O senador Porfírio Diaz (Paulo Autran) detesta seu povo e pretende tornar-se imperador de Eldorado, um país localizado na América do Sul. Porém existem diversos homens que querem este poder, que resolvem enfrentá-lo.
o transe contínuo do povo: dilacerado ora pelo populismo, ora pelo conservadorismo. os miseráveis continuam sendo a corda que arrebenta. famintos de comida, de pertencimento, de qualidade de vidam, política e de profecias. mudam os slogans, mudam os líderes, mudam as bandeiras e partidos. a fome permanece.
terra em transe não envelheceu porque nunca deixou de ser contemporâneo. glauber rocha transformou a política latino-americana em delírio. o perturbador é perceber que o delírio continua. eldorado não ficou em 1967. eldorado está aqui.
paulo martins é a tragédia do intelectual. tem lucidez, indignação e palavras. mas palavras não derrubam estruturas. desde 1967, glauber parece repetir a mesma lição: mudanças políticas acontecem nos atos, não nos discursos. talvez seja justamente por isso que continuamos girando em círculos, esperando que a próxima promessa realize aquilo que a anterior não cumpriu.
o poeta compreende a engrenagem, mas não consegue pará-la. observa o espetáculo, denuncia os atores, nomeia a farsa. ainda assim, permanece dentro dela. há algo de profundamente latino-americano nessa impotência: saber exatamente onde está a ferida e continuar assistindo à hemorragia.
o lirismo é brilhante. as atuações são intensas. a narrativa fragmentada por vezes confunde, mas talvez essa confusão seja deliberada. afinal, ninguém percorre um transe em plena lucidez.
quase sessenta anos depois, a pergunta já não é se terra em transe continua atual.
a pergunta é: em que momento saímos do transe? ou pior: e se o transe for a nossa condição natural?
O filme mostra a história de Paulo dividido entre um político autoritário e um populista fraco. O mais impressionante é ver como essa política se repete até hoje no Brasil. Não é um filme fácil de assistir. Ele é meio cansativo e tem uma montagem confusa que pode afastar muita gente. Não acho o filme ruim por causa disso, mas é bom registrar que o ritmo é cansativo, embora a mensagem continue muito forte e atual.
Filme difícil. Confesso que fiquei exausto. Acredito que compreendi a questão política contida no filme. Mas fiquei demasiadamente cansado ao terminar de ver. Também tem momentos muito confusos.
Ô filmeco, viu. Tenta exageradamente ser categórico, poético e crítico, tornando cada frase uma investida assaz dramática em definir a configuração política do Brasil nos primeiros anos da ditadura militar.
A teatralidade incomoda e deixa a trama solta demais, aparentemente aleatória (ainda que não seja), e essa verborragia introspectiva - clara influência da nouvelle vague, lembrando em dados momentos "Last Year at Marienbad" - realmente não me desce, tentando imprimir uma dramaticidade artificial.
Não consegui me conectar emocionalmente em nenhum momento. É disperso e deveras insistente. Não me desceu.
o transe contínuo do povo: dilacerado ora pelo populismo, ora pelo conservadorismo. os miseráveis continuam sendo a corda que arrebenta. famintos de comida, de pertencimento, de qualidade de vidam, política e de profecias. mudam os slogans, mudam os líderes, mudam as bandeiras e partidos. a fome permanece.
terra em transe não envelheceu porque nunca deixou de ser contemporâneo. glauber rocha transformou a política latino-americana em delírio. o perturbador é perceber que o delírio continua. eldorado não ficou em 1967. eldorado está aqui.
paulo martins é a tragédia do intelectual. tem lucidez, indignação e palavras. mas palavras não derrubam estruturas. desde 1967, glauber parece repetir a mesma lição: mudanças políticas acontecem nos atos, não nos discursos. talvez seja justamente por isso que continuamos girando em círculos, esperando que a próxima promessa realize aquilo que a anterior não cumpriu.
o poeta compreende a engrenagem, mas não consegue pará-la. observa o espetáculo, denuncia os atores, nomeia a farsa. ainda assim, permanece dentro dela. há algo de profundamente latino-americano nessa impotência: saber exatamente onde está a ferida e continuar assistindo à hemorragia.
o lirismo é brilhante. as atuações são intensas. a narrativa fragmentada por vezes confunde, mas talvez essa confusão seja deliberada. afinal, ninguém percorre um transe em plena lucidez.
quase sessenta anos depois, a pergunta já não é se terra em transe continua atual.
a pergunta é: em que momento saímos do transe?
ou pior:
e se o transe for a nossa condição natural?
O filme mostra a história de Paulo dividido entre um político autoritário e um populista fraco. O mais impressionante é ver como essa política se repete até hoje no Brasil. Não é um filme fácil de assistir. Ele é meio cansativo e tem uma montagem confusa que pode afastar muita gente. Não acho o filme ruim por causa disso, mas é bom registrar que o ritmo é cansativo, embora a mensagem continue muito forte e atual.
Filme difícil. Confesso que fiquei exausto. Acredito que compreendi a questão política contida no filme. Mas fiquei demasiadamente cansado ao terminar de ver. Também tem momentos muito confusos.
Ô filmeco, viu. Tenta exageradamente ser categórico, poético e crítico, tornando cada frase uma investida assaz dramática em definir a configuração política do Brasil nos primeiros anos da ditadura militar.
A teatralidade incomoda e deixa a trama solta demais, aparentemente aleatória (ainda que não seja), e essa verborragia introspectiva - clara influência da nouvelle vague, lembrando em dados momentos "Last Year at Marienbad" - realmente não me desce, tentando imprimir uma dramaticidade artificial.
Não consegui me conectar emocionalmente em nenhum momento. É disperso e deveras insistente. Não me desceu.
É a primeira vez que assisto e dormi durante boa parte do filme. Achei cansativo, mas talvez tente assistir de novo futuramente.