Achei mais difícil de aguentar do que a primeira: tudo é tão clichê e adivinhável, com tramas de conflito interno que surgem e são resolvidas num mesmo capítulo, nada carrega profundidade. Fiquei até o último capítulo perdendo um pouco da alma enquanto avançava.
As animações são bonitas, mas o universo é bastante genérico e sem profundidade. Não fiquei interessado em nenhum personagem em especial, e na resolução de nenhuma trama em particular. É ok, bacananinha, morno, sei lá.
Achei tão ruim quanto a primeira, com personagens ocos, roteiro bobinho e tal, mas me fez pensar mais no motivo pelo qual a série é atrativa tanto para a ala mais xucra e teen da direita, quanto para aquele pessoal, digamos, sem muito aprofundamento, formado politicamente pela internet.
A perspectiva da série é de entregar uma espécie de "bastidor do poder" que, curiosamente, tem revelações bastante simplórias: as corporações são más, o povo é gado, a mídia é mentirosa etc. Não há muito espaço para sinuosidade ou contradição em nenhum desses pontos: toda a sabedoria política da série cabe num tuíte.
The Boys é uma espécie de O Segredo, só que sobre política. Ao mesmo tempo em que dá ao público certa ilusão de poder, fazendo ele sentir que está vendo as coisas como elas realmente são, toda essa sabedoria vem sem nenhum custo intelectual e não é mais complexa do que o senso comum que o espectador já endossa.
Com isso, acho fácil imaginar as pessoas assistindo a série, sentindo que possuem uma perspectiva exclusiva das coisas (que lhes chegou pela TV, olhem só!) e, em seguida, levantando um discurso antisistema.
O roteiro é bem ruinzinho, com recursos narrativos bem toscos e personagens muito, muito pobres e caricatos. Com cinco minutos eu já queria parar de assistir. Os temas são razos e repetitivos, com uma crítica que pouco aprofunda, quase como um "manual de como criticar as corporações para quem nunca pensou no assunto e não vai pensar mais assim que a cena passar". Parece crítico, mas é só meio bobo, meio engajado demais em certa perspectiva.
De fato, o pátria é um personagem legal: tem passado, conflitos, boas cenas e tal, mas, em grande parte, ele é legal porque é o único personagem da série; os outros são só recursos de roteiro sem nenhuma camada de profundidade. Maeve até ameaça ter alguma interioridade, Starlight também, mas fica só nisso, na ameaça.
Depois de uns cinco capítulos a série melhora, ou a gente é que é vencido pela mediocridade e rebaixa o nosso critério de qualidade. Sei lá.
Nunca gostei de filmes de espionagem, achava tudo muito falso e bobo. Não obstante, adorei a série justamente pela apresentação de uma espionagem mais verossímil, com os métodos senso expostos e coisas assim. Muito bom.
A animação bonita, mas todo o restante é uma porcaria.
Deve ser um daqueles produtos que a galera lança no mercado visando um público alvo específico, sem nenhuma arte envolvida. Algum cara olha numa planilha e diz "precisamos de um shonen de porrada com protagonista jovens, poderzinhos para cobrir o público x e y" e, voilá, JK.
Tudo na obra é superficial e parece estar lá só como um pretexto para produzir um shonen de luta genérico. O protagonista é vazio, mas pouco importa. O sistema de poder não tem muita coerência, mas o autor não se detém muito nisso, pois não terá grande impacto na obra. A trama é boboca, os vilões são superficiais, mas nada disso importa muito já que os personagens são ocos e os acontecimentos não representam nada para eles. O que vale são as cenas de ação e coisas do tipo, sendo que mesmo quando a história acerta em algo, isso dificilmente é aprofundado, virando só um acerto ocasional.
Deve divertir uma galera, mas, particularmente, achei uma merda.
Achei a série razoavelmente divertida na primeira parte (a segunda achei um lixo), mas ela me causou uma rejeição inicial que só aumentou com o correr dos capítulos: a perda da sensação de literatura.
Eu não conheço todo o Sandman, mas a parte que conheço mantém um diálogo bem direto e interessante com a literatura (seja no texto, nos temas ou na forma), algo que dá características bem próprias à obra.
Ela contém uma ontologia que valida qualquer universo real ou fictício, o que produz duas consequências significativas. De um lado, essa ontologia cria uma enorme diversidade no cenário: há muitas raças, universos, conceitos e relações preenchendo as histórias. De outro, essa diversidade é um recurso para a variação narrativa, dizendo de outro modo, a diversidade não existe para criar um cenário acabado em que compreendemos o papel de cada agente nele, mas para variar a história. A variação existe para ser confusa mesmo, para quebrar um pouco a expectativa e permitir que nos fascinemos com algo que só se dá numa experiência muito diferente daquelas que esperamos. Por isso, cada nova história desenvolve novos mundos (e novos Sandmans) que nos propiciam novas experiências. Em suma, quero dizer que Sandman não é bem um círculo que em algum momento se fecha, mas uma linha reta que sempre segue em frente. E para continuar seguindo ela precisa dialogar com outras coisas — textos, formatos, conceitos — que, geralmente, o autor busca na literatura.
Para entrar no formato de seriado, contudo, a série reorganiza os contos de forma linear, corta as ambiguidades e explica aquilo que é estranho, construindo uma narrativa coesa, palatável, em que qualquer elemento cênico é rapidamente desvelado. O resultado disso é o desaparecimento das sutilezas, da inventividade da obra original, bem como o empobrecimento dos temas, o que transforma Sandman numa obra bastante familiar para quem acompanha séries da Netflix, pois não é diferente delas.
Como disse, achei divertido; só que não é bem Sandman: é Netflix.
A arte é bonita e há boas ideias, mas nada é muito coerente ou bem desenvolvido.
O tom da história oscila ao longo dos capítulos, como se o autor ainda estivesse tentando descobrir o que fazer e como conciliar o humor e o drama.
Além disso, as tramas dos personagens aparecem e desaparecem (o passado do pai e da filha, o trabalho da mãe) de acordo com a conveniência de cada cena. Os personagens possuem questões, passado, motivações, porém são reduzidos a um recurso para piadas pontuais. E digo pontuais porque, embora existam capítulos mais fechados, a maioria deles não tem coerência. Vários deles são anedóticos e inverossímeis até quando nem têm essa a intenção, ao passo que os capítulos dramáticos não conseguem aprofundar os personagens. Ao que parece, a perspectiva de criar um arco, de aprofundar e desenvolver o que é posto, está aquém da capacidade do autor.
A relação entre pai e mãe, por exemplo, é extremamente infantilizada, malgrado ambos sejam adultos envolvidos com assuntos e ações complexas. Ora, qual a justificativa dessa infantilidade na obra? Seria para manter o tom infanto juvenil e contrariar a parcela mais bobinha do público? Seria um machismo do próprio autor, que repete esse clichê insuportável da oriental boazuda, infantil e submissa?
Confesso que não sei, mas penso que a série cresceria muito se conseguisse representar dois personagens que não fossem só estereótipos (de espião, assassina, homem, mulher e adulto). A própria Anya, inclusive, tem um espectro emocional mais amplo que os pais — o autor só sabe escrever sobre crianças e da perspectiva de uma criança? Todos os personagens são interessantes, mas rasos, o que acaba fazendo da série uma piada, vez e outra engraçada, mas quase sempre um desperdício.
Não achei a série ótima, mas é bem legal, com as coisas sendo minimamente bem construídas ao longo dos episódios. Depois de ter visto um monte de bombas, essa aqui foi ao menos divertida e coesa.
A primeira temporada já tinha problemas com diálogos, mas esse segunda, nossa, que horror. Poderiam ter lido um pouco dos livros ou dos jogos, que possuem boas linhas, pois ficou insuportável. Os personagens também não ganharam a profundidade que poderiam: Vesemir virou só um bundão e, no meio de uma invasão imperial, conseguiram reduzir o único assunto do mundo todo à Ciri: todos os núcleos orbitam em torno dela, que é só uma menina sem graça. Apesar disso, toda a parte de efeitos ficou linda ─ se os personagens ficassem quietos em vez de dizer platitudes, talvez fosse até mais fácil aproveitá-la.
Superficial demais. Até o fim da história não sei se passou pela tela alguém que se pudesse chamar propriamente de "personagem", quer dizer, que tivesse traços de personalidade, motivação, conflito e tal. Tudo é muito superficial e vai se desenrolando sem muita importância, sendo que a cada capítulo coisas grandiosas ocorrem sem nunca vencer a sensação de "tanto faz".
Um lixo. Tanta coisa boa poderia ganhar uma animação e não ganha, aí uma merda dessa é lançada num serviço super popular como a netflix, tomando o espaço de boas produções. Que droga.
Ainda que tenha personagens principais responsáveis por fazer a trama avançar, Paranoia agent não possui protagonista e não conta a “história de alguém”. Cada episódio orbita em torno de um novo personagem e apresenta sua circunstância, além disso, como cada personagem é também uma nova vítima, suas histórias servem para dar continuidade à sequência de crimes e à trama principal. Trata-se de uma estrutura de “histórias dentro da história” em que a trama geral é apresentada por meio da circunstância específica dos indivíduos.
Essa variação também serve de pretexto para a mudança do estilo narrativo do anime, pois cada episódio expõe alguém novo de um modo novo. Não há repetição do estilo narrativo, pois cada narrativa se adequa às idiossincrasias de cada personagem e episódio.
Inclusive, creio que seja defensável interpretar que essa narrativa diversificada tem preponderância sobre a resolução da trama, quer dizer, o anime se concentra mais na forma de contar que na apresentação de uma história que precise ser resolvida. Embora os primeiros episódios sejam bastante sóbrios, essa sobriedade inicial serve para nos situar numa história que, gradativamente, diversificará sua narrativa. Do meio do anime para frente os episódios se desprendem bastante da trama principal e alguns até se permitem levá-la a lugar algum. A partir de certo ponto já nem sabemos se o anime resolverá a trama principal ou se apenas continuaremos vivenciando histórias “experimentais” seguidas uma da outra.
Apesar disso, nem mesmo os episódios mais malucos fogem da proposta temática da obra ou soam como um engodo para estender sua duração ─ eles fazem parte da experiência que ela proporciona.
A exemplo disso, o nono episódio decorre como um pequeno “laboratório sociológico” sem compromisso com o andamento da história. Trata-se de um capítulo inteiro só de fofocas entre senhoras em que nenhum acontecimento é suscitado para os episódios posteriores ─ são apenas histórias que velhinhas contam para passar o tempo. As próprias personagens também não são relevantes para a resolução da trama principal, nem terão qualquer função mais tarde; elas são apenas pessoas daquele universo.
Diante disso seria simples perguntar pelo sentido de um capítulo que não traz avanços na história, que não desenvolve personagens relevantes ou avança qualquer passo à frente; todavia, depois de passarmos por vários episódios com bastante liberdade narrativa, fica evidente que o anime não prioriza exatamente a história, mas uma perspectiva construída ao longo dos episódios. Como consequência disso, mesmo num episódio maluco em que acompanharmos senhoras que fofocam, conseguimos perceber temáticas, chistes e críticas costuradas ao longo de suas falas. Conquanto nada esteja acontecendo na história, a proposta do anime continua a ser muito bem executada.
Sobre o oitavo episódio
De agora em diante, eu gostaria de tratar um pouco das questões que permeiam o oitavo episódio, meu favorito. Nele um grupo de suicidas se encontra regularmente num fórum na internet para discutir métodos de suicídio, sentimentos e coisas dessa sorte, porém tudo é feito em anonimato e nenhum dos membros do fórum sabe nada a respeito do outro. O episódio começa quando três deles decidem se encontrar presencialmente para se suicidar juntos, um trio composto de um homem de meia idade, um velho e uma menina de uns dez anos.
Como o silêncio é uma espécie de combinado entre eles, não ficamos cientes dos conflitos internos desses personagens. Por que a criança quer morrer? Por que o velho o quer? Nenhuma resposta nos é dada e coisa alguma descobrimos da subjetividade de cada um.
Ao longo do episódio o trio flana pela cidade procurando uma forma de morrer e nos deixa na expectativa de que, a qualquer momento, ele consiga. Mas embora a busca pela morte seja o mote do episódio, a morte não vêm, as tentativas de suicídio dos personagens falham e o episódio termina sem sabermos se eles conseguirão se suicidar ou não.
Bem, meu argumento aqui consiste em defender que há uma estrutura conceitual por detrás desse suicídio inconcretizado e que ela depende do anonimato do trio.
Primeiramente, a decisão de morrer tem um efeito curioso nos personagens que é libertá-los de seus fardos. Sem um amanhã com que se preocupar, eles não precisam mais ponderar sobre coisa alguma ou arcar com qualquer responsabilidade, podendo viver de forma despojada e leve já que logo estarão mortos.
Além disso, como os personagens são desconhecidos uns dos outros e querem se manter assim, nenhuma informação a respeito de suas interioridades é compartilhada e nada descobrimos a esse respeito. Isso faz com que não exista nenhuma questão interna a ser resolvida ao longo do episódio e com que a trama se desenvolva inteiramente no âmbito da ação ─ os acontecimentos (e não os pensamentos ou sentimentos, por exemplo) são o que fazem o episódio avançar. O anonimato pretere suas identidades e dramas interiores, fazendo com que os personagens possam aproveitar seu encontro sem qualquer pendência psicológica.
Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é pae8_shot5.png Como consequência disso, há peso e leveza nesse episódio. A decisão de morrer suscita peso por apresentar personagens que podem sucumbir de forma horrível a qualquer momento, ao mesmo tempo em que também suscita leveza quando os mostra desprendidos, simplesmente aproveitando a companhia uns dos outros. Malgrado as conversas sobre morte, o encontro é descontraído e feliz.
Curiosamente, a leveza não elimina o peso ou vice e versa, ambos estão presentes ao mesmo tempo sem se anular. A última cena, inclusive, concentra bem essa ambiguidade ao mostrar o trio a passear contente em seu segundo encontro (o primeiro não os matou). Será que morrerão nesse novo encontro? Ou será que descobriram certa felicidade nesse inusitado momento a três?
O anime não dá essa resposta, mas também não esperamos que ele dê.
Confesso que passei o capítulo todo esperando um banho de sangue (os personagens chegam muito perto de morrer em alguns momentos) e o terminei dando risada ─ sublime!
A gente vê um Full Metal, um Cowboy Bebop, um Akira, depois passamos a vida toda à procura de experiências igualmente boas. No meio, temos que passar pelas coisas que são insignificantes ou simplesmente ruins. Akame Ga Kill está aí: tem vários elementos até interessantes, mas não desenvolve nenhum. A trama segue sem aprofundar o drama ou as motivações dos personagens, há toda uma questão política no mundo que não é desenvolvida (mas devemos simplesmente supor que acontece, pois ela é fundamental para a história). Enquanto assistia, a frase que mais surgia em minha mente era "que merda" e acho que ela fica como minha opinião geral sobre o anima: é assistível, mas que merda.
Achei bem dirigida e tudo, mas nada extraordinária. Os acontecimentos no presentes meio que ficam parados até o final da série, existindo pouca ação do médico ou das pessoas em torno de Grace e a história dela meio que não tem solução, ficando no campo do "pode ser que".
A Lenda de Vox Machina (2ª Temporada)
4.2 44 Assista AgoraAchei mais difícil de aguentar do que a primeira: tudo é tão clichê e adivinhável, com tramas de conflito interno que surgem e são resolvidas num mesmo capítulo, nada carrega profundidade. Fiquei até o último capítulo perdendo um pouco da alma enquanto avançava.
A Lenda de Vox Machina (1ª Temporada)
4.1 75 Assista AgoraAs animações são bonitas, mas o universo é bastante genérico e sem profundidade. Não fiquei interessado em nenhum personagem em especial, e na resolução de nenhuma trama em particular. É ok, bacananinha, morno, sei lá.
Orbe: Sobre os Movimentos da Terra
4.4 13 Assista AgoraExcelente. Fazia um tempão que eu não encontrava um bom anime para assistir.
The Boys (2ª Temporada)
4.3 665 Assista AgoraAchei tão ruim quanto a primeira, com personagens ocos, roteiro bobinho e tal, mas me fez pensar mais no motivo pelo qual a série é atrativa tanto para a ala mais xucra e teen da direita, quanto para aquele pessoal, digamos, sem muito aprofundamento, formado politicamente pela internet.
A perspectiva da série é de entregar uma espécie de "bastidor do poder" que, curiosamente, tem revelações bastante simplórias: as corporações são más, o povo é gado, a mídia é mentirosa etc. Não há muito espaço para sinuosidade ou contradição em nenhum desses pontos: toda a sabedoria política da série cabe num tuíte.
The Boys é uma espécie de O Segredo, só que sobre política. Ao mesmo tempo em que dá ao público certa ilusão de poder, fazendo ele sentir que está vendo as coisas como elas realmente são, toda essa sabedoria vem sem nenhum custo intelectual e não é mais complexa do que o senso comum que o espectador já endossa.
Com isso, acho fácil imaginar as pessoas assistindo a série, sentindo que possuem uma perspectiva exclusiva das coisas (que lhes chegou pela TV, olhem só!) e, em seguida, levantando um discurso antisistema.
The Boys (1ª Temporada)
4.3 837 Assista AgoraO roteiro é bem ruinzinho, com recursos narrativos bem toscos e personagens muito, muito pobres e caricatos. Com cinco minutos eu já queria parar de assistir. Os temas são razos e repetitivos, com uma crítica que pouco aprofunda, quase como um "manual de como criticar as corporações para quem nunca pensou no assunto e não vai pensar mais assim que a cena passar". Parece crítico, mas é só meio bobo, meio engajado demais em certa perspectiva.
De fato, o pátria é um personagem legal: tem passado, conflitos, boas cenas e tal, mas, em grande parte, ele é legal porque é o único personagem da série; os outros são só recursos de roteiro sem nenhuma camada de profundidade. Maeve até ameaça ter alguma interioridade, Starlight também, mas fica só nisso, na ameaça.
Depois de uns cinco capítulos a série melhora, ou a gente é que é vencido pela mediocridade e rebaixa o nosso critério de qualidade. Sei lá.
Le Bureau des Légendes (1ª Temporada)
4.3 6Nunca gostei de filmes de espionagem, achava tudo muito falso e bobo. Não obstante, adorei a série justamente pela apresentação de uma espionagem mais verossímil, com os métodos senso expostos e coisas assim. Muito bom.
The Umbrella Academy (3ª Temporada)
3.5 178 Assista AgoraUm profundo mergulho na fossa.
The Tick (1ª Temporada)
3.6 40 Assista AgoraÉ assistível se você tiver alguma tolerância para coisas ruins.
Jujutsu Kaisen (2ª Temporada)
4.2 80 Assista AgoraAs animações continuam bem bonitas, mas o conteúdo é tão raso e vazio, dá para assistir no mudo enquanto faz outras coisas.
Jujutsu Kaisen (1ª Temporada)
4.3 173 Assista AgoraA animação bonita, mas todo o restante é uma porcaria.
Deve ser um daqueles produtos que a galera lança no mercado visando um público alvo específico, sem nenhuma arte envolvida. Algum cara olha numa planilha e diz "precisamos de um shonen de porrada com protagonista jovens, poderzinhos para cobrir o público x e y" e, voilá, JK.
Tudo na obra é superficial e parece estar lá só como um pretexto para produzir um shonen de luta genérico.
O protagonista é vazio, mas pouco importa. O sistema de poder não tem muita coerência, mas o autor não se detém muito nisso, pois não terá grande impacto na obra. A trama é boboca, os vilões são superficiais, mas nada disso importa muito já que os personagens são ocos e os acontecimentos não representam nada para eles.
O que vale são as cenas de ação e coisas do tipo, sendo que mesmo quando a história acerta em algo, isso dificilmente é aprofundado, virando só um acerto ocasional.
Deve divertir uma galera, mas, particularmente, achei uma merda.
Sandman (1ª Temporada)
4.1 614 Assista AgoraAchei a série razoavelmente divertida na primeira parte (a segunda achei um lixo), mas ela me causou uma rejeição inicial que só aumentou com o correr dos capítulos: a perda da sensação de literatura.
Eu não conheço todo o Sandman, mas a parte que conheço mantém um diálogo bem direto e interessante com a literatura (seja no texto, nos temas ou na forma), algo que dá características bem próprias à obra.
Ela contém uma ontologia que valida qualquer universo real ou fictício, o que produz duas consequências significativas. De um lado, essa ontologia cria uma enorme diversidade no cenário: há muitas raças, universos, conceitos e relações preenchendo as histórias. De outro, essa diversidade é um recurso para a variação narrativa, dizendo de outro modo, a diversidade não existe para criar um cenário acabado em que compreendemos o papel de cada agente nele, mas para variar a história. A variação existe para ser confusa mesmo, para quebrar um pouco a expectativa e permitir que nos fascinemos com algo que só se dá numa experiência muito diferente daquelas que esperamos. Por isso, cada nova história desenvolve novos mundos (e novos Sandmans) que nos propiciam novas experiências.
Em suma, quero dizer que Sandman não é bem um círculo que em algum momento se fecha, mas uma linha reta que sempre segue em frente. E para continuar seguindo ela precisa dialogar com outras coisas — textos, formatos, conceitos — que, geralmente, o autor busca na literatura.
Para entrar no formato de seriado, contudo, a série reorganiza os contos de forma linear, corta as ambiguidades e explica aquilo que é estranho, construindo uma narrativa coesa, palatável, em que qualquer elemento cênico é rapidamente desvelado.
O resultado disso é o desaparecimento das sutilezas, da inventividade da obra original, bem como o empobrecimento dos temas, o que transforma Sandman numa obra bastante familiar para quem acompanha séries da Netflix, pois não é diferente delas.
Como disse, achei divertido; só que não é bem Sandman: é Netflix.
Spy x Family (1ª Temporada - Parte I)
4.4 77 Assista AgoraA arte é bonita e há boas ideias, mas nada é muito coerente ou bem desenvolvido.
O tom da história oscila ao longo dos capítulos, como se o autor ainda estivesse tentando descobrir o que fazer e como conciliar o humor e o drama.
Além disso, as tramas dos personagens aparecem e desaparecem (o passado do pai e da filha, o trabalho da mãe) de acordo com a conveniência de cada cena. Os personagens possuem questões, passado, motivações, porém são reduzidos a um recurso para piadas pontuais. E digo pontuais porque, embora existam capítulos mais fechados, a maioria deles não tem coerência. Vários deles são anedóticos e inverossímeis até quando nem têm essa a intenção, ao passo que os capítulos dramáticos não conseguem aprofundar os personagens. Ao que parece, a perspectiva de criar um arco, de aprofundar e desenvolver o que é posto, está aquém da capacidade do autor.
A relação entre pai e mãe, por exemplo, é extremamente infantilizada, malgrado ambos sejam adultos envolvidos com assuntos e ações complexas. Ora, qual a justificativa dessa infantilidade na obra? Seria para manter o tom infanto juvenil e contrariar a parcela mais bobinha do público? Seria um machismo do próprio autor, que repete esse clichê insuportável da oriental boazuda, infantil e submissa?
Confesso que não sei, mas penso que a série cresceria muito se conseguisse representar dois personagens que não fossem só estereótipos (de espião, assassina, homem, mulher e adulto). A própria Anya, inclusive, tem um espectro emocional mais amplo que os pais — o autor só sabe escrever sobre crianças e da perspectiva de uma criança? Todos os personagens são interessantes, mas rasos, o que acaba fazendo da série uma piada, vez e outra engraçada, mas quase sempre um desperdício.
Sword Art Online (1ª Temporada)
4.0 168Lixo para pré-adolescentes. Nem se deveria animar uma coisa dessas.
Overlord
3.8 32 Assista AgoraSó funciona com gente muito jovem, lixo demais.
One Piece: East Blue (Saga 1)
4.4 113 Assista AgoraAchei legal, mas cansativo, com muita sobra. Não vou conseguir ir adiante.
Invencível (1ª Temporada)
4.3 417 Assista AgoraNão achei a série ótima, mas é bem legal, com as coisas sendo minimamente bem construídas ao longo dos episódios. Depois de ter visto um monte de bombas, essa aqui foi ao menos divertida e coesa.
The Witcher (2ª Temporada)
3.8 280A primeira temporada já tinha problemas com diálogos, mas esse segunda, nossa, que horror. Poderiam ter lido um pouco dos livros ou dos jogos, que possuem boas linhas, pois ficou insuportável. Os personagens também não ganharam a profundidade que poderiam: Vesemir virou só um bundão e, no meio de uma invasão imperial, conseguiram reduzir o único assunto do mundo todo à Ciri: todos os núcleos orbitam em torno dela, que é só uma menina sem graça. Apesar disso, toda a parte de efeitos ficou linda ─ se os personagens ficassem quietos em vez de dizer platitudes, talvez fosse até mais fácil aproveitá-la.
Grancrest Senki
3.7 9Superficial demais. Até o fim da história não sei se passou pela tela alguém que se pudesse chamar propriamente de "personagem", quer dizer, que tivesse traços de personalidade, motivação, conflito e tal. Tudo é muito superficial e vai se desenrolando sem muita importância, sendo que a cada capítulo coisas grandiosas ocorrem sem nunca vencer a sensação de "tanto faz".
Sem Saída
3.2 39Um lixo. Tanta coisa boa poderia ganhar uma animação e não ganha, aí uma merda dessa é lançada num serviço super popular como a netflix, tomando o espaço de boas produções. Que droga.
Paranoia Agent
4.4 56 Assista AgoraAlgumas palavrinhas sobre o anime
Ainda que tenha personagens principais responsáveis por fazer a trama avançar, Paranoia agent não possui protagonista e não conta a “história de alguém”. Cada episódio orbita em torno de um novo personagem e apresenta sua circunstância, além disso, como cada personagem é também uma nova vítima, suas histórias servem para dar continuidade à sequência de crimes e à trama principal. Trata-se de uma estrutura de “histórias dentro da história” em que a trama geral é apresentada por meio da circunstância específica dos indivíduos.
Essa variação também serve de pretexto para a mudança do estilo narrativo do anime, pois cada episódio expõe alguém novo de um modo novo. Não há repetição do estilo narrativo, pois cada narrativa se adequa às idiossincrasias de cada personagem e episódio.
Inclusive, creio que seja defensável interpretar que essa narrativa diversificada tem preponderância sobre a resolução da trama, quer dizer, o anime se concentra mais na forma de contar que na apresentação de uma história que precise ser resolvida. Embora os primeiros episódios sejam bastante sóbrios, essa sobriedade inicial serve para nos situar numa história que, gradativamente, diversificará sua narrativa. Do meio do anime para frente os episódios se desprendem bastante da trama principal e alguns até se permitem levá-la a lugar algum. A partir de certo ponto já nem sabemos se o anime resolverá a trama principal ou se apenas continuaremos vivenciando histórias “experimentais” seguidas uma da outra.
Apesar disso, nem mesmo os episódios mais malucos fogem da proposta temática da obra ou soam como um engodo para estender sua duração ─ eles fazem parte da experiência que ela proporciona.
A exemplo disso, o nono episódio decorre como um pequeno “laboratório sociológico” sem compromisso com o andamento da história. Trata-se de um capítulo inteiro só de fofocas entre senhoras em que nenhum acontecimento é suscitado para os episódios posteriores ─ são apenas histórias que velhinhas contam para passar o tempo. As próprias personagens também não são relevantes para a resolução da trama principal, nem terão qualquer função mais tarde; elas são apenas pessoas daquele universo.
Diante disso seria simples perguntar pelo sentido de um capítulo que não traz avanços na história, que não desenvolve personagens relevantes ou avança qualquer passo à frente; todavia, depois de passarmos por vários episódios com bastante liberdade narrativa, fica evidente que o anime não prioriza exatamente a história, mas uma perspectiva construída ao longo dos episódios. Como consequência disso, mesmo num episódio maluco em que acompanharmos senhoras que fofocam, conseguimos perceber temáticas, chistes e críticas costuradas ao longo de suas falas. Conquanto nada esteja acontecendo na história, a proposta do anime continua a ser muito bem executada.
Sobre o oitavo episódio
De agora em diante, eu gostaria de tratar um pouco das questões que permeiam o oitavo episódio, meu favorito. Nele um grupo de suicidas se encontra regularmente num fórum na internet para discutir métodos de suicídio, sentimentos e coisas dessa sorte, porém tudo é feito em anonimato e nenhum dos membros do fórum sabe nada a respeito do outro. O episódio começa quando três deles decidem se encontrar presencialmente para se suicidar juntos, um trio composto de um homem de meia idade, um velho e uma menina de uns dez anos.
Como o silêncio é uma espécie de combinado entre eles, não ficamos cientes dos conflitos internos desses personagens. Por que a criança quer morrer? Por que o velho o quer? Nenhuma resposta nos é dada e coisa alguma descobrimos da subjetividade de cada um.
Ao longo do episódio o trio flana pela cidade procurando uma forma de morrer e nos deixa na expectativa de que, a qualquer momento, ele consiga. Mas embora a busca pela morte seja o mote do episódio, a morte não vêm, as tentativas de suicídio dos personagens falham e o episódio termina sem sabermos se eles conseguirão se suicidar ou não.
Bem, meu argumento aqui consiste em defender que há uma estrutura conceitual por detrás desse suicídio inconcretizado e que ela depende do anonimato do trio.
Primeiramente, a decisão de morrer tem um efeito curioso nos personagens que é libertá-los de seus fardos. Sem um amanhã com que se preocupar, eles não precisam mais ponderar sobre coisa alguma ou arcar com qualquer responsabilidade, podendo viver de forma despojada e leve já que logo estarão mortos.
Além disso, como os personagens são desconhecidos uns dos outros e querem se manter assim, nenhuma informação a respeito de suas interioridades é compartilhada e nada descobrimos a esse respeito. Isso faz com que não exista nenhuma questão interna a ser resolvida ao longo do episódio e com que a trama se desenvolva inteiramente no âmbito da ação ─ os acontecimentos (e não os pensamentos ou sentimentos, por exemplo) são o que fazem o episódio avançar. O anonimato pretere suas identidades e dramas interiores, fazendo com que os personagens possam aproveitar seu encontro sem qualquer pendência psicológica.
Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é pae8_shot5.png
Como consequência disso, há peso e leveza nesse episódio. A decisão de morrer suscita peso por apresentar personagens que podem sucumbir de forma horrível a qualquer momento, ao mesmo tempo em que também suscita leveza quando os mostra desprendidos, simplesmente aproveitando a companhia uns dos outros. Malgrado as conversas sobre morte, o encontro é descontraído e feliz.
Curiosamente, a leveza não elimina o peso ou vice e versa, ambos estão presentes ao mesmo tempo sem se anular. A última cena, inclusive, concentra bem essa ambiguidade ao mostrar o trio a passear contente em seu segundo encontro (o primeiro não os matou). Será que morrerão nesse novo encontro? Ou será que descobriram certa felicidade nesse inusitado momento a três?
O anime não dá essa resposta, mas também não esperamos que ele dê.
Confesso que passei o capítulo todo esperando um banho de sangue (os personagens chegam muito perto de morrer em alguns momentos) e o terminei dando risada ─ sublime!
Planet With
3.7 2Tem todo um mérito em relação à coerência, mas é raso e chatinho pra caramba. Me pareceu uma versão (bem) mais fraca de Gurren Lagann.
The Umbrella Academy (1ª Temporada)
3.9 565Que roteiro terrível, meu deus.
Akame ga Kill!
4.0 103 Assista AgoraA gente vê um Full Metal, um Cowboy Bebop, um Akira, depois passamos a vida toda à procura de experiências igualmente boas. No meio, temos que passar pelas coisas que são insignificantes ou simplesmente ruins. Akame Ga Kill está aí: tem vários elementos até interessantes, mas não desenvolve nenhum. A trama segue sem aprofundar o drama ou as motivações dos personagens, há toda uma questão política no mundo que não é desenvolvida (mas devemos simplesmente supor que acontece, pois ela é fundamental para a história). Enquanto assistia, a frase que mais surgia em minha mente era "que merda" e acho que ela fica como minha opinião geral sobre o anima: é assistível, mas que merda.
Alias Grace
4.1 279 Assista AgoraAchei bem dirigida e tudo, mas nada extraordinária. Os acontecimentos no presentes meio que ficam parados até o final da série, existindo pouca ação do médico ou das pessoas em torno de Grace e a história dela meio que não tem solução, ficando no campo do "pode ser que".