Achei mais difícil de aguentar do que a primeira: tudo é tão clichê e adivinhável, com tramas de conflito interno que surgem e são resolvidas num mesmo capítulo, nada carrega profundidade. Fiquei até o último capítulo perdendo um pouco da alma enquanto avançava.
As animações são bonitas, mas o universo é bastante genérico e sem profundidade. Não fiquei interessado em nenhum personagem em especial, e na resolução de nenhuma trama em particular. É ok, bacananinha, morno, sei lá.
Achei muito bom, sobretudo pela escolha curiosa de deixar lacunas, de ser anticlimático na conclusão, como se a história fosse até o limite do que foi possível resgatar dela. A direção está bem bonita e a trilha sonora muito bem escolhida.
Bem lindo, sensível e, ao mesmo tempo, despretencioso, não querendo ser senão o que é. Gostei ainda mais do que o "Petite maman", mas continuarei a ver mais coisas dessa diretora.
Tenho visto em sequência os filmes do Dario Argento e acho que ainda não vou parar. Comecei com “Suspiria”, depois “Phenomena”, “Inferno” e agora “Profondo rosso”. Esse último foi o que mais me impactou; o mais inabarcável, digamos assim.
Lembro que quando vi “Lisa e o diabo”, do Mario Bava, tive uma sensação parecida: não gostei da experiência do filme, mas quanto mais eu pensava sobre ela, mais encontrava camadas e mais camadas de intenção e significado no filme. Com Profondo Rosso se deu o mesmo: fiquei incomodado com a quantidade de problemas que o filme possui e não aproveitei a experiência. Porém, é nítido que a direção é consciente desses problemas e não se importa nada com eles, bem como é nítido que o diretor é excepcional naquilo a que se dedica.
O filme é visualmente lindo, a direção é inventiva nos enquadramentos das câmeras, no aproveitamento dos ambientes e uso das cores. Além disso, o enredo é interessante e está repleto de sacadas inteligentes. Várias coisas descobertas ao longo da história abrem uma nova interpretação para os eventos já assistidos, tornando uma segunda visita ao filme ainda mais rica. O mais extraordinário nesse sentido é a audácia do filme que, tendo uma “trama de detetive”,
mostra o assassino logo no início, mas conduz a cena tão bem que, assim como o protagonista, você só percebe o que viu no final.
Não sei se gostei de “Profondo Rosso” — tendo a achar que não — mas é um filme que quero rever e, principalmente, não posso deixar de me surpreender com esse sujeito fantástico que é o Dario Argento.
É visualmente muito bonito, mas não funciona muito bem como narrativa, pois os personagens meio que vão do nada ao nada, nem como uma narrativa mais sensorial e estética, pois o filme se preocupa com a narrativa, mas não o bastante para deixa-la coesa. Particularmente, não gostei, embora tenha algumas boas cenas e um visual muito bom.
Não curti, mas a direção é tão boa. O começo é impecável, com as motivações todas claras, os elementos sendo apresentados e, depois, recuperados, muito bom. Do meio para frente ele perde um pouco o ritmo e tem uma variação esquisita de tom, que começa cômico e vai ao gore, mas é um filme cheio de qualidades.
É um filme que nem sei dizer se gostei ou não, mas é tão bem executado, com roteiro conciso, maquiagem e efeitos ótimos. É realmente o trabalho de alguém que possui uma perspectiva própria, que conta com bons atores e que poliu seu projeto magnificamente. Goste-se ou não, é um filme muito bom.
No geral, o filme é bem legal, embora certamente não agrade a todos, mesmo dentre os fãs de filme de terror.
Para começar, ele tem um orçamento baixo e sofre com efeitos especiais nada requintados, o que fica ainda pior por se tratar de uma obra dos anos setenta do século passado, quando o “mais avançado possível” não era tão avançado assim. Como consequência disso, não há nenhuma cena na obra, a meu ver, que consiga nos enganar a respeito dos efeitos: os bonecos parecem bonecos, os efeitos computacionais são claramente efeitos computacionais e assim por diante. Não há nenhum momento em que sejamos capturados pela ilusão desses recursos. A bem da verdade, é mais o contrário: a simplicidade desses recursos nos tira da imersão do filme por serem tão rudimentares.
Ressalto esse aspecto não porque eu queira criticar o baixo orçamento e o resultado dele, algo que seria bobo fazer, mas porque esse aspecto rudimentar do filme o impacta em vários sentidos. Suspiria apresenta uma série de ambiguidades, com cenas que produzem simultaneamente sensações contrárias — beleza e feiura, susto e riso — sem que fique claro o quão intencionais elas são. Numa cena, por exemplo, podemos ser conduzidos ao terror e, diante de um elemento cênico claramente pobre, sermos levados em seuida ao riso. Mas causar o riso foi intencional? Esse tipo de dúvida surge em vários momentos da obra, tornando difícil precisar quando a direção está errando, acertando, ou mesmo produzindo certo efeito conscientemente.
Independentemente disso, algumas escolhas da direção são bastante evidentes e geram resultados notáveis. O filme brinca bastante com contrastes, mostrando tomadas geométricas, claras, ao mesmo tempo em que coloca uma trilha sonora misteriosa e frequentemente ruidosa. Por sinal, acho que nunca vi um filme tão barulhento quanto esse. Deve ser um espetáculo assisti-lo no cinema.
Os temas que ele carrega são curiosos, pois não são dispostos de maneira a serem resolvidos dentro do roteiro, como situações que precisassem da ação dos personagens para serem concluídas. Seus temas mais estéticos, mais próximos da música do que da literatura, eles permeiam a experiência de forma não rigorosa, sem requerer uma resolução muito clara. A bruxaria, a ganância, a arte, a decadência moral, está tudo lá, mas mais como alusões, como frases no meio de uma harmonia que está no plano principal. A esse respeito, mesmo a paleta de cores da obra, que é o argumento clássico usado para fazer as pessoas assisti-lo, não é exatamente coerente quando tentamos estabelecer o que cada cor significa. Precisão não é bem o foco do filme, a não ser como elemento a ser diluído.
Se porventura estivéssemos tratando de outro filme, essa bagunça seria problemática, contudo Suspiria faz parte de um gênero em que esses elementos estão muito bem estabelecidos, que é o que vou chamar aqui de “cinema clássico de terror”, mas algum crítico deve ter dado um nome melhor. Estou me referindo a filmes como Nosferatu de Murnau, Cat People de Tourneur, À meia noite levarei tua alma de Zé do Caixão, os filmes de terror do Mario Bava ou mesmo o primeiro Clock Tower no Super Nintendo. Em tais obras ouvimos os bater dos passos dos personagens, pois o som é muito importante para criar expectativa quanto ao desconhecido e para ressaltar o ressoar solitário do caminho; temos protagonistas um tanto vazios e pouco racionais; somos apresentados a figuras como o mordomo sinistro, a governanta severa e misteriosa, ou mesmo a personagens com traços físicos distintivos (muito alto, cego, anão etc.) e assim por diante. Suspiria está muitíssimo bem colocado dentro desse gênero que, pelo que sei, está completamente morto hoje em dia. Tratam-se de obras que se distanciam profundamente da nossa sanha por verossimilhança e funcionam mais como um pesadelo que, pouco a pouco, aprofunda-se.
Em suma, parece que o filme teve um remake e até vi o trailer. A primeria vista, ele parece muito bom, contudo, parece também racionalizado, explicadinho, verossímil, algo que só é possível desenraizando o filme original, retirando-o do gênero a que ele pertence e que o ajuda ser tão singular. Provavelmente gostarei de ver essa nova versão, mas nem por isso deixarei de acender aqui minha velinha pela morte do cinema clássico.
Achei tão ruim quanto a primeira, com personagens ocos, roteiro bobinho e tal, mas me fez pensar mais no motivo pelo qual a série é atrativa tanto para a ala mais xucra e teen da direita, quanto para aquele pessoal, digamos, sem muito aprofundamento, formado politicamente pela internet.
A perspectiva da série é de entregar uma espécie de "bastidor do poder" que, curiosamente, tem revelações bastante simplórias: as corporações são más, o povo é gado, a mídia é mentirosa etc. Não há muito espaço para sinuosidade ou contradição em nenhum desses pontos: toda a sabedoria política da série cabe num tuíte.
The Boys é uma espécie de O Segredo, só que sobre política. Ao mesmo tempo em que dá ao público certa ilusão de poder, fazendo ele sentir que está vendo as coisas como elas realmente são, toda essa sabedoria vem sem nenhum custo intelectual e não é mais complexa do que o senso comum que o espectador já endossa.
Com isso, acho fácil imaginar as pessoas assistindo a série, sentindo que possuem uma perspectiva exclusiva das coisas (que lhes chegou pela TV, olhem só!) e, em seguida, levantando um discurso antisistema.
No geral, achei tudo bem legal: as animações essão muito bonitas, as cartas e jogadas mais absurdamente roubadas do que nunca, e a trama coloca várias interposições interessantes naquele caminho clássico em que tudo converge para uma batalha do protagonista contra o vilão. O que mais me divertiu foram os diálogos de Seto Kaiba, que soam completamente doentios até nos momentos mais triviais. Seto é aquele sujeito que precisa urgentemente de terapia e desenvolvimento emocional, mas que é egocêntrico demais para aceitar algo assim. Afinal, aceitar a interferência do outro significaria aceitar que, sob certos sentidos, o outro é maior do que você, algo impossível para alguém tão egocêntrico.
Ao longo do anime, embora o personagem apanhe da vida e seja colocado em situações de inferioridade algumas vezes, ele lida com isso de um modo inusitado que mantém sua loucura. Em vez de confrontar seu problema psicológico, entendendo que ninguém é assim tão grande, Seto o aprofunda ao concluir, reiteradas vezes, que é alguém tão magnânimo que vai conseguir dar a volta por cima de qualquer obstáculo. Dessa forma, sempre que é derrotado, o personagem se reavalia (sem tocar seu problema central, claro) e se reconstrói, melhorando, crescendo e, é claro, continuando inteiramente doido. E aí está a graça: trata-se de um personagem que nunca para de evoluir e nunca deixa de ser maluco.
No mundo real, acho que ele seria uma mistura de Kasparov, Da Vinci e Cebolinha, com pitadas de psicopatia: é um jogador genial, um cientista genial e um vilãozinho fofo e cheio de planos. Apesar da carranca, não chega a ser alguém indiferente ao sofrimento alheio, pois ama o irmão, mas claramente não tem nenhum interesse na vida que envolva o afeto dos outros.
Enfim: personagem bom, filme bem legal. Assistam se forem fãs.
O roteiro é bem ruinzinho, com recursos narrativos bem toscos e personagens muito, muito pobres e caricatos. Com cinco minutos eu já queria parar de assistir. Os temas são razos e repetitivos, com uma crítica que pouco aprofunda, quase como um "manual de como criticar as corporações para quem nunca pensou no assunto e não vai pensar mais assim que a cena passar". Parece crítico, mas é só meio bobo, meio engajado demais em certa perspectiva.
De fato, o pátria é um personagem legal: tem passado, conflitos, boas cenas e tal, mas, em grande parte, ele é legal porque é o único personagem da série; os outros são só recursos de roteiro sem nenhuma camada de profundidade. Maeve até ameaça ter alguma interioridade, Starlight também, mas fica só nisso, na ameaça.
Depois de uns cinco capítulos a série melhora, ou a gente é que é vencido pela mediocridade e rebaixa o nosso critério de qualidade. Sei lá.
Não achei exatamente um filme catastrófico, é mais como se ainda não fosse um filme, como se o roteirista estivesse treinando a escrita do roteiro, a direção ainda descobrindo o que é dirigir e os atores o que é atuar. Tudo é amador e óbvio de um modo constrangedor, de modo que não dá nem para julgar como um filme.
Nunca gostei de filmes de espionagem, achava tudo muito falso e bobo. Não obstante, adorei a série justamente pela apresentação de uma espionagem mais verossímil, com os métodos senso expostos e coisas assim. Muito bom.
Assisti esperando pelo momento em que iam criar um meio para duas raças se comunicarem, que é um problema clássico de filosofia da linguagem: como sei que o outro, que não tem muito em comum comigo, entende o que eu quero dizer?
A resposta veio, mas foi bem tosca. Vi até o final emburrado.
O começo e a parte dramática do filme são interessantes, mas embora os problemas comecem pequenos, eles vão se avolumando até o filme deixar de ser interessante e ficar bem ruim, lá pelo final. Quando o terror ganha espaço, o filme perde qualidade, inclusive porque é nesse momento que o filme precisa ir mais fundo nas referências dos jogos. E os jogos, não é nenhum segredo, são uma porcaria e fornecem um material horrível para o diretor trabalhar. Infelizmente, ele não consegue fazer grande coisa para lidar com isso também
É um filme que não surpreende em nenhum momento, nem nas viradas da trama, com tudo soando um tanto previsível e só minimamente interessante. Apesar disso, ele também nunca fica completamente banal. As personagens são medianas, sem muito carisma, mas também sem chegar a ser chatas. A exceção, a meu ver, está na dupla Blanchett e Bullock, que representam personagens que, por sua centralidade na trama, são pouco inspiradas e deveriam ter sido bem melhor escritas.
A Lenda de Vox Machina (2ª Temporada)
4.2 44 Assista AgoraAchei mais difícil de aguentar do que a primeira: tudo é tão clichê e adivinhável, com tramas de conflito interno que surgem e são resolvidas num mesmo capítulo, nada carrega profundidade. Fiquei até o último capítulo perdendo um pouco da alma enquanto avançava.
A Lenda de Vox Machina (1ª Temporada)
4.1 75 Assista AgoraAs animações são bonitas, mas o universo é bastante genérico e sem profundidade. Não fiquei interessado em nenhum personagem em especial, e na resolução de nenhuma trama em particular. É ok, bacananinha, morno, sei lá.
Um Homem Sem Importância
3.9 26Muito simples e bonito.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraAchei muito bom, sobretudo pela escolha curiosa de deixar lacunas, de ser anticlimático na conclusão, como se a história fosse até o limite do que foi possível resgatar dela. A direção está bem bonita e a trilha sonora muito bem escolhida.
Orbe: Sobre os Movimentos da Terra
4.4 13 Assista AgoraExcelente. Fazia um tempão que eu não encontrava um bom anime para assistir.
Seis Mulheres Para o Assassino
3.8 100 Assista AgoraNão curti, mas é tão bem dirigido e cheio de personalidade. Legal ainda assim.
Retrato de uma Jovem em Chamas
4.4 963 Assista AgoraBem lindo, sensível e, ao mesmo tempo, despretencioso, não querendo ser senão o que é. Gostei ainda mais do que o "Petite maman", mas continuarei a ver mais coisas dessa diretora.
Prelúdio Para Matar
4.0 269 Assista AgoraTenho visto em sequência os filmes do Dario Argento e acho que ainda não vou parar. Comecei com “Suspiria”, depois “Phenomena”, “Inferno” e agora “Profondo rosso”. Esse último foi o que mais me impactou; o mais inabarcável, digamos assim.
Lembro que quando vi “Lisa e o diabo”, do Mario Bava, tive uma sensação parecida: não gostei da experiência do filme, mas quanto mais eu pensava sobre ela, mais encontrava camadas e mais camadas de intenção e significado no filme. Com Profondo Rosso se deu o mesmo: fiquei incomodado com a quantidade de problemas que o filme possui e não aproveitei a experiência. Porém, é nítido que a direção é consciente desses problemas e não se importa nada com eles, bem como é nítido que o diretor é excepcional naquilo a que se dedica.
O filme é visualmente lindo, a direção é inventiva nos enquadramentos das câmeras, no aproveitamento dos ambientes e uso das cores. Além disso, o enredo é interessante e está repleto de sacadas inteligentes. Várias coisas descobertas ao longo da história abrem uma nova interpretação para os eventos já assistidos, tornando uma segunda visita ao filme ainda mais rica. O mais extraordinário nesse sentido é a audácia do filme que, tendo uma “trama de detetive”,
mostra o assassino logo no início, mas conduz a cena tão bem que, assim como o protagonista, você só percebe o que viu no final.
Não sei se gostei de “Profondo Rosso” — tendo a achar que não — mas é um filme que quero rever e, principalmente, não posso deixar de me surpreender com esse sujeito fantástico que é o Dario Argento.
A Mansão do Inferno
3.4 189 Assista AgoraÉ visualmente muito bonito, mas não funciona muito bem como narrativa, pois os personagens meio que vão do nada ao nada, nem como uma narrativa mais sensorial e estética, pois o filme se preocupa com a narrativa, mas não o bastante para deixa-la coesa. Particularmente, não gostei, embora tenha algumas boas cenas e um visual muito bom.
A Hora do Espanto
3.6 621 Assista AgoraNão curti, mas a direção é tão boa. O começo é impecável, com as motivações todas claras, os elementos sendo apresentados e, depois, recuperados, muito bom. Do meio para frente ele perde um pouco o ritmo e tem uma variação esquisita de tom, que começa cômico e vai ao gore, mas é um filme cheio de qualidades.
O Garoto da Bicicleta
3.7 321Bem simples, despretencioso e bom.
Entrevista com o Demônio
3.4 774 Assista AgoraBem legal. Um filme não muito pretencioso e coerente.
A Mosca
3.7 1,1KÉ um filme que nem sei dizer se gostei ou não, mas é tão bem executado, com roteiro conciso, maquiagem e efeitos ótimos. É realmente o trabalho de alguém que possui uma perspectiva própria, que conta com bons atores e que poliu seu projeto magnificamente. Goste-se ou não, é um filme muito bom.
Suspiria
3.8 1,0K Assista AgoraNo geral, o filme é bem legal, embora certamente não agrade a todos, mesmo dentre os fãs de filme de terror.
Para começar, ele tem um orçamento baixo e sofre com efeitos especiais nada requintados, o que fica ainda pior por se tratar de uma obra dos anos setenta do século passado, quando o “mais avançado possível” não era tão avançado assim. Como consequência disso, não há nenhuma cena na obra, a meu ver, que consiga nos enganar a respeito dos efeitos: os bonecos parecem bonecos, os efeitos computacionais são claramente efeitos computacionais e assim por diante. Não há nenhum momento em que sejamos capturados pela ilusão desses recursos. A bem da verdade, é mais o contrário: a simplicidade desses recursos nos tira da imersão do filme por serem tão rudimentares.
Ressalto esse aspecto não porque eu queira criticar o baixo orçamento e o resultado dele, algo que seria bobo fazer, mas porque esse aspecto rudimentar do filme o impacta em vários sentidos. Suspiria apresenta uma série de ambiguidades, com cenas que produzem simultaneamente sensações contrárias — beleza e feiura, susto e riso — sem que fique claro o quão intencionais elas são. Numa cena, por exemplo, podemos ser conduzidos ao terror e, diante de um elemento cênico claramente pobre, sermos levados em seuida ao riso. Mas causar o riso foi intencional? Esse tipo de dúvida surge em vários momentos da obra, tornando difícil precisar quando a direção está errando, acertando, ou mesmo produzindo certo efeito conscientemente.
Independentemente disso, algumas escolhas da direção são bastante evidentes e geram resultados notáveis. O filme brinca bastante com contrastes, mostrando tomadas geométricas, claras, ao mesmo tempo em que coloca uma trilha sonora misteriosa e frequentemente ruidosa. Por sinal, acho que nunca vi um filme tão barulhento quanto esse. Deve ser um espetáculo assisti-lo no cinema.
Os temas que ele carrega são curiosos, pois não são dispostos de maneira a serem resolvidos dentro do roteiro, como situações que precisassem da ação dos personagens para serem concluídas. Seus temas mais estéticos, mais próximos da música do que da literatura, eles permeiam a experiência de forma não rigorosa, sem requerer uma resolução muito clara. A bruxaria, a ganância, a arte, a decadência moral, está tudo lá, mas mais como alusões, como frases no meio de uma harmonia que está no plano principal. A esse respeito, mesmo a paleta de cores da obra, que é o argumento clássico usado para fazer as pessoas assisti-lo, não é exatamente coerente quando tentamos estabelecer o que cada cor significa. Precisão não é bem o foco do filme, a não ser como elemento a ser diluído.
Se porventura estivéssemos tratando de outro filme, essa bagunça seria problemática, contudo Suspiria faz parte de um gênero em que esses elementos estão muito bem estabelecidos, que é o que vou chamar aqui de “cinema clássico de terror”, mas algum crítico deve ter dado um nome melhor. Estou me referindo a filmes como Nosferatu de Murnau, Cat People de Tourneur, À meia noite levarei tua alma de Zé do Caixão, os filmes de terror do Mario Bava ou mesmo o primeiro Clock Tower no Super Nintendo. Em tais obras ouvimos os bater dos passos dos personagens, pois o som é muito importante para criar expectativa quanto ao desconhecido e para ressaltar o ressoar solitário do caminho; temos protagonistas um tanto vazios e pouco racionais; somos apresentados a figuras como o mordomo sinistro, a governanta severa e misteriosa, ou mesmo a personagens com traços físicos distintivos (muito alto, cego, anão etc.) e assim por diante. Suspiria está muitíssimo bem colocado dentro desse gênero que, pelo que sei, está completamente morto hoje em dia. Tratam-se de obras que se distanciam profundamente da nossa sanha por verossimilhança e funcionam mais como um pesadelo que, pouco a pouco, aprofunda-se.
Em suma, parece que o filme teve um remake e até vi o trailer. A primeria vista, ele parece muito bom, contudo, parece também racionalizado, explicadinho, verossímil, algo que só é possível desenraizando o filme original, retirando-o do gênero a que ele pertence e que o ajuda ser tão singular. Provavelmente gostarei de ver essa nova versão, mas nem por isso deixarei de acender aqui minha velinha pela morte do cinema clássico.
The Boys (2ª Temporada)
4.3 665 Assista AgoraAchei tão ruim quanto a primeira, com personagens ocos, roteiro bobinho e tal, mas me fez pensar mais no motivo pelo qual a série é atrativa tanto para a ala mais xucra e teen da direita, quanto para aquele pessoal, digamos, sem muito aprofundamento, formado politicamente pela internet.
A perspectiva da série é de entregar uma espécie de "bastidor do poder" que, curiosamente, tem revelações bastante simplórias: as corporações são más, o povo é gado, a mídia é mentirosa etc. Não há muito espaço para sinuosidade ou contradição em nenhum desses pontos: toda a sabedoria política da série cabe num tuíte.
The Boys é uma espécie de O Segredo, só que sobre política. Ao mesmo tempo em que dá ao público certa ilusão de poder, fazendo ele sentir que está vendo as coisas como elas realmente são, toda essa sabedoria vem sem nenhum custo intelectual e não é mais complexa do que o senso comum que o espectador já endossa.
Com isso, acho fácil imaginar as pessoas assistindo a série, sentindo que possuem uma perspectiva exclusiva das coisas (que lhes chegou pela TV, olhem só!) e, em seguida, levantando um discurso antisistema.
Yu-Gi-Oh! O Lado Negro das Dimensões
3.4 32No geral, achei tudo bem legal: as animações essão muito bonitas, as cartas e jogadas mais absurdamente roubadas do que nunca, e a trama coloca várias interposições interessantes naquele caminho clássico em que tudo converge para uma batalha do protagonista contra o vilão.
O que mais me divertiu foram os diálogos de Seto Kaiba, que soam completamente doentios até nos momentos mais triviais. Seto é aquele sujeito que precisa urgentemente de terapia e desenvolvimento emocional, mas que é egocêntrico demais para aceitar algo assim. Afinal, aceitar a interferência do outro significaria aceitar que, sob certos sentidos, o outro é maior do que você, algo impossível para alguém tão egocêntrico.
Ao longo do anime, embora o personagem apanhe da vida e seja colocado em situações de inferioridade algumas vezes, ele lida com isso de um modo inusitado que mantém sua loucura. Em vez de confrontar seu problema psicológico, entendendo que ninguém é assim tão grande, Seto o aprofunda ao concluir, reiteradas vezes, que é alguém tão magnânimo que vai conseguir dar a volta por cima de qualquer obstáculo. Dessa forma, sempre que é derrotado, o personagem se reavalia (sem tocar seu problema central, claro) e se reconstrói, melhorando, crescendo e, é claro, continuando inteiramente doido. E aí está a graça: trata-se de um personagem que nunca para de evoluir e nunca deixa de ser maluco.
No mundo real, acho que ele seria uma mistura de Kasparov, Da Vinci e Cebolinha, com pitadas de psicopatia: é um jogador genial, um cientista genial e um vilãozinho fofo e cheio de planos. Apesar da carranca, não chega a ser alguém indiferente ao sofrimento alheio, pois ama o irmão, mas claramente não tem nenhum interesse na vida que envolva o afeto dos outros.
Enfim: personagem bom, filme bem legal. Assistam se forem fãs.
The Boys (1ª Temporada)
4.3 837 Assista AgoraO roteiro é bem ruinzinho, com recursos narrativos bem toscos e personagens muito, muito pobres e caricatos. Com cinco minutos eu já queria parar de assistir. Os temas são razos e repetitivos, com uma crítica que pouco aprofunda, quase como um "manual de como criticar as corporações para quem nunca pensou no assunto e não vai pensar mais assim que a cena passar". Parece crítico, mas é só meio bobo, meio engajado demais em certa perspectiva.
De fato, o pátria é um personagem legal: tem passado, conflitos, boas cenas e tal, mas, em grande parte, ele é legal porque é o único personagem da série; os outros são só recursos de roteiro sem nenhuma camada de profundidade. Maeve até ameaça ter alguma interioridade, Starlight também, mas fica só nisso, na ameaça.
Depois de uns cinco capítulos a série melhora, ou a gente é que é vencido pela mediocridade e rebaixa o nosso critério de qualidade. Sei lá.
Madame Teia
2.1 386 Assista AgoraNão achei exatamente um filme catastrófico, é mais como se ainda não fosse um filme, como se o roteirista estivesse treinando a escrita do roteiro, a direção ainda descobrindo o que é dirigir e os atores o que é atuar. Tudo é amador e óbvio de um modo constrangedor, de modo que não dá nem para julgar como um filme.
Le Bureau des Légendes (1ª Temporada)
4.3 6Nunca gostei de filmes de espionagem, achava tudo muito falso e bobo. Não obstante, adorei a série justamente pela apresentação de uma espionagem mais verossímil, com os métodos senso expostos e coisas assim. Muito bom.
A Chegada
4.2 3,5K Assista AgoraAssisti esperando pelo momento em que iam criar um meio para duas raças se comunicarem, que é um problema clássico de filosofia da linguagem: como sei que o outro, que não tem muito em comum comigo, entende o que eu quero dizer?
A resposta veio, mas foi bem tosca. Vi até o final emburrado.
The Umbrella Academy (3ª Temporada)
3.5 178 Assista AgoraUm profundo mergulho na fossa.
Five Nights At Freddy's: O Pesadelo Sem Fim
2.5 366 Assista AgoraO começo e a parte dramática do filme são interessantes, mas embora os problemas comecem pequenos, eles vão se avolumando até o filme deixar de ser interessante e ficar bem ruim, lá pelo final. Quando o terror ganha espaço, o filme perde qualidade, inclusive porque é nesse momento que o filme precisa ir mais fundo nas referências dos jogos. E os jogos, não é nenhum segredo, são uma porcaria e fornecem um material horrível para o diretor trabalhar. Infelizmente, ele não consegue fazer grande coisa para lidar com isso também
The Tick (1ª Temporada)
3.6 40 Assista AgoraÉ assistível se você tiver alguma tolerância para coisas ruins.
Oito Mulheres e um Segredo
3.6 1,1K Assista AgoraÉ um filme que não surpreende em nenhum momento, nem nas viradas da trama, com tudo soando um tanto previsível e só minimamente interessante. Apesar disso, ele também nunca fica completamente banal. As personagens são medianas, sem muito carisma, mas também sem chegar a ser chatas. A exceção, a meu ver, está na dupla Blanchett e Bullock, que representam personagens que, por sua centralidade na trama, são pouco inspiradas e deveriam ter sido bem melhor escritas.