Revigorante assistir uma série que não pretende ensinar algo ou dar lição de moral e, ao invés disso, reúne um grupo de personagens imperfeitos e moralmente dúbios, de maneira a contemplar o absurdo do cotidiano. Mesmo sendo uma série de comédia, "Seinfeld" demonstra maturidade ao bolar histórias particulares à vida adulta sem qualquer romantização, como se se afastar das sitcoms dos anos 80 fosse mais que uma escolha mercadológica, mas uma afirmação - quase um protesto. Prestes a completar 40 anos, "Seinfeld" rejeita a glamourização da vida adulta, representando-a como um ciclo interminável de pequenos aborrecimentos e grandes preocupações, e a autonomia é sufocada por discussões vazias, relacionamentos superficiais e a exaustiva busca por realização pessoal.
Mas também, sendo influenciada por Dudu Marchiori - o deus do stand up -, o sucesso de “Seinfeld” era inevitável.
Lindo episódio final. O mais fascinante da série é o frescor da trama mesmo após dez anos de estreia. O tempo passa e "Bob's Burgers" mantem o humor sacana e cria conexões reais e significativas entre seus personagens.
É sempre um deleite assistir tramas históricas que prezam pela autenticidade. Se a obra pretende fisgar a atenção do público, deve reconstruir com a maior fidedignidade possível os aspectos que deram cor e vida à sociedade que se pretende ilustrar. O espectador precisa sentir-se parte de um mundo que nunca experimentou, caso contrário, todo o esforço de milhares de profissionais será em vão. Em outras palavras, deve-se contar uma boa mentira não para enganar a audiência, mas fazê-la imaginar uma realidade distante no tempo e no espaço. Essa é a maior virtude de “Shogun”.
A série possui uma caracterização primorosa, abrangendo figurino, aspectos culturais como a poesia, a cerimônia do chá, o teatro noh e a importância das cortesãs, cenários belíssimos (quem diria que o Canadá tem tanto em comum com o Japão?), a mescla de elementos tradicionais e ocidentais para a composição de uma trilha sensacional, além de prezar por um elenco japonês e diálogos em língua nativa. Os produtores demonstraram enorme cuidado na representação de uma sociedade tão poética e estoica quanto sanguinária e impiedosa, o espectador vê-se imerso em episódios que contrastam cenas de sutil beleza com momentos de tempestuosa violência.
Ademais, a série tomou duas escolhas essenciais para subir em meu conceito: a imparcialidade no contraste de duas culturas distintas e o papel das mulheres na trama. Confesso não ter lido a obra original, contudo, percebo a atenção dos produtores em não cair na armadilha do white savior, tão comum em obras cujo protagonista europeu/americano encontra-se ambientado em contexto estrangeiro. Em “Shogun”, é pontuado o preconceito dos japoneses e europeus, cada qual tomando o outro por bárbaro, e mesmo a narrativa não gira em torno de John Blackthorne, ainda que seja o personagem principal. Em fato, boa parte do tempo ele é apenas um acessório, a narrativa não se desenvolve por sua causa. Reitero, não acompanhei o livro, mas a série não oferece apenas a perspectiva do homem branco, todos os envolvidos têm sua visão de mundo respeitada, quer você concorde com ela ou não. E se há espaço para ilustrar as diferenças, as semelhanças também são abordadas; na interseccionalidade das relações, os personagens aprendem a respeitar e, por vezes, admirar aquilo que os distancia ou aproxima.
E as mulheres são a maior das surpresas. Não são apenas adornos, não existem para a satisfação dos homens nem ali estão como satélites de um mundo masculino. Representam força, determinação, ousadia, beleza e astúcia, e constantemente comandam o jogo político, direta ou indiretamente. E não raramente quando os homens dominam o tabuleiro, o fazem com permissão delas. Controlar os movimentos das peças sem dar indício de tal, isso é poder.
Diante de tantos pontos positivos, as ressalvas são poucas. O personagem John Blackthorne me agradou, mas não seu intérprete. A qualidade de Cosmo Jarvis não segue a de seus colegas, e em certas situações lembra um Tom Hardy impolido, a fala, os acessos de raiva e demais maneirismos. Além disso, faltou buscar atores que falassem português, afinal, alguns diálogos são nessa língua, os personagens deixam isso claro, mas a conversa segue em inglês. Entretanto, sendo bem sincero, não é nada que afete a imersão do espectador nem a qualidade da obra. “Shogun” é um épico narrativo construído com esmero e diferente de tudo que foi produzido para a televisão, até então.
“Senna” tenta igualar o ritmo daquele que é discutivelmente o maior piloto de todos os tempos mas falha na execução, apresentando uma narrativa assaz acelerada como se corresse contra o tempo para chegar nos momentos de glória de Ayrton. Um circuito também é feito de curvas e chicanes, mas infelizmente a série pisa no acelerador como se estivesse numa reta sem fim.
Dito isso, o elenco é sensacional, em particular Matt Mella que parece o mais fiel dos personagens na pele do francês Prost; o malandro acertou na voz, no olhar e até no nariz. Gabriel Leone fez um bom trabalho, realmente há semelhanças físicas entre o ator e Senna, conseguiu reproduzir a cadência do atleta ao ponto de nos convencer, contudo, ao abrir a boca a magia se desfaz. A semelhança é apenas física. Xuxa, Galvão e Lauda também foram bem representados. A única exceção é a personagem fictícia de Kaya Scodelario, irritantemente onipresente na trama; o papel controverso da mídia poderia ser representado de forma mais interessante. A ambientação beira à perfeição, desde um simples bar de um bairro qualquer até aparelhos eletrônicos, as famosas marcas que embelezaram os clássicos macacões dos pilotos e, não menos importante, as réplicas de alguns dos carros mais charmosos do esporte. Nesse quesito é um feito impressionante, mas esperado, afinal, “Senna” é a mais cara produção nacional até então.
Entretanto, o ritmo demasiadamente veloz da narrativa diminui os momentos marcantes de uma carreira brilhante. E poderia ser diferente com apenas seis episódios? Não há real desenvolvimento dos personagens e isso fatalmente diminui o impacto das conquistas. É como tentar pilotar uma Williams FW16, com o perdão da fúnebre analogia; instável e insustentável. A série acaba por reduzir ou ocultar relações e acontecimentos de extrema importância para a construção do mito Ayrton Senna, como a rivalidade com Piquet, as disputas com Mansell, temporadas inteiras, o namoro com Galisteu e mesmo a ligação do piloto com seus fãs sofre um baque. Efetivamente, “Senna” torna-se apenas um amálgama de acontecimentos; em outras palavras, um resumão.
Transmitir a real dimensão de Ayrton Senna é tarefa impossível. Quem testemunhou não saberia explicar e quem não teve a mesma sorte jamais entenderá. O surgimento do maior herói nacional deu-se em meio a um oceano de traumas, no seio de um povo desolado e miserável. A repetição do fenômeno que marcou o domingo de incontáveis famílias brasileiras só se daria sob condições semelhantes. Para o bem do Brasil e de seu povo, que continue existindo apenas um Senna.
Assistir anime hoje em dia é abdicar de alguns milhões de neurônios, é pedir pro qi diminuir. Tudo infantilizado, exageradamente fofo, zero senso estético, valor artístico nulo. Serve apenas pra enfeitiçar adultos clt com necessidade urgente de histórias escapistas.
A segunda temporada de Arcane tropeça nas próprias pernas e tenta abocanhar mais do que é capaz. Na ânsia de ser tão impressionante visualmente quanto a primeira temporada, esta sequência acaba por enrolar quando não precisa e acelerar quando não deve. Há um grave problema de ritmo onde as personagens não saem do lugar, acompanhar Vi e Cait é ter a certeza de estar preso num loop eterno; todo episódio se torna a mesma coisa. A mudança da Jinx em vítima e mártir soa artificial se comparada à sua jornada na S01. Os momentos de avanço na história se dão nas cinemáticas, o que demonstra superficialidade ou, no mínimo, a necessidade de correr contra o tempo para encaixar a história dentro do cronograma de 9 episódios de 40 minutos. E isso tirou o brilho de muito personagem que passa despercebido nessa S02.
A narrativa visual, apesar de tão bela quanto há três anos, perde potência por não estar acompanhada de um roteiro ágil e objetivo. Teria a S01 colocado o sarrafo lá no alto? Prefiro acreditar que foram apenas decisões equivocadas de desenvolvimento. É do jogo, acontece, pelo menos rendeu algumas edits no Twitter. Resta-nos esperar que o próximo projeto tenha um objetivo claro e o siga.
Depois de assistir e ler tanta coisa você percebe quão desinteressante é o enredo de Frieren e quão absolutamente esquecível é o universo da obra. O brilho desse anime reside justamente na incapacidade da indústria em criar animes minimamente decentes, então, naturalmente Frieren vai parecer melhor que seus pares.
Dito isso, se você tem experiências significativas de vida vai compreender que Sousou no Frieren não tem muito pra dialogar; contudo, se possui perspectivas limitadas e está preso numa bolha, possivelmente encarará como o melhor anime de todos os tempos da última semana.
Minha filha de três anos – doutor, essa é a idade pra se ter. Sempre pensei que se pudesse voltar no tempo gostaria de ser adolescente mas você nunca é tão feliz como aos três anos de idade. Eu olho minha filha e é incrível. Outro dia ela estava olhando pela janela do carro por quinze minutos com um sorriso no rosto. Não aguentei e finalmente perguntei: “Alexandria, o que você tá pensando?” “Doce.” Doce, doce. Quando foi a última vez que você pode sonhar acordado com doce? Já teve aqueles momentos do dia que você podia preencher com doce? Não, você não pode, porque você é um adulto. Tem muitas outras coisas agora. “Ah, quem sou eu? Por que estou aqui? Eu sou gay? O que é esse caroço?” Não há espaço para doce.
Temporada mediana com alguns bons momentos. A trama sofre com a pouca experiência dos atores mirins, salvo o desenvolto Fred Savage. Alguns personagens avulsos e sem muito tempo de tela como Paul, que deveria ser o melhor amigo do protagonista mas é apresentado mais como um cachorrinho que segue Kevin pra todos os lugares.
A trilha sonora e o clima nostálgico é capaz de cativar o espectador, como quando Kevin relembra momentos divertidos com o pai ao som de Blackbird dos Beatles.
Após tantas bebedeiras e os excessos que marcaram as temporadas anteriores de Mad Men, a S06 surge como uma grande ressaca onde os personagens agora precisam encarar a realidade de seus vícios morais.
As relações de Don são tão absurdamente envenenadas por seu passado e mentiras que até mesmo quando decide por uma atitude altruísta seus atos acabam por machucar aqueles à sua volta.
Pouco a pouco o protagonista sente-se mais confortável em compartilhar sua vida, e a cena final é um tanto quanto otimista, a medida que ele entra em contato com seu passado espontaneamente e convida os filhos a fazerem parte disso; nas vezes em que isso aconteceu era pelo simples fato de estar encurralado, sem nenhuma opção. Estaria Don preparando-se para aceitar sua própria história e dar uma conclusão ao seu passado, evitando a dolorosa opção de recomeçar sozinho?
Confesso que a série me inspira uma relação de amor e ódio. A primeira temporada é entediante, o plot de Abigail Hobbs estende-se demasiadamente sem dar indícios de conclusão. Abigail que diga-se de passagem é uma personagem extremamente apática, em parte pela insossa atuação de Kacey Hols, que derramava litros de lágrimas em todas as cenas. A segunda temporada é brilhante, William Graham em pedaços e o embelezamento da morte. Cada assassinato era como uma obra de arte, é nessa temporada em que a qualidade técnica da série atinge o ápice, proporcionando ao espectador cenas bem orquestradas e assassinatos de rara beleza. E então surge a montanha-russa que é a terceira e última temporada.
Poderia resumir a S03 como um clássico exemplo de estilo sem substância. A primeira metade da temporada é recheada de inúteis cenas em câmera lenta com foque em água, comida ou algum outro elemento periférico, sem contar a horrorosa trilha sonora, uma mistura de Blue Man Group e esclerose múltipla. Os efeitos especiais não ficam atrás, completamente bizarros. A ruindade é tanta que conseguiram estragar uma cena lésbica. Esse é o nível. No que tange o enredo me limito a criticar a péssima resolução do irritante arco Verger, tudo foi resolvido em meros 10 minutos, capturando a fera e depois a soltando para fazer o trabalho sujo. Talvez uma simples consequência da baixa audiência.
O que salvou a S03 do completo desastre foi o arco do Dragão Vermelho, introduzindo um serial killer tão interessante quanto Hannibal, com um ritmo definido e que de fato leva a algum lugar. O final é surpreendente e muito bem executado. E nada de perder tempo com cenas desinteressantes de água ou sangue jorrando em câmera lenta em direção ao nada.
Particularmente o que me instigou na série foi o personagem de Hannibal, que não é uma força incontrolável como Francis Dolarhyde, ou um sádico ao estilo Verger tampouco traumatizado como Buffalo Bill. Hannibal nos atinge pelo uso da lógica em seus atos, como se o canibalismo fosse apenas um chamado da nossa própria natureza. Na sua condição de psiquiatra, ele nos pega desprevenidos com sua racionalidade e charmosa capacidade de persuasão. Hannibal Lecter prende nossa atenção ao mostrar que o profano, o macabro também pode ser belo e sofisticado.
O que a princípio surgiu como uma das piores temporadas que vi, terminou deixando saudades e um gostinho de quero mais.
A qualidade da obra reside na simplicidade, na capacidade de fazer mais com o menos. Uma produção inteligente que aposta no desenvolvimento de personagens ao invés de plots mirabolantes, perseguições e tiroteios e efeitos especiais desnecessários. Isso dá uma noção de realidade muito grande à série.
Os personagens são os grandes motores da obra. O maior exemplo disso é a combativa Niska, uma sintética estrategicamente inserida num contexto onde relaciona-se com um idoso e uma criança, representando a sabedoria e curiosidade do homem, para assim ter sua perigosa visão separatista máquina/ser humano enfrentada.
A segunda temporada será ansiosamente aguardada. Grata surpresa!
Uma comédia que utiliza os mesmos elementos de tanta outras (relações familiares) de uma forma diferente, sendo a quebra da barreira entre personagem/espectador o grande diferencial, dando a oportunidade do público ser inserido diretamente na história.
A química entre os atores é sensacional, Jane Kaczmarek está incrível no papel da mãe autoritária Lois. É possível identificar-se com bastantes situações e mesmo com alguns personagens. Timing perfeito para o personagem Francis, que possui plot próprio utilizado de forma sensata, sem sobressair-se ou ofuscar-se.
Comédia sem piadas repetidas e chavões, que aposta no básico e acerta em cheio. Divertida, descompromissada e viciante.
Sensacional acompanhar o desenvolvimento de um chefe de duas famílias e entender quem é a figura carismática, sombria e perturbada de Tony Soprano. Uma atmosfera bem diferente das histórias de máfia habituais, extremamente dissertativa, afinal o telespectador tem o primeiro contato com o protagonista numa sala de terapia. Definitivamente um marco na tv mundial e exemplo a ser seguido.
Restam saudades de Tony de pijamas indo buscar jornal pela manhã, Silvio com sua imitação de Michael Corleone, Paulie e seu "he he" e estranhas superstições, Chris e seus acessos de raiva, e os xingamentos elaborados de tio Junior, entre outros.
Uma temporada irrepreensível. Percebe-se uma intensa exploração das personalidades e relações familiares entre os Sopranos, sobretudo Tony e seus filhos; Moltisanti finalmente subindo no mundo da máfia e encarando a responsabilidade de ser um chefe; insubordinação e descontentamento por parte de Ralphie e Jackie Junior; o conturbado envolvimento entre Dr. Melfi e seus pacientes; sem contar na personagem Gloria, que em poucos episódios foi capaz de reafirmar alguns pontos fundamentais na personalidade de Tony Soprano.
A sensação é de estarmos diante de um acontecimento cinematográfico por treze sensacionais episódios, resultado de uma inteligente produção, elenco competente e belíssima direção.
Bom saber que James Gandolfini tenha sido premiado com um Emmy naquele que considero meu episódio favorito da temporada "Amour Fou" (S03E12).
Uma tragédia de series finale. Um enredo que há algum tempo sinalizava uma condução indecisa trouxe desfechos miseráveis. Personagens pequenos eram mortos sem que você se importasse ou a própria morte deles causasse impacto na história, personagens outrora importantes descartados de qualquer maneira. Aliado a isso temos um time skip de sete anos, aproximadamente, onde o personagens mudam e você sequer compreende a mudança. Não que os produtores precisassem de várias temporadas para caracterizar seus personagens, mas não dá para levar a sério a brusca mudança no comportamento de Luciano, a ascensão de Benny Siegel que o telespectador nem lembra que existe mas surge como um palhacinho mafioso, é inconcebível ver Chalky completamente descaracterizado, é impossível sentir algo por Capone (digo isso pensando na cena entre ele e seu filho surdo, como se emocionar sendo que a relação deles nunca foi explorada, o filho teve um mínimo papel na história toda, sobretudo na última temporada?).
Creio que dois pontos foram capazes de prender minha atenção: os flashbacks de um jovem e ávido Nucky Thompson, irrepreensivelmente interpretado por Marc Pickering, e Michael Shannon, cuja intimidadora atuação foi capaz de sobrepujar a pífia trajetória de seu personagem nesta quinta temporada.
Bom, pelo menos não há mais estrago algum a ser feito.
Através de narrativa episódica e comicidade espontânea, "Kuuchuu Buranko" aborda problemas contemporâneos como stress, ansiedade, distanciamento e alienação sem cair no clichê, sendo prova de que é possível falar de situações complexas com leveza e senso de originalidade. Com prodigiosa animação experimental e comédia afiada, "Kuuchuu Buranko" é uma joia da animação japonesa que se opõe ao estilo em vigor da indústria de contar histórias e nega as convenções de comédia-apelativa-sexualizada-retardada.
Espere sair do senso comum ao embarcar nas estranhas aventuras do excêntrico Dr. Ibaru e seus complexados pacientes.
“Em toda era e em todo local, os feitos dos homens permanecem os mesmos.” É com essa premissa que LotGH, em forma de space opera, recria a luta da humanidade por igualdade e justiça através de duas sociedades em guerra afligidas por uma questão que inúmeros pensadores históricos tentaram responder: monarquia ou democracia?
Na centenária guerra entre o Império Galáctico e a Aliança dos Planetas Livres dois gênios surgem, Reinhard Von Lohengramm e Yang Wen-li, respectivamente. Com objetivos próprios porém semelhantes, enfrentam-se em batalhas épicas visando a completa instalação de um governo mais justo mas rejeitando veementemente a política rival. Reinhard, nascido em uma família aristocrática empobrecida, é um jovem ambicioso que jura vingança à opressora nobreza quando o pai aceita que sua irmã Annerose seja concubina do imperador em troca de dinheiro, desejoso em derrotar a dinastia Goldenbaum, alista-se na frota imperial afim de libertar sua irmã e conquistar o universo. Yang, por sua vez, quer ser um historiador e a única possibilidade é entrando no exército. Por ironia do destino, ele próprio está destinado a fazer parte da história. Defensor da ideia de que a pior democracia ainda é mais digna que a melhor ditadura, encontra-se em meio a manobras políticas enquanto precisa enfrentar um império com mais recursos e que conta com o assombroso talento de Reinhard. Yang ainda precisa encarar a responsabilidade de carregar nas costas as milhares de vidas sacrificadas. Os dois rivais serão mudados pela cruel realidade da guerra.
Por meio de diálogos inteligentes e estratagemas LotGH disseca as esperanças de pessoas em um mundo dominado pela guerra. Cada uma das personagens possui relevante papel na história como Kircheis, amigo de infância de Reinhard e único ser capaz de frear sua impetuosidade e arrogância; Oberstein, contrariado pela incompetência de seus superiores, que assume ares maquiavélicos ao ser o almirante disposto a sacrifícios para o melhor funcionamento da dinastia, mesmo que isso o faça alvo do ódio de seus companheiros; Mittermeyer, apelidado de “Lobo da Rajada de Vento” por sua furiosa mobilidade em campo de batalha, destemido, leal e justo almirante; Reuenthal, orgulhosa figura trágica e brilhante estrategista com tendências auto-destrutivas, salvo de si mesmo por seu único amigo Mittermeyer; Julian Minci, jovem responsável por organizar a vida do preguiçoso Wen-li, influenciado profundamente por Wen-li, sonha em seguir seus passos e tornar-se soldado mesmo que precise contrariar seu tutor; Job Truniht, o político inescrupuloso que para saciar seus interesses sugará tanto a Aliança quanto o Império.
Mas o que acontece quando homens nascidos na guerra encontram a paz, aceitarão o pacato futuro que os aguarda, encontrarão rivais à altura de seus clamores por glória, farão de seus companheiros esses rivais? Como as futuras gerações se lembrarão dos heróis do presente? Essas e outras perguntas são discutidas em LotGH, o mais ambicioso e melhor anime já criado.
Resultado da união de um dos diretores mais criativos e um dos mangakás mais inventivos da atualidade, "Ping Pong" subverte o padrão convencional da indústria no Japão, uma nova maneira de contar história, com traços inconvencionais e trilha sonora pulsante. Apostando na originalidade e menos na teatralidade acompanhamos uma obra única, o esporte que para muitos pode soar desinteressante, é dinâmico e enérgico. Abrindo mão do didatismo, o espectador é tragado pela incrível construção dos personagens, uma constante nas obras de Taiyou Matsumoto. É dada a oportunidade dos animes atingirem um diferente nível.
Não bastasse alguns furos no roteiro como a preocupação de Gus em contar que disparou contra Molly (algo que inevitavelmente seria descoberto através do exame de balística, e um plot rapidamente abandonado) temos um final onde Lester e Malvo morrem de maneira incrivelmente ridícula, como se, principalmente Malvo, anos depois dos acontecimentos envolvendo a mulher de Lester, retornasse à história apenas para que sua morte surpreendesse o público. A ironia que ditava os rumos da história no início se torna uma piada sem graça.
Seinfeld (1ª Temporada)
4.1 184 Assista AgoraRevigorante assistir uma série que não pretende ensinar algo ou dar lição de moral e, ao invés disso, reúne um grupo de personagens imperfeitos e moralmente dúbios, de maneira a contemplar o absurdo do cotidiano. Mesmo sendo uma série de comédia, "Seinfeld" demonstra maturidade ao bolar histórias particulares à vida adulta sem qualquer romantização, como se se afastar das sitcoms dos anos 80 fosse mais que uma escolha mercadológica, mas uma afirmação - quase um protesto. Prestes a completar 40 anos, "Seinfeld" rejeita a glamourização da vida adulta, representando-a como um ciclo interminável de pequenos aborrecimentos e grandes preocupações, e a autonomia é sufocada por discussões vazias, relacionamentos superficiais e a exaustiva busca por realização pessoal.
Mas também, sendo influenciada por Dudu Marchiori - o deus do stand up -, o sucesso de “Seinfeld” era inevitável.
Spy x Family (1ª Temporada - Parte I)
4.4 77 Assista AgoraPorcarias como essa têm feito a alegria da mlkada? Me deu depressão. Tenho pouco tempo de vida pra gastar com anime genérico.
Bob's Burgers (13ª Temporada)
4.1 7Lindo episódio final. O mais fascinante da série é o frescor da trama mesmo após dez anos de estreia. O tempo passa e "Bob's Burgers" mantem o humor sacana e cria conexões reais e significativas entre seus personagens.
Xógum: A Gloriosa Saga do Japão (1ª Temporada)
4.1 186 Assista AgoraÉ sempre um deleite assistir tramas históricas que prezam pela autenticidade. Se a obra pretende fisgar a atenção do público, deve reconstruir com a maior fidedignidade possível os aspectos que deram cor e vida à sociedade que se pretende ilustrar. O espectador precisa sentir-se parte de um mundo que nunca experimentou, caso contrário, todo o esforço de milhares de profissionais será em vão. Em outras palavras, deve-se contar uma boa mentira não para enganar a audiência, mas fazê-la imaginar uma realidade distante no tempo e no espaço. Essa é a maior virtude de “Shogun”.
A série possui uma caracterização primorosa, abrangendo figurino, aspectos culturais como a poesia, a cerimônia do chá, o teatro noh e a importância das cortesãs, cenários belíssimos (quem diria que o Canadá tem tanto em comum com o Japão?), a mescla de elementos tradicionais e ocidentais para a composição de uma trilha sensacional, além de prezar por um elenco japonês e diálogos em língua nativa. Os produtores demonstraram enorme cuidado na representação de uma sociedade tão poética e estoica quanto sanguinária e impiedosa, o espectador vê-se imerso em episódios que contrastam cenas de sutil beleza com momentos de tempestuosa violência.
Ademais, a série tomou duas escolhas essenciais para subir em meu conceito: a imparcialidade no contraste de duas culturas distintas e o papel das mulheres na trama. Confesso não ter lido a obra original, contudo, percebo a atenção dos produtores em não cair na armadilha do white savior, tão comum em obras cujo protagonista europeu/americano encontra-se ambientado em contexto estrangeiro. Em “Shogun”, é pontuado o preconceito dos japoneses e europeus, cada qual tomando o outro por bárbaro, e mesmo a narrativa não gira em torno de John Blackthorne, ainda que seja o personagem principal. Em fato, boa parte do tempo ele é apenas um acessório, a narrativa não se desenvolve por sua causa. Reitero, não acompanhei o livro, mas a série não oferece apenas a perspectiva do homem branco, todos os envolvidos têm sua visão de mundo respeitada, quer você concorde com ela ou não. E se há espaço para ilustrar as diferenças, as semelhanças também são abordadas; na interseccionalidade das relações, os personagens aprendem a respeitar e, por vezes, admirar aquilo que os distancia ou aproxima.
E as mulheres são a maior das surpresas. Não são apenas adornos, não existem para a satisfação dos homens nem ali estão como satélites de um mundo masculino. Representam força, determinação, ousadia, beleza e astúcia, e constantemente comandam o jogo político, direta ou indiretamente. E não raramente quando os homens dominam o tabuleiro, o fazem com permissão delas. Controlar os movimentos das peças sem dar indício de tal, isso é poder.
Diante de tantos pontos positivos, as ressalvas são poucas. O personagem John Blackthorne me agradou, mas não seu intérprete. A qualidade de Cosmo Jarvis não segue a de seus colegas, e em certas situações lembra um Tom Hardy impolido, a fala, os acessos de raiva e demais maneirismos. Além disso, faltou buscar atores que falassem português, afinal, alguns diálogos são nessa língua, os personagens deixam isso claro, mas a conversa segue em inglês. Entretanto, sendo bem sincero, não é nada que afete a imersão do espectador nem a qualidade da obra. “Shogun” é um épico narrativo construído com esmero e diferente de tudo que foi produzido para a televisão, até então.
Senna
4.0 239“Senna” tenta igualar o ritmo daquele que é discutivelmente o maior piloto de todos os tempos mas falha na execução, apresentando uma narrativa assaz acelerada como se corresse contra o tempo para chegar nos momentos de glória de Ayrton. Um circuito também é feito de curvas e chicanes, mas infelizmente a série pisa no acelerador como se estivesse numa reta sem fim.
Dito isso, o elenco é sensacional, em particular Matt Mella que parece o mais fiel dos personagens na pele do francês Prost; o malandro acertou na voz, no olhar e até no nariz. Gabriel Leone fez um bom trabalho, realmente há semelhanças físicas entre o ator e Senna, conseguiu reproduzir a cadência do atleta ao ponto de nos convencer, contudo, ao abrir a boca a magia se desfaz. A semelhança é apenas física. Xuxa, Galvão e Lauda também foram bem representados. A única exceção é a personagem fictícia de Kaya Scodelario, irritantemente onipresente na trama; o papel controverso da mídia poderia ser representado de forma mais interessante. A ambientação beira à perfeição, desde um simples bar de um bairro qualquer até aparelhos eletrônicos, as famosas marcas que embelezaram os clássicos macacões dos pilotos e, não menos importante, as réplicas de alguns dos carros mais charmosos do esporte. Nesse quesito é um feito impressionante, mas esperado, afinal, “Senna” é a mais cara produção nacional até então.
Entretanto, o ritmo demasiadamente veloz da narrativa diminui os momentos marcantes de uma carreira brilhante. E poderia ser diferente com apenas seis episódios? Não há real desenvolvimento dos personagens e isso fatalmente diminui o impacto das conquistas. É como tentar pilotar uma Williams FW16, com o perdão da fúnebre analogia; instável e insustentável. A série acaba por reduzir ou ocultar relações e acontecimentos de extrema importância para a construção do mito Ayrton Senna, como a rivalidade com Piquet, as disputas com Mansell, temporadas inteiras, o namoro com Galisteu e mesmo a ligação do piloto com seus fãs sofre um baque. Efetivamente, “Senna” torna-se apenas um amálgama de acontecimentos; em outras palavras, um resumão.
Transmitir a real dimensão de Ayrton Senna é tarefa impossível. Quem testemunhou não saberia explicar e quem não teve a mesma sorte jamais entenderá. O surgimento do maior herói nacional deu-se em meio a um oceano de traumas, no seio de um povo desolado e miserável. A repetição do fenômeno que marcou o domingo de incontáveis famílias brasileiras só se daria sob condições semelhantes. Para o bem do Brasil e de seu povo, que continue existindo apenas um Senna.
Yubisaki to Renren
4.2 14 Assista AgoraAssistir anime hoje em dia é abdicar de alguns milhões de neurônios, é pedir pro qi diminuir. Tudo infantilizado, exageradamente fofo, zero senso estético, valor artístico nulo. Serve apenas pra enfeitiçar adultos clt com necessidade urgente de histórias escapistas.
Lixosaki to ruimruim.
Arcane (2ª Temporada)
4.3 163A segunda temporada de Arcane tropeça nas próprias pernas e tenta abocanhar mais do que é capaz. Na ânsia de ser tão impressionante visualmente quanto a primeira temporada, esta sequência acaba por enrolar quando não precisa e acelerar quando não deve. Há um grave problema de ritmo onde as personagens não saem do lugar, acompanhar Vi e Cait é ter a certeza de estar preso num loop eterno; todo episódio se torna a mesma coisa. A mudança da Jinx em vítima e mártir soa artificial se comparada à sua jornada na S01. Os momentos de avanço na história se dão nas cinemáticas, o que demonstra superficialidade ou, no mínimo, a necessidade de correr contra o tempo para encaixar a história dentro do cronograma de 9 episódios de 40 minutos. E isso tirou o brilho de muito personagem que passa despercebido nessa S02.
A narrativa visual, apesar de tão bela quanto há três anos, perde potência por não estar acompanhada de um roteiro ágil e objetivo. Teria a S01 colocado o sarrafo lá no alto? Prefiro acreditar que foram apenas decisões equivocadas de desenvolvimento. É do jogo, acontece, pelo menos rendeu algumas edits no Twitter. Resta-nos esperar que o próximo projeto tenha um objetivo claro e o siga.
Agora é orar, Scarpinha.
Frieren e a Jornada para o Além (1ª Temporada)
4.6 110 Assista AgoraDepois de assistir e ler tanta coisa você percebe quão desinteressante é o enredo de Frieren e quão absolutamente esquecível é o universo da obra. O brilho desse anime reside justamente na incapacidade da indústria em criar animes minimamente decentes, então, naturalmente Frieren vai parecer melhor que seus pares.
Dito isso, se você tem experiências significativas de vida vai compreender que Sousou no Frieren não tem muito pra dialogar; contudo, se possui perspectivas limitadas e está preso numa bolha, possivelmente encarará como o melhor anime de todos os tempos da última semana.
Chernobyl
4.7 1,4K Assista AgoraBora, byl!!
Dr. Katz, Terapeuta Profissional
4.1 4Minha filha de três anos – doutor, essa é a idade pra se ter. Sempre pensei que se pudesse voltar no tempo gostaria de ser adolescente mas você nunca é tão feliz como aos três anos de idade. Eu olho minha filha e é incrível. Outro dia ela estava olhando pela janela do carro por quinze minutos com um sorriso no rosto. Não aguentei e finalmente perguntei: “Alexandria, o que você tá pensando?” “Doce.” Doce, doce. Quando foi a última vez que você pode sonhar acordado com doce? Já teve aqueles momentos do dia que você podia preencher com doce? Não, você não pode, porque você é um adulto. Tem muitas outras coisas agora. “Ah, quem sou eu? Por que estou aqui? Eu sou gay? O que é esse caroço?” Não há espaço para doce.
Anos Incríveis (1ª Temporada)
4.6 229Temporada mediana com alguns bons momentos. A trama sofre com a pouca experiência dos atores mirins, salvo o desenvolto Fred Savage. Alguns personagens avulsos e sem muito tempo de tela como Paul, que deveria ser o melhor amigo do protagonista mas é apresentado mais como um cachorrinho que segue Kevin pra todos os lugares.
A trilha sonora e o clima nostálgico é capaz de cativar o espectador, como quando Kevin relembra momentos divertidos com o pai ao som de Blackbird dos Beatles.
Mad Men (6ª Temporada)
4.5 166 Assista AgoraApós tantas bebedeiras e os excessos que marcaram as temporadas anteriores de Mad Men, a S06 surge como uma grande ressaca onde os personagens agora precisam encarar a realidade de seus vícios morais.
As relações de Don são tão absurdamente envenenadas por seu passado e mentiras que até mesmo quando decide por uma atitude altruísta seus atos acabam por machucar aqueles à sua volta.
Pouco a pouco o protagonista sente-se mais confortável em compartilhar sua vida, e a cena final é um tanto quanto otimista, a medida que ele entra em contato com seu passado espontaneamente e convida os filhos a fazerem parte disso; nas vezes em que isso aconteceu era pelo simples fato de estar encurralado, sem nenhuma opção. Estaria Don preparando-se para aceitar sua própria história e dar uma conclusão ao seu passado, evitando a dolorosa opção de recomeçar sozinho?
Hannibal (3ª Temporada)
4.3 764 Assista AgoraConfesso que a série me inspira uma relação de amor e ódio. A primeira temporada é entediante, o plot de Abigail Hobbs estende-se demasiadamente sem dar indícios de conclusão. Abigail que diga-se de passagem é uma personagem extremamente apática, em parte pela insossa atuação de Kacey Hols, que derramava litros de lágrimas em todas as cenas. A segunda temporada é brilhante, William Graham em pedaços e o embelezamento da morte. Cada assassinato era como uma obra de arte, é nessa temporada em que a qualidade técnica da série atinge o ápice, proporcionando ao espectador cenas bem orquestradas e assassinatos de rara beleza. E então surge a montanha-russa que é a terceira e última temporada.
Poderia resumir a S03 como um clássico exemplo de estilo sem substância. A primeira metade da temporada é recheada de inúteis cenas em câmera lenta com foque em água, comida ou algum outro elemento periférico, sem contar a horrorosa trilha sonora, uma mistura de Blue Man Group e esclerose múltipla. Os efeitos especiais não ficam atrás, completamente bizarros. A ruindade é tanta que conseguiram estragar uma cena lésbica. Esse é o nível. No que tange o enredo me limito a criticar a péssima resolução do irritante arco Verger, tudo foi resolvido em meros 10 minutos, capturando a fera e depois a soltando para fazer o trabalho sujo. Talvez uma simples consequência da baixa audiência.
O que salvou a S03 do completo desastre foi o arco do Dragão Vermelho, introduzindo um serial killer tão interessante quanto Hannibal, com um ritmo definido e que de fato leva a algum lugar. O final é surpreendente e muito bem executado. E nada de perder tempo com cenas desinteressantes de água ou sangue jorrando em câmera lenta em direção ao nada.
Particularmente o que me instigou na série foi o personagem de Hannibal, que não é uma força incontrolável como Francis Dolarhyde, ou um sádico ao estilo Verger tampouco traumatizado como Buffalo Bill. Hannibal nos atinge pelo uso da lógica em seus atos, como se o canibalismo fosse apenas um chamado da nossa própria natureza. Na sua condição de psiquiatra, ele nos pega desprevenidos com sua racionalidade e charmosa capacidade de persuasão. Hannibal Lecter prende nossa atenção ao mostrar que o profano, o macabro também pode ser belo e sofisticado.
O que a princípio surgiu como uma das piores temporadas que vi, terminou deixando saudades e um gostinho de quero mais.
Humans (1ª Temporada)
4.1 99A qualidade da obra reside na simplicidade, na capacidade de fazer mais com o menos. Uma produção inteligente que aposta no desenvolvimento de personagens ao invés de plots mirabolantes, perseguições e tiroteios e efeitos especiais desnecessários. Isso dá uma noção de realidade muito grande à série.
Os personagens são os grandes motores da obra. O maior exemplo disso é a combativa Niska, uma sintética estrategicamente inserida num contexto onde relaciona-se com um idoso e uma criança, representando a sabedoria e curiosidade do homem, para assim ter sua perigosa visão separatista máquina/ser humano enfrentada.
A segunda temporada será ansiosamente aguardada. Grata surpresa!
Malcolm (1ª Temporada)
4.2 127 Assista AgoraUma comédia que utiliza os mesmos elementos de tanta outras (relações familiares) de uma forma diferente, sendo a quebra da barreira entre personagem/espectador o grande diferencial, dando a oportunidade do público ser inserido diretamente na história.
A química entre os atores é sensacional, Jane Kaczmarek está incrível no papel da mãe autoritária Lois. É possível identificar-se com bastantes situações e mesmo com alguns personagens. Timing perfeito para o personagem Francis, que possui plot próprio utilizado de forma sensata, sem sobressair-se ou ofuscar-se.
Comédia sem piadas repetidas e chavões, que aposta no básico e acerta em cheio. Divertida, descompromissada e viciante.
Família Soprano (6ª Temporada)
4.7 333 Assista AgoraSensacional acompanhar o desenvolvimento de um chefe de duas famílias e entender quem é a figura carismática, sombria e perturbada de Tony Soprano. Uma atmosfera bem diferente das histórias de máfia habituais, extremamente dissertativa, afinal o telespectador tem o primeiro contato com o protagonista numa sala de terapia. Definitivamente um marco na tv mundial e exemplo a ser seguido.
Restam saudades de Tony de pijamas indo buscar jornal pela manhã, Silvio com sua imitação de Michael Corleone, Paulie e seu "he he" e estranhas superstições, Chris e seus acessos de raiva, e os xingamentos elaborados de tio Junior, entre outros.
" -Fuck you, Santa.
-Ooooooooooooooooh."
Família Soprano (3ª Temporada)
4.6 150 Assista AgoraUma temporada irrepreensível. Percebe-se uma intensa exploração das personalidades e relações familiares entre os Sopranos, sobretudo Tony e seus filhos; Moltisanti finalmente subindo no mundo da máfia e encarando a responsabilidade de ser um chefe; insubordinação e descontentamento por parte de Ralphie e Jackie Junior; o conturbado envolvimento entre Dr. Melfi e seus pacientes; sem contar na personagem Gloria, que em poucos episódios foi capaz de reafirmar alguns pontos fundamentais na personalidade de Tony Soprano.
A sensação é de estarmos diante de um acontecimento cinematográfico por treze sensacionais episódios, resultado de uma inteligente produção, elenco competente e belíssima direção.
Bom saber que James Gandolfini tenha sido premiado com um Emmy naquele que considero meu episódio favorito da temporada "Amour Fou" (S03E12).
Boardwalk Empire - O Império do Contrabando (5ª Temporada)
4.3 76 Assista AgoraUma tragédia de series finale. Um enredo que há algum tempo sinalizava uma condução indecisa trouxe desfechos miseráveis. Personagens pequenos eram mortos sem que você se importasse ou a própria morte deles causasse impacto na história, personagens outrora importantes descartados de qualquer maneira. Aliado a isso temos um time skip de sete anos, aproximadamente, onde o personagens mudam e você sequer compreende a mudança. Não que os produtores precisassem de várias temporadas para caracterizar seus personagens, mas não dá para levar a sério a brusca mudança no comportamento de Luciano, a ascensão de Benny Siegel que o telespectador nem lembra que existe mas surge como um palhacinho mafioso, é inconcebível ver Chalky completamente descaracterizado, é impossível sentir algo por Capone (digo isso pensando na cena entre ele e seu filho surdo, como se emocionar sendo que a relação deles nunca foi explorada, o filho teve um mínimo papel na história toda, sobretudo na última temporada?).
Creio que dois pontos foram capazes de prender minha atenção: os flashbacks de um jovem e ávido Nucky Thompson, irrepreensivelmente interpretado por Marc Pickering, e Michael Shannon, cuja intimidadora atuação foi capaz de sobrepujar a pífia trajetória de seu personagem nesta quinta temporada.
Bom, pelo menos não há mais estrago algum a ser feito.
Macross 7
3.8 4A merda mais merda que saiu do Japão.
Kuchu Buranko
4.5 3 Assista AgoraAtravés de narrativa episódica e comicidade espontânea, "Kuuchuu Buranko" aborda problemas contemporâneos como stress, ansiedade, distanciamento e alienação sem cair no clichê, sendo prova de que é possível falar de situações complexas com leveza e senso de originalidade. Com prodigiosa animação experimental e comédia afiada, "Kuuchuu Buranko" é uma joia da animação japonesa que se opõe ao estilo em vigor da indústria de contar histórias e nega as convenções de comédia-apelativa-sexualizada-retardada.
Espere sair do senso comum ao embarcar nas estranhas aventuras do excêntrico Dr. Ibaru e seus complexados pacientes.
Legend of the Galactic Heroes
4.8 23 Assista Agora“Em toda era e em todo local, os feitos dos homens permanecem os mesmos.” É com essa premissa que LotGH, em forma de space opera, recria a luta da humanidade por igualdade e justiça através de duas sociedades em guerra afligidas por uma questão que inúmeros pensadores históricos tentaram responder: monarquia ou democracia?
Na centenária guerra entre o Império Galáctico e a Aliança dos Planetas Livres dois gênios surgem, Reinhard Von Lohengramm e Yang Wen-li, respectivamente. Com objetivos próprios porém semelhantes, enfrentam-se em batalhas épicas visando a completa instalação de um governo mais justo mas rejeitando veementemente a política rival. Reinhard, nascido em uma família aristocrática empobrecida, é um jovem ambicioso que jura vingança à opressora nobreza quando o pai aceita que sua irmã Annerose seja concubina do imperador em troca de dinheiro, desejoso em derrotar a dinastia Goldenbaum, alista-se na frota imperial afim de libertar sua irmã e conquistar o universo. Yang, por sua vez, quer ser um historiador e a única possibilidade é entrando no exército. Por ironia do destino, ele próprio está destinado a fazer parte da história. Defensor da ideia de que a pior democracia ainda é mais digna que a melhor ditadura, encontra-se em meio a manobras políticas enquanto precisa enfrentar um império com mais recursos e que conta com o assombroso talento de Reinhard. Yang ainda precisa encarar a responsabilidade de carregar nas costas as milhares de vidas sacrificadas. Os dois rivais serão mudados pela cruel realidade da guerra.
Por meio de diálogos inteligentes e estratagemas LotGH disseca as esperanças de pessoas em um mundo dominado pela guerra. Cada uma das personagens possui relevante papel na história como Kircheis, amigo de infância de Reinhard e único ser capaz de frear sua impetuosidade e arrogância; Oberstein, contrariado pela incompetência de seus superiores, que assume ares maquiavélicos ao ser o almirante disposto a sacrifícios para o melhor funcionamento da dinastia, mesmo que isso o faça alvo do ódio de seus companheiros; Mittermeyer, apelidado de “Lobo da Rajada de Vento” por sua furiosa mobilidade em campo de batalha, destemido, leal e justo almirante; Reuenthal, orgulhosa figura trágica e brilhante estrategista com tendências auto-destrutivas, salvo de si mesmo por seu único amigo Mittermeyer; Julian Minci, jovem responsável por organizar a vida do preguiçoso Wen-li, influenciado profundamente por Wen-li, sonha em seguir seus passos e tornar-se soldado mesmo que precise contrariar seu tutor; Job Truniht, o político inescrupuloso que para saciar seus interesses sugará tanto a Aliança quanto o Império.
Mas o que acontece quando homens nascidos na guerra encontram a paz, aceitarão o pacato futuro que os aguarda, encontrarão rivais à altura de seus clamores por glória, farão de seus companheiros esses rivais? Como as futuras gerações se lembrarão dos heróis do presente? Essas e outras perguntas são discutidas em LotGH, o mais ambicioso e melhor anime já criado.
Space Runaway Ideon
3.6 2Evangelion tem que baixar a cabeça e pedir benção a Ideon.
Ping Pong The Animation
4.5 19Resultado da união de um dos diretores mais criativos e um dos mangakás mais inventivos da atualidade, "Ping Pong" subverte o padrão convencional da indústria no Japão, uma nova maneira de contar história, com traços inconvencionais e trilha sonora pulsante. Apostando na originalidade e menos na teatralidade acompanhamos uma obra única, o esporte que para muitos pode soar desinteressante, é dinâmico e enérgico. Abrindo mão do didatismo, o espectador é tragado pela incrível construção dos personagens, uma constante nas obras de Taiyou Matsumoto. É dada a oportunidade dos animes atingirem um diferente nível.
Fargo (1ª Temporada)
4.5 538 Assista AgoraA história toma um um rumo decepcionante.
Não bastasse alguns furos no roteiro como a preocupação de Gus em contar que disparou contra Molly (algo que inevitavelmente seria descoberto através do exame de balística, e um plot rapidamente abandonado) temos um final onde Lester e Malvo morrem de maneira incrivelmente ridícula, como se, principalmente Malvo, anos depois dos acontecimentos envolvendo a mulher de Lester, retornasse à história apenas para que sua morte surpreendesse o público. A ironia que ditava os rumos da história no início se torna uma piada sem graça.