Documentário sincero que consegue capturar declarações bastante espontâneas de seus entrevistados, tanto que em certo momento a narração pontua que quem está pedido a liberdade de Huey não o faz com argumentos racionais, mas sim com um sentimento pessoal de justiça.
Vendo este curta do David Lynch a gente tem a impressão que deve ser fácil fazer um filme, porque ele consegue fazer muito com pouco. Adoro os diálogos e a atuação estranha (ao mesmo tempo inquisitiva e alheia) em que eles são entregues, e adoro como toda a composição faz brotar aquela angústia que a gente nem entende de onde vem nem por que sente, e isso é pura representatividade de certos estados emocionais que frequentemente nos atropelam (quem sofre de ansiedade, em qualquer nível, entende).
Até certo momento estava achando apenas “ok”, mas o desfecho eleva muito a qualidade e faz a gente olhar para tudo em retrospectiva. Além do mais sou fã da Elizabeth Moss desde Mad Men, e aqui ela está competente como sempre.
Quase sem diálogos, o que vale aqui é a magia e o lirismo das imagens, e elas despertam sentimentos que vão desde o riso até o nervosismo, e tudo por causa de um balão.
Filme delicado e expressivo, tanto nas composições visuais quanto no ótimo uso da música. A personagem-título é particularmente cativante, representando bem as excentricidades do próprio Godard, pois os comentários que ela faz, aparentemente desconexos, lembram a própria forma do diretor compor suas obras.
Este é pesado. Entra naquela categoria de filmes que você deve assistir para lembrar que seus problemas não tão sérios quanto você pensava, não quando comparados à desgraça extrema que aflige alguns.
Perturbação da realidade, esmagamento pelo cotidiano, suicídio, escolhas, medos etc. Ele tem ideias encriptadas em seu surrealismo. Uma chave que se transforma em faca é algo quase explícito, assim como perder o chão ou segurar-se pelas paredes. A estrutura de poesia era o objetivo dos realizadores, e eles o alcançaram, pois é quase possível ver as estrofes na repetição dos objetos e na contínua multiplicação de sentidos. Para mim, que sou fã de David Lynch, a comparação é inevitável, e a experiência é mais que satisfatória, é instigante.
Um Chaplin mais fraquinho, mas, ainda assim, tem seus bons momentos. Nenhuma cena me fez rir para valer, mas é inegável a engenhosidade de cenas como aquela da ponte e, por conta disso, o filme é divertido no geral.
Tem bons momentos, mas não me fez rir tanto quanto outros curtas do Chaplin. São divertidas as cenas com a escada (lembra muito o Chaves) e as dissimulações das brigas quando o patrão aparece.
Genial. Ri demais. É ótimo do início ao fim, a sequência do campo de golfe é hilária. E destaco uma cena que, para mim, é uma das mais brilhantes que já vi:
o marido recebe um bilhete da esposa dizendo que só vai vê-lo quando ele parar de beber. Então ele vira as costas para a câmera e começa a tremer, sacudindo-se, como se estivesse em prantos; mas então ele se volta novamente para a câmera, ainda sacudindo-se, e vemos que, na verdade, ele não está chorando, ele está preparando uma bebida!
Descrita assim pode não parecer muita coisa, precisa mesmo é ser vista.
Um Bunuel em que não vejo nenhum surrealismo, apesar de quase 100% das resenhas que vi dizerem o contrário. O que vi foi uma técnica narrativa apuradíssima, muito à frente do seu tempo. Bunuel fez um falso documentário para mostrar o absurdo da realidade, inventou situações e maximizou certos aspectos, mas em nenhum instante subverteu a realidade. Ora, “Um Cão Andaluz” é surrealista porque faz conexões não racionais sem querer atribuir-lhes qualquer sentido, à parte ou ao todo ou, antes, buscando enfaticamente negar-lhes sentido. Em “Las Hurdes”, as conexões são pensadas e, mesmo com a existência de dois narradores, são artifícios lógicos direcionados para um propósito, uma mensagem geral e coesa. O mundo é absurdo, ainda hoje existem realidades mais assustadoras do que a mostrada em “La Hurdes”. Em certa medida estes artifícios narrativos, objetivos a ponto de quase naturalizar o absurdo (salve Kafka!), lembrou-me outra obra-prima de temática semelhante: “Ilha das Flores”.
Este é o exemplar máximo do chamado Primeiro Cinema e, por isso mesmo, deve visto. Mas seu valor não é apenas histórico, ele tem atrativos e é uma sci-fi no sentido estrito (já que em pouco tempo o ser humano realmente chegaria à lua). Vi a versão colorida com a trilha sonora do Air, e aqui registro que, apesar de gostar do Air, a música ficou um pouco intrusiva em alguns momentos, em outros funciona muito bem.
Pra que usar drogas? Basta ver este filme, a viagem é louca e o único efeito colateral é ficar tentando explicar o inexplicável. Além do poder das imagens em si, gosto da sensação de poesia caótica que se renova cada vez que a gente assiste. E Wagner misturado com tango é lindo!
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O Príncipe e o Mendigo
3.7 27 Assista AgoraMuito divertido este curta.
Os Panteras Negras
4.3 43 Assista AgoraDocumentário sincero que consegue capturar declarações bastante espontâneas de seus entrevistados, tanto que em certo momento a narração pontua que quem está pedido a liberdade de Huey não o faz com argumentos racionais, mas sim com um sentimento pessoal de justiça.
Noite e Neblina
4.6 221 Assista AgoraAterrorizante. Será que ainda há esperança para a humanidade? Ou será que é aplicável a afirmação de Kafka: “há muita esperança, só não para nós”?
The Darkened Room
3.5 19Vendo este curta do David Lynch a gente tem a impressão que deve ser fácil fazer um filme, porque ele consegue fazer muito com pouco. Adoro os diálogos e a atuação estranha (ao mesmo tempo inquisitiva e alheia) em que eles são entregues, e adoro como toda a composição faz brotar aquela angústia que a gente nem entende de onde vem nem por que sente, e isso é pura representatividade de certos estados emocionais que frequentemente nos atropelam (quem sofre de ansiedade, em qualquer nível, entende).
Charlotte e seu Bife
3.5 12Um curta pouco expressivo, que entrega pouco e parece mais um simples exercício de criação de cena.
Tokyo Project
3.6 10Até certo momento estava achando apenas “ok”, mas o desfecho eleva muito a qualidade e faz a gente olhar para tudo em retrospectiva. Além do mais sou fã da Elizabeth Moss desde Mad Men, e aqui ela está competente como sempre.
O Balão Vermelho
4.4 240 Assista AgoraQuase sem diálogos, o que vale aqui é a magia e o lirismo das imagens, e elas despertam sentimentos que vão desde o riso até o nervosismo, e tudo por causa de um balão.
Nimic
3.5 67Totalmente Twilight Zone.
O Livro de Maria
4.0 5Filme delicado e expressivo, tanto nas composições visuais quanto no ótimo uso da música. A personagem-título é particularmente cativante, representando bem as excentricidades do próprio Godard, pois os comentários que ela faz, aparentemente desconexos, lembram a própria forma do diretor compor suas obras.
A Casa é Escura
4.2 43 Assista AgoraEste é pesado. Entra naquela categoria de filmes que você deve assistir para lembrar que seus problemas não tão sérios quanto você pensava, não quando comparados à desgraça extrema que aflige alguns.
Destino
4.3 284 Assista AgoraO que dizer de uma colaboração entre Dali e Disney? Deslumbrante, lindo, etc. Só com adjetivos desse naipe. Ficaria surpreso se fosse menos.
Tramas do Entardecer
4.4 98Perturbação da realidade, esmagamento pelo cotidiano, suicídio, escolhas, medos etc. Ele tem ideias encriptadas em seu surrealismo. Uma chave que se transforma em faca é algo quase explícito, assim como perder o chão ou segurar-se pelas paredes. A estrutura de poesia era o objetivo dos realizadores, e eles o alcançaram, pois é quase possível ver as estrofes na repetição dos objetos e na contínua multiplicação de sentidos. Para mim, que sou fã de David Lynch, a comparação é inevitável, e a experiência é mais que satisfatória, é instigante.
Idílio Campestre
3.9 20Um Chaplin mais fraquinho, mas, ainda assim, tem seus bons momentos. Nenhuma cena me fez rir para valer, mas é inegável a engenhosidade de cenas como aquela da ponte e, por conta disso, o filme é divertido no geral.
Casa de Penhores
4.0 21 Assista AgoraTem bons momentos, mas não me fez rir tanto quanto outros curtas do Chaplin. São divertidas as cenas com a escada (lembra muito o Chaves) e as dissimulações das brigas quando o patrão aparece.
O Poeta Dinamarquês
4.3 92São quinze minutos de lirismo e humor encantadores, e ainda tem a narração na voz delicada e característica da Liv Ullmann.
Os Clássicos Vadios
3.9 30Genial. Ri demais. É ótimo do início ao fim, a sequência do campo de golfe é hilária. E destaco uma cena que, para mim, é uma das mais brilhantes que já vi:
o marido recebe um bilhete da esposa dizendo que só vai vê-lo quando ele parar de beber. Então ele vira as costas para a câmera e começa a tremer, sacudindo-se, como se estivesse em prantos; mas então ele se volta novamente para a câmera, ainda sacudindo-se, e vemos que, na verdade, ele não está chorando, ele está preparando uma bebida!
Terra Sem Pão
4.0 48Um Bunuel em que não vejo nenhum surrealismo, apesar de quase 100% das resenhas que vi dizerem o contrário. O que vi foi uma técnica narrativa apuradíssima, muito à frente do seu tempo. Bunuel fez um falso documentário para mostrar o absurdo da realidade, inventou situações e maximizou certos aspectos, mas em nenhum instante subverteu a realidade. Ora, “Um Cão Andaluz” é surrealista porque faz conexões não racionais sem querer atribuir-lhes qualquer sentido, à parte ou ao todo ou, antes, buscando enfaticamente negar-lhes sentido. Em “Las Hurdes”, as conexões são pensadas e, mesmo com a existência de dois narradores, são artifícios lógicos direcionados para um propósito, uma mensagem geral e coesa. O mundo é absurdo, ainda hoje existem realidades mais assustadoras do que a mostrada em “La Hurdes”. Em certa medida estes artifícios narrativos, objetivos a ponto de quase naturalizar o absurdo (salve Kafka!), lembrou-me outra obra-prima de temática semelhante: “Ilha das Flores”.
Viagem à Lua
4.4 875 Assista AgoraEste é o exemplar máximo do chamado Primeiro Cinema e, por isso mesmo, deve visto. Mas seu valor não é apenas histórico, ele tem atrativos e é uma sci-fi no sentido estrito (já que em pouco tempo o ser humano realmente chegaria à lua). Vi a versão colorida com a trilha sonora do Air, e aqui registro que, apesar de gostar do Air, a música ficou um pouco intrusiva em alguns momentos, em outros funciona muito bem.
Um Cão Andaluz
4.1 709 Assista AgoraPra que usar drogas? Basta ver este filme, a viagem é louca e o único efeito colateral é ficar tentando explicar o inexplicável. Além do poder das imagens em si, gosto da sensação de poesia caótica que se renova cada vez que a gente assiste. E Wagner misturado com tango é lindo!