O assunto é interessante, a fotografia é bonita, a trilha sonora é boa, os atores são bons. Mas, o tratamento me pareceu inadequado para justificar essa teimosia irredutível em relação a preceitos engolidos há tão pouco tempo: parece que tudo acontece no espaço de poucas semanas! As coisas não se resolvam bem, embora, sim, o grande mal por trás de tudo acabe parecendo o que realmente é: a fé irredutível em preceitos obtusos originários da Idade do Bronze e estampados em livros traduzidos (e corrompidos) ao longo da Idade Média, que move o psiquiatra, o paciente criminoso, a mídia, a justiça, os outros personagens, e a turba sedenta de sangue e novidade! Enfim!
Bonito. Questão atualíssima, a ser ainda adequadamente enfrentada no Brasil. Com o Congresso retrógrado que temos, mexer nisso agora seria dificultar e atrasar ainda mais esse enfrentamento.
Amei. Se o filme durasse mais umas duas horas, eu ficaria com prazer vendo e celebrando cada pequena (re)descoberta e novidade nesse mundo que pareceu morrer, mas renasce...
Embora pareça não empolgar muita gente, eu vi com bastante Interesse o filme, que tem passagens irritantes por seu reacionarismo, mas tem outras dignas de reflexão, com referências interessantes à Terra e à humanidade reais (veja exemplos disso na sequência de apresentação do programa aos participantes, a partir do minuto 00:08:00). O filme não é vazio, não. É bem distópico, se considerarmos o resultado geral do programa "Titan". Não aponta os grandes culpados por nossos desastres atuais (que redundam na necessidade de deslocar a humanidade para outro lugar, já que "nosso lar não nos serve mais"), mas revela um poder aterrador por trás desse laboratório, que é a própria Otan. Saí bem pensativo da sessão...
Gostei muito de "Austronaut". Sem espetacularidades, sem gratuidades, estimula a imaginação e deixa vibrando na gente (em mim, pelo menos) uma ousada pergunta repetida por muitos pelos séculos afora. Pergunta que vamos respondendo cada qual a seu modo...
Como acontece com qualquer filme romântico (bolly ou hollywoodiano), o mundo continua igual depois que acaba. Mas, para mim, todos os deuses foram aí magistralmente destroçados, exceto aquele único que não pode existir, o tal "deus que nos criou". Quase gozei com as perguntas do Tonto!
No geral, o filme não me pareceu melhor nem pior do que a maior parte dos mais célebres blockbusters de ficção cientifica ocidentais a que já assisti. Como gosto do gênero, viajei! Com um saborzinho adicional: as pieguices são mais inocentes (amor familial etc.) e só há no filme inteiro uma única menção a "Deus" (feita por um comandante russo em tom de brincadeira), além de uma única oração dedicada com muito bom-humor ao "poderoso Newton", ao "iluminado Einstein" e ao "Santo Hawking" (ao que alguém acrescenta, também de bom-humor apesar do desastre iminente: "e também Buda Amitaba"). Enfim! Duas horas que passam rapidinho. Eu me diverti.
Belíssimo filme. Embora tenha ficado com a pulga atrás da orelha pela maneira meio tosca como Kaige Chen pincela os acontecimentos políticos — sobre os quais, me parece, devemos olhar com mais cuidado —, seu foco em identificar as motivações humanas nos seus personagens não se perde um só momento. Essa conexão entre vida real e dramaturgia em torno do palco resultou numa linda narrativa. Além disso, as heranças cruéis, a decadência e, depois, a revitalização da Ópera de Pequim podem ser entendidas também como uma metáfora da China ao longo do último século. Filme inesquecível.
Perturbadoramente enternecedor. Mais um filme que me esfrega na cara o quanto vivi distante do grande sofrimento humano. Perto da miséria a que se refere Nadine Labaki, as minhas pequenas dores tornam-se levíssimas penas, um nada: vivi a vida inteira entre pessoas que me amavam, sempre tive o que comer, onde dormir, sempre pude estudar, trabalhar, viajar, me divertir... E pude amar. Tudo o que não fiz e o que não tive foi a realização de desejos para além daqueles que o natural da vida, naquele momento da minha história e da história do país me podia dar. Fico imaginando a pesquisa e o trabalho da diretora nas condições conflituosas em que faz cinema — e o cuidado com essas pessoas, principalmente com as crianças!
Já tinha namorado e renamorado este filme no Youtube e recentemente vi/ouvi a belíssima montagem com a trilha sonora. Agora acabo de ver a versão reduzida para o cinema (150 min). Eu diria que o filme todo é de uma beleza atroz. Enquanto nos afasta — pelos magníficos planos aéreos — da natureza e da presença humana na paisagem, nos aproxima quase radicalmente — pelos grandes planos das faces, dos olhares, dos sorrisos, das lágrimas — do sentimento profundo de ser humano.
Só não entendo por que a versão brasileira tinha de acabar com esse impreciso e prosaico subtítulo. No alemão, única outra língua para a qual adotaram um sobrenome pro filme, escolheram pelo menos "A humanidade", o que até é aceitável. Mas, "uma viagem pela vida"?! A vida é muito mais do que o humano.
Pobre a descrição do filme aqui e na Netflix. Contundente metáfora da humanidade na era da civilização, exacerbada nos nossos tempos sob a máquina trituradora do capitalismo liberal. Enquanto houver concentração de excedentes — do que quer que seja: alimentos, riqueza, beleza, informação, conhecimento — o poço estará operando.
Bonito. Recorre a alguns lugares-comuns nos filmes do gênero, mas não perde a linha da poesia.E se arredonda bem no final.Talvez seja por aí que vamos sair da pandemia da CoVid-19.
Nunca é tarde pra gente se defrontar com uma obra-prima. Embora eu respeite em toda a sua extensão o trabalho de Greenaway, fui protelando o encontro com "The pillow book" até hoje, quando o vi pela primeira vez — pois, com certeza, vou revê-lo ainda várias vezes. Feliz, depois de já ter visto tantos filmes, por me deparar com uma obra que me desafia e que me vence. Tudo, de pé a ponta, me fascinou. Além disso, me fez muito bem rever Yoshi Oida, cujo livro "Um ator errante" li há alguns anos e que está na hora de reler.
É surpreendente a beleza deste filme, não apenas por exibir de maneira cinematograficamente tão competente essa criação do Théâtre du Soleil, mas também pelo tema e pelo seu poder alusivo às relações contemporâneas da humanidade com o ambiente, submetidas sempre às ganâncias e às doenças do poder e da ignorância.
Godzilla: Minus One
4.0 565Assisti à versão em preto e branco. Valeu esse retorno aos primeiros monstros que me encantaram no cinema.
A Natureza das Coisas Invisíveis
3.7 25 Assista AgoraBelíssimo filme: denso poema audiovisual.
Blow-Up: Depois Daquele Beijo
3.9 379 Assista AgoraGrande filme. Continua sendo um grande filme. Cinema cinema.
The Penitent
2.9 2O assunto é interessante, a fotografia é bonita, a trilha sonora é boa, os atores são bons. Mas, o tratamento me pareceu inadequado para justificar essa teimosia irredutível em relação a preceitos engolidos há tão pouco tempo: parece que tudo acontece no espaço de poucas semanas!
As coisas não se resolvam bem, embora, sim, o grande mal por trás de tudo acabe parecendo o que realmente é: a fé irredutível em preceitos obtusos originários da Idade do Bronze e estampados em livros traduzidos (e corrompidos) ao longo da Idade Média, que move o psiquiatra, o paciente criminoso, a mídia, a justiça, os outros personagens, e a turba sedenta de sangue e novidade! Enfim!
Nascida para Você
3.8 5 Assista AgoraBonito. Questão atualíssima, a ser ainda adequadamente enfrentada no Brasil. Com o Congresso retrógrado que temos, mexer nisso agora seria dificultar e atrasar ainda mais esse enfrentamento.
Toquinho: Encontros e um Violão
3.7 2Saboroso documentário que me aproximou ainda mais de Toquinho e sua obra.
Akado Suzunosuke: Versão Kabuki
4.5 2Na impossibilidade de assistir a uma funçào presencial de kabuki, ver este filme foi gratificante. Muito bonito. A música é intensa.
Roma
4.1 1,3K Assista AgoraPerfeito! Domínio magistral da narrativa, remetendo ao próprio cinema daqueles anos. Elenco respeitável. Que direção!
Atlantique
3.6 127 Assista AgoraIngênuo, mas bonito, nessa costura de conto fantástico e pinceladas de questões sociais e culturais. Convida à contemplação.
IO: O Último na Terra
2.2 280 Assista AgoraAmei. Se o filme durasse mais umas duas horas, eu ficaria com prazer vendo e celebrando cada pequena (re)descoberta e novidade nesse mundo que pareceu morrer, mas renasce...
Titã
2.3 267Embora pareça não empolgar muita gente, eu vi com bastante Interesse o filme, que tem passagens irritantes por seu reacionarismo, mas tem outras dignas de reflexão, com referências interessantes à Terra e à humanidade reais (veja exemplos disso na sequência de apresentação do programa aos participantes, a partir do minuto 00:08:00). O filme não é vazio, não. É bem distópico, se considerarmos o resultado geral do programa "Titan". Não aponta os grandes culpados por nossos desastres atuais (que redundam na necessidade de deslocar a humanidade para outro lugar, já que "nosso lar não nos serve mais"), mas revela um poder aterrador por trás desse laboratório, que é a própria Otan. Saí bem pensativo da sessão...
Astronaut: The Last Push
2.7 3 Assista AgoraGostei muito de "Austronaut". Sem espetacularidades, sem gratuidades, estimula a imaginação e deixa vibrando na gente (em mim, pelo menos) uma ousada pergunta repetida por muitos pelos séculos afora. Pergunta que vamos respondendo cada qual a seu modo...
PK
4.2 93 Assista AgoraComo acontece com qualquer filme romântico (bolly ou hollywoodiano), o mundo continua igual depois que acaba. Mas, para mim, todos os deuses foram aí magistralmente destroçados, exceto aquele único que não pode existir, o tal "deus que nos criou".
Quase gozei com as perguntas do Tonto!
O Último Adeus
3.3 9Este é um dos filmes de que sempre tenho saudades. Principalmente do bem que me fez quando o vi.
Terra à Deriva
3.1 118No geral, o filme não me pareceu melhor nem pior do que a maior parte dos mais célebres blockbusters de ficção cientifica ocidentais a que já assisti. Como gosto do gênero, viajei! Com um saborzinho adicional: as pieguices são mais inocentes (amor familial etc.) e só há no filme inteiro uma única menção a "Deus" (feita por um comandante russo em tom de brincadeira), além de uma única oração dedicada com muito bom-humor ao "poderoso Newton", ao "iluminado Einstein" e ao "Santo Hawking" (ao que alguém acrescenta, também de bom-humor apesar do desastre iminente: "e também Buda Amitaba"). Enfim! Duas horas que passam rapidinho. Eu me diverti.
Adeus, Minha Concubina
4.2 103Belíssimo filme. Embora tenha ficado com a pulga atrás da orelha pela maneira meio tosca como Kaige Chen pincela os acontecimentos políticos — sobre os quais, me parece, devemos olhar com mais cuidado —, seu foco em identificar as motivações humanas nos seus personagens não se perde um só momento. Essa conexão entre vida real e dramaturgia em torno do palco resultou numa linda narrativa. Além disso, as heranças cruéis, a decadência e, depois, a revitalização da Ópera de Pequim podem ser entendidas também como uma metáfora da China ao longo do último século. Filme inesquecível.
Cafarnaum
4.6 692 Assista AgoraPerturbadoramente enternecedor. Mais um filme que me esfrega na cara o quanto vivi distante do grande sofrimento humano. Perto da miséria a que se refere Nadine Labaki, as minhas pequenas dores tornam-se levíssimas penas, um nada: vivi a vida inteira entre pessoas que me amavam, sempre tive o que comer, onde dormir, sempre pude estudar, trabalhar, viajar, me divertir... E pude amar. Tudo o que não fiz e o que não tive foi a realização de desejos para além daqueles que o natural da vida, naquele momento da minha história e da história do país me podia dar. Fico imaginando a pesquisa e o trabalho da diretora nas condições conflituosas em que faz cinema — e o cuidado com essas pessoas, principalmente com as crianças!
Humano - Uma Viagem pela Vida
4.7 325 Assista AgoraJá tinha namorado e renamorado este filme no Youtube e recentemente vi/ouvi a belíssima montagem com a trilha sonora. Agora acabo de ver a versão reduzida para o cinema (150 min). Eu diria que o filme todo é de uma beleza atroz. Enquanto nos afasta — pelos magníficos planos aéreos — da natureza e da presença humana na paisagem, nos aproxima quase radicalmente — pelos grandes planos das faces, dos olhares, dos sorrisos, das lágrimas — do sentimento profundo de ser humano.
Só não entendo por que a versão brasileira tinha de acabar com esse impreciso e prosaico subtítulo. No alemão, única outra língua para a qual adotaram um sobrenome pro filme, escolheram pelo menos "A humanidade", o que até é aceitável. Mas, "uma viagem pela vida"?! A vida é muito mais do que o humano.
O Poço
3.7 2,1K Assista AgoraPobre a descrição do filme aqui e na Netflix. Contundente metáfora da humanidade na era da civilização, exacerbada nos nossos tempos sob a máquina trituradora do capitalismo liberal. Enquanto houver concentração de excedentes — do que quer que seja: alimentos, riqueza, beleza, informação, conhecimento — o poço estará operando.
O Paradoxo Cloverfield
2.7 785 Assista AgoraQue pena!
Sentidos do Amor
4.1 1,2KBonito. Recorre a alguns lugares-comuns nos filmes do gênero, mas não perde a linha da poesia.E se arredonda bem no final.Talvez seja por aí que vamos sair da pandemia da CoVid-19.
Daddy and the Muscle Academy
3.7 1Gostoso de ver, de saber das histórias e das motivações por trás das figuras emblemáticas que povoam a obra de Tom of Finland.
O Livro de Cabeceira
3.8 78Nunca é tarde pra gente se defrontar com uma obra-prima. Embora eu respeite em toda a sua extensão o trabalho de Greenaway, fui protelando o encontro com "The pillow book" até hoje, quando o vi pela primeira vez — pois, com certeza, vou revê-lo ainda várias vezes. Feliz, depois de já ter visto tantos filmes, por me deparar com uma obra que me desafia e que me vence. Tudo, de pé a ponta, me fascinou. Além disso, me fez muito bem rever Yoshi Oida, cujo livro "Um ator errante" li há alguns anos e que está na hora de reler.
Tambores no Dique
4.4 1É surpreendente a beleza deste filme, não apenas por exibir de maneira cinematograficamente tão competente essa criação do Théâtre du Soleil, mas também pelo tema e pelo seu poder alusivo às relações contemporâneas da humanidade com o ambiente, submetidas sempre às ganâncias e às doenças do poder e da ignorância.