que se reerguer após uma catástrofe, o cenário perfeito. O filme é longo, sem muita ação, mas o formato é necessário para a digestão de um roteiro profundo, reflexivo e atrativo, eu diria até, o verdadeiro protagonista!
Um filme delicado sobre um homem que escolheu uma vida simples, metódica e solitária, talvez, para não ter que lidar com os complicados relacionamentos humanos. Preferiu limpar a merda alheia, aquela que é possível limpar, e viver admirando o que realmente é belo de se ver, ouvir e sentir. Quem vive na sombra sabe valorizar a luz! Brilhante atuação, o que poderia ter deixado o filme monótono. Brilhante direção!
Uma viagem de volta aos incríveis anos 80, no estilo de filme e na trilha sonora. É óbvio que os atores envelheceram, mas revê-los foi uma surpreendente experiência vintage. Esse filme prova que nem sempre a inovação é a única fórmula de tornar um filme popular. Eddy Murphy não desiste até ser merecidamente reconhecido!
Alerta de spoiler! Filme pragmático, sem enrolação, onde história e personagens são secundários ao protagonismo do horror. Uma versão pouco clássica da possessão demoníaca que, longe da igreja católica, está recheada de superstições e de bruxaria da cultura local. Um vilarejo onde homens abusadores de mulheres atraem um demônio feminicida e possuidor de crianças, ou talvez, a materialização da vingança delas pela falta de proteção maternal. As cenas não poupam grávidas, crianças e idosas, o que nos surpreende. No final, o homem que inspira o demônio é marcado com um sinal na testa (que mais parece um “M” de machista). Este homem bruto é incapaz de obedecer as orientações da única mulher capaz de lidar com essa criatura. O demônio nasce personificado no corpo de um menino, para viver neste mundo muito bem disfarçado entre os seus. Cada vez mais fã do cinema argentino!
Um Godzilla fiel a sua origem, desde o design da criatura, como homenagem aos primeiros filmes japoneses, até o seu verdadeiro significado, a representação do poder destrutivo da guerra, incluindo a bomba atômica. O filme em si não é exatamente sobre o monstro, mas sim da capacidade de um povo devastado se unir e encarar uma luta de forças desiguais, contra seu inimigo. Onde a cultura da honra vai além de governos. Um lindo conto sobre o povo japonês, brilhantemente executado e interpretado!
Um filme pertubador! Só há cenas de uma suposta família feliz em seu lar maravilhoso, que se degrada pouco a pouco quando percebemos a fumaça de fundo do imenso crematório e o barulho constante dos horrores, que acontecem o tempo todo, no vizinho campo de concentração. Por trás desse cenário de vida perfeita, assim como as flores que estão ali para disfarçar o cheiro de carne humana queimada, todos sofrem silenciosamente a sua maneira. A inquietude das crianças, a empregada que abusa da bebida, o marido que se passa por durão e a esposa que finge normalidade. É como se o campo tivesse ultrapassado o muro e tambem estivesse cozinhando, só que lentamente, essas pessoas, também vítimas da situação e prisioneiras de seus sonhos de felicidade, embora a cena final não nos deixe esquecer as outras vítimas do holocausto. Aterrorizante, sem nenhuma cena de violência! (Sandra Hüller dando show, direção brilhante!)
Fico feliz quando um filme de baixo orçamento me surpreende! Esse foi um deles! Essa questão da sociedade fazer um pré-julgamento da pessoa, ao invés de tentar descobrir a verdade de um fato, na realidade, é corriqueira. Uma protagonista de personalidade forte, sensata e segura de si, foi alvo de paixão e de ódio, sentimentos filhos da admiração, por uma marido viceral e fraco. A personalidade marcante dela (frequentemente equivocada como “fria”) colocou à prova a masculinidade dele. Em busca de uma vingança mesquinha, ele prejudicou o filho, motivando ainda mais sua frustração e auto destruição. Só a explicação racional dela, dos fatos, bastaria! Mas aí vem a cereja do bolo: o menino, que herdou emoção e razão, soube compreender a carga emocional que compunha a situação e analisar de forma imparcial e analítica o que motivou o acontecido, revelando mais destreza e maturidade do que o próprio Tribunal. A cena final me comoveu — A fidelidade do cão ao líder da matilha! Roteiro impecável! Atuações brilhantes! Direção acertiva! Obs: Não é um filme de ação, é reflexivo! Portanto, se não gosta do gênero nem assista. A interpretação do tribunal é clichê, porque o tribunal da vida real, também é!
Um filme que resgata cenas icônicas dos antigos e nos faz amar as diversas facetas do Drácula, brilhantemente interpretado por Gary Oldman. Aliás, Coppola escolheu Oldman, que não era o cara mais robusto ou galã, confiando em seu trabalho! Acertou em cheio! O antagonista Hopkins, outro monstro do cinema, ficou em desvantagem. Poderia ter sido clichê , mas esse filme de terror transformou-se numa das histórias de amor mais lindas do cinema!
Tinha tudo pra ser um filme brilhante! A história me lembrou o filme “A insustentável leveza do ser”, onde o protagonista não consegue se prender em relacionamentos, mas foi mal construída. A ideia de que a solidão nos faz conviver com nosso próprio monstro interior, que nos obriga a refletir sobre o que fazemos da nossa vida, representada metaforicamente pelo astronauta solitário em busca de resolver os mistérios que nos pairam, é pertinente. Assim como a nuvem que representa o eterno medo do desconhecido, que muitas vezes nos afasta de concluir nossos sonhos. No entanto, o roteiro que deveria enriquecer o conteúdo foi fraco. Eu até acho que a comédia não sai do Samdler, mas oferecer Nutella para o ET foi repetitivo e desviou a atenção de cenas importantes. A vida na Nave foi bem realista e, talvez, seja a coisa mais interessante do filme. A atuação do protagonista foi mediana mas não chegou a decepcionar. Acho que vale assistir até pelo potencial de onde o filme nos levaria!
Minha interpretação desse filme é que tudo foi uma “viagem” psicotica e esquizofrenica da menina, após tomar o chá de cogumelos no início. Como gatilhos para a crise, ela já tinha antecedentes de doença psiquiátrica e ainda abusava de medicamentos, passou por um stress traumático com a morte da família e tinha um namorado que, a seu ver, pouco se interessava pela sua vida. Nesse mundo que ela criou a sua moda e linguagem num dia que nunca termina, diferente da realidade, ela era o centro das atenções e todos faziam questão da sua presença e compartilhavam suas dores. A traição, o desprezo e a arrogância dos seus amigos foram punidos com o pior dos castigos — a morte, assim como o casal inglês, do invejável relacionamento amoroso perfeito. Assim como ela, todos ficavam órfaos e, aqui, concluo que foi ela que matou os pais e a irma. O lugar era ela e sua necessidade de vinganca, assim como ela, a crueldade e o sadismo eram travestidos de uma beleza pura e natural, como o mal que não espera a noite (no início há uma dica, quando ela diz que nunca dorme!). Uma metáfora típica do diretor.
Um filme sobre a importância do tempo na vida que, infelizmente, foi fraco demais. A base do filme é genial, recheada de mensagens sobre o papel do tempo na vida — que o tempo passa mais rápido para quem está lutando contra uma doença grave, bem como para quem busca a cura; que o tempo passa num piscar de olhos e, muitas vezes, não valorizamos esse tempo com quem amamos, como o crescimento dos filhos e o envelhecimento dos pais; a importância de viver tudo a seu tempo para o amadurecimento humano. A questão de que o tempo é paradoxal — é impiedoso quando nos encarcera nesse lugar que nunca tem volta, ao mesmo tempo que nunca é tarde para se tentar a redenção. Contudo, não foi bem executado e as atuações foram medíocres. Valeu pelo suspense, esse sim, nos prende do início ao fim, uma especialidade desse Diretor indiano cujos filmes, as vezes, se perdem em casualidades desnecessárias que dificultam o alinhamento da trama.
Amanda (Julia Roberts), uma expertise em satisfazer o desejo fútil e consumista das pessoas, entediada com a superficialidade humana, resolve tentar fugir um pouco da rotina com a família, longe da civilização. Na casa de campo alugada, ela recebe a visita inesperada dos donos da casa e a notícia de um suposto ataque cibernético terrorista. Em meio a um festival de suspense que se intercala em fatos inusitados, alguns diálogos vão dando pistas do ocorrido. O dono da casa, que trabalha na nata do mercado financeiro, confessa desconfiar que os “donos do mundo”, em suas “reuniões do mal”, poderiam estar por trás desse apocalipse. Os donos das grandes fortunas descritos no filme, na vida real, sabemos que odeiam o capitalismo e a supremacia americana. Todavia, o que vai se tornando assustador é a possibilidade crível daquela estrutura de guerra cibernética, ainda mais quando sabemos que o filme é produzido por Michele e Barack Obama. Amanda é uma mulher rígida e mãe superprotetora, que não se relaciona carinhosamente com ninguém, nem mesmo com os filhos, talvez, pelas marteladas da profissão. Contudo, a filha carente, que está sempre procurando por calor humano nas séries de TV, pode ser a dica explicativa para a causa de todo o problema. Como todo filme reflexivo, não entrega um final pronto e confortável. Gostei das atuações e da direção!
Gosto muito de filmes que desmistificam as relações humanas idealizadas e mostram a realidade da vida. Elena é uma mãe castratadora que se transformou num estorvo para a filha, ao adoecer de forma progressivamente limitante e incurável. Sua personalidade arrogante e possessiva, buscando sempre o centro das atenções, praticamente engoliu qq possibilidade da filha de viver sua própria vida. A filha, que achou que a doença da mãe seria o rompimento desse cordão umbilical e a esperança de seguir seu próprio caminho, percebeu que a doença, nem por um segundo, fragilisou a mãe. Condenada a esse martírio e sendo o elo fraco da relação, a filha abriu mão da própria vida, punindo a mãe anti social e egoista com a solidão. O interessante dessa história, é ver que Elena, que se considerava o pilar da vida da filha, obviamente não se conformou com o suicidio dela. Elena sabia a verdade, mas sua jornada em encontrar um culpado para a morte da filha foi a única coisa que sobrou para sustentar sua existência. Eu daria um Oscar para a atriz protagonista!
O filme ilustra o resultado devastador na mente e na vida de um homem criado por uma uma mãe egoista e castradora. A sequência de eventos alucinantes, onde as piores tragédias perseguem o protagonista incessantemente e a brilhante atuação de Joaquim Phenix ( nenhuma surpresa ), despertam em nós a mesma angústia de quem sofreu durante toda a vida toda um encarceramento maternal. Criada sem afeto, a mãe sociopata usou a vingança (disfarçada de carência) pelo abandono do parceiro, demonizando a masculinidade do filho. Castrou seus sentimentos íntimos até condená-lo ao celibato. Toda vez que o filho infantilizado tentava romper essa barreira, em busca de uma vida adulta, a tortura vinha na forma de culpa pelo desamparo da mãe, a qual ele sofria por não entender exatamente o motivo. O resultado disso foi um homem com medo infundado de viver e condenado a uma vida solitária. Ciente dessa mãe controladora, Beau foi obrigado a conviver com sentimentos paradoxais em relacão a ela, dos quais não conseguiu se libertar tão forte é o elo materno. Foi julgado pela sua consciência e condenado a se afogar na própria covardia. O filme, que se desenvolve em formas alternativas na linguagem metafórica, mergulha no lado obscuro da maternidade. Achei brilhante!
Um filme sombrio e, pertinentemente, em preto e branco, conta a história de uma garota de descendência portuguesa com traços de psicopatia. Talvez, por isso, foi levada pelos pais para ser criada longe da sociedade, em outro país e em algum lugar ermo, no campo. A mãe, que por um lado tentou ensinar o amor aos animais; de outro, ensinou tambem as habilidades (frias) de um cirurgião, profissão que abandonou em prol desse contexto. A situação de isolamento fez da mãe uma vítima assassinada por um outro psicopata na presença da filha, ainda menina, alimentando seus traços doentios. O pai, provavelmente já consumido pela situação, condenou o assassino ao pior castigo: os cuidados da filha. O desenrolar da história não seria outro que não os assassinatos em série com indícios de crueldade, após a perda dos pais. A menina orfã que herdou da mãe a obsessão pelos olhos, foi além da anatomia, controlou suas vítimas com a cegueira, e é capaz de despertar sentimentos ambíguos de pena e desprezo. Sua solidão não é falta de amor, que ela provavelmente nunca conheceu, mas a ausência de quem sempre a controlou. Gostei da fotografia, do enredo, da atuação dos atores e da direção.
Amei a analogia, a fotografia e a sarcastica correspondência histórica. Uma narrativa nostálgica da vida de um vilão, suas relações familiares, amorosas, políticas e teológicas, que se resume em desprezo com a humanidade, considerada uma espécie inferior e servil. Uma cria predadora, que faz jus a sua origem. Um filho conveniente da ganância — a sedenta por domínio e poder!
A Garota Canhota
3.8 43 Assista AgoraUm remake de baixo orçamento, filmado com um iPhone, no mercado pobre de Taiwan, tinha tudo pra não ser grande coisa, ainda mais com um enredo anti machista. No entanto, o filme surpreende e prende o telespectador até o fim. Direção, atuações e roteiro brilhantes. A filmagem de cenários típicos da pobreza asiática ganhou uma iluminação que complementa a inocência da protagonista. O constante close dos atores nos coloca nas cenas vivenciando o drama de cada um. Não só a menininha brilhou, todas as atrizes são bonitas e talentosas, enfatizando a causa feminista muito bem fincada no tradicionalismo e baseada em personalidades fortes e honestas que lutam pelo seu espaço. É o tipo de filme que trata de questões pesadas com naturalidade e leveza, nos fazendo acreditar no lado bom da humanidade!
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraFazer um filme metafórico ter credibilidade não é fácil, não é a toa que Lantimos e Ari Áster são diretores pouco compreendidos, mas aclamados. Se o filme não tiver um enredo bem construído dentro da fantasia, o realismo perde o sentido. Vira uma obra sem lógica que precisa ser explicada pelo autor!
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista AgoraO enredo desse filme trata-se da desconstrução do que entendemos por família e do papel social de cada integrante dela, e do que seria uma reconstrução racional, amoral, livre de qq regra social ou religiosa. O pai, um filho da psicopatia, criado sem vínculos afetivos, crenças ou empatia, tornou-se obsecado pela vida. Um criador ateu, que fazia da ciência uma religião, trabalhava na reconstrução de criaturas em busca de algo que não poderia ser explicado por ela. Encontrou no cadáver da mãe suicida, que carregava no ventre o filho inocente do seu algoz, a chance de redenção dessa maternidade falida (ou a vingança de quem realmente tinha o poder de criar) e um experimento fascinante, de colocar uma mente em branco, sedenta por aprender o mundo, no corpo de um adulto (o topo da evolução nietzschiniana). E, a partir daí, o filme engrandece em arquétipos filosóficos e psicológicos, que pode nos levar a grandes reflexões. Gostei demais, do figurino, fotografia, atuações, direção! Mas acho que uma obra mais enchuta poderia atingir um publico maior!
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Conclave
3.9 828 Assista AgoraO filme parecia previsível, a velha história do homem justo e suas escolhas entre as facetas da politicagem, mas surpreendeu. Muito interessante a demonstração ritualística do catolicismo, assim como suas batalhas internas. O respeito a hierarquia, que é uma coisa de homens, em contraste a uma subserviência feminina conveniente. As tartarugas, cascudas e lentas, são a representação dos próprios cardeais. Eis que o decano encontra aquela que vai além dos limites que lhes são impostos. O final é abrilhantado pela questão de gênero, que poderia transitar entre o modismo populista e o piegas, mas foi bem colocado naquilo que se espera de uma instituição religiosa séria, que coloca o dever acima de tudo. Fotografia, direção, roteiro, figurinos e atuações impecáveis!
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Cordeiro
3.3 594 Assista AgoraFilme metafórico sobre o elo que mantém a relação marido-mulher. O homem deseja o sexo, a mulher deseja o filho. Quando não há perspectiva, só resta a amizade, que pode não ser suficiente para sustentar a relação. O isolamento dos protagonistas é a vida íntima deles. O filho impossível mina o desejo sexual feminino e faz o homem se satisfazer com outra. O sexo fora do casamento e o filho bastardo satisfaz o casal, mas não a sociedade, que interpreta como bizarro. Como não é possível uma vida completamente isolada, só lhes restam a separação, o monstro que lhes arrancam a chance de felicidade como um casal! Noomi perfeita, como sempre! Filme dificil porque a revelação do cordeirinho fofo infantliza o processo. Acho que se tivessem mantido o suspense da criança até o fim, poderia ter sido melhor!
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Dente Canino
3.8 1,2K Assista AgoraUm homem psicopata com uma vida dupla. A figura de um trabalhador e pai de família, na verdade, esconde um ditador cruel que mantém a esposa e os filhos encarcerados. Mais que isso, tal isolamento social permitiu que esse homem sem escrúpulos, exercesse um domínio psicológico na criação dos filhos, através da inserção de crenças ingênuas, mas com intenções sadicas. Um monstro egocêntrico que construiu um mundo próprio, abusando dos próprios filhos. Excelentes atuações e direção, deixam a película ainda mais veridica! Brilhante!
A Substância
3.9 1,9K Assista Agora(Spoiler) Espetacular desde a primeira cena! Em outra, em que a protagonista está sendo descartada pelo seu empregador por estar velha demais para satisfazer os telespectadores machistas, ela cai em si ao perceber uma mosca se afogar por exaustão em um copo de vinho. A substância lhe deu a esperança de manter sua jovialidade e beleza que, antes de mais nada, é o que sempre alimentou sua carência, ao custo de ter de carregar a pessoa que ela realmente é. Para alguém que obteve fama pela beleza, a velhice pesa, desequilibrando a sensatez de se viver alternando os extremos da vida. O filme também é uma metáfora da cobrança social pela estética feminina perfeita e até onde se pode chegar em busca do cálice sagrado. Demi More perfeita para o papel em muitos sentidos. Os efeitos nao surpreendem, talvez para não ofuscar o brilhante enredo da história.
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Delicioso: Da Cozinha Para o Mundo
3.5 14 Assista AgoraO que é delicioso mesmo é o romance, previsível, mas de saborear o coração. O casal de protagonistas não tem a estética perfeita, típica de romances de época, mas são muito charmosos e suas atuações complementam o jogo de sedução das comidinhas e dos confeitos. Com o destaque de uma fotografia bucólica, onde cada cena parece uma pintura, esse filme é daqueles que nos inspiram na cozinha e na vida. Amei!
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Drive My Car
3.8 419 Assista AgoraO filme é sobre pessoas que necessitam viver intensamente, sobre suas consequentes tragédias pessoais e de como isso repercute em seus relacionamentos mais proximos, sobretudo quando seus parceiros de vida são o extremo oposto — racionais e contidos — gerando mais sofrimento. Na trilha, uma jovem motorista recatada e competente, meio que desperta a atenção e ocupa o vazio desse homem de meia iidade, que vivia imerso nesse carro, onde repetia incessantemente a fita com a voz da esposa falecida, e no trabalho, sua única válvula de escape, após a morte dela. Ambos se reconhecem em suas tragédias pessoais e compartilham a culpa de terem sido omissos em seus relacionamentos, mas descobrem que, apesar do sofrimento, a vida é o que é, as pessoas são o que são e eles devem seguir em frente (“amor fati”). Um ponto interessante é a maneira como a personagem do ator quis expor a peça de teatro que ele dirigia, com diferentes formas de comunicação. Isso deixava a peça inclusiva e também ilustrava a sua busca interior por um entendimento além das palavras. Ambientado em Hiroshima, a cidade que teve que se reerguer após uma catástrofe, o cenário perfeito. O filme é longo, sem muita ação, mas o formato é necessário para a digestão de um roteiro profundo, reflexivo e atrativo, eu diria até, o verdadeiro protagonista!
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Dias Perfeitos
4.2 600 Assista AgoraUm filme delicado sobre um homem que escolheu uma vida simples, metódica e solitária, talvez, para não ter que lidar com os complicados relacionamentos humanos. Preferiu limpar a merda alheia, aquela que é possível limpar, e viver admirando o que realmente é belo de se ver, ouvir e sentir. Quem vive na sombra sabe valorizar a luz! Brilhante atuação, o que poderia ter deixado o filme monótono. Brilhante direção!
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Um Tira da Pesada 4: Axel Foley
3.4 202 Assista AgoraUma viagem de volta aos incríveis anos 80, no estilo de filme e na trilha sonora. É óbvio que os atores envelheceram, mas revê-los foi uma surpreendente experiência vintage. Esse filme prova que nem sempre a inovação é a única fórmula de tornar um filme popular. Eddy Murphy não desiste até ser merecidamente reconhecido!
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O Mal Que Nos Habita
3.5 807 Assista AgoraAlerta de spoiler!
Filme pragmático, sem enrolação, onde história e personagens são secundários ao protagonismo do horror. Uma versão pouco clássica da possessão demoníaca que, longe da igreja católica, está recheada de superstições e de bruxaria da cultura local. Um vilarejo onde homens abusadores de mulheres atraem um demônio feminicida e possuidor de crianças, ou talvez, a materialização da vingança delas pela falta de proteção maternal. As cenas não poupam grávidas, crianças e idosas, o que nos surpreende. No final, o homem que inspira o demônio é marcado com um sinal na testa (que mais parece um “M” de machista). Este homem bruto é incapaz de obedecer as orientações da única mulher capaz de lidar com essa criatura. O demônio nasce personificado no corpo de um menino, para viver neste mundo muito bem disfarçado entre os seus. Cada vez mais fã do cinema argentino!
Godzilla: Minus One
4.0 563Um Godzilla fiel a sua origem, desde o design da criatura, como homenagem aos primeiros filmes japoneses, até o seu verdadeiro significado, a representação do poder destrutivo da guerra, incluindo a bomba atômica. O filme em si não é exatamente sobre o monstro, mas sim da capacidade de um povo devastado se unir e encarar uma luta de forças desiguais, contra seu inimigo. Onde a cultura da honra vai além de governos. Um lindo conto sobre o povo japonês, brilhantemente executado e interpretado!
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Zona de Interesse
3.6 694 Assista AgoraUm filme pertubador! Só há cenas de uma suposta família feliz em seu lar maravilhoso, que se degrada pouco a pouco quando percebemos a fumaça de fundo do imenso crematório e o barulho constante dos horrores, que acontecem o tempo todo, no vizinho campo de concentração. Por trás desse cenário de vida perfeita, assim como as flores que estão ali para disfarçar o cheiro de carne humana queimada, todos sofrem silenciosamente a sua maneira. A inquietude das crianças, a empregada que abusa da bebida, o marido que se passa por durão e a esposa que finge normalidade. É como se o campo tivesse ultrapassado o muro e tambem estivesse cozinhando, só que lentamente, essas pessoas, também vítimas da situação e prisioneiras de seus sonhos de felicidade, embora a cena final não nos deixe esquecer as outras vítimas do holocausto. Aterrorizante, sem nenhuma cena de violência! (Sandra Hüller dando show, direção brilhante!)
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Anatomia de uma Queda
4.0 974 Assista AgoraFico feliz quando um filme de baixo orçamento me surpreende! Esse foi um deles! Essa questão da sociedade fazer um pré-julgamento da pessoa, ao invés de tentar descobrir a verdade de um fato, na realidade, é corriqueira. Uma protagonista de personalidade forte, sensata e segura de si, foi alvo de paixão e de ódio, sentimentos filhos da admiração, por uma marido viceral e fraco. A personalidade marcante dela (frequentemente equivocada como “fria”) colocou à prova a masculinidade dele. Em busca de uma vingança mesquinha, ele prejudicou o filho, motivando ainda mais sua frustração e auto destruição. Só a explicação racional dela, dos fatos, bastaria! Mas aí vem a cereja do bolo: o menino, que herdou emoção e razão, soube compreender a carga emocional que compunha a situação e analisar de forma imparcial e analítica o que motivou o acontecido, revelando mais destreza e maturidade do que o próprio Tribunal. A cena final me comoveu — A fidelidade do cão ao líder da matilha!
Roteiro impecável! Atuações brilhantes! Direção acertiva!
Obs: Não é um filme de ação, é reflexivo! Portanto, se não gosta do gênero nem assista. A interpretação do tribunal é clichê, porque o tribunal da vida real, também é!
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Drácula de Bram Stoker
4.0 1,4K Assista AgoraUm filme que resgata cenas icônicas dos antigos e nos faz amar as diversas facetas do Drácula, brilhantemente interpretado por Gary Oldman. Aliás, Coppola escolheu Oldman, que não era o cara mais robusto ou galã, confiando em seu trabalho! Acertou em cheio! O antagonista Hopkins, outro monstro do cinema, ficou em desvantagem. Poderia ter sido clichê , mas esse filme de terror transformou-se numa das histórias de amor mais lindas do cinema!
O Astronauta
2.9 144 Assista AgoraTinha tudo pra ser um filme brilhante! A história me lembrou o filme “A insustentável leveza do ser”, onde o protagonista não consegue se prender em relacionamentos, mas foi mal construída. A ideia de que a solidão nos faz conviver com nosso próprio monstro interior, que nos obriga a refletir sobre o que fazemos da nossa vida, representada metaforicamente pelo astronauta solitário em busca de resolver os mistérios que nos pairam, é pertinente. Assim como a nuvem que representa o eterno medo do desconhecido, que muitas vezes nos afasta de concluir nossos sonhos. No entanto, o roteiro que deveria enriquecer o conteúdo foi fraco. Eu até acho que a comédia não sai do Samdler, mas oferecer Nutella para o ET foi repetitivo e desviou a atenção de cenas importantes. A vida na Nave foi bem realista e, talvez, seja a coisa mais interessante do filme. A atuação do protagonista foi mediana mas não chegou a decepcionar. Acho que vale assistir até pelo potencial de onde o filme nos levaria!
Midsommar: O Mal Não Espera a Noite
3.6 2,9K Assista AgoraMinha interpretação desse filme é que tudo foi uma “viagem” psicotica e esquizofrenica da menina, após tomar o chá de cogumelos no início. Como gatilhos para a crise, ela já tinha antecedentes de doença psiquiátrica e ainda abusava de medicamentos, passou por um stress traumático com a morte da família e tinha um namorado que, a seu ver, pouco se interessava pela sua vida. Nesse mundo que ela criou a sua moda e linguagem num dia que nunca termina, diferente da realidade, ela era o centro das atenções e todos faziam questão da sua presença e compartilhavam suas dores. A traição, o desprezo e a arrogância dos seus amigos foram punidos com o pior dos castigos — a morte, assim como o casal inglês, do invejável relacionamento amoroso perfeito. Assim como ela, todos ficavam órfaos e, aqui, concluo que foi ela que matou os pais e a irma. O lugar era ela e sua necessidade de vinganca, assim como ela, a crueldade e o sadismo eram travestidos de uma beleza pura e natural, como o mal que não espera a noite (no início há uma dica, quando ela diz que nunca dorme!). Uma metáfora típica do diretor.
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Tempo
3.1 1,2KUm filme sobre a importância do tempo na vida que, infelizmente, foi fraco demais. A base do filme é genial, recheada de mensagens sobre o papel do tempo na vida — que o tempo passa mais rápido para quem está lutando contra uma doença grave, bem como para quem busca a cura; que o tempo passa num piscar de olhos e, muitas vezes, não valorizamos esse tempo com quem amamos, como o crescimento dos filhos e o envelhecimento dos pais; a importância de viver tudo a seu tempo para o amadurecimento humano. A questão de que o tempo é paradoxal — é impiedoso quando nos encarcera nesse lugar que nunca tem volta, ao mesmo tempo que nunca é tarde para se tentar a redenção. Contudo, não foi bem executado e as atuações foram medíocres. Valeu pelo suspense, esse sim, nos prende do início ao fim, uma especialidade desse Diretor indiano cujos filmes, as vezes, se perdem em casualidades desnecessárias que dificultam o alinhamento da trama.
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O Mundo Depois de Nós
3.2 990 Assista AgoraAmanda (Julia Roberts), uma expertise em satisfazer o desejo fútil e consumista das pessoas, entediada com a superficialidade humana, resolve tentar fugir um pouco da rotina com a família, longe da civilização. Na casa de campo alugada, ela recebe a visita inesperada dos donos da casa e a notícia de um suposto ataque cibernético terrorista. Em meio a um festival de suspense que se intercala em fatos inusitados, alguns diálogos vão dando pistas do ocorrido. O dono da casa, que trabalha na nata do mercado financeiro, confessa desconfiar que os “donos do mundo”, em suas “reuniões do mal”, poderiam estar por trás desse apocalipse. Os donos das grandes fortunas descritos no filme, na vida real, sabemos que odeiam o capitalismo e a supremacia americana. Todavia, o que vai se tornando assustador é a possibilidade crível daquela estrutura de guerra cibernética, ainda mais quando sabemos que o filme é produzido por Michele e Barack Obama. Amanda é uma mulher rígida e mãe superprotetora, que não se relaciona carinhosamente com ninguém, nem mesmo com os filhos, talvez, pelas marteladas da profissão. Contudo, a filha carente, que está sempre procurando por calor humano nas séries de TV, pode ser a dica explicativa para a causa de todo o problema.
Como todo filme reflexivo, não entrega um final pronto e confortável. Gostei das atuações e da direção!
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Elena Sabe
3.0 16Gosto muito de filmes que desmistificam as relações humanas idealizadas e mostram a realidade da vida. Elena é uma mãe castratadora que se transformou num estorvo para a filha, ao adoecer de forma progressivamente limitante e incurável. Sua personalidade arrogante e possessiva, buscando sempre o centro das atenções, praticamente engoliu qq possibilidade da filha de viver sua própria vida. A filha, que achou que a doença da mãe seria o rompimento desse cordão umbilical e a esperança de seguir seu próprio caminho, percebeu que a doença, nem por um segundo, fragilisou a mãe. Condenada a esse martírio e sendo o elo fraco da relação, a filha abriu mão da própria vida, punindo a mãe anti social e egoista com a solidão. O interessante dessa história, é ver que Elena, que se considerava o pilar da vida da filha, obviamente não se conformou com o suicidio dela. Elena sabia a verdade, mas sua jornada em encontrar um culpado para a morte da filha foi a única coisa que sobrou para sustentar sua existência.
Eu daria um Oscar para a atriz protagonista!
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Beau Tem Medo
3.2 441O filme ilustra o resultado devastador na mente e na vida de um homem criado por uma uma mãe egoista e castradora. A sequência de eventos alucinantes, onde as piores tragédias perseguem o protagonista incessantemente e a brilhante atuação de Joaquim Phenix ( nenhuma surpresa ), despertam em nós a mesma angústia de quem sofreu durante toda a vida toda um encarceramento maternal. Criada sem afeto, a mãe sociopata usou a vingança (disfarçada de carência) pelo abandono do parceiro, demonizando a masculinidade do filho. Castrou seus sentimentos íntimos até condená-lo ao celibato. Toda vez que o filho infantilizado tentava romper essa barreira, em busca de uma vida adulta, a tortura vinha na forma de culpa pelo desamparo da mãe, a qual ele sofria por não entender exatamente o motivo. O resultado disso foi um homem com medo infundado de viver e condenado a uma vida solitária. Ciente dessa mãe controladora, Beau foi obrigado a conviver com sentimentos paradoxais em relacão a ela, dos quais não conseguiu se libertar tão forte é o elo materno. Foi julgado pela sua consciência e condenado a se afogar na própria covardia. O filme, que se desenvolve em formas alternativas na linguagem metafórica, mergulha no lado obscuro da maternidade. Achei brilhante!
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Os Olhos de Minha Mãe
3.6 184Um filme sombrio e, pertinentemente, em preto e branco, conta a história de uma garota de descendência portuguesa com traços de psicopatia. Talvez, por isso, foi levada pelos pais para ser criada longe da sociedade, em outro país e em algum lugar ermo, no campo. A mãe, que por um lado tentou ensinar o amor aos animais; de outro, ensinou tambem as habilidades (frias) de um cirurgião, profissão que abandonou em prol desse contexto. A situação de isolamento fez da mãe uma vítima assassinada por um outro psicopata na presença da filha, ainda menina, alimentando seus traços doentios. O pai, provavelmente já consumido pela situação, condenou o assassino ao pior castigo: os cuidados da filha. O desenrolar da história não seria outro que não os assassinatos em série com indícios de crueldade, após a perda dos pais. A menina orfã que herdou da mãe a obsessão pelos olhos, foi além da anatomia, controlou suas vítimas com a cegueira, e é capaz de despertar sentimentos ambíguos de pena e desprezo. Sua solidão não é falta de amor, que ela provavelmente nunca conheceu, mas a ausência de quem sempre a controlou. Gostei da fotografia, do enredo, da atuação dos atores e da direção.
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O Conde
3.2 104 Assista AgoraAmei a analogia, a fotografia e a sarcastica correspondência histórica. Uma narrativa nostálgica da vida de um vilão, suas relações familiares, amorosas, políticas e teológicas, que se resume em desprezo com a humanidade, considerada uma espécie inferior e servil. Uma cria predadora, que faz jus a sua origem. Um filho conveniente da ganância — a sedenta por domínio e poder!
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