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Últimas opiniões enviadas

  • Silvio

    Em algum sentido esse filme é filho de 'no country for old men', a grande obra dos irmão Coen. Abraça a causa daquele e usa da mesma fórmula: um faroeste pelas ruas do oeste norte americano; um xerife e seu parceiro em uma espécie de duelo com criminosos que eles nunca encaram, mas sempre partilham os mesmos locais, andam no encalço, travam contatos com as mesmas pessoas mas nunca se olham nos olhos. Se David Mackenzie tomou emprestado toda a atmosfera que permeia a obra dos irmãos, os mesmos arquétipos de personagem e estrutura aqui são conduzidos por caminhos que dialogam com temas contemporâneos e arranham outras conversas: a população local passa de forma mais ativa na trama, seja dialogando com os criminosos, apoiando-os (como a garçonete que recebe gorjeta suficiente para ajudar na hipoteca e prefere não ajudar a entregar os bandidos) ou perseguindo-os e ajudando a polícia a capturá-los; a população local está pronta para atirar em bandidos, com suas armas sempre à cintura. O tema do porte de armas está bem explícito e a cultura texana onde todo homem tem seu revólver é parte importante dos acontecimentos gerais. São os mesmos velhos personagens mas numa roupagem atual que dialoga direto com nossa época. E nessa época atual desses personagens, homem branco que colonizou o oeste afugentando os índios agora sofre uma nova colonização; a dos bancos e dos especuladores que tomam as terras, não com exércitos, mas com empréstimos e assinaturas.

    "Hell or high water" é um filme de assalto e perseguição em que cada bala atirada cai no lugar certo para cravar seu discurso no exato momento em que foi concebido. No fim deixa um gosto meio amargo e melancólico em que cada diálogo se encaixa e cada personagem tem seu espaço desenhado de forma a preencher exatamente esse cosmo que se desenhou e que não foi, necessariamente, finalizado.

    Puta filme.

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  • Silvio

    Kelly Reichardt é mesmo uma diretora interessante. "Wendy and Lucy" é mais um presente imersivo que ela nos dá.

    "Wendy and Lucy" é um filme sincero, sobre uma garota da qual nada sabemos quando ela chega a uma pequena vila no Oregon: de onde ela veio, por que veio, são questões que não interessam. Ela vai ao Alaska, em busca de um emprego. Por que o Alaska? Sua irmã vive em Indiana e essa é uma das poucas informações que teremos sobre o que Wendy deixou para trás. Ir ao Alaska apenas para buscar um emprego não parece ser o único motivo que move Wendy, como o telefonema para a irmã deixa subentendido. Há algo a mais.
    Mas não saberemos mais que isso.
    Temos aqui um filme bastante subjetivo: acompanhamos Wendy, junto da câmera de Kelly, por todo o filme. Enquanto ela caminha do mercado até o canil, do canil até a oficina de carros e de volta. Não há muito mais que isso. O que Kelly nos dá é uma imersão completa na vida de Wendy naqueles poucos dias em que ela fica presa nessa vila do Oregon após seu carro quebrar e sua cachorra, Lucy, desaparecer. Com parcos recursos financeiros, com suas contas praticamente definidas nota por nota até a chegada ao Alaska, Wendy enfrentará o que ela define como uma "maré de azar" desde a chegada àquela vila até sua partida de lá. Não se trata de uma garota que 'dropou' a vida, mas sim de uma cuja vida parece tê-la 'dropado'. Mas Wendy é convicta e vai se resolver, mesmo que tenha que dormir dentro do carro ou no meio do mato, tomar banho em banheiro de posto de gasolina e roubar enlatado de comida de cão para sua Lucy. Wendy está em situação desfavorável mas com um objetivo claro em mente.

    Enquanto seus planos se desintegravam, numa sucessão lenta de acontecimentos, Wendy permanecia de cabeça erguida, tentando contornar as situações, e se ela não voltava para casa e mantinha o plano de ir adiante arrumar dinheiro de alguma forma, mesmo que muito longe de casa, eu me convencia de que o que a tirou de lá foi alguma situação bem complicada.
    Michelle Williams, intérprete de Wendy, e em quem a câmera de Kelly está o tempo inteiro colada, é a grande responsável por todas as nuances da persona de Wendy que se revelam durante os 80 minutos de projeção; atriz concisa e completamente consciente do que está fazendo, Michelle é a grande alma do filme. Kelly é a grande mestra que com sua câmera segue Wendy e nos revela os pedaços de sua história, aos poucos, de forma sútil e clara, com planos ora fechados, ora subjetivos, ora estáticos apenas observando.

    "Wendy and Lucy" é um excelente filme, de algum formato americano naturalista, recortando o dia-a-dia das ruas, sem algum grande desenvolvimento de roteiro do que seria por aí chamado de "grande história". É um filme "sem história". É apenas um recorte de uns dias de sua personagem: sabe-se bem pouco de onde veio, e sabe-se nada de para onde vai.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    O plano no qual Wendy deixa Lucy, já de costas, sacolas na mão, o ritmo lento, o som leve do choro no fundo, é de uma beleza arrebatadora. O sentimento construído é puro. O rosto de Michelle Williams encarando Lucy pelo cercadinho, lágrimas nos olhos, prestes a deixá-la e dizendo que vai viajar para arrumar dinheiro e voltar para buscá-la é de matar. Se faz isso com a gente não =//////////

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