O ponto de partida do filme é simples e genial: pai e filho Gonzagas, depois de uma vida de conflituosa relação, reconciliam-se. Esta é a deixa pra que Gonzagão conte sua história. É simplesmente emocionante.
A fotografia é muito bonita, com cenas que captam com beleza a simplicidade árida do sertão e a pujança de contrastes do Rio de Janeiro.
A direção e os atores superam muito bem o desafio de usar com coerência seis atores diferentes pra interpretar dois personagens (Gonzagão e Gonzaguinha), sem prejuízo; o resto do elenco também não decepciona e fica à altura.
Pena que alguém lá em cima decidiu que o filme era bom demais pra ser verdade e que algumas coisas precisavam ser muito explicadinhas. Fotos, vídeos de época, legendas: tudo desnecessário. Causam uma ruptura na fluência, tiram o foco da bela história de pai e filho a ser contada, atrapalham no envolvimento. Buscam dar veracidade à história mas ironicamente lembram que o filme é só um filme e que a realidade foi outra, não muito diferente, mas outra.
Torço pra que um dia haja uma "versão do diretor" que remova estas distrações ou as reposicione onde não distraiam (o diretor, Breno Silveira, acertou em "Dois Filhos de Francisco"). No mais, uma bela história em todos os sentidos, que vale o ingresso.
Difícil opinar sobre esse filme. Sou fã do Aranha, sou fã da primeira trilogia, sou fã de Tobey Maguire no papel e sou fã de Sam Raimi.
Dito isto, mando logo a opinião sobre o filme em si: legal, muito legal; mais interessante que os anteriores, mas muito mais parado. É um filme mais sério, que foca bastante em personagens, mas tem alguns "deus ex machina" tolos. Você vai rir menos, mas vai ficar mais interessado nos filmes seguintes.
Se você ainda está aqui, quero conversar sobre o Aranha nos quadrinhos no cinema. Vamos lá?
A primeira trilogia é como os filmes do Super-Homem de uns 30 anos atrás. Captam não a essência do herói mas a dos quadrinhos em si. São filmes leves, ingênuos, cheios de ação, com cores fortes e tomadas dramáticas.
Apesar disso, como fã do Aranha, nunca senti que o herói foi corretamente mostrado na trilogia de Raimi. Tobey Maguire fez um Peter Parker babaca, gordo, pouco genial.
Não é essa a essência do Aranha "real". Parker era um nerd, sim, mas longe de ser um babaca (e muito menos gordo). Era essencialmente um gênio que queria ser deixado sozinho, mas que não tinha sangue de barata (ou aranha). O Parker de Raimi era a piada; o "verdadeiro" Aranha é o palhaço.
Nesse sentido, a nova versão do Aranha, a "Espetacular", é extremamente mais fiel aos quadrinhos. Pela primeira vez vi Peter Parker nos cinemas, e foi na pele do Andrew Garfield: um cara atormentado pela culpa, negligente, misterioso, genial, franzino, falastrão, sarcástico ("você descobriu meu ponto fraco: facas pequenas!"), com senso de justiça e sangue quente.
Apesar disso, a origem é simplesmente um estupro da lenda original. Manter a essência do personagem e tomar algumas liberdades aqui e ali, Raimi já havia feito. Só que Webb e Vanderbilt foram além e reimaginaram alguns pontos essenciais do personagem de maneira que deve irritar fãs mais radicais.
Ruim? Bom? Nolan fez isso -- estuprar a origem e manter os pontos essenciais -- com sucesso em Batman Begins e conseguiu filmes sensacionais. Infelizmente o Aranha de Marc Webb não consegue ser genial como o novo morcego, o que não significa em absoluto que ele seja ruim -- longe disso, aliás.
A nova trilogia do Aranha começa com personagens mais fieis e humanos, e se inspira no arco mais sensacional da história do personagem (seu romance com Gwen Stacy), mas é, ao mesmo tempo, um outro Homem-Aranha. O filme em si é mais sério, mais arrastado, mas mais interessante. Vale ir ver sem tanta expectativa. Quem achar que for ver um Homem-Aranha 4 vai se decepcionar. Quem quiser ver um "Homem Aranha - O Início" não vai encontrar aqui a genialidade de Nolan. Então vá de mente aberta e relaxe.
Prometheus é uma excelente decepção. O filme começa muito bem, com cara de verdadeira ficção científica e seus questionamentos filosóficos e existenciais. O look & feel alienígena, com assinatura do genial H. R. Geiger (o mesmo que criou o Alien), é orgânico e tecnológico ao mesmo tempo, e a tecnologia futurista terrestre é muito bem desenhada e lembra 2001.
O mistério, a trama, os personagens, todos iniciam interessantes demais -- com destaque pro androide David, genial -- inclusive o fino pano de fundo que é a discussão religiosidade x ceticismo.
E aí parece que a preguiça se abateu sobre os roteiristas e eles começam a fazer um filme de ação que vai se tornando cada vez mais raso a cada minuto. A tripulação é um show de estereótipos: o briguento, o palhaço, a inescrupulosa capitalista, o manipulador oculto, a heroína. As milhares de perguntas feitas pra respostas que não serão dadas pra gerar um gancho pra uma continuação. O personagem burro que se atira pra morte certa. As situações levadas ao extremo só pra gerarem cenas dramáticas.
Tudo isso nós já vimos antes mas Prometheus se mostrava mais ambicioso, e é na verdade um desperdício. Mas não se deixe levar pelos comentários negativos: vale o ingresso. É um filme legal, sim, e visualmente belíssimo, um dos poucos em que o 3D é usado como ferramenta de imersão e não como muleta pra vender ingresso mais caro. O final, pra quem gosta da série (é uma prequência muito bem disfarçada), é de arrepiar. E há cenas de ação geniais em todos os momentos do filme.
Prometheus é um filme pra ser visto sem grandes expectativas mas de nenhum modo um filme medíocre. Sisudo demais pro que oferece, mas ainda assim uma boa opção. Se no geral não é incrível, tem grandes momentos e diálogos interessantes. Fique de olho no androide David, que rouba a cena.
- Cara, eu adoro AKIRA. - Cara, eu também. É muito bom. Sabe, eu queria fazer um filme que nem Akira, mas... mais real, sabe? Mais tipo a nossa vida real. E com mais ação e menos papo. - Legal, mas como vai ser? - Ah, tipo, ele podia se passar na high school. - Boa. E, tipo, um adolescente que sofre bullying. - Isso! Aí ele ganhava poderes, e tal. - Tipo X-Men e tal, né? Mas ainda falta alguma coisa. - Pode crer. Ei, e se a gente fizesse, tipo, com câmera tremida? Tipo Bruxa de Blair ou Cloverfield? - Boa! Muito bom! E eu já tenho até um título: Poder Sem Limites!
Uma fábula muito bem executada, filmada em digital com uma definição que eu nunca vi antes. Merece com certeza todos os oscares técnicos que ganhou, mas não é só. Mesmo sem profundidade, os personagens são marcantes e estabelecem um vínculo com a audiência, ainda que a história em si não seja tão cativante (a fórmula do órfão abandonado já não funciona bem há muito tempo).
Mas toda a crítica a se fazer a este filme é excesso de zelo, é força do hábito. Hugo Cabret é sensacional. A pequena aula de cinema no terço final do filme é uma declaração de amor à arte. É filme pra ver e rever, pinçar as referências ao cinema uma a uma e mostrar pra crianças de todas as idades.
O que a maioria do público e dos críticos não conseguiu entender é que "A Dama de Ferro" não é uma cinebiografia, não é um apanhado cronológico da vida e obra de Margaret Thatcher: é um conto sobre como a fragilidade em que a velhice deixa mesmo as pessoas mais fortes e poderosas.
Acometida por Alzheimer, a velha e senil Thatcher passa o filme inteiro sofrendo alucinações e delírios, os quais servem como uma deixa para as memórias de sua vida aflorarem. O ritmo esquisito e a sequência com cronologia confusa são sintomas dessa abordagem incomum.
Falar de Meryl Streep como a dama de ferro da Inglaterra é chover no molhado. Ela está simplesmente sensacional, desde a aparência até os pequenos detalhes como manias, o caminhar e o falar. O trabalho de voz é coisa de mestre. A direção, por sua vez, se não é inspirada, acerta em usar tons frios (azulados) pra ressaltar a solidão, ângulos de cima pra baixo pra evidenciar situações sufocantes e cenas reais de noticiário pra dar o tom da época aos acontecimentos.
Mas, sim, Meryl carrega o filme nas costas, porque mesmo eu sendo mais brando que a maioria dos críticos, entendo que o roteiro dá ênfase demais à velhice, à senilidade, à fragilidade, mas não se concentra o bastante nesta abordagem pra justificar sua importância. Ao fim, o filme acaba não se definindo se é uma história sobre a velha Margaret ou sobre sua vida.
Apesar de ser um típico filme "Paixão de Cristo" (todo mundo sabe o fim), "127 Horas" é sensacional. Optando por conta a história a partir do ponto de vista extremamente pessoal do protagonista, esse filme foca as pequenas sensações, as pequenas memórias, os cheiros, as memórias, as experiências bastante pessoais. Não é a história de como o cara se livrou da pedra, é uma viagem ao interior de cada um, muito bem contada e viajada.
Curioso: assim como a típica Paixão, "127 Horas" é uma história de martírio, pecado e remissão.
"127 Horas" é uma experiência sensacional e até a cena "principal" do filme é um retrato de dor poucas vezes vista antes no cinema. Emocionante.
O cinema francês tem muita coisa excelente que passa despercebida pelo grande público porque é visto normalmente como filme de elite, de intelectual, de gente chata. "O Concerto" é o típico exemplo de que isso é uma grande bobagem. Vendido como comédia, é na verdade um drama irreverente sobre como a mão pesada de uma ditadura pode derrubar sonhos e o quanto pode ser engraçada a tentativa desesperada de vivê-los.
As cenas em que o maestro Andrei tenta reunir a sua antiga orquestra Bolshoi pra tocar às escondidas em Paris já valem o filme; as cenas da orquestra mambembe brincando de turista na França já valem de novo, e a cena final, sem fala nenhuma, é a comprovação de que esse é um grande filme.
Ainda tá pra nascer um filme convincente do X-Men. Fraca e previsível, essa nova tentativa joga luz em aspectos pouco conhecidos de personagens-chaves da franquia, ao custo de um roteiro meio forçado e uma bagunça geral na cronologia da série nos cinemas (a confusão com os quadrinhos nem vale comentar). É um bom filme de Sessão da Tarde com bons momentos aqui e ali, com destaque pro pano de fundo histórico que coloca a crise dos mísseis em Cuba como um evento da história mutante. Vale o aluguel, mas tá longe de ser um bom representante do gênero e menos ainda de fazer jus às histórias dos mutantes.
Fui ver este filme com minha noiva. Comentando sobre Steve Carrell, ela sem querer soltou a melhor definição sobre "Amor à toda prova" que eu já vi até agora: "parece que esse filme é o pensamento dele".
Isso na verdade é um resumaço do estilo do Steve Carrell (produtor neste filme), que a maioria das pessoas conheceu fazendo caretas em "Todo Poderoso" (e que na verdade é bem pouco careteiro). O cara é bastante talentoso e o roteiro encaixou perfeitamente com ele e com o tipo de humor que ele sabe fazer: despretensioso, cotidiano, sutil, bem caseiro mesmo, mas por vezes absurdo.
O elenco, por sua vez, entendeu a música e tocou muito bem afinado, com destaque para Kevin Bacon, Juliane Moore -- muito à vontade fora de suas especialidades -- e Emma Stone, em casa.
O roteiro é uma verdadeira "dramédia romântica", bem amarradinho e inteligente, com poucos clichês e algumas surpresas no final.
O problema de Cowboys & Aliens não é a temática que pode parecer bizarra pra alguns (eu acho sensacional e torço por um Piratas vs. Ninjas). É o desperdício. E não é nem um desperdício do tempo do espectador, já que é um filme que só pelo nome não se deve levar a sério. É um desperdício de... matéria-prima.
Vejamos: Daniel Craig e Harrisson Ford no ataque, Sam Rockwell e Paul Dano na lateral e a bela Olivia Wilde no meio de campo, com Jon Favreau (Homem de Ferro, damitt!). Orçamento milionário, belos efeitos e boa direção de arte e de som (significando "filme bem feito"). Ah: cinco roteiristas!
E aí o filme é... fraco. Ruim? Não. Fraco. A sensação é que Cowboys & Aliens deveria ser um whisky caubói, mas botaram muito gelo no copo. Tudo acaba parecendo um projeto de fim de semana, um filme de entressafra, algo feito no automático.
Isso é muito facilmente sentido no personagem de Harrisson Ford.
O que inicia como um coronel (no sentido brasileiro da palavra) sem escrúpulos termina com uma redenção ridícula em que ele de repente é transformado em "grande guerreiro" e bom pai.
Em outras palavras, os personagens de Harrisson Ford do fim e o do começo do filme são totalmente diferentes. Faltou desenvolvimento.
Espero que um dia possa existir algo como Piratas vs. Ninjas. Enquanto isso, Cowboys & Aliens será um bom exemplo de que não é só porque o tema é bobo ou absurdo que um filme deve ser feito com preguiça.
Direto ao ponto: é covardia comparar o Planeta dos Macacos original e sua prequência de 2011 (e nem vamos comentar o remake de Tim Burton).
É que enquanto o original era uma ficção científica inovadora com bons questionamentos éticos e um final misterioso, a prequência é uma ficção científica comum, sem dilema ético e com muita explicação demais. Isso diminui bastante o filme mais novo comparado ao antigo, pelo que significou pro cinema e pelo impacto que causou à época.
Só o que ambos têm em comum são as técnicas inovadoras usadas pra dar feições humanas aos já bastante humanos símios, mas nada de original: é a mesma tecnologia usada em Avatar. Destaque, claro, pro Andy Serkis, "famoso" sob as peles de Gollum e King Kong, agora dando vida ao macaco César.
Mas "A Origem do Planeta dos Macacos" de jeito algum é um filme ruim, e por isso que é interessante analisá-lo sem a comparação com a obra original. E aí dá pra perceber que apesar de não ser brilhante, é um filme bastante correto. Previsível sem ser idiota, personagens nem tão profundos mas nem tão rasos com boa dinâmica entre eles, referências legais à série e uma história em boa parte desenvolvida de forma bastante competente com macacos que se comunicam com olhares, gestos e sons, mas não com fala — não deve ser fácil.
Aliás, este é realmente o grande destaque do filme. Sim, é CG e dá pra perceber. Mas a atenção dada aos detalhes dos gestos, boca, sobrancelhas, olhares e até mesmo a contração das pupilas, é um show à parte e muitas vezes são estes gestos que sozinhos contam a história. César, muito por conta disso, é o personagem mais humano do filme, seguido de seu "avô", pianista com Alzheimer numa boa interpretação de John Lithgow.
Senti falta só de mais violência. Não é sadismo meu: aqui ela daria mais realismo à obra (macacos são extremamente violentos), mas ficou a sensação que o filme foi atenuado pra se situar numa zona de recomendação etária que renda mais bilheteria.
Resumindo: vale o seu ingresso, é um filme honesto e competente.
Me senti como tivesse sido convidado pra uma festa muito legal mas cheia de pessoas que eu não conheço e sem ninguém para me apresentá-las.
Não levem a mal, Gainsbourg é um filme muito bacana. Mas é pros iniciados. Não é exatamente uma cinebiografia como fizeram com as igualmente francesas Edith Piaf e Coco Chanel. Tá mais pra um quadrinho da Vertigo, cheio de referências, analogias e alegorias psicodélicas.
Atuações excelentes e produção muito boa, como é característico dos filmes franceses. O uso dos bonecos representando os outros 'eus' de Gainsbourg é muito bom, assim como todas as outras pitadas de psicodelia. E a infância certamente é a melhor parte do filme.
Mas "Gainsbourg" não envolve, não fascina, não te traz pra dentro. Não passa de uma cantada barata que não sobrevive à conversa que segue. Enfim, um filme sobre Gainsbourg que não seduz. Não é irônico?
Esta opinião parece ser o único consenso entre quem se dispôs a comentar sobre Super 8, que se dividiram entre nostálgicos deslumbrados de um lado e nostálgicos blasé e os tarados por CG de outro.
Mesmo entre os críticos há essa divisão: o Pablo Villaça (Cinema em Cena) — aquele purgante em forma de crítico de cinema — não se impressionou com o Spielberganismo do filme e o achou fraco, fraco; já o Hessel (Omelete) e a resmugona da Isabela Boscov (Veja) amaram, por causa da pegada oitentista fantástica e infantil, mas inteligente.
Nos comentários dos sites e nas conversas com os amigos a divisão é idêntica: é bom porque parece Sessão da Tarde, é ruim porque parece Sessão da Tarde.
Eu serei honesto: me filio com orgulho à primeira corrente. Super 8 encontra sim suas maiores virtudes em ser uma espécie de tributo ao cinema infantojuvenil dos anos 80. Aqui, como lá, o fantástico é só pano de fundo para a descoberta, para o maravilhamento, para o incrível. E isso é muito legal e faz falta nos arrasa-quarteirões de hoje.
Pra isso funcionar, alguns requisitos são necessários, e Super 8 os tem. Vamos a eles.
Os personagens não são bidimensionais, previsíveis, clichês (é contigo, Transfomers). O elenco infantil — bem entrosado, espontâneo, autêntico — conta com personagens que poderiam ter sido amigos meus ou seus ou nós mesmos: cada um é um, mesmo eles representando estereótipos (bom ver que o gordo não é o alívio cômico).
Também não há aquela overdose de sacadas espertinhas metralhadas o tempo todo como se o filme fosse um stand up comedy épico (estou falando com você, Homem de Ferro), porque por mais que eu goste de um texto afiado (como o do Homem de Ferro), faz bem achar graça do banal — e que bom timing tem o J. J. Abrams.
Igualmente, o roteiro deixa o filme fluir. Não há situações que são meras pontes pra mais explosão ou um crescendo pra uma batalha épica mas previsível (oi, Nárnia; oi, Hulk).
Outro requisito — e mérito — de Super 8 e seus irmãos oitentistas é o otimismo, contrastando com a gravidade de um Harry Potter, Senhor dos Anéis ou do Batman de Nolan.
Por fim, Super 8 respeita a inteligência do público. O mistério aqui é quem conduz a trama, cheia de subtramas familiares menores e igualmente interessantes que dão vida aos personagens. Monstro? Antes do fim do filme, só de relance — e olhe lá. Trama previsível, final explicadinho, mastigadinho, deixando aquele gancho óbvio pra sequência? Não aqui.
Bons efeitos, aliás, mas reparaste que só agora que eu comentei sobre eles?
"Bah, só curtiste porque és nostálgico". Calma. Super 8 não é perfeito. A profundidade dos personagens, por exemplo, não vai muito além das crianças. O roteiro tem um ou outro furo e um heroísmo forçado bem ex machina, especialmente no terço final. E o resultado final não é um novo Goonies ou E.T.; longe, aliás.
"Super 8" é sim um belo tributo ao jeito Spielberg de fazer cinema pra moleque, mas sem se limitar a fazer uma mera homenagem. Possui valor também como um filme atual mesmo não se rendendo ao zeitgeist caracterizado pelo cinismo, depressão, excesso de explosões, overdose de CG e personagens de papelão. E sim, é um ótimo filme, mesmo com seus defeitos.
Resumindo? Relaxe: Super 8 é só um filme de Sessão da Tarde.
Um vampiro frágil atormentado por sua condição que encontra em uma pessoa alguém em quem confiar e uma paixão. Pode ser Crepúsculo e pode ser Deixe-me entrar. A diferença é que este aqui é feito do jeito certo e poderia muito bem ser (ótimo) um teen movie se não fosse tão sério e triste.
Chloe Moretz é sensacional como Abby, a vampira pré-adolescente que não sente frio nem fome e faz amizade com o solitário e franzino Owen. A relação entre os dois se desenvolve como um amor platônico em meio a assassinatos misteriosos que acontecem na cidade e aos problemas com a escola.
Não se deixe enganar pelo enredo bobo, este é um filme de terror. Aos poucos a verdadeira natureza de Abby vai se revelando, num belo crescendo até um final aterrador
Esta é a versão americana do original norueguês, que eu não conheço. Pelo jeito deve valer a pena dar uma olhada neste também. Fora a versão original há uma série de livros publicados. Com todas essas semelhanças, "Deixe-me Entrar" é definitivamente o Crepúsculo que não foi -- e o que deveria ter sido.
Aos desavisados, "Meia-noite em Paris" pode parecer mais um romance engraçadinho água-com-açúcar em que dois pombinhos riquinhos em roupas macias e cheirosas enfrentam um par de contratempos bobos pra no fim viverem felizes pra sempre.
E é tudo isso mesmo, mas à maneira do Woody Allen.
"Meia-noite em Paris" é simplesmente fantástico. Um filme simples, sem ângulos de câmera ousados ou cortes rápidos, sem efeitos especiais; sem também a glicose característica de Comer, Rezar, Amar e cia. ilimitada.
Nada disso aqui. Só um elenco inspirado -- Owen Wilson, aliás, naturalmente um panaca, ficou perfeito no papel -- e um texto afinado, com bom timing. Com a leveza de um conto, é na verdade um romance fantástico, mas não da mesma raça de Vanilla Sky ou Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças, que têm tons de ficção científica. É só uma bela história com uma pitada de surrealismo e um tempero de arte e literatura.
E se a simplicidade, o excesso de texto e a erudição light de Woody Allen te irritam, "Meia-noite em Paris" ao menos deve agradar com uma das mais belas Paris já retratadas no cinema.
Machete é ridículo. Uma coleção de clichês de filmes de ação com mulheres gostosas e uma pitada de sacanagem aqui e ali, muito sangue e tudo exagerado.
Por isso mesmo é sensacional.
Machete é uma bela gargalhada de todos os filmes que passam no Domingo Maior, feito pra parecer sério e ao mesmo tempo ser uma grande sátira. Machete é um cara igual o seu Madruga de cabelo comprido com dez kilos de anabolizantes, bronco e feio igual o diabo, que sai por aí fazendo bungee jump com as tripas dos seus inimigos e, é claro, pega todas.
O elenco tem Steven Segal, Robert De Niro, Michelle Rodriguez, Jessica Alba e Lindsay Lohan pagando peitinho, e é claro, o sensacional Danny Trejo, o único cara capaz de meter medo no Chuck Norris.
Guardadas as devidas proporções (e diferenças), Akira é a Branca de Neve do Japão: o maior clássico de animação nipônico de todos os tempos. Akira, assim como Branca de Neve, ainda impressiona pela qualidade, pela música, pelas belas cenas (a perseguição de motos no início do filme é eterna). E assim como Branca de Neve, é fruto de seu tempo, parecendo ao mesmo tempo atual e ultrapassado.
Mas ao contrário do inocente clássico Disney da década de 50, Akira é um filho legítimo da década de 80. A síntese que ele faz daquela época, com seu futurismo otimista mas depressivo (como em Blade Runner), os conflitos sociais, o medo de guerra atômica, a juventude perdida e a desconfiança no governo, é talvez o melhor registro do sentimento reinante da década perdida.
Se isso ainda não é suficiente pra te convencer de que Akira é um filme sensacional, saiba que ele e a animação japonesa influenciada por ele são a fonte de todo o cinema blockbuster americano atual a partir de Matrix: destruição gigantesca, câmera lenta, personagens multifacetados, efeitos ambiciosos.
Típico Disney: simples, bonito, previsível, bem-feito, lindo, totalmente família. Se você quer ver uma história de superação e gosta de cavalos e filmes de época (1960 já é antigamente, pessoal) mas não quer surpresas, este é o seu filme. Se fosse uma novela, seria uma bela novela das seis.
Taí uma bela surpresa. Normalmente cinebiografias de gente famosa são pura idolatria ou a simples tentativa de fugir a isso (especialmente no Brasil, vide Cazuza e Chico Xavier). Não essa aqui do John Lennon.
O Lennon de "Garoto de Liverpool" (tradução fraquíssima para "Nowhere Boy") poderia ser qualquer adolescente rebelde da década de 60, qualquer garoto com problemas de relacionamento com a mãe ausente, qualquer garoto abusado de 16 anos. A honestidade e o realismo de bom gosto desse filme te aproximam de um deus da cultura pop de uma maneira que poucos conseguem fazer.
Durante mais ou menos 1h30min eu curti, odiei, apoiei, torci (contra e a favor), xinguei, elogiei, aprovei e rejeitei o Lennon de "Garoto de Liverpool" e me senti eu mesmo um deles. Poucos filmes te trazem tão pra dentro da história e tratam de maneira tão leve e honesta a história de uma pessoa que de tão cultuada acaba se tornando irreal.
O Lennon de "O Garoto de Liverpool" é mais real que o Lennon real e é isto que torna este filme simplesmente incrível.
Se o primeiro filme tinha a vantagem do ineditismo e uma pitada de Spielberg, esse aqui é mais do mesmo. Continua sendo um filme de Sessão da Tarde (mesmo sem cachorros falantes), mas agora no mau sentido da coisa. O roteiro, que no primeiro era só bobo, agora cai pra idiota, e os efeitos -- ainda sensacionais -- não surpreendem mais. Dá no mesmo assistir Transformers 2 ou ver crianças brincando de bonequinhos enquanto você coloca uma panela na sua cabeça e bate com uma colher.
Transformers é o típico filme de Sessão da Tarde (ou ao menos deveria ser, mas não tem nenhum cachorro falante) e não deve ser levado a sério. O roteiro é bobo e não surpreende nem criança e tudo é uma desculpa pra mostrar robôs hiper-mega-boga bem feitos em CG. Destaque pro toque mágico de Spielberg (que é produtor executivo) lá pelo começo do filme, especialmente na parte em que Sam tenta esconder robôs gigantes no quintal de sua casa pra não espantar os pais.
THOR é legal, pra ver com pipoca e esperar pouca coisa. Relaxe com a fraca atuação, relaxe com a pouca fidelidade aos quadrinhos, relaxe com o roteiro besta e forçado, relaxe com o Hopkins atuando no automático. É um sério candidato a campeão da Sessão da Tarde (abaixo os cachorros falantes!), tem efeitos legais, bom humor e boa ação. Compre um refri de 500ml e um sacão de pipocas e esqueça da vida. Aí você vai curtir Thor. E não deixe de ver a cena pós-créditos!
Romance fantástico. Um irmão menos brilhante de "Vanilla Sky" ou "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" com uma pitada de "Matrix". Despretensioso, competente, bem-feito, mas não é fantástico. Vale o ingresso.
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Gonzaga: De Pai pra Filho
3.8 787O ponto de partida do filme é simples e genial: pai e filho Gonzagas, depois de uma vida de conflituosa relação, reconciliam-se. Esta é a deixa pra que Gonzagão conte sua história. É simplesmente emocionante.
A fotografia é muito bonita, com cenas que captam com beleza a simplicidade árida do sertão e a pujança de contrastes do Rio de Janeiro.
A direção e os atores superam muito bem o desafio de usar com coerência seis atores diferentes pra interpretar dois personagens (Gonzagão e Gonzaguinha), sem prejuízo; o resto do elenco também não decepciona e fica à altura.
Pena que alguém lá em cima decidiu que o filme era bom demais pra ser verdade e que algumas coisas precisavam ser muito explicadinhas. Fotos, vídeos de época, legendas: tudo desnecessário. Causam uma ruptura na fluência, tiram o foco da bela história de pai e filho a ser contada, atrapalham no envolvimento. Buscam dar veracidade à história mas ironicamente lembram que o filme é só um filme e que a realidade foi outra, não muito diferente, mas outra.
Torço pra que um dia haja uma "versão do diretor" que remova estas distrações ou as reposicione onde não distraiam (o diretor, Breno Silveira, acertou em "Dois Filhos de Francisco"). No mais, uma bela história em todos os sentidos, que vale o ingresso.
O Espetacular Homem-Aranha
3.4 4,8K Assista AgoraDifícil opinar sobre esse filme. Sou fã do Aranha, sou fã da primeira trilogia, sou fã de Tobey Maguire no papel e sou fã de Sam Raimi.
Dito isto, mando logo a opinião sobre o filme em si: legal, muito legal; mais interessante que os anteriores, mas muito mais parado. É um filme mais sério, que foca bastante em personagens, mas tem alguns "deus ex machina" tolos. Você vai rir menos, mas vai ficar mais interessado nos filmes seguintes.
Se você ainda está aqui, quero conversar sobre o Aranha nos quadrinhos no cinema. Vamos lá?
A primeira trilogia é como os filmes do Super-Homem de uns 30 anos atrás. Captam não a essência do herói mas a dos quadrinhos em si. São filmes leves, ingênuos, cheios de ação, com cores fortes e tomadas dramáticas.
Apesar disso, como fã do Aranha, nunca senti que o herói foi corretamente mostrado na trilogia de Raimi. Tobey Maguire fez um Peter Parker babaca, gordo, pouco genial.
Não é essa a essência do Aranha "real". Parker era um nerd, sim, mas longe de ser um babaca (e muito menos gordo). Era essencialmente um gênio que queria ser deixado sozinho, mas que não tinha sangue de barata (ou aranha). O Parker de Raimi era a piada; o "verdadeiro" Aranha é o palhaço.
Nesse sentido, a nova versão do Aranha, a "Espetacular", é extremamente mais fiel aos quadrinhos. Pela primeira vez vi Peter Parker nos cinemas, e foi na pele do Andrew Garfield: um cara atormentado pela culpa, negligente, misterioso, genial, franzino, falastrão, sarcástico ("você descobriu meu ponto fraco: facas pequenas!"), com senso de justiça e sangue quente.
Apesar disso, a origem é simplesmente um estupro da lenda original. Manter a essência do personagem e tomar algumas liberdades aqui e ali, Raimi já havia feito. Só que Webb e Vanderbilt foram além e reimaginaram alguns pontos essenciais do personagem de maneira que deve irritar fãs mais radicais.
Ruim? Bom? Nolan fez isso -- estuprar a origem e manter os pontos essenciais -- com sucesso em Batman Begins e conseguiu filmes sensacionais. Infelizmente o Aranha de Marc Webb não consegue ser genial como o novo morcego, o que não significa em absoluto que ele seja ruim -- longe disso, aliás.
A nova trilogia do Aranha começa com personagens mais fieis e humanos, e se inspira no arco mais sensacional da história do personagem (seu romance com Gwen Stacy), mas é, ao mesmo tempo, um outro Homem-Aranha. O filme em si é mais sério, mais arrastado, mas mais interessante. Vale ir ver sem tanta expectativa. Quem achar que for ver um Homem-Aranha 4 vai se decepcionar. Quem quiser ver um "Homem Aranha - O Início" não vai encontrar aqui a genialidade de Nolan. Então vá de mente aberta e relaxe.
Prometheus
3.1 3,5K Assista AgoraPrometheus é uma excelente decepção. O filme começa muito bem, com cara de verdadeira ficção científica e seus questionamentos filosóficos e existenciais. O look & feel alienígena, com assinatura do genial H. R. Geiger (o mesmo que criou o Alien), é orgânico e tecnológico ao mesmo tempo, e a tecnologia futurista terrestre é muito bem desenhada e lembra 2001.
O mistério, a trama, os personagens, todos iniciam interessantes demais -- com destaque pro androide David, genial -- inclusive o fino pano de fundo que é a discussão religiosidade x ceticismo.
E aí parece que a preguiça se abateu sobre os roteiristas e eles começam a fazer um filme de ação que vai se tornando cada vez mais raso a cada minuto. A tripulação é um show de estereótipos: o briguento, o palhaço, a inescrupulosa capitalista, o manipulador oculto, a heroína. As milhares de perguntas feitas pra respostas que não serão dadas pra gerar um gancho pra uma continuação. O personagem burro que se atira pra morte certa. As situações levadas ao extremo só pra gerarem cenas dramáticas.
Tudo isso nós já vimos antes mas Prometheus se mostrava mais ambicioso, e é na verdade um desperdício. Mas não se deixe levar pelos comentários negativos: vale o ingresso. É um filme legal, sim, e visualmente belíssimo, um dos poucos em que o 3D é usado como ferramenta de imersão e não como muleta pra vender ingresso mais caro. O final, pra quem gosta da série (é uma prequência muito bem disfarçada), é de arrepiar. E há cenas de ação geniais em todos os momentos do filme.
Prometheus é um filme pra ser visto sem grandes expectativas mas de nenhum modo um filme medíocre. Sisudo demais pro que oferece, mas ainda assim uma boa opção. Se no geral não é incrível, tem grandes momentos e diálogos interessantes. Fique de olho no androide David, que rouba a cena.
Poder Sem Limites
3.4 1,7K Assista Agora- Cara, eu adoro AKIRA.
- Cara, eu também. É muito bom. Sabe, eu queria fazer um filme que nem Akira, mas... mais real, sabe? Mais tipo a nossa vida real. E com mais ação e menos papo.
- Legal, mas como vai ser?
- Ah, tipo, ele podia se passar na high school.
- Boa. E, tipo, um adolescente que sofre bullying.
- Isso! Aí ele ganhava poderes, e tal.
- Tipo X-Men e tal, né? Mas ainda falta alguma coisa.
- Pode crer. Ei, e se a gente fizesse, tipo, com câmera tremida? Tipo Bruxa de Blair ou Cloverfield?
- Boa! Muito bom! E eu já tenho até um título: Poder Sem Limites!
A Invenção de Hugo Cabret
4.0 3,6K Assista AgoraUma fábula muito bem executada, filmada em digital com uma definição que eu nunca vi antes. Merece com certeza todos os oscares técnicos que ganhou, mas não é só. Mesmo sem profundidade, os personagens são marcantes e estabelecem um vínculo com a audiência, ainda que a história em si não seja tão cativante (a fórmula do órfão abandonado já não funciona bem há muito tempo).
Mas toda a crítica a se fazer a este filme é excesso de zelo, é força do hábito. Hugo Cabret é sensacional. A pequena aula de cinema no terço final do filme é uma declaração de amor à arte. É filme pra ver e rever, pinçar as referências ao cinema uma a uma e mostrar pra crianças de todas as idades.
A Dama de Ferro
3.5 1,7KO que a maioria do público e dos críticos não conseguiu entender é que "A Dama de Ferro" não é uma cinebiografia, não é um apanhado cronológico da vida e obra de Margaret Thatcher: é um conto sobre como a fragilidade em que a velhice deixa mesmo as pessoas mais fortes e poderosas.
Acometida por Alzheimer, a velha e senil Thatcher passa o filme inteiro sofrendo alucinações e delírios, os quais servem como uma deixa para as memórias de sua vida aflorarem. O ritmo esquisito e a sequência com cronologia confusa são sintomas dessa abordagem incomum.
Falar de Meryl Streep como a dama de ferro da Inglaterra é chover no molhado. Ela está simplesmente sensacional, desde a aparência até os pequenos detalhes como manias, o caminhar e o falar. O trabalho de voz é coisa de mestre. A direção, por sua vez, se não é inspirada, acerta em usar tons frios (azulados) pra ressaltar a solidão, ângulos de cima pra baixo pra evidenciar situações sufocantes e cenas reais de noticiário pra dar o tom da época aos acontecimentos.
Mas, sim, Meryl carrega o filme nas costas, porque mesmo eu sendo mais brando que a maioria dos críticos, entendo que o roteiro dá ênfase demais à velhice, à senilidade, à fragilidade, mas não se concentra o bastante nesta abordagem pra justificar sua importância. Ao fim, o filme acaba não se definindo se é uma história sobre a velha Margaret ou sobre sua vida.
127 Horas
3.8 3,1K Assista AgoraApesar de ser um típico filme "Paixão de Cristo" (todo mundo sabe o fim), "127 Horas" é sensacional. Optando por conta a história a partir do ponto de vista extremamente pessoal do protagonista, esse filme foca as pequenas sensações, as pequenas memórias, os cheiros, as memórias, as experiências bastante pessoais. Não é a história de como o cara se livrou da pedra, é uma viagem ao interior de cada um, muito bem contada e viajada.
Curioso: assim como a típica Paixão, "127 Horas" é uma história de martírio, pecado e remissão.
"127 Horas" é uma experiência sensacional e até a cena "principal" do filme é um retrato de dor poucas vezes vista antes no cinema. Emocionante.
O Concerto
4.1 275 Assista AgoraO cinema francês tem muita coisa excelente que passa despercebida pelo grande público porque é visto normalmente como filme de elite, de intelectual, de gente chata. "O Concerto" é o típico exemplo de que isso é uma grande bobagem. Vendido como comédia, é na verdade um drama irreverente sobre como a mão pesada de uma ditadura pode derrubar sonhos e o quanto pode ser engraçada a tentativa desesperada de vivê-los.
As cenas em que o maestro Andrei tenta reunir a sua antiga orquestra Bolshoi pra tocar às escondidas em Paris já valem o filme; as cenas da orquestra mambembe brincando de turista na França já valem de novo, e a cena final, sem fala nenhuma, é a comprovação de que esse é um grande filme.
X-Men: Primeira Classe
3.9 3,4K Assista AgoraAinda tá pra nascer um filme convincente do X-Men. Fraca e previsível, essa nova tentativa joga luz em aspectos pouco conhecidos de personagens-chaves da franquia, ao custo de um roteiro meio forçado e uma bagunça geral na cronologia da série nos cinemas (a confusão com os quadrinhos nem vale comentar). É um bom filme de Sessão da Tarde com bons momentos aqui e ali, com destaque pro pano de fundo histórico que coloca a crise dos mísseis em Cuba como um evento da história mutante. Vale o aluguel, mas tá longe de ser um bom representante do gênero e menos ainda de fazer jus às histórias dos mutantes.
Amor a Toda Prova
3.8 2,1K Assista AgoraFui ver este filme com minha noiva. Comentando sobre Steve Carrell, ela sem querer soltou a melhor definição sobre "Amor à toda prova" que eu já vi até agora: "parece que esse filme é o pensamento dele".
Isso na verdade é um resumaço do estilo do Steve Carrell (produtor neste filme), que a maioria das pessoas conheceu fazendo caretas em "Todo Poderoso" (e que na verdade é bem pouco careteiro). O cara é bastante talentoso e o roteiro encaixou perfeitamente com ele e com o tipo de humor que ele sabe fazer: despretensioso, cotidiano, sutil, bem caseiro mesmo, mas por vezes absurdo.
O elenco, por sua vez, entendeu a música e tocou muito bem afinado, com destaque para Kevin Bacon, Juliane Moore -- muito à vontade fora de suas especialidades -- e Emma Stone, em casa.
O roteiro é uma verdadeira "dramédia romântica", bem amarradinho e inteligente, com poucos clichês e algumas surpresas no final.
Cowboys & Aliens
2.8 1,4K Assista AgoraO problema de Cowboys & Aliens não é a temática que pode parecer bizarra pra alguns (eu acho sensacional e torço por um Piratas vs. Ninjas). É o desperdício. E não é nem um desperdício do tempo do espectador, já que é um filme que só pelo nome não se deve levar a sério. É um desperdício de... matéria-prima.
Vejamos: Daniel Craig e Harrisson Ford no ataque, Sam Rockwell e Paul Dano na lateral e a bela Olivia Wilde no meio de campo, com Jon Favreau (Homem de Ferro, damitt!). Orçamento milionário, belos efeitos e boa direção de arte e de som (significando "filme bem feito"). Ah: cinco roteiristas!
E aí o filme é... fraco. Ruim? Não. Fraco. A sensação é que Cowboys & Aliens deveria ser um whisky caubói, mas botaram muito gelo no copo. Tudo acaba parecendo um projeto de fim de semana, um filme de entressafra, algo feito no automático.
Isso é muito facilmente sentido no personagem de Harrisson Ford.
O que inicia como um coronel (no sentido brasileiro da palavra) sem escrúpulos termina com uma redenção ridícula em que ele de repente é transformado em "grande guerreiro" e bom pai.
Espero que um dia possa existir algo como Piratas vs. Ninjas. Enquanto isso, Cowboys & Aliens será um bom exemplo de que não é só porque o tema é bobo ou absurdo que um filme deve ser feito com preguiça.
Planeta dos Macacos: A Origem
3.8 3,2K Assista AgoraDireto ao ponto: é covardia comparar o Planeta dos Macacos original e sua prequência de 2011 (e nem vamos comentar o remake de Tim Burton).
É que enquanto o original era uma ficção científica inovadora com bons questionamentos éticos e um final misterioso, a prequência é uma ficção científica comum, sem dilema ético e com muita explicação demais. Isso diminui bastante o filme mais novo comparado ao antigo, pelo que significou pro cinema e pelo impacto que causou à época.
Só o que ambos têm em comum são as técnicas inovadoras usadas pra dar feições humanas aos já bastante humanos símios, mas nada de original: é a mesma tecnologia usada em Avatar. Destaque, claro, pro Andy Serkis, "famoso" sob as peles de Gollum e King Kong, agora dando vida ao macaco César.
Mas "A Origem do Planeta dos Macacos" de jeito algum é um filme ruim, e por isso que é interessante analisá-lo sem a comparação com a obra original. E aí dá pra perceber que apesar de não ser brilhante, é um filme bastante correto. Previsível sem ser idiota, personagens nem tão profundos mas nem tão rasos com boa dinâmica entre eles, referências legais à série e uma história em boa parte desenvolvida de forma bastante competente com macacos que se comunicam com olhares, gestos e sons, mas não com fala — não deve ser fácil.
Aliás, este é realmente o grande destaque do filme. Sim, é CG e dá pra perceber. Mas a atenção dada aos detalhes dos gestos, boca, sobrancelhas, olhares e até mesmo a contração das pupilas, é um show à parte e muitas vezes são estes gestos que sozinhos contam a história. César, muito por conta disso, é o personagem mais humano do filme, seguido de seu "avô", pianista com Alzheimer numa boa interpretação de John Lithgow.
Senti falta só de mais violência. Não é sadismo meu: aqui ela daria mais realismo à obra (macacos são extremamente violentos), mas ficou a sensação que o filme foi atenuado pra se situar numa zona de recomendação etária que renda mais bilheteria.
Resumindo: vale o seu ingresso, é um filme honesto e competente.
Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres
4.0 245Me senti como tivesse sido convidado pra uma festa muito legal mas cheia de pessoas que eu não conheço e sem ninguém para me apresentá-las.
Não levem a mal, Gainsbourg é um filme muito bacana. Mas é pros iniciados. Não é exatamente uma cinebiografia como fizeram com as igualmente francesas Edith Piaf e Coco Chanel. Tá mais pra um quadrinho da Vertigo, cheio de referências, analogias e alegorias psicodélicas.
Atuações excelentes e produção muito boa, como é característico dos filmes franceses. O uso dos bonecos representando os outros 'eus' de Gainsbourg é muito bom, assim como todas as outras pitadas de psicodelia. E a infância certamente é a melhor parte do filme.
Mas "Gainsbourg" não envolve, não fascina, não te traz pra dentro. Não passa de uma cantada barata que não sobrevive à conversa que segue. Enfim, um filme sobre Gainsbourg que não seduz. Não é irônico?
Super 8
3.6 2,5K Assista AgoraSuper 8 é um filme Sessão da Tarde.
Esta opinião parece ser o único consenso entre quem se dispôs a comentar sobre Super 8, que se dividiram entre nostálgicos deslumbrados de um lado e nostálgicos blasé e os tarados por CG de outro.
Mesmo entre os críticos há essa divisão: o Pablo Villaça (Cinema em Cena) — aquele purgante em forma de crítico de cinema — não se impressionou com o Spielberganismo do filme e o achou fraco, fraco; já o Hessel (Omelete) e a resmugona da Isabela Boscov (Veja) amaram, por causa da pegada oitentista fantástica e infantil, mas inteligente.
Nos comentários dos sites e nas conversas com os amigos a divisão é idêntica: é bom porque parece Sessão da Tarde, é ruim porque parece Sessão da Tarde.
Eu serei honesto: me filio com orgulho à primeira corrente. Super 8 encontra sim suas maiores virtudes em ser uma espécie de tributo ao cinema infantojuvenil dos anos 80. Aqui, como lá, o fantástico é só pano de fundo para a descoberta, para o maravilhamento, para o incrível. E isso é muito legal e faz falta nos arrasa-quarteirões de hoje.
Pra isso funcionar, alguns requisitos são necessários, e Super 8 os tem. Vamos a eles.
Os personagens não são bidimensionais, previsíveis, clichês (é contigo, Transfomers). O elenco infantil — bem entrosado, espontâneo, autêntico — conta com personagens que poderiam ter sido amigos meus ou seus ou nós mesmos: cada um é um, mesmo eles representando estereótipos (bom ver que o gordo não é o alívio cômico).
Também não há aquela overdose de sacadas espertinhas metralhadas o tempo todo como se o filme fosse um stand up comedy épico (estou falando com você, Homem de Ferro), porque por mais que eu goste de um texto afiado (como o do Homem de Ferro), faz bem achar graça do banal — e que bom timing tem o J. J. Abrams.
Igualmente, o roteiro deixa o filme fluir. Não há situações que são meras pontes pra mais explosão ou um crescendo pra uma batalha épica mas previsível (oi, Nárnia; oi, Hulk).
Outro requisito — e mérito — de Super 8 e seus irmãos oitentistas é o otimismo, contrastando com a gravidade de um Harry Potter, Senhor dos Anéis ou do Batman de Nolan.
Por fim, Super 8 respeita a inteligência do público. O mistério aqui é quem conduz a trama, cheia de subtramas familiares menores e igualmente interessantes que dão vida aos personagens. Monstro? Antes do fim do filme, só de relance — e olhe lá. Trama previsível, final explicadinho, mastigadinho, deixando aquele gancho óbvio pra sequência? Não aqui.
Bons efeitos, aliás, mas reparaste que só agora que eu comentei sobre eles?
"Bah, só curtiste porque és nostálgico". Calma. Super 8 não é perfeito. A profundidade dos personagens, por exemplo, não vai muito além das crianças. O roteiro tem um ou outro furo e um heroísmo forçado bem ex machina, especialmente no terço final. E o resultado final não é um novo Goonies ou E.T.; longe, aliás.
"Super 8" é sim um belo tributo ao jeito Spielberg de fazer cinema pra moleque, mas sem se limitar a fazer uma mera homenagem. Possui valor também como um filme atual mesmo não se rendendo ao zeitgeist caracterizado pelo cinismo, depressão, excesso de explosões, overdose de CG e personagens de papelão. E sim, é um ótimo filme, mesmo com seus defeitos.
Resumindo? Relaxe: Super 8 é só um filme de Sessão da Tarde.
Deixe-me Entrar
3.4 1,9K Assista AgoraUm vampiro frágil atormentado por sua condição que encontra em uma pessoa alguém em quem confiar e uma paixão. Pode ser Crepúsculo e pode ser Deixe-me entrar. A diferença é que este aqui é feito do jeito certo e poderia muito bem ser (ótimo) um teen movie se não fosse tão sério e triste.
Chloe Moretz é sensacional como Abby, a vampira pré-adolescente que não sente frio nem fome e faz amizade com o solitário e franzino Owen. A relação entre os dois se desenvolve como um amor platônico em meio a assassinatos misteriosos que acontecem na cidade e aos problemas com a escola.
Não se deixe enganar pelo enredo bobo, este é um filme de terror. Aos poucos a verdadeira natureza de Abby vai se revelando, num belo crescendo até um final aterrador
(estou falando da cena do trem, não a da piscina)
Esta é a versão americana do original norueguês, que eu não conheço. Pelo jeito deve valer a pena dar uma olhada neste também. Fora a versão original há uma série de livros publicados. Com todas essas semelhanças, "Deixe-me Entrar" é definitivamente o Crepúsculo que não foi -- e o que deveria ter sido.
Meia-Noite em Paris
4.0 3,8K Assista AgoraAos desavisados, "Meia-noite em Paris" pode parecer mais um romance engraçadinho água-com-açúcar em que dois pombinhos riquinhos em roupas macias e cheirosas enfrentam um par de contratempos bobos pra no fim viverem felizes pra sempre.
E é tudo isso mesmo, mas à maneira do Woody Allen.
"Meia-noite em Paris" é simplesmente fantástico. Um filme simples, sem ângulos de câmera ousados ou cortes rápidos, sem efeitos especiais; sem também a glicose característica de Comer, Rezar, Amar e cia. ilimitada.
Nada disso aqui. Só um elenco inspirado -- Owen Wilson, aliás, naturalmente um panaca, ficou perfeito no papel -- e um texto afinado, com bom timing. Com a leveza de um conto, é na verdade um romance fantástico, mas não da mesma raça de Vanilla Sky ou Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças, que têm tons de ficção científica. É só uma bela história com uma pitada de surrealismo e um tempero de arte e literatura.
E se a simplicidade, o excesso de texto e a erudição light de Woody Allen te irritam, "Meia-noite em Paris" ao menos deve agradar com uma das mais belas Paris já retratadas no cinema.
Machete
3.6 1,5K Assista AgoraMachete é ridículo. Uma coleção de clichês de filmes de ação com mulheres gostosas e uma pitada de sacanagem aqui e ali, muito sangue e tudo exagerado.
Por isso mesmo é sensacional.
Machete é uma bela gargalhada de todos os filmes que passam no Domingo Maior, feito pra parecer sério e ao mesmo tempo ser uma grande sátira. Machete é um cara igual o seu Madruga de cabelo comprido com dez kilos de anabolizantes, bronco e feio igual o diabo, que sai por aí fazendo bungee jump com as tripas dos seus inimigos e, é claro, pega todas.
O elenco tem Steven Segal, Robert De Niro, Michelle Rodriguez, Jessica Alba e Lindsay Lohan pagando peitinho, e é claro, o sensacional Danny Trejo, o único cara capaz de meter medo no Chuck Norris.
Akira
4.3 890 Assista AgoraGuardadas as devidas proporções (e diferenças), Akira é a Branca de Neve do Japão: o maior clássico de animação nipônico de todos os tempos. Akira, assim como Branca de Neve, ainda impressiona pela qualidade, pela música, pelas belas cenas (a perseguição de motos no início do filme é eterna). E assim como Branca de Neve, é fruto de seu tempo, parecendo ao mesmo tempo atual e ultrapassado.
Mas ao contrário do inocente clássico Disney da década de 50, Akira é um filho legítimo da década de 80. A síntese que ele faz daquela época, com seu futurismo otimista mas depressivo (como em Blade Runner), os conflitos sociais, o medo de guerra atômica, a juventude perdida e a desconfiança no governo, é talvez o melhor registro do sentimento reinante da década perdida.
Se isso ainda não é suficiente pra te convencer de que Akira é um filme sensacional, saiba que ele e a animação japonesa influenciada por ele são a fonte de todo o cinema blockbuster americano atual a partir de Matrix: destruição gigantesca, câmera lenta, personagens multifacetados, efeitos ambiciosos.
Secretariat: Uma História Impossível
3.8 186 Assista AgoraTípico Disney: simples, bonito, previsível, bem-feito, lindo, totalmente família. Se você quer ver uma história de superação e gosta de cavalos e filmes de época (1960 já é antigamente, pessoal) mas não quer surpresas, este é o seu filme. Se fosse uma novela, seria uma bela novela das seis.
O Garoto de Liverpool
3.8 1,0K Assista AgoraTaí uma bela surpresa. Normalmente cinebiografias de gente famosa são pura idolatria ou a simples tentativa de fugir a isso (especialmente no Brasil, vide Cazuza e Chico Xavier). Não essa aqui do John Lennon.
O Lennon de "Garoto de Liverpool" (tradução fraquíssima para "Nowhere Boy") poderia ser qualquer adolescente rebelde da década de 60, qualquer garoto com problemas de relacionamento com a mãe ausente, qualquer garoto abusado de 16 anos. A honestidade e o realismo de bom gosto desse filme te aproximam de um deus da cultura pop de uma maneira que poucos conseguem fazer.
Durante mais ou menos 1h30min eu curti, odiei, apoiei, torci (contra e a favor), xinguei, elogiei, aprovei e rejeitei o Lennon de "Garoto de Liverpool" e me senti eu mesmo um deles. Poucos filmes te trazem tão pra dentro da história e tratam de maneira tão leve e honesta a história de uma pessoa que de tão cultuada acaba se tornando irreal.
O Lennon de "O Garoto de Liverpool" é mais real que o Lennon real e é isto que torna este filme simplesmente incrível.
Transformers: A Vingança dos Derrotados
3.2 1,4K Assista AgoraSe o primeiro filme tinha a vantagem do ineditismo e uma pitada de Spielberg, esse aqui é mais do mesmo. Continua sendo um filme de Sessão da Tarde (mesmo sem cachorros falantes), mas agora no mau sentido da coisa. O roteiro, que no primeiro era só bobo, agora cai pra idiota, e os efeitos -- ainda sensacionais -- não surpreendem mais. Dá no mesmo assistir Transformers 2 ou ver crianças brincando de bonequinhos enquanto você coloca uma panela na sua cabeça e bate com uma colher.
Transformers
3.4 1,3K Assista AgoraTransformers é o típico filme de Sessão da Tarde (ou ao menos deveria ser, mas não tem nenhum cachorro falante) e não deve ser levado a sério. O roteiro é bobo e não surpreende nem criança e tudo é uma desculpa pra mostrar robôs hiper-mega-boga bem feitos em CG. Destaque pro toque mágico de Spielberg (que é produtor executivo) lá pelo começo do filme, especialmente na parte em que Sam tenta esconder robôs gigantes no quintal de sua casa pra não espantar os pais.
Thor
3.3 3,1K Assista AgoraTHOR é legal, pra ver com pipoca e esperar pouca coisa. Relaxe com a fraca atuação, relaxe com a pouca fidelidade aos quadrinhos, relaxe com o roteiro besta e forçado, relaxe com o Hopkins atuando no automático. É um sério candidato a campeão da Sessão da Tarde (abaixo os cachorros falantes!), tem efeitos legais, bom humor e boa ação. Compre um refri de 500ml e um sacão de pipocas e esqueça da vida. Aí você vai curtir Thor. E não deixe de ver a cena pós-créditos!
Os Agentes do Destino
3.5 1,1K Assista AgoraRomance fantástico. Um irmão menos brilhante de "Vanilla Sky" ou "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" com uma pitada de "Matrix". Despretensioso, competente, bem-feito, mas não é fantástico. Vale o ingresso.