Tomei conhecimento de O Planeta dos Vampiros pelo canal Central Pandora, como sendo inspiração para Alien (1979). Imaginei que meu interesse se esgotaria por aí e que não compensaria assisti-lo na íntegra. Ledo engano!
Estou lendo a novelização de Alien (1979) e fiquei intrigado com a nave abandonada, mais algumas diferenças que notei entre livro e filme. Ao assistir alguns vídeos de bastidores, novamente o filme dirigido por Mario Bava veio à tona.
Escrevo aqui pouco depois de assisti-lo e já o coloquei em minha lista "WOW" (filmes que me surpreenderam positivamente). De antemão, deixo claro que o O Planeta dos Vampiros se sustenta sozinho e vai muito além de "o filme que inspirou Alien".
Muito se fala de seu baixo orçamento e até mesmo da precariedade de seus efeitos. Mas, covenhamos: trata-se de um filme de 1965! Três anos antes de 2001: Uma Odisseia no Espaço; doze antes de Star Wars; e quatorze antes de Alien, o oitavo passageiro!
Dito isto, não o achei o tosco. Trata-se não somente de uma película antiga como também produzida fora de Hollywood e com uma estética típica das gravações realizadas em estúdios-galpões, não em locações externas. Como alguém cansado de filmes com cortes a cada dois segundos e ângulos claustrofóbicos de tão fechados, encontrei aqui um respiro.
Particularmente, não há que se falar aqui em "suspensão de descrença". É óbvia a percepção de um cenário (e sangue) artifícial assim como a falsidade da lava, com sua água borbulhando e luzes avermelhadas.
Todavia, encaro tudo isso como mera representação, tal qual temos numa peça de teatro. Sabemos da ausência de realismo, mas apenas apreciamos o espetáculo (assim como em "Chaves" não nos importamos com o fato de adultos interpretarem crianças).
Ainda assim, cabe salientar o bom uso da perspectiva no cenário. Quando querem mostrar amplitude, filmam o "galpão" em sua largura; já quando querem dar um efeito de maior profundidade, como nos túneis, ele é filmado de "comprido".
E aqui, para mim, está a maior beleza e mérito do filme: que é mostrar uma tomada ampla, estática, com os personagens indo ou vindo pelas três camadas / planos. Algo que causa um paradoxo: já que traz a sensação de amplitude, mesmo num estúdio fechado. Isso ocorre inclusive dentro da nave.
As interpretações são bem típicas também, a exemplo dos desmaios, cenas de luta etc. Sinceramente, para um filme com esse tom "Pulp", não esperava muito mais que isso.
Já o roteiro, ainda que seja bem simples, é rodeado por uma boa atmosfera de mistério, reforçada pelas relíquias encontradas. É exatamente aqui que Alien bebeu bastante. O principal elemento de ficção científica e/ou sobrenatural conta com uma boa sacada que dispensa efeitos práticos adicionais. Seu final, do qual eu não esperava nada, surpreende e, como bem lembrado por outro comentador, remete a outro filme de FC que viria a ser lançado somente três anos depois...
O Planeta dos Vampiros está aí para nos lembrar que, muitas vezes, tudo que queremos é um filme de entretenimento que vá direto ao ponto: sem introduções mirabolantes e gigantescas (principalmente aquelas realizadas com um personagem contando isso tudo para o protagonista...).
Nos lembra também que o filme pode sim ter apenas 90 minutos, com começo, meio e fim bem definidos, sem falsas reviravoltas, sem aquela trilha sonora estridente a todo momento querendo conduzir o espectador. Se econtrá-lo em DVD ou Blu-ray por preço acessível, quero tê-lo na coleção e me animei agora em explorar mais filmes desta época e estética.
Uma releitura de um livro que não li. Diante da ausência de contato prévio, não tenho referencial para comparação. Mas tendo assistido entrevista com o diretor, sabia que a proposta seria diferente.
A melhor interpretação do Caio Blat é narrando. Como quiseram colocar a fala rimada e com ares musicais o tempo todo, fica bem cansativo, sem modulação. Houvesse alternância nesse ponto, teria um resultado melhor. Gostei muito de Luis Miranda também.
Notei uma possível referência ao filme Brazil (1985), de Terry Gilliam: naquele beco em que o vento começa a levantar plásticos que cobrem os personagens abraçados lembra muito a cena do Robert De Niro envolto por jornais no meio de uma ventania.
No final, é um filme com vários problemas, mas com saldo positivo. Gosto quando os diretores arriscam, mesmo quando erram. Foi algo que ocorreu em Tenet do Nolan, por exemplo, o qual não gostei, mas prefiro isso a ver apenas cinebiografias e adaptações sem espaço para algo mais autoral.
Excelente documentário. Há entrevistas com Gabe Newell, diversos membros da equipe de produção, incluindo desenvolvedores e o roteirista (Marc Laidlaw).
Falam dos bastidores de produção até brigas judiciais com a distribuidora. Mas os pontos altos são aqueles em que cada responsável por uma parte comenta como as ideias foram concebidas e vemos o trecho em questão no jogo. Para citar alguns exemplos: expressões faciais, física, puzzles, uso de veículos, inteligência artificial dos inimigos etc.
Falam sobre como a parte da Gravity Gun "turbinada" foi algo não planejado inicialmente.
Também há comentários sobre as "expansões": Episode One e Episode Two. Neste último, o cara que concebeu a mecânica do trecho final a explica enquanto rolam as imagens do jogo. É minha parte favorita, mas não costumo dar os detalhes para não estragar para quem ainda não jogou.
Por fim, o documentário encerra mostrando cenas inéditas (ao menos para mim) do desenvolvimento inicial do Episódio 3, como uma arma que cria barreiras e até rampas de gelo (aos 1:53:34).
Também explicam porque o Episódio 3 não foi lançado. Se é uma justificativa sincera ou não, não sei. Mas faz sentido: muitos membros da equipe trabalharam por mais de 8 anos na franquia, que é conhecida por sempre trazer uma grande inovação em relação aos jogos anteriores. E parecia não haver espaço para isso desta vez. Particularmente, acho que eles também têm medo de manchar a imagem desta propriedade intelectual. Fato é que elevaram tanto a barra, que fica difícil superar o patamar que chegaram. Acredito que jamais veremos Half-Life ² Episode Three ou Half-Life³.
Uma vez vi uma cena de um filme dessa franquia (Beomjoidosi) passando na Globo a noite e fiquei curioso, pois nela o protagonista dava uns tapões em alguém, lembrando os filmes de ação com muita porrada e pitadas de humor.
Resolvi assistir desde o primeiro filme, de 2017 e gostei. É um retorno aos filmes dos anos 1980 e 1990, mas com uma nova roupagem cultural, da Coreia do Sul.
Uma dúvida: reparei que nem os bandidos nem os policiais usam armas de fogo. A história se passa em 2004 e foi baseada em fatos reais. Alguém sabe se nessa época (ou até atualmente) há retrição de uso de armas de fogo na Coreia do Sul?
Nesta semana, de filme estrangeiro, fui de "O Melhor Está Por Vir" (Il Sol Dell'Avvenire, 2023)
Acompanhamos um diretor de cinema chamado Giovanni. Ele está envolvido na produção de um filme ambientado nos anos 1950, sobre Partido Comunista Italiano e sua reação à invasão da Hungria pela União Soviética em 1956.
Giovanni é extremamente sistemático, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal, o que faz com que as pessoas mais próximas tenham de embarcar em seus "rituais".
Vou ter que usar um clichê e dizer que a fotografia é maravilhosa. É interessante a alternância entre o set de filmagem de época com as cenas contemporâneas. Não há aquele tom cômico, apenas vemos aquele cenário com uma paleta de cores mais moderna, deixando claro nosso ponto de vista.
O filme entrega grandes atuações e, por várias vezes, tece críticas à Indústria do Cinema, incluindo as empresas de streaming.
Já na parte histórica, confesso que boiei um pouco, por falta de conhecimento desse recorte específico da Itália nestes eventos.
Portanto, fica a dica para quem for assistir, dar uma revisada sobre a postura do PCI frente a Invasão Soviética da Hungria. A única referência que eu tinha disso era a música "Poverty For All" da banda Ignite (cujo vocalista é de descendência húngara).
Proavelmente, não irei assistir. Mas quando vi as imagens e informações do filme, me pareceu um "Best of the best" versão "kids". Para quem não sabe, Philip Ree protagonizou uma trilogia de filmes de luta por equipes, que também contava com Eric Roberts e Cris Penn no elenco.
Acabei de assistir e não acho que possa acrescentar muito em relação ao que já li nos comentários. Apenas me lembrei da música (letra) "The Plague", da banda Death By Stereo:
"They forgot and they stopped trying They never saw the beauty in ugliness In this climate I feel like I'm dying Suffocating a slow and painful death The hateful status, the ladders you're climbing Are taking you to new heights of ignorance Let's think about it, it's really kind of funny I couldn't get in on your fucking list
I never fit in anywhere And now I don't think I fit here
With no hope Nothing to believe in The kind of place we all dream about Without borders, without boundaries Creative outlet I can't live without Uniforms, cop like styles We see you coming, marching single file Bow to fashion, your leader man Come on baby Sieg heil
I never fit in anywhere And now I don't think I fit here Before you walk out on that floor Look around, it's a mirror
Ladies and gentlemen, individuality has left the building
FUCK YOU!
I never fit in anywhere And now I don't think I fit here Before you walk out on that floor Look around, it's a mirror
With no hope, nothing to believe in No hope, nothing to believe in No hope, nothing to believe in I've got something to believe in!"
Aviso: em 2023, foi lançado "A Verdadeira HIstória de Amélie Poulain, um curta-metragem de Jean-Pierre Jeunet" (La véritable histoire d'Amélie Poulain, un court métrage de Jean-Pierre Jeunet, 2023). Tem apenas 7 minutos e está disponível no canal de Youtube do próprio diretor, com legendas em Português (basta ativá-las). É como se fosse um "Tarantino's Mind" feito pelo próprio diretor.
O maior "defeito" de "Axel F" foi o hiato de 21 anos para fazê-lo/lançá-lo. Conheci Eddie Murphy em "Um Tira da Pesada" e me tornei fã dele justamente pelos filmes que misturam comédia e ação na medida certa: "48 Horas", o próprio 'Tira da Pesada" e "O Rapto do Menino Dourado".
Quando migrou para filmes como "O Professor Aloprado" e suas piadas de peido (algo que nunca vi graça, mas que o grande público brasileiro parece amar) senti que foi um desperdício para sua carreira e um desfalque para os "buddy movies".
Em 2002, tivemos "Showtime", que considero um bom filme (ou boa tentativa) de colocá-lo de volta neste subgênero, mas parece que parou por aí. Essas duas décadas talvez não tenham pesado tanto para Eddie Murphy em sua aparência, mas pesaram demais para John Ashton (Taggart), é sofrido vê-lo tão velhinho ali e foi a única coisa que abalou minha suspensão de descrença.
PS: Uma coisa que o filme aborda, de forma muito sutil, é o hiperfoco e o vício em "adrenalina" do protagonista.
Furiosa é fiel ao universo criado em Estrada da Fúria, mata a curiosidade de quem se perguntava como foi a trajetória até ali, além de referências não só ao filme anterior como também à trilogia estrelada por Mel Gibson.
Outro fator que contribui para a qualidade do longa são seus planos abertos, deixando uma fácil compreensão do que acontece em cena. Todavia, ele conta mais com efeitos visuais (CGI) do que efeitos especiais (práticos) e isso quebra um pouco da imersão.
Soma-se a isso o aspecto "cromado" e de "novo" que há em alguns veículos. Sabemos que o "brilhante" faz parte do lema dos Garotos de Guerra e também que o filme é uma "prequel", mas não existem coisas "novas em folha" na Terra Devastada: ou é sucata ou material usado da antiga "civilização".
Além disso, o antagonista soa um pouco caricato. Ser "maluco" nesta saga é sempre algo positivo, mas não a atuação e/ou construção de personagem não ficaram muito convincentes.
Já a narrativa, não é necessariamente um ponto negativo, uma vez que a proposta é explicar "tudo" que aconteceu antes. Com isso, seu ritmo é bem cadenciado, destoando bastante de Estrada da Fúria.
Isso sugere que Furiosa funcionaria bem como uma (mini) série de 4 ou 5 capítulos. Vejamos: 2h28m divido por 5 = 29m e uns quebrados. Vale lembrar que o próprio filme é dividido em cinco partes, cada qual com título próprio, estampado na tela.
Dessa forma, Furiosa: Uma Saga Mad Max cumpre o que prometeu, ainda que "derrape" em algumas "curvas sinuosas", levantando poeira, mas sem causar nenhum "acidente", garantindo sua participação numa próxima "corrida".
Nesta semana assisti "A Próxima Vítima" (1983). Um thriller, com Antonio Fagundes, Mayara Magri, Lousie Cardoso, Gianfrancesco Guarnieri, Othon Bastos e Goulart de Andrade (sim, o jornalista).
Em primeiro plano, o mistério e a violência dos assassinatos; já como pano de fundo, temos o ambiente eleitoral, com os primeiros passos de uma suposta abertura democrática.
Além disso, vemos também a cobertura da grande mídia que, mesmo após 40 anos, segue seletiva. Assim como o perigo de fomentar pautas sob o pretexto de as estar denunciando.
Recomendo também outros dois, do mesmo diretor: The Light Bulb Conspiracy (2010), sobre Obsolescência Programada; e A Tragédia do Lixo Eletrônico (The E-Waste Tragedy, 2014), sobre o descarte de lixo eletrônico em países de Terceiro Mundo (ou "em desenvolvimento").
Fiz várias anotações aqui. Depois (não sei quando), tentarei fazer uma resenha dele. Uma pena que não esteja disponível oficialmente no Brasil. Mas depois de assistir, dá para perceber porque sua distribuição é bem restrita...
Impossível não fazer um paralelo com o filme O preço do amanhã (In time, 2011).
Somente um diretor estrangeiro para fazer um filme desses sobre os E.U.A. e filmado nos E.U.A. É muito comum vermos filmes distópicos, mas não me lembro de nenhum que mostra o calor do conflito antes do ponto de virada.
Guerra Civil traz um ar poético em certas paisagens, mas quando dá o "zoom" na ação, é visceral, sem violência gratuita para chocar e sem musiquinhas edificantes para comover.
A crueza da guerra é extremamente realista, com fidelidade equiparada ao documentário "Você não é um soldado", que acompanha o fotógrafo de guerra brasileiro André Liohn; tanto na parte gráfica quanto nos (supostos) dilemas morais que poderiam ser levantados.
Assisto um filme por semana e alterno entre nacionais e estrangeiros. Nesta semana, foi um filme grego chamado Morning Patrol. Não faço ideia de quando o adicionei ou de onde peguei a indicação.
Esperava um "Filme B", mas me surpreendi positivamente: possui uma ótima fotografia, com tomadas bem interessantes, principalmente aquelas mais abertas, as quais costumo brincar que, se pausar, viram um quadro.
Trata-se de um filme contemplativo, durante boa parte dele não há diálogos e conta com uma excelente narração em off, contendo excertos de obras literárias de autores como Philip K. Dick (não me pergunte de quais livros ou contos, pois fiz algumas pesquisas e não encontrei).
O enredo é bem vago: as cidades estão desertas e foram sitiadas por um grupo que se assemelha a militares. Não se sabe o que levou a esse estado de coisas, a protagonista também não parece saber ou se lembrar. Acompanhamos sua jornada e, de forma implícita, percebemos que pode ter ocorrido alguma guerra química, nuclear ou biológica, pois há sinais de contaminação e doença.
O longa não traz muita pirotecnia: o que prende e intriga o espectador é o clima de paranoia e, principalmente, suas excelentes locações. Neste sentido, é impossível não compará-lo a Stalker (Сталкер, 1979), do diretor Andrei Tarkóvski.
Em sua parte mais filosófica e narrações em off lembra muito Blade Runner (1982), tanto pelo aspecto existencialista e da brevidade da vida quanto pelas incertezas das lembranças sobre as origens. Em entrevista, o diretor Nikolaidis diz que o filme, lançado em 1987, está bem à frente do seu tempo e admite que foi profundamente impactado pelo seu próprio trabalho, dizendo que:
"Morning Patrol ainda é um filme que tenho medo de assistir. Para muitos, é meu melhor filme, eu apenas tenho medo de assisti-lo. Porque é um filme que fala sobre todas as coisas que eu temia e finalmente se tornaram realidade. Silêncio, frieza, comunicação quebrada, falta de emoções, assassinatos... Eu não quero falar sobre este filme. Ele me perturba".
O filme está disponível no Youtube (infelizmente, apenas com legendas em inglês).
A cena em que o sobrinho de Dimas está com a escopeta e Tereza está num canto escondida, me pareceu uma referência a Alien 3, quando a Tenente Ripley está encurralada.
O filme mostra o caráter vil de ambos os lados, do dono da fazenda,
que coloca aquelas pessoas na clássica situação de trabalho análogo à escravidão, por conta da retenção de seus documentos sob a justificativa de dívidas em armazéns. Além de ficar implícito algum castigo (tortura) que lhes era imposto pelo próprio dono da fazenda e/ou por seu capataz, haja vista as cicatrizes de queimadura feitas por ferro de marcar gado que são mostradas de forma bem evidente em nas mãos e nas faces dos camponeses.
Por outro lado, os trabalhadores são retratados de modo a permitir diversas interpretações. Desde uma revolta justificada até uma mais crua, que remete a uma cena do filme "O Invasor" (2001). A seguir, spoiler deste outro filme, do diálogo entre Ivan e Giba na rua:
"O Estevão não é santo... Se a gente bobear, ele põe no nosso rabo, porra! Vem cá, dá uma olhada no Cícero: parece um sujeito inofensivo, não? Mas você acha que ele tá contente em ser o que é? Ele é o encarregado da obra, manda na peãozada, tem poder. Mas é claro que não tá contente com isso. Ele quer mais, como todo mundo. E se ele tiver uma oportunidade, ele vai aproveitar, você tem alguma dúvida?! O mundo é assim, meu velho: o Cícero pode ter até aquela cara de sonso, mas se precisar ele vira bicho! Ele só te respeita porque sabe que você tem mais poder do que ele! Mas é bom não facilitar com essa gente. No fundo, esse povo quer o seu carro, querem o seu cargo, o seu dinheiro, as suas roupas... Querem comer a sua mulher, Ivan! É só ter uma chance... É isso que a gente vai fazer com o Estevão: vamos aproveitar a nossa oportunidade, antes que ele faça isso primeiro".
Tereza aceita que a única forma de encontrar sua paz é através do sepultamento. Pois mesmo que conseguisse se livrar daquela situação, junto com seu antigo trauma traria outros dois: a morte do seu marido diante de seus olhos e sua nova luta pela própria vida.
Um dos significados que extraio é que, para certas coisas, o conflito é inevitável. Nossa sociabilidade tem suas máscaras, ao agirmos polticamente (ou seria falsamente?); quando tais máscaras caem, resta apenas o baixo calão, a violência verbal,a violência física até à barbárie (com todo o respeito aos povos bárbaros).
Acho que é o primeiro filme da China continental que assisto com uma temática contemporânea. Tecnicamente, achei bem-feitas as cenas das competições. Para quem gosta de esportes, com certeza, terá alguns momentos bem emocionantes.
Quanto aos personagens, achei que ficaram um tanto rasos. E não digo sobre a interpretação dos atores (pois como é uma cultura bem diferente, certos trejeitos que poderiam parecer forçados podem apenas ser algo cultural). Digo no que toca às motivações, vida pessoal etc.
Outra coisa que achei bem esquisita foi a passagem do tempo. Há transições que parecem ser de horas e, na verdade, são de meses ou até anos. Na narrativa, o que mais incomodou foi o fato de não ter mostrado
Yang Fan treinando junto com os canadenses. Tudo que vemos disso é apenas uma foto dela, com jogadores de hóquei e nada mais
.
Uma coisa legal que o filme mostra é a dificuldade de se conseguir uma medalha de ouro, o quão duro é o treino e como as derrotas fazem parte do dia a dia de muitos atletas. Também presta uma grande homenagem aos atletas chineses, não só da patinação, mas também de outras modalidades. E, parando para pensar, isso é algo bem raro de ver, de forma dramatizada, aqui no Brasil. Não valorizamos nossos atletas.
Gostei. Muito difícil ver filmes brasileiros com esse estilo de ação mais descompromissada, que não se leva tão a sério. É clara a semelhança com os filmes de Guy Ritchie, incomoda um pouquinho quando vemos que ele tenta emular um "Snatch" da vida, mas ficou muito legal, não há como negar. Gostei da forma como o roteiro vai se amarrando, ainda que de uma forma bem mirabolante.
O filme traz algo que, a cada dia, se torna mais impraticável; se você mora no Brasil, praticamente impossível, que é: separar sua vida vida profissional da pessoal. E, por mais que você se dedique ao trabalho, ter o tempo e paz suficientes para descansar e fazer suas coisas, sem ter a paranoia de que algo ou alguém irá te interromper.
De modo mais concreto: se dedicar ao trabalho com afinco, mas fazendo aquilo que cabe a você e condizente com seu cargo e seu salário (e não ser precarizado).
Em que pese o fato de o personagem ter seus próprios utensílios de trabalho e também do episódio em que leva sua sobrinha (a contragosto) para acompanhá-lo, fica claro que o ele quer ter sua vida pessoal bem separada do trabalho. Seus momentos de relaxamento e contemplação durante o expediente ocorrem somente no horário de almoço que, apesar de breve, carrega um grande elemento de sua vida pessoal (mas que ainda passará por uma curadoria posterior).
Há horário para tudo: o trabalho, o qual faz com esmero mas, terminado este, se desliga totalmente dele: tomando seu banho prolongado, que não só remove germes e bactérias, mas também providencia um estado de relaxamento necessário para sua leitura (quem nunca teve a experiência depois de tomar um banho, relaxar numa leitura diante daquele vento fraco de um ventilador ou brisa vinda da janela? Ou qualquer outro "ritual", como aquele de Duro de Matar I, de contrair os dedinhos sobre um carpete de um quarto de hotel, logo após uma longa viagem de avião?).
Temos também o papel do minimalismo (ou melhor: essencialismo), no sentido de dedicar nosso tempo a poucas atividades edificantes, como uma boa leitura ou audição de um álbum de música ao invés de ficarmos dando scroll numa tela, acessando redes sociais.
E algo bem marcante: a importância da passagem do tempo "no tempo do próprio tempo". Basta lembrar das mudas de plantas que ele rega diariamente e vê crescer, pouco a pouco; as fotos que tira diariamente numa máquina com filme ,tendo de esperar 1 mês (talvez) para fazer a revelação e, só então, selecionar quais ficaram boas e quais serão descartadas (como a velho clichê do escritor que guarda seu texto numa gaveta por uma semana ou um mês antes de revisá-lo novamente, a fim de ter um julgamento mais frio); e claro: o que diz a sua sobrinha "Na próxima vez é na próxima vez; agora é agora". Em suma: cada coisa no seu tempo.
E, falando em tempo: percebemos o quanto este senhor "estoico" perde a compostura ao ter sua rotina alterada por algo do qual não tem culpa e muito menos é responsável. A desordem no trabalho cria uma reação em cadeia que afeta gravemente sua vida pessoal, fazendo perder um "dia perfeito" com suas atividades prazerosas.
Sei que há coisas subentendidas no filme e nem todas compreendi. O personagem tem lá sua parcela de egoísmo (se assim podemos dizer), e revela que, muitas vezes, tudo o que queremos é viver nossa vida em paz, quietos no nosso canto (dá ensejo também, para uma interpretação do dilema do porco-espinho).
Para fechar: reparei que ele não tem nem mesmo TV em casa, muito menos smartphone ou computador. Percebem a maravilha que é deitar e dormir tranquilamente, sem se preocupar com trending topics de Twitter / X, notificações de WhatsApp, notícias com click bait ou gatilhos de alarmismo que nos deixa ansiosos?
PS: Li uma crítica do filme chada "A rotina e o encanto", no site do IMS (Instituto Moreira Salles). Nela, há indicação de dois filmes que guardam alguma relação com ou serviram de inspiração para Dias Perfeitos: A Rotina Tem Seu Encanto (1962) e Paterson (2016). Ainda não os assisti, mas já estão na minha lista.
Ivan e Giba na rua, quando este aponta para o encarregado da obra e diz que o funcionário só o respeita porque sabe que ele tem mais poder.
Há também uma clara referência a Taxi Driver (quem assistiu, saberá quando).
Um fato curioso é que o livro escrito por Marçal Aquino foi concluído e lançado só depois do filme, como ocorreu com "2001: Uma Odisseia no Espaço", de Arthur C. Clarke.
"Muita burocracia, a dificuldade te supera Sua força de vontade ficou na fila de espera"
Penso, Logo Desisto (Lobotomia).
Pelo que me lembro do livro, o filme captou muito bem a ambientação. Essa coisa de ir em busca sem nunca encontrar algo que você nem mesmo sabe o que é. O pesadelo de andar, andar e não chegar a lugar algum. Outro filme que, com certeza, bebeu muito nesta fonte é Brazil, do diretor Terry Gilliam.
em que Clodoaldo visita Francisco, estendendo-lhe um panfleto sobre os serviços de segurança que presta; por sua vez, Francisco recusa: "Não, eu não junto papel, não". Tanto aqui quanto na cena final, vemos o desdém que tal personagem tem pela História e seu esquecimento dela, seja ele seletivo ou não.
Comparando o encontro inicial e final destes personagens, acabei fazendo um parelo com "Bacurau", entre a recomendação dos moradores aos turistas, para visitarem o Museu e a derradeira cena...
No mais, me chamou muito a atenção a questão não só do som, mas do barulho. Acho que ele denuncia muito sobre o "progresso", a verticalização das cidades, gentrificação etc. Para além disso, me identifiquei muito com a personagem Bia, menos pelas substâncias e certos hábitos e mais pelo estado de nervos que o barulho incessante lhe causa, pois moro num lugar extremamente barulhento e, quando assisti o filme, às vezes retornava determinada cena para me certificar se o barulho era do filme ou daqui, da vizinhança. Aliás
o consumo de maconha da personagem parece ser algo diretamente ligado ao barulho em grande medida, sem contar a ausẽncia de seu marido, é claro.
Acho que só quem tem muita sensibilidade ao barulho, estuda em casa ou trabalha em home office sabe o quão difícil é suportar um ambiente constantemente barulhento quando necessita de concentração e desenvolver uma atividade mais intelectiva: barulho de motor e escapamento de motos, entregadores de aplicativo que tocam a buzina sempre de 5 a 7 vezes seguidas a cada entrega, sinais sonoros de ré de caminhões, botijões de gás sendo batidos uns nos outros num posto enquanto são descarregados, serralheria que funciona de domingo a domingo em horários que vão das 06:30 às 23:30, cachorros latindo, gente gritando, músicas nas alturas etc.
O Planeta dos Vampiros
3.2 54Tomei conhecimento de O Planeta dos Vampiros pelo canal Central Pandora, como sendo inspiração para Alien (1979). Imaginei que meu interesse se esgotaria por aí e que não compensaria assisti-lo na íntegra. Ledo engano!
Estou lendo a novelização de Alien (1979) e fiquei intrigado com a nave abandonada, mais algumas diferenças que notei entre livro e filme. Ao assistir alguns vídeos de bastidores, novamente o filme dirigido por Mario Bava veio à tona.
Escrevo aqui pouco depois de assisti-lo e já o coloquei em minha lista "WOW" (filmes que me surpreenderam positivamente). De antemão, deixo claro que o O Planeta dos Vampiros se sustenta sozinho e vai muito além de "o filme que inspirou Alien".
Muito se fala de seu baixo orçamento e até mesmo da precariedade de seus efeitos. Mas, covenhamos: trata-se de um filme de 1965! Três anos antes de 2001: Uma Odisseia no Espaço; doze antes de Star Wars; e quatorze antes de Alien, o oitavo passageiro!
Dito isto, não o achei o tosco. Trata-se não somente de uma película antiga como também produzida fora de Hollywood e com uma estética típica das gravações realizadas em estúdios-galpões, não em locações externas. Como alguém cansado de filmes com cortes a cada dois segundos e ângulos claustrofóbicos de tão fechados, encontrei aqui um respiro.
Particularmente, não há que se falar aqui em "suspensão de descrença". É óbvia a percepção de um cenário (e sangue) artifícial assim como a falsidade da lava, com sua água borbulhando e luzes avermelhadas.
Todavia, encaro tudo isso como mera representação, tal qual temos numa peça de teatro. Sabemos da ausência de realismo, mas apenas apreciamos o espetáculo (assim como em "Chaves" não nos importamos com o fato de adultos interpretarem crianças).
Ainda assim, cabe salientar o bom uso da perspectiva no cenário. Quando querem mostrar amplitude, filmam o "galpão" em sua largura; já quando querem dar um efeito de maior profundidade, como nos túneis, ele é filmado de "comprido".
E aqui, para mim, está a maior beleza e mérito do filme: que é mostrar uma tomada ampla, estática, com os personagens indo ou vindo pelas três camadas / planos. Algo que causa um paradoxo: já que traz a sensação de amplitude, mesmo num estúdio fechado. Isso ocorre inclusive dentro da nave.
As interpretações são bem típicas também, a exemplo dos desmaios, cenas de luta etc. Sinceramente, para um filme com esse tom "Pulp", não esperava muito mais que isso.
Já o roteiro, ainda que seja bem simples, é rodeado por uma boa atmosfera de mistério, reforçada pelas relíquias encontradas. É exatamente aqui que Alien bebeu bastante. O principal elemento de ficção científica e/ou sobrenatural conta com uma boa sacada que dispensa efeitos práticos adicionais. Seu final, do qual eu não esperava nada, surpreende e, como bem lembrado por outro comentador, remete a outro filme de FC que viria a ser lançado somente três anos depois...
O Planeta dos Vampiros está aí para nos lembrar que, muitas vezes, tudo que queremos é um filme de entretenimento que vá direto ao ponto: sem introduções mirabolantes e gigantescas (principalmente aquelas realizadas com um personagem contando isso tudo para o protagonista...).
Nos lembra também que o filme pode sim ter apenas 90 minutos, com começo, meio e fim bem definidos, sem falsas reviravoltas, sem aquela trilha sonora estridente a todo momento querendo conduzir o espectador. Se econtrá-lo em DVD ou Blu-ray por preço acessível, quero tê-lo na coleção e me animei agora em explorar mais filmes desta época e estética.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 659 Assista AgoraTirando o começo, o final e a parte da revolução, é um ótimo filme.
Grande Sertão
3.0 37 Assista AgoraUma releitura de um livro que não li. Diante da ausência de contato prévio, não tenho referencial para comparação. Mas tendo assistido entrevista com o diretor, sabia que a proposta seria diferente.
A melhor interpretação do Caio Blat é narrando. Como quiseram colocar a fala rimada e com ares musicais o tempo todo, fica bem cansativo, sem modulação. Houvesse alternância nesse ponto, teria um resultado melhor. Gostei muito de Luis Miranda também.
Notei uma possível referência ao filme Brazil (1985), de Terry Gilliam: naquele beco em que o vento começa a levantar plásticos que cobrem os personagens abraçados lembra muito a cena do Robert De Niro envolto por jornais no meio de uma ventania.
No final, é um filme com vários problemas, mas com saldo positivo. Gosto quando os diretores arriscam, mesmo quando erram. Foi algo que ocorreu em Tenet do Nolan, por exemplo, o qual não gostei, mas prefiro isso a ver apenas cinebiografias e adaptações sem espaço para algo mais autoral.
Half-Life 2: 20th Anniversary Documentary
1Excelente documentário. Há entrevistas com Gabe Newell, diversos membros da equipe de produção, incluindo desenvolvedores e o roteirista (Marc Laidlaw).
Falam dos bastidores de produção até brigas judiciais com a distribuidora. Mas os pontos altos são aqueles em que cada responsável por uma parte comenta como as ideias foram concebidas e vemos o trecho em questão no jogo. Para citar alguns exemplos: expressões faciais, física, puzzles, uso de veículos, inteligência artificial dos inimigos etc.
Falam sobre como a parte da Gravity Gun "turbinada" foi algo não planejado inicialmente.
Também há comentários sobre as "expansões": Episode One e Episode Two. Neste último, o cara que concebeu a mecânica do trecho final a explica enquanto rolam as imagens do jogo. É minha parte favorita, mas não costumo dar os detalhes para não estragar para quem ainda não jogou.
Por fim, o documentário encerra mostrando cenas inéditas (ao menos para mim) do desenvolvimento inicial do Episódio 3, como uma arma que cria barreiras e até rampas de gelo (aos 1:53:34).
Também explicam porque o Episódio 3 não foi lançado. Se é uma justificativa sincera ou não, não sei. Mas faz sentido: muitos membros da equipe trabalharam por mais de 8 anos na franquia, que é conhecida por sempre trazer uma grande inovação em relação aos jogos anteriores. E parecia não haver espaço para isso desta vez. Particularmente, acho que eles também têm medo de manchar a imagem desta propriedade intelectual. Fato é que elevaram tanto a barra, que fica difícil superar o patamar que chegaram. Acredito que jamais veremos Half-Life ² Episode Three ou Half-Life³.
Os Fora da Lei
3.6 17 Assista AgoraUma vez vi uma cena de um filme dessa franquia (Beomjoidosi) passando na Globo a noite e fiquei curioso, pois nela o protagonista dava uns tapões em alguém, lembrando os filmes de ação com muita porrada e pitadas de humor.
Resolvi assistir desde o primeiro filme, de 2017 e gostei. É um retorno aos filmes dos anos 1980 e 1990, mas com uma nova roupagem cultural, da Coreia do Sul.
Uma dúvida: reparei que nem os bandidos nem os policiais usam armas de fogo. A história se passa em 2004 e foi baseada em fatos reais. Alguém sabe se nessa época (ou até atualmente) há retrição de uso de armas de fogo na Coreia do Sul?
O Melhor Está Por Vir
3.4 19 Assista AgoraNesta semana, de filme estrangeiro, fui de "O Melhor Está Por Vir" (Il Sol Dell'Avvenire, 2023)
Acompanhamos um diretor de cinema chamado Giovanni. Ele está envolvido na produção de um filme ambientado nos anos 1950, sobre Partido Comunista Italiano e sua reação à invasão da Hungria pela União Soviética em 1956.
Giovanni é extremamente sistemático, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal, o que faz com que as pessoas mais próximas tenham de embarcar em seus "rituais".
Vou ter que usar um clichê e dizer que a fotografia é maravilhosa. É interessante a alternância entre o set de filmagem de época com as cenas contemporâneas. Não há aquele tom cômico, apenas vemos aquele cenário com uma paleta de cores mais moderna, deixando claro nosso ponto de vista.
O filme entrega grandes atuações e, por várias vezes, tece críticas à Indústria do Cinema, incluindo as empresas de streaming.
Já na parte histórica, confesso que boiei um pouco, por falta de conhecimento desse recorte específico da Itália nestes eventos.
Portanto, fica a dica para quem for assistir, dar uma revisada sobre a postura do PCI frente a Invasão Soviética da Hungria. A única referência que eu tinha disso era a música "Poverty For All" da banda Ignite (cujo vocalista é de descendência húngara).
Turma da Luta
2.6 14 Assista grátisProavelmente, não irei assistir. Mas quando vi as imagens e informações do filme, me pareceu um "Best of the best" versão "kids". Para quem não sabe, Philip Ree protagonizou uma trilogia de filmes de luta por equipes, que também contava com Eric Roberts e Cris Penn no elenco.
Oslo, 31 de Agosto
3.9 200Acabei de assistir e não acho que possa acrescentar muito em relação ao que já li nos comentários. Apenas me lembrei da música (letra) "The Plague", da banda Death By Stereo:
"They forgot and they stopped trying
They never saw the beauty in ugliness
In this climate I feel like I'm dying
Suffocating a slow and painful death
The hateful status, the ladders you're climbing
Are taking you to new heights of ignorance
Let's think about it, it's really kind of funny
I couldn't get in on your fucking list
I never fit in anywhere
And now I don't think I fit here
With no hope
Nothing to believe in
The kind of place we all dream about
Without borders, without boundaries
Creative outlet I can't live without
Uniforms, cop like styles
We see you coming, marching single file
Bow to fashion, your leader man
Come on baby
Sieg heil
I never fit in anywhere
And now I don't think I fit here
Before you walk out on that floor
Look around, it's a mirror
Ladies and gentlemen, individuality has left the building
FUCK YOU!
I never fit in anywhere
And now I don't think I fit here
Before you walk out on that floor
Look around, it's a mirror
With no hope, nothing to believe in
No hope, nothing to believe in
No hope, nothing to believe in
I've got something to believe in!"
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
4.3 5,0K Assista AgoraAviso: em 2023, foi lançado "A Verdadeira HIstória de Amélie Poulain, um curta-metragem de Jean-Pierre Jeunet" (La véritable histoire d'Amélie Poulain, un court métrage de Jean-Pierre Jeunet, 2023). Tem apenas 7 minutos e está disponível no canal de Youtube do próprio diretor, com legendas em Português (basta ativá-las). É como se fosse um "Tarantino's Mind" feito pelo próprio diretor.
Um Tira da Pesada 4: Axel Foley
3.4 203 Assista AgoraO maior "defeito" de "Axel F" foi o hiato de 21 anos para fazê-lo/lançá-lo. Conheci Eddie Murphy em "Um Tira da Pesada" e me tornei fã dele justamente pelos filmes que misturam comédia e ação na medida certa: "48 Horas", o próprio 'Tira da Pesada" e "O Rapto do Menino Dourado".
Quando migrou para filmes como "O Professor Aloprado" e suas piadas de peido (algo que nunca vi graça, mas que o grande público brasileiro parece amar) senti que foi um desperdício para sua carreira e um desfalque para os "buddy movies".
Em 2002, tivemos "Showtime", que considero um bom filme (ou boa tentativa) de colocá-lo de volta neste subgênero, mas parece que parou por aí. Essas duas décadas talvez não tenham pesado tanto para Eddie Murphy em sua aparência, mas pesaram demais para John Ashton (Taggart), é sofrido vê-lo tão velhinho ali e foi a única coisa que abalou minha suspensão de descrença.
PS: Uma coisa que o filme aborda, de forma muito sutil, é o hiperfoco e o vício em "adrenalina" do protagonista.
Furiosa: Uma Saga Mad Max
3.7 695 Assista AgoraFilme bom, mas com algumas ressalvas.
Furiosa é fiel ao universo criado em Estrada da Fúria, mata a curiosidade de quem se perguntava como foi a trajetória até ali, além de referências não só ao filme anterior como também à trilogia estrelada por Mel Gibson.
Outro fator que contribui para a qualidade do longa são seus planos abertos, deixando uma fácil compreensão do que acontece em cena. Todavia, ele conta mais com efeitos visuais (CGI) do que efeitos especiais (práticos) e isso quebra um pouco da imersão.
Soma-se a isso o aspecto "cromado" e de "novo" que há em alguns veículos. Sabemos que o "brilhante" faz parte do lema dos Garotos de Guerra e também que o filme é uma "prequel", mas não existem coisas "novas em folha" na Terra Devastada: ou é sucata ou material usado da antiga "civilização".
Além disso, o antagonista soa um pouco caricato. Ser "maluco" nesta saga é sempre algo positivo, mas não a atuação e/ou construção de personagem não ficaram muito convincentes.
Já a narrativa, não é necessariamente um ponto negativo, uma vez que a proposta é explicar "tudo" que aconteceu antes. Com isso, seu ritmo é bem cadenciado, destoando bastante de Estrada da Fúria.
Isso sugere que Furiosa funcionaria bem como uma (mini) série de 4 ou 5 capítulos. Vejamos: 2h28m divido por 5 = 29m e uns quebrados. Vale lembrar que o próprio filme é dividido em cinco partes, cada qual com título próprio, estampado na tela.
Dessa forma, Furiosa: Uma Saga Mad Max cumpre o que prometeu, ainda que "derrape" em algumas "curvas sinuosas", levantando poeira, mas sem causar nenhum "acidente", garantindo sua participação numa próxima "corrida".
A Próxima Vítima
3.6 35Nesta semana assisti "A Próxima Vítima" (1983). Um thriller, com Antonio Fagundes, Mayara Magri, Lousie Cardoso, Gianfrancesco Guarnieri, Othon Bastos e Goulart de Andrade (sim, o jornalista).
Em primeiro plano, o mistério e a violência dos assassinatos; já como pano de fundo, temos o ambiente eleitoral, com os primeiros passos de uma suposta abertura democrática.
Além disso, vemos também a cobertura da grande mídia que, mesmo após 40 anos, segue seletiva. Assim como o perigo de fomentar pautas sob o pretexto de as estar denunciando.
Ele Está de Volta
3.8 682Oito anos depois, reassisti o filme e seu impacto e tão grande quanto da primeira vez.
Ladrões do Tempo
4.0 5Excelente documentário.
Recomendo também outros dois, do mesmo diretor: The Light Bulb Conspiracy (2010), sobre Obsolescência Programada; e A Tragédia do Lixo Eletrônico (The E-Waste Tragedy, 2014), sobre o descarte de lixo eletrônico em países de Terceiro Mundo (ou "em desenvolvimento").
Fiz várias anotações aqui. Depois (não sei quando), tentarei fazer uma resenha dele. Uma pena que não esteja disponível oficialmente no Brasil. Mas depois de assistir, dá para perceber porque sua distribuição é bem restrita...
Impossível não fazer um paralelo com o filme O preço do amanhã (In time, 2011).
Guerra Civil
3.5 649Somente um diretor estrangeiro para fazer um filme desses sobre os E.U.A. e filmado nos E.U.A. É muito comum vermos filmes distópicos, mas não me lembro de nenhum que mostra o calor do conflito antes do ponto de virada.
Guerra Civil traz um ar poético em certas paisagens, mas quando dá o "zoom" na ação, é visceral, sem violência gratuita para chocar e sem musiquinhas edificantes para comover.
A crueza da guerra é extremamente realista, com fidelidade equiparada ao documentário "Você não é um soldado", que acompanha o fotógrafo de guerra brasileiro André Liohn; tanto na parte gráfica quanto nos (supostos) dilemas morais que poderiam ser levantados.
Morning Patrol
3.8 4Assisto um filme por semana e alterno entre nacionais e estrangeiros. Nesta semana, foi um filme grego chamado Morning Patrol. Não faço ideia de quando o adicionei ou de onde peguei a indicação.
Esperava um "Filme B", mas me surpreendi positivamente: possui uma ótima fotografia, com tomadas bem interessantes, principalmente aquelas mais abertas, as quais costumo brincar que, se pausar, viram um quadro.
Trata-se de um filme contemplativo, durante boa parte dele não há diálogos e conta com uma excelente narração em off, contendo excertos de obras literárias de autores como Philip K. Dick (não me pergunte de quais livros ou contos, pois fiz algumas pesquisas e não encontrei).
O enredo é bem vago: as cidades estão desertas e foram sitiadas por um grupo que se assemelha a militares. Não se sabe o que levou a esse estado de coisas, a protagonista também não parece saber ou se lembrar. Acompanhamos sua jornada e, de forma implícita, percebemos que pode ter ocorrido alguma guerra química, nuclear ou biológica, pois há sinais de contaminação e doença.
O longa não traz muita pirotecnia: o que prende e intriga o espectador é o clima de paranoia e, principalmente, suas excelentes locações. Neste sentido, é impossível não compará-lo a Stalker (Сталкер, 1979), do diretor Andrei Tarkóvski.
Em sua parte mais filosófica e narrações em off lembra muito Blade Runner (1982), tanto pelo aspecto existencialista e da brevidade da vida quanto pelas incertezas das lembranças sobre as origens. Em entrevista, o diretor Nikolaidis diz que o filme, lançado em 1987, está bem à frente do seu tempo e admite que foi profundamente impactado pelo seu próprio trabalho, dizendo que:
"Morning Patrol ainda é um filme que tenho medo de assistir. Para muitos, é meu melhor filme, eu apenas tenho medo de assisti-lo. Porque é um filme que fala sobre todas as coisas que eu temia e finalmente se tornaram realidade. Silêncio, frieza, comunicação quebrada, falta de emoções, assassinatos... Eu não quero falar sobre este filme. Ele me perturba".
O filme está disponível no Youtube (infelizmente, apenas com legendas em inglês).
Propriedade
3.7 126 Assista AgoraPropriedade é um ótimo thriller, como há muito não assistia.
A cena em que o sobrinho de Dimas está com a escopeta e Tereza está num canto escondida, me pareceu uma referência a Alien 3, quando a Tenente Ripley está encurralada.
O filme mostra o caráter vil de ambos os lados, do dono da fazenda,
que coloca aquelas pessoas na clássica situação de trabalho análogo à escravidão, por conta da retenção de seus documentos sob a justificativa de dívidas em armazéns. Além de ficar implícito algum castigo (tortura) que lhes era imposto pelo próprio dono da fazenda e/ou por seu capataz, haja vista as cicatrizes de queimadura feitas por ferro de marcar gado que são mostradas de forma bem evidente em nas mãos e nas faces dos camponeses.
Por outro lado, os trabalhadores são retratados de modo a permitir diversas interpretações. Desde uma revolta justificada até uma mais crua, que remete a uma cena do filme "O Invasor" (2001). A seguir, spoiler deste outro filme, do diálogo entre Ivan e Giba na rua:
"O Estevão não é santo... Se a gente bobear, ele põe no nosso rabo, porra! Vem cá, dá uma olhada no Cícero: parece um sujeito inofensivo, não? Mas você acha que ele tá contente em ser o que é? Ele é o encarregado da obra, manda na peãozada, tem poder. Mas é claro que não tá contente com isso. Ele quer mais, como todo mundo. E se ele tiver uma oportunidade, ele vai aproveitar, você tem alguma dúvida?! O mundo é assim, meu velho: o Cícero pode ter até aquela cara de sonso, mas se precisar ele vira bicho! Ele só te respeita porque sabe que você tem mais poder do que ele! Mas é bom não facilitar com essa gente. No fundo, esse povo quer o seu carro, querem o seu cargo, o seu dinheiro, as suas roupas... Querem comer a sua mulher, Ivan! É só ter uma chance... É isso que a gente vai fazer com o Estevão: vamos aproveitar a nossa oportunidade, antes que ele faça isso primeiro".
Ao final,
Tereza aceita que a única forma de encontrar sua paz é através do sepultamento. Pois mesmo que conseguisse se livrar daquela situação, junto com seu antigo trauma traria outros dois: a morte do seu marido diante de seus olhos e sua nova luta pela própria vida.
Um dos significados que extraio é que, para certas coisas, o conflito é inevitável. Nossa sociabilidade tem suas máscaras, ao agirmos polticamente (ou seria falsamente?); quando tais máscaras caem, resta apenas o baixo calão, a violência verbal,a violência física até à barbárie (com todo o respeito aos povos bárbaros).
Breaking Through
3.2 4Acho que é o primeiro filme da China continental que assisto com uma temática contemporânea. Tecnicamente, achei bem-feitas as cenas das competições. Para quem gosta de esportes, com certeza, terá alguns momentos bem emocionantes.
Quanto aos personagens, achei que ficaram um tanto rasos. E não digo sobre a interpretação dos atores (pois como é uma cultura bem diferente, certos trejeitos que poderiam parecer forçados podem apenas ser algo cultural). Digo no que toca às motivações, vida pessoal etc.
Outra coisa que achei bem esquisita foi a passagem do tempo. Há transições que parecem ser de horas e, na verdade, são de meses ou até anos. Na narrativa, o que mais incomodou foi o fato de não ter mostrado
Yang Fan treinando junto com os canadenses. Tudo que vemos disso é apenas uma foto dela, com jogadores de hóquei e nada mais
Uma coisa legal que o filme mostra é a dificuldade de se conseguir uma medalha de ouro, o quão duro é o treino e como as derrotas fazem parte do dia a dia de muitos atletas. Também presta uma grande homenagem aos atletas chineses, não só da patinação, mas também de outras modalidades. E, parando para pensar, isso é algo bem raro de ver, de forma dramatizada, aqui no Brasil. Não valorizamos nossos atletas.
2 Coelhos
4.0 2,7K Assista AgoraGostei. Muito difícil ver filmes brasileiros com esse estilo de ação mais descompromissada, que não se leva tão a sério. É clara a semelhança com os filmes de Guy Ritchie, incomoda um pouquinho quando vemos que ele tenta emular um "Snatch" da vida, mas ficou muito legal, não há como negar. Gostei da forma como o roteiro vai se amarrando, ainda que de uma forma bem mirabolante.
Dias Perfeitos
4.2 603 Assista AgoraO filme traz algo que, a cada dia, se torna mais impraticável; se você mora no Brasil, praticamente impossível, que é: separar sua vida vida profissional da pessoal. E, por mais que você se dedique ao trabalho, ter o tempo e paz suficientes para descansar e fazer suas coisas, sem ter a paranoia de que algo ou alguém irá te interromper.
De modo mais concreto: se dedicar ao trabalho com afinco, mas fazendo aquilo que cabe a você e condizente com seu cargo e seu salário (e não ser precarizado).
Em que pese o fato de o personagem ter seus próprios utensílios de trabalho e também do episódio em que leva sua sobrinha (a contragosto) para acompanhá-lo, fica claro que o ele quer ter sua vida pessoal bem separada do trabalho. Seus momentos de relaxamento e contemplação durante o expediente ocorrem somente no horário de almoço que, apesar de breve, carrega um grande elemento de sua vida pessoal (mas que ainda passará por uma curadoria posterior).
Há horário para tudo: o trabalho, o qual faz com esmero mas, terminado este, se desliga totalmente dele: tomando seu banho prolongado, que não só remove germes e bactérias, mas também providencia um estado de relaxamento necessário para sua leitura (quem nunca teve a experiência depois de tomar um banho, relaxar numa leitura diante daquele vento fraco de um ventilador ou brisa vinda da janela? Ou qualquer outro "ritual", como aquele de Duro de Matar I, de contrair os dedinhos sobre um carpete de um quarto de hotel, logo após uma longa viagem de avião?).
Temos também o papel do minimalismo (ou melhor: essencialismo), no sentido de dedicar nosso tempo a poucas atividades edificantes, como uma boa leitura ou audição de um álbum de música ao invés de ficarmos dando scroll numa tela, acessando redes sociais.
E algo bem marcante: a importância da passagem do tempo "no tempo do próprio tempo". Basta lembrar das mudas de plantas que ele rega diariamente e vê crescer, pouco a pouco; as fotos que tira diariamente numa máquina com filme ,tendo de esperar 1 mês (talvez) para fazer a revelação e, só então, selecionar quais ficaram boas e quais serão descartadas (como a velho clichê do escritor que guarda seu texto numa gaveta por uma semana ou um mês antes de revisá-lo novamente, a fim de ter um julgamento mais frio); e claro: o que diz a sua sobrinha "Na próxima vez é na próxima vez; agora é agora". Em suma: cada coisa no seu tempo.
E, falando em tempo: percebemos o quanto este senhor "estoico" perde a compostura ao ter sua rotina alterada por algo do qual não tem culpa e muito menos é responsável. A desordem no trabalho cria uma reação em cadeia que afeta gravemente sua vida pessoal, fazendo perder um "dia perfeito" com suas atividades prazerosas.
Sei que há coisas subentendidas no filme e nem todas compreendi. O personagem tem lá sua parcela de egoísmo (se assim podemos dizer), e revela que, muitas vezes, tudo o que queremos é viver nossa vida em paz, quietos no nosso canto (dá ensejo também, para uma interpretação do dilema do porco-espinho).
Para fechar: reparei que ele não tem nem mesmo TV em casa, muito menos smartphone ou computador. Percebem a maravilha que é deitar e dormir tranquilamente, sem se preocupar com trending topics de Twitter / X, notificações de WhatsApp, notícias com click bait ou gatilhos de alarmismo que nos deixa ansiosos?
PS: Li uma crítica do filme chada "A rotina e o encanto", no site do IMS (Instituto Moreira Salles). Nela, há indicação de dois filmes que guardam alguma relação com ou serviram de inspiração para Dias Perfeitos: A Rotina Tem Seu Encanto (1962) e Paterson (2016). Ainda não os assisti, mas já estão na minha lista.
O Invasor
3.6 177 Assista AgoraSe você algum dia achou que a humanidade não tem solução, O Invasor te fará ter certeza.
Para mim, a cena mais marcante é o diálogo entre
Ivan e Giba na rua, quando este aponta para o encarregado da obra e diz que o funcionário só o respeita porque sabe que ele tem mais poder.
Há também uma clara referência a Taxi Driver (quem assistiu, saberá quando).
Um fato curioso é que o livro escrito por Marçal Aquino foi concluído e lançado só depois do filme, como ocorreu com "2001: Uma Odisseia no Espaço", de Arthur C. Clarke.
Aquarius
4.2 1,9K Assista AgoraNota mental: nunca, jamais assistir a um filme do Kleber Mendonça Filho
antes de dormir. Especialmente quando tiver que acordar cedo no dia seguinte.
Dúvida: a cena em que Clara está
dormindo na rede é uma referência a Ripley dormindo na cápsula criogênica em Alien - O Oitavo Passageiro?
O Processo
4.0 130 Assista Agora"Muita burocracia, a dificuldade te supera
Sua força de vontade ficou na fila de espera"
Penso, Logo Desisto (Lobotomia).
Pelo que me lembro do livro, o filme captou muito bem a ambientação. Essa coisa de ir em busca sem nunca encontrar algo que você nem mesmo sabe o que é. O pesadelo de andar, andar e não chegar a lugar algum. Outro filme que, com certeza, bebeu muito nesta fonte é Brazil, do diretor Terry Gilliam.
O Som ao Redor
3.8 1,2K Assista AgoraO filme bate numa tecla que, em entrevistas, o diretor Kleber Mendonça sempre pontua: a valorização da História.
"Bacurau", primeiro filme que assisti deste diretor, deixa isso bem claro. E, aqui, em "O Som ao Redor", há a cena
em que Clodoaldo visita Francisco, estendendo-lhe um panfleto sobre os serviços de segurança que presta; por sua vez, Francisco recusa: "Não, eu não junto papel, não". Tanto aqui quanto na cena final, vemos o desdém que tal personagem tem pela História e seu esquecimento dela, seja ele seletivo ou não.
Comparando o encontro inicial e final destes personagens, acabei fazendo um parelo com "Bacurau", entre a recomendação dos moradores aos turistas, para visitarem o Museu e a derradeira cena...
No mais, me chamou muito a atenção a questão não só do som, mas do barulho. Acho que ele denuncia muito sobre o "progresso", a verticalização das cidades, gentrificação etc. Para além disso, me identifiquei muito com a personagem Bia, menos pelas substâncias e certos hábitos e mais pelo estado de nervos que o barulho incessante lhe causa, pois moro num lugar extremamente barulhento e, quando assisti o filme, às vezes retornava determinada cena para me certificar se o barulho era do filme ou daqui, da vizinhança. Aliás
o consumo de maconha da personagem parece ser algo diretamente ligado ao barulho em grande medida, sem contar a ausẽncia de seu marido, é claro.
Acho que só quem tem muita sensibilidade ao barulho, estuda em casa ou trabalha em home office sabe o quão difícil é suportar um ambiente constantemente barulhento quando necessita de concentração e desenvolver uma atividade mais intelectiva: barulho de motor e escapamento de motos, entregadores de aplicativo que tocam a buzina sempre de 5 a 7 vezes seguidas a cada entrega, sinais sonoros de ré de caminhões, botijões de gás sendo batidos uns nos outros num posto enquanto são descarregados, serralheria que funciona de domingo a domingo em horários que vão das 06:30 às 23:30, cachorros latindo, gente gritando, músicas nas alturas etc.